A Maldição De Afrodite
17 Ganho novas armas! E uma nova sentença de morte!
Guardei minhas novas armas em meu cinto e juntos fomos até os domínios de Afrodite. Se não fosse pelos óculos escuros que Ares nos deu, eu teria ficado cego assim que saímos de seu templo. Tudo era tão claro! Olhando em volta eu vi que o Olímpio era basicamente uma cidade, os 12 principais deuses tinham suas mansões na parte mais alta da cidade, enquanto os outros deuses menores ficavam nas áreas mais baixas, seus templos eram menores, mas não deixavam de ser menos extravagantes.
Conforme passávamos pela cidade, todos nos olhavam de canto de olho. Mesmo com Ares ao nosso lado, logo percebi que não éramos bem vindos lá. Monet estava apreensiva e andava ao meu lado, segurei sua mão para que ela se sentisse mais segura, mas logo percebi que não estava adiantando muito.
Passamos pelos templos dos outros principais Deuses do Olimpio, todas eram enormes e extravagantes em seu próprio jeito. O templo de Apolo parecia ser feito de ouro de tão brilhante que era, o de Dionísio tinha arvores videiras na frente e era um pouco mais discreto que os demais, também parecia que ninguém cuidava dele a muito tempo. Continuamos andando até chegarmos ao templo de Afrodite.
Sua entrada era feita de flores de todos os tipos, o templo em si tinha uma cor que variava entre roxo e rosa e de dentro do templo vinha um cheiro forte de perfume que parecia te convidar a entrar. Nós entramos no templo e conforme passávamos do saguão de entrada, o cheiro ficava mais e mais forte. Mas não de uma forma enjoativa, era um perfume delicioso que dava vontade de ficar lá para sempre, o lugar todo tinha uma aura diferente... Da mesma forma que no templo de Ares eu sentia vontade de pegar minhas espadas e sair lutando com qualquer um que desse estivesse em minha frente, assim que entramos no templo de Afrodite, senti meus sentimentos ficarem confusos.
Eu sentia falta de Sarah, queria que ela estivesse ao meu lado, de mãos dadas, possivelmente me beijando... E ao mesmo tempo eu sentia uma forte vontade de agarrar Monet pelos braços e nunca mais a soltar. Não por que eu a amava nem nada do tipo, mas por puro instinto, algo naquele lugar fazia meus hormônios explodirem dentro de mim. Acho que mesmo que eu não a conhecesse, aquele lugar faria com que eu me sentisse da mesma forma.
Aparentemente ela também estava afetada, seu rosto estava vermelho e mesmo não estando mais sobre os olhares maldosos dos outros deuses, ela apertava minha mão com mais força que antes, seu corpo estava tão próximo ao meu que eu podia sentir sua respiração em meu ombro. Tentei deixar esses pensamentos de lado enquanto andávamos, precisava me concentrar na possível batalha que estava por vir. A sala de estar do templo de Afrodite era completamente diferente com o de Ares, era como um jardim gigante. Tinha uma fonte d’água no meio da sala, todo o chão estava coberto por um gramado que estava devidamente aparado, tinham arvores com redes estendidas entre elas e até mesmo balanços de pneus. Lá dentro não era preciso usar óculos escuros, o lugar emitia uma luz que parecia bem natural.
—A-achava que era Hera quem teria uma decoração mais parecida com um jardim, não Afrodite... – Monet tentava falar alto, mas eu mal a ouvia mesmo com ela estando do meu lado, sua voz tremia um pouco e ela mal conseguia ficar de pé sem se apoiar em mim já que suas pernas tremiam um pouco.
—Eu me sinto mais confortável em lugares cercados de natureza como esse, espero que não esteja incomodada, filha de Asclepio. – De uma das redes que estavam estendidas entre as arvores, ouvimos uma voz feminina. Ela estava deitada na rede e somente sua perna estava estendida para fora da rede, sua voz era controlada e sedutora e tinha um tom de quem havia acabado de acordar, quando ela falava parecia que o efeito do perfume ficava ainda mais forte. – A que lhe devo esta visita, meu caro marido? – Disse ela a Ares, eu a encarava diretamente, mas ela parecia me ignorar.
—Você sabe sobre o que é isso, Afrodite. –Ares tomou nossa frente. – Tire a maldição dos gêmeos.
—Que gêmeos? – Disse ela ao se sentar na rede e alongar os braços. Ela era o significado literal da palavra “perfeição”. Sua pele era perfeita, ela tinha cachos marrons que se estendiam pelos seus ombros, mesmo com o cabelo bagunçado ele ainda parecia lindo. Seu rosto tinha traços finos que esbanjavam feminilidade e para ajudar a me distrair mais ainda, ela estava nua da cintura para cima. Assim que ela levantou e esticou seus braços para cima expondo seu corpo, admito que esqueci por alguns instantes o porque de eu estar bravo com ela para inicio de conversa, esqueci de tudo na verdade (é o que acontece quando se mostram seios a um garoto de 14 anos, eu não me arrependo de nada. Acho que Ares teve a mesma reação que eu). Após um bocejo, ela voltou a falar. – Será que você está se referindo à seus filhos? Porque você acha que eu me importo com o que acontece com eles?
Antes de deixar Ares responder, eu voltei a mim mesmo e disse. – Porque se você não retirar, eu faço picadinhos de você e desse lugar. – Disse levando minha mão direita ao cabo de minha espada.
Afrodite apenas me analisou dos pés a cabeça e começou a rir. – Bem, antes de tentar me ameaçar você deveria considerar acalmar o seu amigo ai embaixo. – Disse apontando para minhas calças.
Eu não tinha reparado que estava naquela ‘situação’ até ela apontar. Fiquei tão vermelho que devia estar quase brilhando naquele momento, desejei que Monet não tivesse vindo junto, vi ela me olhar também e abafar um riso nervoso.
—Chega de brincadeiras! – Disse Ares. – Você já foi longe demais com isso, meus filhos não são brinquedo para você e sua mente pervertida.
—Meu coração que não é um brinquedo! – Gritou Afrodite. – Pela primeira vez em séculos eu decidi que deveríamos ter algo serio, uma relação exclusiva entre dois deuses apaixonados, mas você teve mais filhos com outra mortal! Ninguém brinca com o coração da Deusa do Amor e fica por isso mesmo! Eu podia muito bem apenas destruir você, mas amaldiçoar seus filhos e destruir a mente da mortal que você amou foi uma opção muito mais divertida.
Não consegui ouvir aquilo e ficar quieto e desembainhei minhas armas, pronto para partir em direção de Afrodite. Assim que eu desembainhei minhas espadas, as raízes das arvores que estavam naquele jardim criaram vida própria e amarram meus braços, me deixando impossibilitado. – Mas já que vocês querem, vou retirar minha maldição ao matar você e sua irmã, que tal isso? – Disse Afrodite com um olhar assustador e um sorriso no rosto.
—Espere um momento. – Disse uma voz masculina, ela vinha de um homem que estava deitado na mesma rede de Afrodite, quando ele se levantou pude ver que ele também estava nu. –Você vai mesmo matar ele sem mais nem menos? Afrodite, amor... – Disse ele enquanto passava suas mãos no cabelo da Deusa, seu cabelo era loiro e encaracolado, ele estava totalmente nu tendo somente algumas flores que cobriam sua cintura. (não foi o bastante para evitar que Monet quase desmaiasse ao meu lado.) – Você tem que ser mais criativa... Ele veio até aqui na tentativa de provar que é digno o bastante para que você mude seus planos sobre ele e sua irmã patética. Porque você não da a ele uma chance, e humilha ele na frente de todo o Olimpio antes de matá-lo?
Antes que ela pudesse dizer algo, Ares explodiu em chamas – ADONIS?!? JÁ CHEGA, EU VOU MATAR VOCÊS TODOS. – O gramado em volta dele literalmente começou a pegar fogo. – Ou melhor, vou fazer com que meu filho derrote vocês na frente de todos! Mande o desafio que vocês quiserem, ele vai humilhar vocês dois na frente do Olímpio todo!
Antes que eu pudesse falar “Será que podemos reconsiderar isso? Não sei se estou no clima de participar de um jogo da morte na frente de outros deuses hoje, quem sabe... Nunca?” Afrodite fez com que as raízes de seu quarto me soltassem e disse. – Ótimo! A batalha será daqui a quatro horas na arena de Hefesto, se o filho de Ares conhecido como Hanson Len passar pelos três desafios que forem propostos a ele, retirarei minha maldição dele e de sua irmã. Se não passar, ele e a filha de Asclépio serão executados na frente de todos!
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