A Magia do Submundo
13 Informação Valiosa I
Notas iniciais
Jason estava de olhos fechados. Respirava controladamente, esperando que nada saísse do controle. Sentia o ar ao seu redor, ouvia o vento, ouvia as folhas balançando, sentia tanta pureza que poderia ficar ajoelhado naquela posição pelo resto do dia.
Estava treinando havia algum tempo, alguns dias. Por não estar com Luna, o tempo livre de Jason era dedicado quase completamente à prática de magia. Às vezes, praticava telecinese ou treinava com o bastão, mas na maior parte do tempo estava praticando o domínio elemental do ar. Esperava mesmo que aquilo fosse o suficiente para poder ajudar sua mãe na caça de demônios.
Lily supervisionava seu treinamento. Ela conseguia ensiná-lo de maneira surpreendentemente efetiva, com frases curtas e objetivas, enquanto demonstrava o modo para dominar o elemento ar. O fato dela mesma ser uma bruxa ligada a este elemento contribuía muito para com o aprendizado de Jason, pois a bruxa mais velha possuía mais experiência com este elemento que qualquer outra em Fairyshall.
A magia elemental do vento era relativamente complicada. A terra era sólida e constante, um domínio muito mais fácil. A água estava em constante mudança, então já era mais complicada. O fogo apresentava riscos extremos se dominado de maneira amadora, então era considerado o mais complicado de se dominar. O vento era pouco visível, mas o fato de estar presente em praticamente todos os lugares facilitava um pouco o treinamento, pois podiam praticar em qualquer lugar.
Aquele tempo ia passando, Jason ia evoluindo, mas algo ainda o preocupava.
O ar ao seu redor agitou-se levemente. Ele já havia aprendido que aquilo significava que havia alguém ali com ele. Suspirando, o rapaz abriu os olhos lentamente.
Estava ainda no mesmo local onde treinara anteriormente, o lago no meio da floresta. Já havia uma semana desde que Luna partira, e Jason já estava extremamente preocupado. Ela não mandou mais mensagens desde aquele dia, e o bruxo começava a pensar se ela estava com problemas.
Teve que parar de pensar nisso quando Liliane aproximou-se dele.
— Godren. É bom que esteja preparado, pois o seu treinamento vai durar muito. A reunião das bruxas no Santuário está próxima, e tenho a intenção de te tornar pelo menos bom o suficiente para acompanhar sua mãe. Isso significa não ficar pensando em trivialidades por enquanto.
Jason ficou cabisbaixo. A bruxa mais velha ficou em silêncio; então, irritada, suspirou.
— Diga-me, o que o preocupa?
— … Ela não entra em contato há seis dias.
Lily assentiu.
— Está preocupado?
— É lógico que estou! Ela disse que foi atrás da localização atual do Culto de Mamon! Isso significa que ela pode muito bem estar em perigo!
— Sua mãe me disse que aquela meio-demônio sabe se virar.
— Talvez, mas isso não significa muito se você estiver no meio da fortaleza inimiga.
— Você deveria ter mais confiança na capacidade daquela garota. Se Selena arriscou sua reputação para pedir para colaborar com demônios por causa dela, Luna deve possuir a capacidade de fazer algo que Selena não pode.
— Algo… Algo que minha mãe não pode? O quê?
Lily permaneceu em silêncio, pensando se seria uma ideia proveitosa revelar suas teorias para o jovem bruxo à sua frente. Afinal, ele saber daquilo ou não pouco mudaria.
“Mas talvez diminua a preocupação dele, e quem sabe ajude-o a se concentrar”, refletiu ela. Então, disse:
— A senhorita Luna Silverstone está…
*
Seis dias antes deste momento, Luna pegou comida em sua casa, pegou algumas roupas limpas, procurou a chave da van e saiu de casa.
A comida estava em um saco de couro que poucos humanos poderiam reconhecer, pois era feito de um material encontrado no submundo. As roupas estavam um pouco surradas, com exceção da jaqueta de couro que Luna usava quase sempre (na verdade, ela tinha três jaquetas quase idênticas). A chave da van havia sido deixada por Niel, seu pai, pendurada ainda na porta.
Quando entrou na van, ficou olhando para a porta de sua casa momentaneamente. Por algum motivo, estava começando a pensar em coisas que tentara esquecer havia algum tempo. A ideia de simplesmente sair de casa naquele momento era diferente das últimas vezes, pois sabia que talvez não voltasse.
Começou a pensar em sua falecida mãe, que não sobreviveu ao parto. Como uma humana poderia sobreviver ao parto de um ser demoníaco? Aquilo ainda causava muita dor em Luna. Quando estava em períodos mais sensíveis, costumava se culpar por isso.
Balançou a cabeça. Não deveria ficar pensando naquilo.
Talvez aquela fosse a última vez que estava em casa? Havia a possibilidade dela não conseguir voltar. Deveria esperar seu pai, para despedir-se? Deveria ir atrás de Jason, olhá-lo uma última vez?
A mestiça balançou a cabeça, furiosa.
— Eu não vou morrer. Não aqui.
A garota ligou o carro e deu marcha a ré. Iria descobrir onde estava o Culto de Mamon, e faria isso rápido. Não permitiria mais mortes.
Luna então foi dirigindo até desaparecer na escuridão da noite.
*
Apenas na noite do dia seguinte Luna chegou no local onde queria. Chegou no centro da cidade de Fairyshall, este que era muito diferente da área em que Luna e Jason moravam.
O centro era cheio de diversos tipos de pessoas que pareciam caminhar em um fluxo constante e infinito. Os prédios eram enormes, tão grandes que Luna sentia-se um inseto perante aquelas construções. Os humanos possuíam certos talentos.
Além dos prédios e pessoas, coisas que não faltavam no centro eram carros e moradores de rua. Ambos pareciam não ter fim, e eram tratados sem muita atenção. Naquele momento, um sentimento negativo tomou conta da mestiça. Os humanos também possuíam muitos defeitos.
Luna continuou dirigindo. Sabia que, caso alguém parasse-a, seria fácil utilizar magia demoníaca para induzir tal pessoa a ignorá-la.
Chegou mais precisamente no local em que queria chegar. Era um apartamento simples, de tom verde. Luna entrou com o carro na frente do apartamento, este que não possuía porteiro, e tocou no interfone, chamando o apartamento 4. Poucos segundos depois, uma voz feminina atendeu.
— Olá?
— Oi. Aqui é Luna Silverstone, filha de Niel Silverstone. Posso entrar?
— S-sim, senhora!
O portão branco do apartamento começou a abrir e Luna viu, saindo da casa 4, uma mulher de cabelos castanhos que andava apressada até ela, sinalizando onde podia deixar a van.
Quando Luna estacionou e desceu do veículo, carregando uma mochila, a mulher fez uma reverência apressada e foi pegar a mochila de Luna.
— Senhora Silverstone, é uma honra tê-la conosco novamente.
— Menos. Só quero um lugar para deixar a van e passar a noite. Bem, possivelmente mais de uma noite — explicou Luna. — Está disponível?
— Acolher a filha de Lorde Azazel é uma honra para nós — disse a mulher, humildemente.
— Fico feliz em ouvir isso, Olive.
— Não. Eu e minha irmã é que ficamos lisonjeadas em sermos escolhidas por uma demônio da linhagem dos Sete.
Luna apenas assentiu, corando levemente. Às vezes, ser filha do Pecado da Ira, o Príncipe Demoníaco Azazel, tinha suas vantagens.
A mestiça acompanhou Olive para dentro do apartamento. Quando entrou no local, percebera que era pequeno, mas bem limpo e organizado. Aconchegante, na opinião da garota.
Outra mulher, que só podia ser a irmã gêmea de Olive, apareceu.
— Emma — cumprimentou Luna.
— Senhorita Silverstone — ajoelhou-se a outra mulher.
— N-não precisam fazer isso tudo.
Sabia que dizer isso seria inútil. Demônios ligados a Azazel tinham a obrigação de respeitá-la em total submissão. Com certeza aquilo a envergonhava um pouco.
Nunca tivera muito contato com os servos de seu pai, Niel, ou Azazel. Após seu nascimento, o demônio sabia que sua filha mestiça não seria bem vista. Além disso, Luna era mais instável que outros demônios mestiços. Isso impediu a garota de manter qualquer tipo de relação com outra pessoa além de seu pai. Talvez por isso Jason fosse tão especial para ela.
O fato de não ter contato com outros demônios, no entanto, não a impedia de conhecê-los. Conhecia Olive e Emma, e ficou satisfeita em saber que as duas iriam acolhê-la. Mesmo assim, aquela era só a ponta do iceberg. O principal era iniciar a sua investigação e conseguir descobrir onde o Culto de Mamon, ou pelo menos o líder deles, estava escondido.
O demônio que vira na sede de Pietro tinha relação com o Corruptor. Se achasse-o, poderia achar o Culto, informar Selena e as outras bruxas e então elas resolveriam o problema.
Luna perguntou onde podia dormir. As duas ofereceram-se para dormir no sofá, mas Luna negou rapidamente, dizendo que ela própria podia dormir no sofá.
— Inaceitável! Isso seria uma blasfêmia! Não temos o direito de fazê-la passar por isso.
— Emma, já passei por coisa muito pior. Ordeno que simplesmente relaxem. Não quero abusar da hospitalidade, só preciso de um lugar para ficar. Se eu fosse ficar viajando nas sombras, acabaria cansada demais.
Após um minuto a mais de discussão, as duas finalmente aceitaram, com relutância, permitir que Luna dormisse no sofá. Por um momento, Luna percebeu que a influência que Jason revelou sob o Corruptor era bem maior do que aquela que Luna possuía sob as duas demônios à sua frente.
Já era dez da noite. Luna resolvera descansar naquela noite. A investigação começaria no dia seguinte. Luna tirou as botas que usava e também tirou a jaqueta de couro. Ela deitou no sofá e fechou os olhos. Enquanto pensava sem parar no que faria no dia seguinte, sentiu Olive aproximar-se dela e colocar uma coberta sobre seu corpo.
— Durma bem, senhora Silverstone. Se precisar de alguma coisa, estarei aqui.
— Obrigada, Olive. Estão sendo ótimas comigo. E-eu não sei como retribuir.
— Sobreviva.
— O quê?
Olive olhou séria para a garota deitada no sofá. Tão jovem. Uma garota que criava essa muralha de poder e independência, mas que no fundo era uma criança que queria viver como qualquer outra. Que queria ter amigos, realizar brincadeiras, visitar locais interessantes. Uma criança que fora privada disso. A ideia de que ela não podia fazer isso porque todas as raças odiavam mestiços era uma ideia terrível para Olive.
“He. Talvez eu seja uma negação como demônio”, pensou Olive.
Ela passou a mão nos cabelos de Luna.
— Nós não pudemos salvar sua mãe. Aquela humana não pôde resistir. Nós fracassamos com sua família, senhora Silverstone. Por favor, sobreviva, e não nos permita falhar novamente.
Dizendo isso, a mulher voltou para seu quarto, deixando a garota pensativa com uma camisa branca para trás. Luna ficou olhando para onde antes estivera Olive. Ainda pensando nas palavras dela, a mestiça adormeceu.
*
Quando acordou, no dia seguinte, Luna notou que as duas mulheres não estavam mais na casa. Provavelmente haviam saído para trabalhar, pois alguns demônios estavam realmente tentando adequar-se ao mundo humano. Provavelmente, Olive e Emma faziam partes destes demônios.
Luna não sabia se deveria tomar banho ali, e ficava hesitante de fazê-lo sem avisar as duas anfitriãs. Decidiu, então, deixar o banho para depois. Em vez disso, apenas comeu carne que havia trazido consigo na mochila, escovou os dentes e preparou-se para iniciar seu processo de investigação claramente profissional.
A mestiça saiu do apartamento por volta das oito da manhã. Percebera que o centro da cidade parecia constantemente movimentado, pois, fosse de manhã ou de noite, muitas pessoas caminhavam pelo lugar.
A garota não sabia por onde começar. Como conseguiria informações úteis sobre o Culto? Sabia que naquele lugar acharia alguma coisa, ela só não sabia onde exatamente acharia essa coisa. Qualquer informação sobre o Culto de Mamon seria de alguma relevância, e ela sentia que alguns demônios na cidade poderiam saber de algo.
“Mas onde estão esses demônios?”, indagou-se ela.
Não havia jeito. Seria necessário começar a procurar em todos os locais, torcendo por encontrar algo.
Luna começou entrando em diversas lojas, em um shopping, em praças, e não conseguiu nada. Na verdade, a quantidade de demônios que encontrou era surpreendentemente baixa. Menos de vinte demônios da quinta classe estavam espalhados pelas pessoas, o que era estranho. Luna sabia que em aglomerações, deveriam haver mais demônios.
Não importava, pois não encontrou nada. Procurou o dia inteiro por algum tipo de informação sobre o Culto de Mamon, mas não ouviu nada, mesmo de outros demônios.
Estava frustrada, tinha de admitir. Procurou um bar em um local às margens do centro da cidade. Localizou um de parede vermelha chamado “Bar do Onipresente Tio Sid”, e pareceu um local extremamente confiável.
Quando Luna entrou, poucas pessoas do bar olharam para ela. Alguém sentado em um canto escuro parecia olhar para ela, mas era difícil ter certeza.
Aproximou-se do balcão. O homem que olhava para ela era magro e meio corcunda, alto, com uma barba mal feita. Olhou para ela com curiosidade, e um de seus olhos era cego. Cortando-o, havia uma enorme e feia cicatriz.
— O que quer?
Sentia o homem nas sombras observando-a. Resolveu tentar chamar a sua atenção, pois sentia alguma presença sobrenatural vinda daquela silhueta familiar.
— Quero a bebida mais forte que tiver.
— Existem algumas regras. Não vendo isso para crian…
— Mas você fará uma exceção para mim — sugeriu a meio-demônio, lançando um feitiço demoníaco de indução. Nunca dera muita atenção à magia rudimentar dos demônios, mas aquela era especialmente útil.
— Hum… É. Tem razão. Acho que não há nenhum problema em fazer uma exceção para você.
O dono do bar foi para os fundos do local para buscar uma garrafa com alguma bebida que a própria Luna pouco reconhecia. Não ligava. Sua intenção era chamar a atenção utilizando seu feitiço demoníaco, e não beber alguma bebida alcoólica aleatória.
Aparentemente, seu plano funcionou. O homem que estava sentado nas sombras levantou-se e caminhou em direção à Luna. Como imaginava, era o mesmo homem que viu na sede dos demônios. Era o homem que matou Pietro.
O homem sentou-se no banco ao lado da garota.
— Vai pagar pela bebida?
— Não — respondeu Luna, desafiadoramente. Sabia que, se queria informações, precisaria parecer um demônio maligno. Isso significava pensar em maldades em cada ato feito.
O homem sorriu de canto e olhou ao redor.
— Nós poderíamos conversar ali, na minha mesa? É um pouco mais afastada destes… humanos.
— A minha intenção era não ficar mais tempo que o necessário na presença deles — afirmou Luna, com desprezo convincente. — Mas, já que deseja, posso aceitar mais alguns minutos no meio do gado.
Ela sabia, correta, que os demônios gostavam de referir-se aos seres humanos como gado.
A bebida chegou, Luna pegou a garrafa e acompanhou o homem baixo até a mesa no canto mais afastado do bar. Ele pegou duas taças e deixou uma na frente de Luna, enchendo o próprio copo logo em seguida. Sentou-se, e olhou para a garota com interesse.
— Vi que usou feitiços demoníacos. Levando em conta que está com esta casca humana, deve ser uma mestiça. Ah, não, não me olhe assim. Eu nutro apenas respeito e admiração perante a sua classe. Demônios capazes de utilizar seus poderes mesmo na forma humana são fascinantes.
— Acertou. Sou mestiça. E das melhores, sem querer me gabar.
— Tenho certeza que sim — concordou Arvak, sorrindo. — Na verdade, eu ouvi você procurando pelo Culto de Mamon, e fiquei curioso. Por que quer achar o Culto de Mamon se você é uma engaiolada?
Engaiolados. O modo que demônios comuns referiam-se àqueles que não comiam carne humana fresca.
— Meu pai é engaiolado — corrigiu Luna, com nojo. — Ele me faz ir até aquela casa nojenta buscar comida em vez de ele próprio matar os humanos. Eu não partilho dos pensamentos dele. Humanos são seres inúteis e que só servem de alimento.
Por sorte, Luna era boa atriz. Arvak não parecia ter suspeitas tão grandes em relação a ela.
— E eu vi o que fez com aquele doutor engaiolado inútil. Eu mesma teria feito, mas ainda tenho leve respeito pelo senhor meu pai. Família é poder.
— Família é poder — concordou Arvak. — Admiro seu posicionamento. Mas… repito a pergunta, por que quer achar o Culto de Mamon?
Luna olhou para Arvak com seriedade.
— Me cansei de seguir os desejos de meu pai — mentiu. — Quero seguir meu próprio caminho. Quero criar um mundo onde os demônios vivem e os humanos que se escondem. Quero estar no topo, ao lado de Lorde Mamon.
Arvak olhou para a mestiça com um olhar penetrante. Em seguida, aproximou-se dela de maneira intimidadora.
— E por que você iria querer isso? Há algum sentimento que te motiva a aliar-se com o Culto?
Luna hesitou. Então, seus olhos brilharam em vermelho-sangue. Sentia a dúvida no homem à sua frente, e sabia que ele só acreditaria em uma única resposta.
— Sou meio-demônio — respondeu Luna, finalmente. — Demônios me rebaixam. Bruxas me desprezam. Quando há reuniões de demônios, até mesmo de engaiolados... você consegue imaginar onde eles deixam os mestiços?
Arvak olhou para ela por alguns segundos, mas viu apenas a frieza de um demônio furioso nos olhos da garota. Então, o poderoso demônio sorriu satisfeito.
— Sacerdote Arvak, do Culto de Mamon — apresentou-se.
— Selena Darkmoon — inventou Luna, rapidamente.
Arvak assentiu. Tirou do bolso um papel e anotou um endereço. Entregou para Luna.
— Encontre-me neste local daqui duas horas. Não se atrase.
Dizendo isso, Arvak levantou-se, ainda com a garrafa de bebida, e saiu do bar. Luna olhava o endereço com o coração acelerado.
“Eu consegui”, pensou ela. “Eu realmente consegui.”
Talvez ela tivesse sido convincente pelo fato de que seu desprezo pela rejeição dos mestiços não era de todo falso. Ela apenas deixou a raiva que sempre sentiu falar mais alto, e talvez aquilo tenha convencido Arvak. Mesmo assim, era necessário manter a cautela. Podia ser uma armadilha.
Mas era a sua chance de descobrir a localização do Culto de Mamon. Era a sua chance de acabar com aquilo.
*
Luna já estava no endereço indicado pelo demônio Arvak. Era uma rua estreita e com um buraco no asfalto, sem nenhuma pessoa como testemunha e com um único poste na iluminação. O local perfeito para uma emboscada.
De início, suspeitou que havia sido enganada, mas após alguns minutos o homem apareceu.
— Está atrasado — rosnou Luna.
— Haha, perdoe-me, senhorita Darkmoon. Tive que organizar alguns assuntos antes de te encontrar. Mas, cá estou eu, e vamos para o nosso quartel general.
— Espero que seja tudo o que eu espero — comentou Luna, sarcástica.
— Não se preocupe. Anteriormente estávamos em uma caverna, mas agora estamos em um local melhor para iniciarmos a nova era. Uma era comandada por demônios.
— Então vamos logo, pois odeio ficar esperando, sabia?
Arvak sorriu.
— Como desejar, futura governante do mundo.
As sombras no local, uma rua deserta e com um único poste de iluminação, começaram a crescer e a se retorcer. Aos poucos, elas iam engolindo tanto Arvak quanto Luna, que questionava-se se aquela era a melhor ideia para a situação.
Não. Com certeza ser levada para o esconderijo do Culto de Mamon não era uma boa ideia. Mesmo assim, era a sua única alternativa.
Com este pensamento conflitante em mente, Luna aceitou ser levada pelo caminho dentro das sombras. Não sabia em que local iria parar, mas esperava que não fosse um local impossível de ser detectado.
Ela não sabia, mas os problemas estavam caminhando para um nível superior aos anteriores. Ela não sabia, mas talvez a situação fosse mais séria do que ela mesma sequer imaginava.
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