A Maldição De Afrodite

7 Planos dando errado, de novo!


O que eu vou contar agora é o que aconteceu quando Sarah se separou de mim, então por mais que eu não me sinta confortável com isso... Vou deixar Sarah tomar conta da minha historia um pouco.

O Len deveria estar me agradecendo, só com minha ilustre presença que essa historia chata dele poderia ficar um pouco mais interessante. De qualquer forma, olá. Sou Sarah, e (no momento atual da historia) sou uma filha de Afrodite de 12 anos.

Quando Len me pediu para ir resgatar sua irmã eu fiquei nervosa, porque eu tenho que ir atrás daquela garota? Uma filha de Ares não consegue se virar sozinha? Meu plano inicial era usar ele até conseguir fugir e depois o abandonar, porque estou fazendo isso agora? Nem eu sabia explicar, porém ao ver o medo que ele tinha de perder ela eu não pude recusar, e eu não conseguiria fugir sem que Len matasse Kikuo por mim, então eu tinha que cooperar.

Admito que quando tive que voltar a aquele lugar infernal fiquei um pouco apreensiva. Porque eu deveria ir atrás dela? Ela era uma filha de Ares tanto quanto Len, que estava aqui enfrentando Kikuo corajosamente. Na verdade eu poderia simplesmente ir embora desde o momento que Len invadiu o quarto de Kikuo, contanto que essa estrada nos leve até uma cidade eu poderia viver sozinha nas ruas, e se a estrada não chegasse a lugar nenhum... Bem, não importaria se eu estivesse sozinha ou não, nós morreríamos.

Mas ao mesmo tempo fiquei preocupada, Já vi vários semideuses enfrentarem Kikuo antes e sempre o resultado era o mesmo. Eu mesma fui a prova viva que não se pode fugir dele. Apenas “ele” conseguiu fugir, mas eu não duvidaria nada daquele cara, ele poderia segurar até o peso dos céus se quisesse.

Mas ao mesmo tempo, acho que parte de mim estava cansada de ver semideuses morrendo pelas mãos desse cara. Nem que eu fugisse agora, ele continuaria capturando outras pessoas enquanto estivesse vivo. Eu realmente queria que Len conseguisse matar ele logo para fazer do mundo um lugar melhor. Sem contar que Len me ajudou a chegar até aqui, ele era um bom garoto então acho que parte de mim queria ver ele feliz do lado de sua irmã.

Enfim, voltei para o circo o mais rápido possível. Só de passar pelo lado de Kikuo já percebi que Len iria precisar de sorte, ele tinha um ódio mortal por mim, mas mesmo assim nem prestou atenção quando eu passei por ele.

Fui correndo de vagão a vagão, primeiro eu passei por onde os animais estavam, passei também pela jaula dos elefantes e depois pelos vagões onde os funcionários deveriam estar dormindo. Mas dessa vez todos os vagões estavam abertos e ninguém se encontrava neles, nem mesmo Pierre estava por lá mais. Percebi também que outro vagão tinha desaparecido completamente. Passei pelo vagão que servia de estábulo, também era o local onde Len dormia. Rin geralmente dormia ali também, mas nem agora ela estava por perto. Todo o circo parecia incrivelmente deserto.

—Estou ficando preocupada... Não é nem duas da manha agora, onde está todo mundo?

Ouvi uma explosão vinda de fora do circo e o chão começou a tremer e logo parou, tentei ignorar e seguir em frente, achar Rin era prioridade naquele momento.

Depois de olhar por dentro de todos os vagões e não achar ninguém eu já estava completamente exausta. Quando estava prestes a voltar e tentar ajudar Len para que ele pudesse procurar comigo, eu ouvi uma voz, muito diferente de qualquer uma que eu já ouvira antes. Era profunda e grossa, mesmo de longe essa voz era alta e impunha medo em cada centímetro de meu corpo.

—MAIS RAPIDO! Eu não tenho todo o tempo do mundo! – Ouvi a voz gritar, ela vinha de trás do circo.

Aproximei-me de onde a voz vinha e me surpreendi ao ver o vagão que havia sumido, sendo descarregado pelos trabalhadores mortais do circo que pareciam estar sobre algum tipo de hipnose. Todos andavam igualmente, com o mesmo ritmo e praticando as mesmas ações. Eles levavam jaulas do vagão para dentro de um caminhão enorme, dentro das jaulas... Bem, havia semideuses. Devia haver pelo menos 40 deles, observando de longe consegui identificar uma garota desmaiada de cabelos loiros e pele clara, ela tinha os mesmos traços de Len mas era muito mais magra e estava coberta de machucados, só a tinha visto antes uma vez, mas logo reconheci que aquela era Rin. Chegando mais perto vi que a voz de antes saia de um homem prateado de 3 metros de altura. Ele não usava roupa nenhuma e seu cabelo era branco e bagunçado. Sinceramente ele me lembrava uma espécie de Einstein radioativo.

—Não se preocupe, temos todo o tempo do mundo agora que Kikuo está ocupado. – Disse Pierre, ele não trabalhava com os outros mortais e parecia ser o único fora daquela hipnose estranha. Ele também falava com o homem prateado casualmente.

—De qualquer forma, Cronos está me questionando um pouco sobre essa história toda. Na verdade nem eu estou muito confiante de que isso vai dar certo.

—Não se preocupe Jápeto. – Disse Pierre com um sorriso no rosto. – Tudo está saindo exatamente como planejado.

Antes de conseguir me lembrar de onde eu já havia ouvido o nome Jápeto, bolei um plano de resgate o mais rápido possível. Esperei até o ultimo semideus ser carregado para dentro do caminhão e o homem prateado entrar na cabine do motorista. Todos os mortais voltaram para seus vagões com exceção de Pierre, que desejou boa viagem a ele e saiu andando em uma direção oposta aos mortais.

—E não se esqueça! – Gritou Jápeto de dentro do caminhão. – Na próxima, me consiga mais! A partir de agora ninguém mais vai poder te atrapalhar!

Pierre apenas fez um sinal de ‘joinha’ de longe e continuou andando. Naquele momento uma teoria doida se formou em minha cabeça. Talvez Pierre se deixou levar pelos meus planos o tempo todo com esperança de que eventualmente Kikuo fosse de fato morrer, só para ai poder tomar conta disso tudo. Agora... Cronos? Jápeto? Kikuo sempre nos vendia para pessoas doentes que queriam mão de obra divina ou escravos com super poderes, Titãs nunca haviam sido parte dessa equação.

Quando a caminhão deu a partida eu decidi pensar nisso depois e focar agora no problema em minha frente e coloquei meu plano em ação. Por sorte, um dos trabalhadores havia ficado para trás, ele estava cansado demais do trabalho de carregar os semideuses até o caminhão de Jápeto, então após o efeito de sua hipnose terminar, aquele homem ficou parado no escuro da noite na mais pura confusão. Para o azar dele, eu precisava de uma marionete tanto quanto Jápeto precisou antes, então usei meu charme nele. O caminhão já estava começando a se movimentar quando terminei de influenciar aquele mortal, corri atrás dele e usando o arco mirei no pneu da frente.

—Por favor, Ártemis, Apolo. Façam-me acertar agora – puxei a flecha o Maximo que consegui e fiz a mira enquanto corria – Por favor...

Então a disparei. A flecha acertou o pneu esquerdo da frente do caminhão antes de ele conseguir ganhar velocidade e aos poucos ele parou a 10 metros de onde estávamos. Jápeto desceu furioso e começou a gritar

—O QUE SIGNIFICA ISSO? – ele brandia uma lança tão prateada quanto ele e gritava com tanta força que parecia que eu ia sair voando. – QUEM É O RESPONSAVEL POR ISSO?

Assim como ordenei, o trabalhador foi correndo de encontro com ele.

—Temos um problema senhor Jápeto, um dos semideuses dentro do caminhão esta doente, tenho que retirar ela daí imediatamente!

—Eu não ligo para isso! Eu posso apenas matar ela, não temos uso para semideuses doentes. Agora me explique imediatamente do porque de você ter estourado meu pneu... Com uma flecha?!?

Enquanto eles discutiam, eu dei a volta no caminhão e fiquei do oposto ao que eles se encontravam. Torci para que o mortal conseguisse tempo o bastante para mim e não fosse morto por um Titã pelado brilhante. Apesar de que isso seria um jeito hilário de se morrer, isso eu devo admitir.

—Me desculpe senhor Jápeto – disse o funcionário, ainda sob efeito de meu charme — se preferir pode ir até o vagão três para nós pegarmos um pneu enquanto eu pego a garota.

—Você fala como se eu fosse fazer um trabalho ridículo desses. Vá você! Eu cuido da garota.

Jápeto foi em direção aos fundos e abriu o caminhão enquanto o funcionário voltou correndo para o acampamento, eu apenas tinha dito para ele distrair Jápeto e tirar ele de perto do caminhão, mesmo que ele não tenha conseguido aquilo, ninguém seria louco o suficiente para discutir com uma força daquelas, nem mesmo alguém sobre o efeito de meu charme.

Peguei meu arco e armei uma flecha nele, fui andando sorrateiramente enquanto Jápeto procurava pela garota descrita. –Vamos logo, qual de vocês vermes inúteis está doente? Quanto mais rápido eu matar você mais cedo nós podemos ir de encontro com o rei dos Titãs! – Pulei de trás do caminhão enquanto ele gritava e rolei até chegar perto de onde Jápeto estava. Ou deveria estar.

—Ele sumiu? Como eu pude perder de vista um homem prateado de 3 metros de altura? – Ouvi um barulho vindo de trás de mim e me virei a tempo de desviar da lança prateada que perfuraria meu peito. Cai sentada com o arco no colo, a flecha ainda presa a corda.

—Olha só o que temos aqui, parece que meu irmão não é mais o mesmo... Deixando semideuses andar soltos por ai bem embaixo de seu nariz. – então levantou sua lança novamente e a apontou para mim – vou te empalar, garotinha maldita. Você deve ser a responsável pela flecha em meu pneu, vai aprender a respeitar o grande Jáp...

Então ele foi interrompido pelo barulho de uma explosão que veio de fora do circo novamente, o chão chegou a tremer tanto que até ele acabou perdendo o equilíbrio. Aproveitei essa chance para mirar meu arco novamente e o mirei em Jápeto, quando ele caiu de joelhos com o tremor eu consegui disparar uma flecha em seu olho esquerdo.

—AAARGH SUA INSOLENTE! – ele tentava se levantar, porém o chão continuou a tremer e nenhum de nós conseguia nos levantar, eu só consegui sair rolando para fora do alcance de sua lança.

Mesmo com o chão tremendo, consegui armar outra flecha e a disparar contra Jápeto. Eu mirava em seu pescoço, mas acabei por acertar seu joelho direito. Tudo bem, aquilo já era bom o bastante. Aproveitei que ele estava rolando no chão de dor e assim que o tremor cessou, corri em direção do caminhão e fechei as portas da traseira. Então entrei na cabine e dei partida no caminhão.

—Hm... O que isso faz? – pressionei o acelerador com o pé e o caminhão começou a ganhar velocidade, mesmo com o pneu fronteiro estourado o caminhão ainda conseguia acelerar um pouco, não me preocupei muito, só queria pegar o Len e sair dali o mais rápido possível.

Virei o volante e fui com o caminhão em direção à estrada, consegui chegar lá aos poucos enquanto fazia uma longa volta em torno do circo, quando cheguei à estrada vi Len e Kikuo se enfrentando na distancia. Pisei fundo no acelerador e comecei a pegar velocidade até que Jápeto veio mancado e parou na frente do caminhão. – NÃO VÃO PASSAR!

—Resgate ao caminho! – gritei e pisei fundo no acelerador novamente. Mesmo sem um pneu funcionando aquele caminhão tinha bastante força ainda, mesmo um pouco inclinado ele conseguiu chegar perto dos 60 km/h até chegar a Jápeto. Assim como Len havia segurado o touro naquela arena, Jápeto segurou a frente do caminhão. Ele colocara suas mãos na parte de baixo da frente do caminhão e com incrível força começou a levantar ele.

Provavelmente eu e todos aqueles semideuses estaríamos mortos agora se ele estivesse inteiro, porém Jápeto ainda estava com uma flecha em seu joelho direito e por isso não conseguiu usar toda a sua força. Com o tempo ele cedeu e caiu, o caminhão passou por cima dele o deixando desacordado na estrada. Comemorei com um grito e fiquei rindo até perceber que o caminhão ainda estava andando.

—Ér... Onde fica o freio? Pelos deuses que lugar sujo, eu não sei onde fica nada! – a cabine era cheia de embalagens velhas de fast food e resto de embalagens.

Consegui achar o freio de mão depois de procurar por toda a cabine (sim, ele estava do meu lado o tempo todo e não, eu nunca tinha entrado em um carro antes), mas não fui rápida o bastante para achar ele e o caminhão chegou a uma parte da estrada que estava completamente destruída, com rachaduras e fumaça saindo do asfalto como se um pequeno terremoto tivesse acontecido lá. E pelo barulho que eu ouvi antes de freirar, parece que havia atropelado alguém.