Notas iniciais
Hello! Sem demoras! Minha bateria não vai me permitir me estender aqui Boa leitura ^^

Ele estendeu a mão, desejando que o Corruptor parasse. E o Corruptor parou.
O demônio estava a poucos centímetros da mão de Jason. O garoto não sabia como, nem por qual motivo, mas o demônio havia parado. Bastou que desejasse.
Pensando nisso, Jason ordenou, com a voz trêmula:

— Vá embora! Saía daqui!

O Corruptor ficou encarando ele com aqueles olhos repletos de maldade. Então, sem mais nada, passou por ele lentamente e voltou para a caverna de onde havia saído.
Assim que o Corruptor sumiu, Jason soltou o ar que estava segurando. Então, lembrou-se de Luna, que estava no chão, gemendo de dor. Preocupado, Jason ajoelhou-se ao seu lado.

— A planta — gemeu ela, e seus cabelos começaram a adquirir uma tonalidade esbranquiçada. — A maldita planta, bruxo!

Jason assentiu.

— Onde?

— No bolso de trás — disse ela, com os olhos lacrimejando. Jason não imaginava o que ela sentia no momento, pois parecia estar sofrendo muito.

Ao ouvir onde a meio-demônio deixara a planta, Jason corou e pegou-a. Era como uma estrela de um desenho infantil, com cinco pontas douradas.

— Apenas pressione contra o ferimento e utilize o “praevenus elarotia” cinco vezes! — instruiu Luna, enquanto pequenos chifres começavam a brotar em sua cabeça.

Jason apertou a planta contra o ombro esquerdo de Luna e começou a recitar:

— Edwenna Tamhare, praevenus elarotia.

Viu uma fina fumaça negra sair do ferimento.

— Edwenna Tamhare, praevenus elarotia — repetiu o garoto.

A fumaça começou a sair com maior intensidade.

— Edwenna Tamhare, praevenus elarotia. — A fumaça negra parou de sair, e Jason sentiu o ferimento se fechar. Mas continuou.

— Edwenna Tamhare, praevenus elarotia. — Os chifres e garras de Luna começaram a desaparecer.

— Edwenna Tamhare, praevenus elarotia — disse Jason pela última vez, e Luna voltou a ter o aspecto que tinha minutos antes do ataque.

O bruxo estava suando, e respirou profundamente. Luna sentou-se e arrastou-se até uma árvore, onde pôde encostar-se.

— Lembre-me — tossiu ela — de nunca mais sugerir esse tipo de coisa.

— Você fez merda — concordou Jason, sabiamente.

— Cale-se! — rosnou Luna.

— E por que não deixou essa planta comigo?!

— Eu não imaginei que aquela coisa iria nos sentir de tão longe. Eu ia te dar ela logo antes de entrar na caverna.

— Então você realmente planejava entrar — observou Jason. Luna fez um gesto impaciente.

— Sim, sim. Infelizmente, ou felizmente, não conseguimos. E, afinal, como espantou aquele bicho? Porque, me perdoe a sinceridade, duvido que você tenha conseguido matá-lo.

— Obrigado pelo apoio e pela confiança depositada em mim — murmurou Jason. — Eu simplesmente mandei que ele fosse embora, e ele foi.

Luna fechou os olhos, pensativa. Ficou por tanto tempo em silêncio que Jason pensou que havia dormido ou desmaiado. Por fim, abriu os olhos e encarou o garoto com um sorriso misterioso.

— É melhor esquecer isso — recomendou. — É melhor guardar no fundo de sua memória e nunca mais pensar em algo assim novamente.

— Você parece achar que é algo perigoso — comentou o bruxo, meio desconcertado.

— E é. Muito. Como eu já disse, apagar isso da sua mente vai evitar muitos e muitos problemas. E não conte a ninguém. Eu não saberia qual seria a reação de qualquer um.

— Nem para a minha mãe? — indagou ele.

Luna ficou em silêncio novamente, refletindo. Então disse:

— Nem para ela. Se você nunca mais tentar algo assim, não precisaremos nos preocupar. Aliás, Selena não poderia te ajudar mesmo que quisesse.

— Nós dois estaríamos mortos se não fosse por isso.

— E poderemos estar mortos no futuro POR CAUSA disso.

— O que significa? — perguntou Jason, após um momento de silêncio. — Eu ter f-feito isso…?

— Não tenho certeza — confessou Luna. — Vou falar com o meu pai sobre isso, mas não sei se ele vai entender. Tenho uma maldita suspeita.

— Fale!

— N… — Luna travou, e começou a suar frio. Cerrou os punhos e começou a tremer. Jason olhou espantado para ela.

— Luna, o que foi?!

A mestiça voltou ao normal.

— É melhor não me mandar fazer mais nada — ameaçou.

Jason já não entendia o que estava acontecendo. Apenas concordou.
Luna estava com a mente completamente caótica. Os pensamentos que tinha eram perigosos, muito perigosos. Precisaria falar disso com seu pai imediatamente. Niel Silverstone saberia o que fazer… ela esperava.
Ajudando Luna a se levantar, Jason passou o braço dela ao redor de seu pescoço. A garota mal conseguia andar direito. Quando Jason questionou-a, ela disse que era efeito da planta que haviam utilizado. Ela enfraquecia o corpo na hora de curar ferimentos em demônios, mas era algo momentâneo.
Andavam em silêncio, cuidando para não pisar em galhos e pedras ou cair em buracos. Então Jason perguntou:

— Você disse que só aquela planta expulsava o Corruptor — comentou. — Então, você tem mais?

— Tenho.

Ficaram em silêncio novamente. Não sabia o que a garota pensava, mas achava aquele silêncio deveras desagradável. Pensava em uma maneira de quebrá-lo novamente. No entanto, para a sua surpresa, fora Luna quem quebrara o silêncio.

— Carne e sangue — disse ela, desprovida de sentido.

— O quê?!

— D-demônios — gaguejou ela — alimentam-se de carne e sangue. Eu… eu não sou diferente — sussurrou ela, com uma voz quase inaudível.

Jason continuou andando em silêncio. O que deveria dizer? O que raios deveria falar para ela? Não sabia.
Luna continuou.

— M-meu pai conhece um lugar, um tipo de sede dos demônios, onde eles distribuem comida àqueles que optaram por não matar seres humanos. O número de demônios que exageram nas caças então se torna equilibrado pelo dos demônios que não caçam.

Luna aguardou. E aguardou. E aguardou mais um pouco. E Jason não disse nada.

— Vai ficar quieto? — indignou-se ela.

— O que você quer que eu diga? — perguntou ele, sem olhar para ela. — Você não matou ninguém. Eu não vou te condenar pelas necessidades biológicas dos demônios, mas também não me peça para adotar a sua dieta, por favor.

Luna franziu o cenho, mas Jason não via nada. Apenas continuou andando. “Se todos os bruxos fossem como você, tudo seria mais fácil”, pensou Luna. “Tantas mortes que poderiam ser evitadas…”
Finalmente conseguiam ver a iluminação da enorme cidade. Estavam se aproximando.
Após mais alguns minutos caminhando, finalmente deixaram as árvores para trás e pisaram na calçada. Foram até a casa de Luna, e Jason percebera como poucas pessoas andavam durante a noite naquela região da cidade. Nunca havia parado para reparar naquilo.
Abriram a porta e entraram na casa. Porém, para a surpresa deles, três pessoas estavam na casa. Selena, Niel e Alice.

— Oi — cumprimentou Jason, corando. — Hã… Vocês vêm sempre aqui?

Selena semicerrou os olhos.

— Onde vocês estavam?

— Nós…

— Estávamos na floresta — interrompeu Luna. — Fomos atrás do Corruptor. A culpa foi minha.

— Foram atrás do Corruptor — repetiu Niel, com um sorriso. Mas não havia divertimento ali. — Imagino que se lembre do que estas criaturas são capazes.

— Se o Sujeito Anônimo não tivesse me acompanhado eu teria experimentado em primeira mão — resmungou a garota. — De toda forma, nós pelo menos vimos de onde ele saiu. Era uma caverna no meio da floresta.

— Uma em mil — comentou Alice, divertida. — Teremos algum trab…

— Eu memorizei a localização — disse Jason. Luna olhou para ele, arqueando as sobrancelhas. — O que foi? Eu não fiquei sem fazer nada!

— Não importa — interrompeu Selena. — Fale logo, e vamos acabar com isso.

Niel pegou um pedaço de papel e entregou a Jason, que desenhou um mapa — não muito bonito, diga-se de passagem — indicando a localização da floresta de onde saíra o Corruptor.
Alice e Selene olharam a localização e assentiram.

— Podemos ir até lá hoje — decidiu Selena. — Vamos esmagar esse culto maldito!

— Tome cuidado — disse Luna. — Vocês não sabem quantos demônios existem lá. Nem de que classes.

— Sou uma Torre — argumentou Selena. — E se eu precisar, tenho a Alice de suporte.

— É a sua vez de ser o suporte! — reclamou Alice.

— Me recuso. Sou uma Tor…

— “Sou uma Torre” — resmungou Alice. — Você sempre diz isso!

— Certo, certo. Então vou deixar alguns para você.

— Eu fico com o chefão.

— Você parece uma criança.

— Hehehe, talvez.

— Não importa — finalizou Selena. — Sabemos onde fica. Vamos até lá.

— Eu vou com vocês! — anunciou Jason. Antes que Luna dissesse o mesmo, Jason lançou-lhe um olhar frio. — Você não. Você mesma disse que é perigosos demais.

— Exatamente — concordou Selena com frieza —, e é por isso que você também não vai.

— Mas…

— Sem “mas” — disse Selena, furiosa. — Você saiu sem minha permissão, mas talvez tenham conseguido uma informação ridiculamente valiosa, então posso te poupar de uma punição. Mas você. fica. aqui. — disse ela, pausadamente.

— Ok — concordou ele, baixinho.

Selena sorriu mais gentilmente.

— Jason, Luna, agradeço-lhes pelo que descobriram, mas é perigoso demais. Deixem isso com os adultos.

— Agora eu sou adulta? — indagou Alice, zombeteira. — Decida-se!

— Deixem com os adultos — repetiu Selena, ignorando a amiga. — Sabem de mais alguma coisa?

— Não. E o Corruptor está ferido. Se isso ajudar.

Jason queria falar sobre o que ocorreu na floresta, mas segurou-se. Luna o instruíra a manter o silêncio. Dissera que sua mãe não poderia ajudá-lo.
Lembrando-se que sua mãe poderia ler sua mente, trancou o pensamento, como Selena o ensinara a fazer um dia.
Por sorte, Selena já não prestava atenção em Jason. Estava com os olhos fixos no senhor Niel.

— Você virá ou ficará aqui? — perguntou a Torre.

— Espero que entenda — respondeu Niel Silverstone lenta e calmamente — que não estou tão disposto a chamar a atenção para mim e para a minha filha.

— Mais do que esses dois já vão chamar sozinhos? — brincou Alice, apontando para os dois jovens.

Niel sorriu.

— Muito mais. É por isso que desejo manter-me oculto. Eu sei que, uma hora ou outra, seremos expostos, talvez para Asmodeus, talvez para a Irmandade. Mas, até lá, prefiro manter o maior nível de neutralidade possível. Não irei, jamais, negar a vocês auxílio, abrigo ou conhecimento, nem irei ficar parado se algum inimigo estiver vos fazendo mal, mas também não irei, por vontade própria, para as chamas do conflito.

— Você talvez seja o mais sábio de nós — comentou Selena, sinceramente. — Então cuide do meu filho até eu voltar.

— Vá. Estaremos esperando seu retorno.

Quando as duas bruxas dirigiam-se à porta, Jason chamou por elas.

— Tomem cuidado e… boa sorte.

Alice sorriu.

— Pare com esse drama todo. Vamos lá quebrar a cara de alguns demônios e já voltamos.

As duas bruxas então saíram da casa.
Luna esperou um momento até tornar a falar.

— O Sujeito Anônimo fez algo estranho na floresta — revelou ela.

Niel, que já estava acostumado com o modo que sua filha chamava o jovem bruxo quando ele estava presente, encarou os dois e ouviu atentamente.

— Ele ordenou que o Corruptor fosse embora. E o Corruptor foi.

Niel assentiu, indicando que a garota prosseguisse.

— Simplesmente isso. Quer dizer, os Corruptores… eles só deveriam receber ordens diretamente de um Príncipe Demoníaco. Se o Sujeito Anônimo é filho de dois bruxos, como ele transmitiu uma ordem ao Corruptor?

Niel suspirou. “Ainda não”, pensou ele. “Ela deve contar.”

— Não sei o que pode ter sido — disse o velho demônio —, mas vocês deveriam esquecer isso. Jovem bruxo, peço que não faça nada semelhante novamente.

— Sim, senhor — concordou Jason, em um sussurro.

Niel sentou-se em uma cadeira. “Espero que você não tenha sentido nada, Asmodeus…”
Jason olhou para Luna.

— E o que fazemos agora?

— Esperamos — respondeu a mestiça, seca.

— Só isso?

— Queria o quê?

— Qualquer coisa.

Luna suspirou, resmungou algo que Jason não entendeu, levantou-se e foi na direção da geladeira. Jason sabia que ela iria ao Salão de Baixo.
A meio-demônio olhou para ele.

— Venha logo, bruxo. E espero que não me faça esperar.

*

Já estavam no local indicado por Jason. Selena mais uma vez impressionou-se com seu filho. Indicara o local de maneira perfeita.
A luz da lua iluminava a pequena clareira que antecedia a caverna, mas nenhuma luz adentrava o espaço dentro da terra.
Parados na porta estavam dois demônios estranhos. Um deles parecia um leão humanoide de duas cabeças e o outro um caranguejo de cinco braços.
Alice praguejou.

— Quantos demônios você acha que tem lá?

— Digamos que uma centena, eu cuido de noventa.

— Não fique brincando!

Selena sorriu de canto. Alice era alguém que não podia pedir a outra pessoa para “parar de brincar”.
A bruxa então decidiu-se.

— Vamos entrar na caverna — anunciou. — É agora ou nunca.

— Estou logo atrás de você.

Alice, embora o que tivesse dito anteriormente, fora a primeira a sair. Antes que os demônios pudessem reagir, Alice disparou um par de raios flamejantes que reduziu a cinzas o par de demônios. As duas perceberam que eram demônios de sexta classe.
Olharam para a caverna. Que fosse o que tivesse de ser. Selena e Alice, ambas com vestes de bruxa, adentraram a caverna.
De início, o que a Torre pôde notar foi que o interior da caverna parecia úmido. E frio. Selena arrepiou-se com a temperatura. Porém, à medida que avançavam pela caverna, percebera que as coisas iam ficando cada vez mais quentes. “Tochas”, pensou ela. “Ou mesmo fogo sobrenatural.”
Começaram a andar com maior cuidado quando começaram a ouvir vozes. Foi nesse momento que viram uma luz em um espaço da caverna, uma luz que assemelhava-se à produzida por uma tocha. O ar fedia a fumaça e enxofre.
Aproximaram-se tanto quanto ousaram e buscaram abrigo nas rochas e na escuridão.
Havia uma plateia de demônios, a maioria já em suas formas verdadeiras. Um homem discursava com animação. Havia outro ao lado dele.
O que discursava era baixo e magro, um pouco corcunda, com longos cabelos negros e oleosos e uma túnica vermelha e dourada que arrastava no chão. Usava um anel de ouro e uma coroa.
O outro usava uma túnica mais simples, em tons de vermelho e vinho, e usava apenas o anel. Era mais alto que o outro, e possuía cabelos ruivos e bagunçados.

— E então — continuou o Sacerdote Vermelho —, quando Lorde Mamon retornar, mergulharemos o mundo no caos! Todos os humanos inferiores deverão se ajoelhar perante os demônios! Eles são apenas comida! O proprietário não deveria ter de viver nas sombras, escondido de seu próprio gado!

Os demônios, por volta de trinta deles, urraram em aprovação.

— Quando Lorde Mamon voltar, ele recompensará os servos fiéis! — garantiu o sacerdote. — Quando ele retornar, nós governaremos a tudo e a todos! Toda a riqueza e poder do mundo pertencerá a nós! E agora eu pergunto: quem deve guiá-los até a ressurreição, eu lhes pergunto?!

— Arvak! Arvak! Arvak! — o coro bradava.

— Quem deve liderá-los para a nova Era que virá?!

— Arvak! Arvak! Arvak!

— Irmãos! Que seja! Eu, Arvak, Sacerdote de Mamon, guiar-lhes-ei até a superioridade! E que os humanos ajoelhem-se para nós!

Selena e Alice entreolharam-se. A Torre assentiu.
No meio do discurso, as duas bruxas saltaram da rocha em que estavam escondidas. Alice disparou um raio flamejante contra Arvak, que desviou com um movimento rápido, embora desprovido de habilidade. Selena criou vários pilares de terra que atingiram muitos dos demônios.
Arvak e Phill saíram correndo.

— Vá atrás deles! — ordenou Selena.

Alice não perdeu tempo discutindo. Fora atrás dos dois demônios. No caminho, alguns demônios tentavam detê-la, mas com um gesto Alice evocou uma parede de chamas entre ela e os demônios.
Selena fora atacada por um demônio, mas dois cipós saíram do chão e imobilizaram o monstro. Selena disparou uma estaca de pedra nele, perfurando sua cabeça.
Olhou para os vários demônios restantes com frieza.

— Quanta arrogância. Se acham que conseguem, então venham.

Os demônios atacaram.

*

Arvak e Phill corriam por uma passagem oculta na caverna. As riquezas deveriam ficar em segundo plano em relação à sua sobrevivência.
Arvak quase escorregou no solo úmido da caverna. Ouvia passos atrás de si. Por pura sorte, desviou de um relâmpago flamejante disparado contra ele. Mas continuou fugindo.
Quando estavam em uma área mais aberta, Phill anunciou:

— Vá, Senhor Arvak! Eu cuido da bruxa!

Arvak não perdeu tempo lamentando. Abandonou Phill enquanto corria sem parar.
Alice estava quase chegando até eles quando viu um grande demônio com uma carapaça dura, um par de chifres de touro e com o aspecto de uma lagosta. Imaginava que era o sujeito com a túnica mais simples.
Phill, já transformado em demônio, correu contra Alice. A jovem bruxa moveu a mão para cima, e uma parede de chamas fora criada entre ela e o demônio. Phill hesitou por um momento. Mas apenas por um momento.
O demônio investiu contra a parede de chamas e ultrapassou-a sem grande dificuldade. Sua carapaça parecia resistente às chamas.
Phill não encontrou Alice até o momento em que três raios flamejantes foram disparados contra ele. Sua carapaça rachou levemente, mas não atingiu sua pele enrugada.
Quando viu Alice, ela já criava uma enorme bola de fogo para disparar contra Phill. O demônio colocou ambas as pinças na frente do corpo. Quando a esfera de chamas voou em sua direção, explodiu com um tremor, derrubando alguns estalactites. Um deles quase acertou Alice, mas a bruxa desviou.
Alice mandou um pulso psíquico que desequilibrou Phill. Antes que o demônio caísse, Alice já disparava labaredas e raios de chamas que cada vez mais danificavam Phill.
O demônio soltou um som impossível de ser classificado e investiu contra Alice. A jovem bruxa mirou a mão, mas para o teto. Antes que Phill chegasse até ela, a bruxa baixou a mão com violência, e enormes pedras caíram em cima de Phill.
O incapacitado demônio tentou se levantar mais, porém Alice disparou um raio flamejante contra ele que atingiu-o na pele enrugada. O demônio foi ferido, e rugiu. Alice aproveitou o momento e disparou chamas dentro da boca do ser, que começou a ser incinerado de dentro para fora.
Phill gritava, até que as chamas começaram a surgir do lado externo de seu corpo. Em pouco tempo, o que restava de Phill era uma carapaça vazia.
Mas Alice não viu isso. Estava ocupada correndo na direção em que Arvak havia corrido.
A bruxa finalmente chegara à saída da caverna, que dava lugar a uma clareira. Porém Alice xingou em voz alta. Não havia sinal do Sacerdote de Mamon.

— Esses demônios malditos. Se eu tivesse acertado ele…

Furiosa, Alice lançou um feitiço tentando localizar Arvak, porém sem grandes resultados. Não havia sinal dele. E nem do Corruptor.
Alice deu as costas à clareira, voltando pelo caminho de onde veio para ver se Selena precisava de algum auxílio.
Descobrira, momentos depois, que não precisava. A Torre havia eliminado todos os demônios com enorme facilidade, e agora ia pelo túnel que Arvak, Phill e Alice haviam seguido.
As duas bruxas encontraram-se no meio do túnel.

— Alcançou eles? — indagou Selena, ofegante.

— O sacerdote das roupas caras conseguiu fugir — admitiu Alice, sentindo as bochechas queimarem.

Selena fez um gesto impaciente com a mão.

— Não fique se culpando. Não é o fim do mundo. Vamos achá-lo novamente.

— Espero que sim.

— Nós vamos — repetiu Selena, com convicção.

As duas bruxas então foram procurar pela caverna algo de útil.
Além dos demônios, as bruxas encontraram uma sala com uma pequena quantidade de tesouros. Isso significava que a maioria já havia sido levada para outro local…
Além disso, também encontraram uma abertura isolada repleta de um miasma poderoso. Provavelmente era onde o Corruptor havia criado demônios artificiais.
Porém nada que pudesse auxiliar para localizar os demônios. Nada que pudesse responder onde ficava o real esconderijo de Arvak e do Culto Carmesim.

— Vamos voltar — decidiu Selena. — Não há mais nada aqui.

*

As duas bruxas voltaram para a casa de Niel ainda lamentando o fracasso. Não conseguiram capturar ou eliminar o verdadeiro inimigo ou o Corruptor.
Quando entraram, Jason e Luna estavam jogando um jogo de cartas aleatório enquanto Niel conversava com alguém no celular.
Assim que viu as bruxas, Niel desligou e alertou Jason, que assentiu. Quando levantou-se, alertou sua mãe:

— Mãe, eu… eu não vou chegar tão cedo em casa amanhã.

— Vai fazer dois anos — entendeu Selena, concordando com tristeza.

Jason não respondeu. Iria mesmo fazer dois anos.

— Pode demorar o quanto quiser — disse Selena. — Apenas tome cuidado. Um demônio pode…

— Não estarei de bom humor amanhã — interveio Jason com frieza. — Se algum demônio entrar no meu caminho, será a pior escolha que terá feito na vida.

Selena assentiu em silêncio. Luna imaginava que entendera, mas não queria tirar conclusões precipitadas. Mas ficou com vergonha de tirar as dúvidas.
Alice olhou de Selena para Jason. Já entendera tudo. “Você não contou para ele”, entendeu. Não apenas entendeu, mas disse isso telepaticamente para Selena. A Torre olhou para ela.

— “Não” — admitiu Selen, telepaticamente.

— “Quanto mais demorar, mais furioso ele ficará ao saber. Você sabe como são os jovens. E é um assunto sério.”

— “Ainda não” — decidira a Torre.

Alice apenas suspirou. Apenas um pensamento ocupava a sua cabeça: “se demorar demais, será ainda pior.”
Selena já sabia disso. Mas não iria voltar atrás. Iria aguardar um momento melhor. E só então falaria isso para seu filho.
Só então contaria a verdade.

Notas finais
Obrigado pela leitura!