A Maldição De Afrodite
18 Árduo Treinamento
Eu tinha quatro horas para me preparar para enfrentar a batalha de minha vida. Quatro miseras horas. Se não passasse, eu seria morto, Monet seria morta, Rin seria morta e Ares viraria uma piada por todo o Olímpio. Ares era a ultima preocupação em minha lista, mas ele parecia levar aquela historia mais serio do que eu.
—Você vai treinar comigo durante essas quatro horas seguidas. – Disse Ares enquanto nos levava à Arena. – Vai funcionar assim, durante essas quatro horas eu vou te dar minha benção e você vai lutar comigo, a garota vai te curar quando seu corpo estiver esgotado, e então eu te dou minha benção de novo. Quando terminarmos, seus reflexos vão estar muito melhores devido aos efeitos da benção mesmo que eu não te ajude durante a batalha, e eu tenho experiência de séculos de batalha então você vai aprender a se defender nem que seja a força. Alem disso, vai aprender a lutar no mais alto nível mesmo sem minha benção quando nós terminarmos. Se você não acabar com aquele idiota do Adonis, eu mesmo te faço em picadinhos.
Era uma arena tipicamente Grega, os gladiadores se enfrentavam em uma arena redonda com arquibancadas em volta de 75% da arena em si, o chão da arena era coberto por uma areia fina que lembrava areia de praia. As arquibancadas eram enormes, deviam caber por volta de 5000 deuses e por mais que o lugar todo tinha uma arquitetura antiga, cada assento tinha uma poltrona vermelha com descanso para ambos os braços e lugar para apoiar seu copo de Coca-Cola (tinha uma barraquinha vendendo coca logo na entrada.). Parecia que as poltronas haviam sido roubadas de um cinema, mas como Afrodite disse que elas haviam sido feitas por Hefesto, imaginei que deveriam ser mais do que apenas aquilo.
As próximas quatro horas foram intensas. Eu já havia treinado com muitos guerreiros habilidosos antes, o chalé de Ares era cheio deles. Agora, enfrentar o próprio Deus das guerras era uma historia completamente diferente. Assim que eu desembainhava minhas espadas, a benção de Ares começava a tomar efeito, de minha pele saia o mesmo vapor vermelho de antes, percebi que segurar as espadas sob o efeito da benção de Ares fazia as laminas aumentarem de temperatura automaticamente. Mesmo assim, nada poderia me preparar para aquele confronto.
Ares usava uma espada de bronze celestial simples, usava somente uma mão para me atacar e se defender dos golpes que eu lançava com minhas duas laminas, sua mão esquerda ficava junta a seu corpo a maior parte do tempo. Mesmo assim eu mal conseguia chegar perto dele e ele nem estava me levando a serio! Esse pensamento me deixava mais e mais irado, conforme nossa luta foi esquentando, o numero de ferimentos no corpo dele iam aumentando. Porém para cada corte que eu fazia em seu corpo, 10 outros apareciam no meu.
—Vamos, Len! Como você espera conseguir derrotar um deus com essas habilidades tão medíocres?!?
Se não fosse por sua benção, Ares teria me matado nos cinco primeiros minutos de treino. Eu conseguia desviar ou rebater a maior parte de seus golpes, mas isso era ao custo de não ter tempo para atacar. Quando eu o atacava, conseguia o atingir sem problemas, mas o dano que eu tomava por não me defender apropriadamente não fazia valer a pena. E diferente de mim, ele era um Deus. Logo depois de ser cortado seu corpo começava a se fechar quase imediatamente.
Monet tentava me curar o Maximo que podia, mas ela simplesmente não conseguia acompanhar o ritmo da luta. De vez em quando a luta parava e eu ficava cinco minutos deitado no chão da arena enquanto Monet me curava, assim que eu reunia energia o bastante para me levantar a luta reiniciava.
Três horas depois de começarmos a treinar, meu torso já estava repleto de cicatrizes e minha camisa do acampamento estava em farrapos. Meus ossos pareciam ser feitos de chumbo e o chão da arena em volta de nós já estava com marcas de corte e manchas de fogo por toda parte. Após ser atingido por um corte no pescoço, cai em meus joelhos e me apoiei no chão da arena, retomando meu fôlego. Monet veio correndo para me curar, mas ela mesma mal aguentava ficar de pé, sua pele estava pálida e ela parecia a ponto de vomitar depois de usar seus poderes tantas vezes. Meu corpo estava coberto de cicatrizes devido a Monet não ter tempo o suficiente para curar elas, então pouco a pouco eu sentia meu corpo ficar mais deformado. Não que isso importasse agora, minha principal preocupação era ficar vivo.
Ares também parecia bem acabado, pelo seu corpo todo era possível encontrar cortes e queimaduras que não se curavam mais, devido ao cansaço do Deus. Mas suas habilidades de combate não diminuíram em nenhum momento, diferentes das minhas.
—Chega. – disse tentando recuperar meu fôlego. – Se continuarmos não vou conseguir nem ficar de pé na frente de Afrodite.
—Eu esperava continuar um pouco mais, mas já que seu corpo chegou ao seu limite, é bom que vocês descansem um pouco.
Voltamos até o templo de Ares e desabei no sofá, na sala de estar só tinha um sofá preto de couro então eu e Monet deitamos juntos. O sofá em si era tão espaçoso que não tivemos problemas com espaço e Monet não pareceu se importar muito com isso também, muito menos eu. Deitei no sofá e ela deitou logo ao meu lado, passei o braço em volta dela para evitar que ela caísse do sofá (eu posso ser bem espaçoso quando durmo.), mas ao mesmo tempo era bom sentir o calor dela próximo a mim enquanto dormia.
Admito que depois de passarmos um tempo juntos comecei a ver Monet de uma forma diferente, não sabia exatamente como explicar o que eu sentia em relação a ela além de gratidão por estar sempre ao meu lado, mas quanto mais tempo estávamos juntos, mais tempo eu gostaria de estar junto a ela. Principalmente após sairmos do templo de Afrodite, ela não saiu ao meu lado em nenhum momento mesmo quando eu estava prestes a enfrentar uma deusa. Depois de passar meu braço em volta dela e cair no sono, eu me sentia confortável, como se meu corpo implorasse para nunca mais sair do lado dela.
Tivemos apenas 45 minutos de descanso até Ares nos acordar com um chute no sofá. Por mais que eu estivesse morrendo de ansiedade pela batalha que eu enfrentaria, dormi como uma pedra. Ser acordado daquela forma me deu vontade de pichar todas aquelas estatuas de Ares, só pra ver a cara que ele faria.
Acordei, vesti uma armadura simples que meu pai me deu naquele momento (um peitoral e um saiote de ferro, junto com botas de ferro que iam até meu joelho. Recusei o capacete por não estar acostumado a usar um e ao invés daquilo amarrei os restos da minha camisa do acampamento na testa, deixando o símbolo do acampamento amarrado bem na minha testa. No peitoral havia desenhos sobre armas e fogo que referenciavam aos poderes de Ares. Preferi continuar com minhas calças jeans por baixo da armadura já que eu não me sentia muito confortável usando só uma saia de ferro.) e fomos em direção a arena.
Chegando lá fiquei um pouco surpreso, Afrodite estava de pé na frente de todos, chamando a atenção da platéia com seu charme e aumentando a animação deles. Adonis estava logo ao seu lado, fazendo as unhas indiferentemente. As arquibancadas não estavam lotadas, mas tinha uma quantidade considerável de deuses sentados observando ao espetáculo que estaria por vir. Além de Ares (que se sentou na primeira fileira, sem dizer uma palavra) e Afrodite, nenhuns dos outros grandes olimpianos estavam por perto. Nem mesmo Asclépio podia ser visto por perto, mas isso era esperado já que a maior parte do tempo ele está entre os mortais. O resto do publico era composto por outros deuses menores.
Assim que eu entrei na arena junto de Monet, Afrodite nos saudou. – Sejam bem vindos, seus inúteis! – Disse ela com empolgação, mesmo sem um microfone sua voz podia ser ouvida por toda a arena, conforme ela se empolgava os deuses da platéia se empolgavam juntos e gritavam seu apoio a nós, como “Morram logo!”, ”Mortais miseráveis, saiam daqui!” e até mesmo “Mortais? No Olímpio? Make Olimpio Great Again!” não entendi muito bem esse ultimo comentário, Ares comentou comigo que ele veio de Chronos, um deus que vivia falando coisas sem sentido por ser o deus do tempo e conseguir ver algumas coisas do futuro. – Entrem e conheçam seu primeiro desafio!
Desembainhei minhas espadas e olhei para Afrodite, me sentia pronto para qualquer desafio que ela pudesse mandar. –Faça o seu pior. – Disse para Afrodite.
—Deus da vegetação e meu amante preferido, Adonis! – Disse Afrodite com entusiasmo, três deuses menores tiveram que segurar Ares para evitar que ele invada a arena. Monet se sentava ao seu lado, ela parecia visivelmente preocupada comigo, tanto que nem reparou na bagunça que Ares estava fazendo. Ver a preocupação dela me deu um impulso extra.
Adônis levantou e andou em minha direção até ficar a aproximadamente 5 metros de distancia de mim, ele não tinha nenhuma arma em mãos nem estava usando nenhuma roupa além de uma toga que cobria parte de sua cintura. Ele tinha apenas um pequeno saco amarrado do lado de seu corpo, julgando de longe, imaginei que tivessem sementes ou bolas de gude dentro dele. (Provavelmente eram sementes, mas nunca se sabe né.)
—De uma vez por todas... – Sussurrei a mim mesmo. – Vou acabar com isso de uma vez por todas. Aguarde-me Rin, eu vou te salvar custe o que custar!
Assim que as sirenes tocaram e o publico gritou com empolgação, disparei em direção do Deus que estava a minha frente.
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