A Magia do Submundo

14 Informação Valiosa II


Notas iniciais
Hello! Continuando aqui com a segunda parte do capítulo "Informação Valiosa", estamos entrando na parte final deste ato. Muita coisa interessante está para acontecer hehehe.

Luna e Arvak entraram no portal das sombras, a garota sentiu aquele mesmo frio desconfortável que o causado pelo teleporte das bruxas.
Quando saíram do caminho das sombras, Luna viu-se cercada por meia dúzia de demônios de sexta classe que com certeza não poderiam sequer arranhá-la. Mesmo assim, ela ficou apreensiva com a presença deles. Talvez fosse apenas uma forma de Arvak de destacar sua importância hierárquica dentro do Culto, pois Luna imaginava que ele deveria ser o líder.
Aos poucos, Luna começava a procurar o local em que estavam. Não pôde evitar de surpreender-se.
Estavam em uma enorme ilha, esta que Luna reconhecia como a Ilha de Yuvik, que era separada de Fairyshall por muitas milhas de água. Era possível ver a cidade iluminada no horizonte, mas Luna tinha certeza que nunca suspeitariam daquela ilha como esconderijo de um culto que antigamente estava em uma caverna qualquer.
Luna também sentia toda a clara interferência no ar. Sem dúvidas, era uma das lendárias barreiras antimagia que pouquíssimas pessoas, bruxos ou demônios, podiam produzir. A ideia de usar o teleporte para chegar na ilha provavelmente resultaria em morte da bruxa que tentasse.
“O acesso só é possível através de um portal pelas sombras. Terei que levar a senhora Torre e as outras bruxas comigo se quisermos alcançar a ilha”, raciocinava Luna enquanto verificava cada detalhe possível da ilha.
No local em que estavam, ela teve certeza que aquilo (que parecia ser um heliporto) devia ter sido projetado justamente para desviar a rota de todo portal das sombras para o heliporto.
“Deste jeito, não há nenhuma forma de se inflitrar na ilha sem ser pela porta da frente”, percebeu Luna, um pouco preocupada com o pensamento.
Após o heliporto onde Luna, Arvak e os seis demônios estavam, havia um portão de grades. Havia, na extremidade de cada lado do portão, uma torre com um demônio em forma humana.

— Senhor Arvak — cumprimentou um deles. — Devemos abrir o portão?

— Se não for atrapalhar muito a sua rotina, seria agradável.

Luna olhava com atenção para tudo aquilo. Viu um deles, o que cumprimentou Arvak, clicar em um botão. Logo, o portão de grades elétrico estava abrindo.
Arvak começou a caminhar. O líder do Culto Carmesim usava uma túnica vermelha. Com um gesto, ele indicou que Luna deveria segui-lo. A mestiça assim o fez.
Enquanto caminhavam pela pequena ponte que ligava o heliporto a um grande portão de ferro maciço, Luna tentava procurar um meio de acesso sem ser o portal das sombras, mas não viu nada. A ilha era coberta por árvores de folhas escuras, então Luna também não conseguia ver nada além do caminho que Arvak indicava.
Após passarem pela ponte — Luna notou que as seis estátuas de gárgulas que decoravam-na talvez fossem demônios de verdade —, Arvak parou diante do portão de ferro. Olhou para Luna.

— Selena, você está disposta a alcançar o topo?

— Vamos varrer o mundo com o sangue destes vermes — anunciou Luna, aparentemente determinada.

Arvak olhou com satisfação e, com um gesto, o enorme portão de ferro começou a se abrir para ambos os lados.
No interior daquele local, que obviamente era uma base subterrânea que passava por dentro da Ilha de Yuvik, não era possível ver quase nada. Mas Luna possuía visão no escuro e, embora não conseguisse ver as árvores, conseguiu ver o interior da base.
Muitos cães do inferno patrulhavam o local. Aquelas formas desprezíveis e frágeis, mas muito úteis para atrasar invasores e servir como alarmes ambulantes. E, por nascerem centenas deles por segundo no Inferno, eram fontes dispensáveis e inesgotáveis de lacaios.
“Mas, se eu fosse escolher subalternos, eles não estariam na minha lista”, pensou Luna com desprezo. Arvak pareceu notar o olhar de Luna, e sorriu, desculpando-se.

— Em breve não precisarei utilizar estes seres patéticos como sentinelas.

— Espero mesmo — disse Luna. — Por ser mestiça eu não tenho muitas exigências quanto aos meus companheiros, mas até isso tem limite.

Arvak parecia estar cada vez mais satisfeito com as respostas de Luna. E realmente estava. Normalmente, os demônios que conhecia ficavam hesitando ou demonstravam medo. Eles eram tolos e não tinham coragem de revelar-se, e viviam cochichando sobre as bruxas. A garota ao seu lado não parecia ser nada disso, mas ele resolveu tirar outra confirmação.

— O que acha da Irmandade da Bruxaria?

— Acho que não podem impedir seja lá o que você realmente planeja. Este lugar é secreto e possui boas defesas. A menos que uma Torre surja aqui, será difícil não termos sucesso.

Arvak assentiu e tornaram a caminhar. Passavam por demônios de sexta classe e cães infernais, além de sempre serem acompanhados pelos seis demônios que estavam no heliporto. Eram como uma guarda pessoal do Sacerdote de Mamon.
Luna finalmente viu um sinal de claridade e entrou mais a fundo na base. Após aquele espaço inicial repleto de demônios de classes inferiores, havia outra ponte, esta que não podia ter menos de cem metros de comprimento.
Quando começaram a caminhar pela ponte, Luna viu que, mesmo no interior da base, viam um buraco sem fundo abaixo da ponte. Uma fina neblina parecia subir do tal buraco.
A ponte era sustentada por um obelisco de pedra em seu centro, e a ponte circulava este obelisco que chegava até o teto, dividindo-se em duas momentaneamente no processo.
Passaram pela ponte, e Luna já estava levemente assustada com o tamanho da base. Quando a ponte ficou para trás, Luna viu algo estranho, semelhante a um sobrado no fim da ponte. Este sobrado ficava entre duas casas menores, e atrás do sobrado havia apenas a parede de pedra da montanha que havia em Yuvik.

— O que é esta construção? — perguntou Luna.

— Senhorita Darkmoon, somos um Culto. Precisamos de um local para cultuar o nosso Príncipe. Estas três casas estão interligadas e são planejadas de modo que sejam a principal aglomeração de demônios para cultuar Lorde Mamon. Mas não é isso que eu quero te mostrar.

Arvak continuou andando, e Luna não esperou para acompanhá-lo.
Entraram no sobrado, e Luna viu que não podiam ter menos de vinte demônios da quinta classe ali, todos olhando para eles com curiosidade. A meio-demônio estava com cara de poucos amigos, e Arvak também não encorajava uma aproximação.
O Sacerdote olhou para a garota.

— Pela passagem atrás do armário — informou ele.

Antes que os dois fossem até lá, um demônio musculoso já estava arrastando o armário para longe do buraco na parede. Luna notou que o buraco passava ainda mais pelo interior da montanha de Yuvik até chegar em um novo espaço oco dentro da terra.
Quando Luna e Arvak chegaram no local, a garota arregalou os olhos.
Estavam em uma plataforma de ferro a alguns metros do chão. De ambos os lados da plataforma, havia escadas que levavam até uma sala com piso de pedra. Virando a direita por uma porta aberta, era possível ver que ainda havia mais coisas na base do Culto Carmesim.
No centro da tal sala, havia um pedestal com quatro pedras brancas incrustadas nele. “Pedras da lua”, percebeu Luna, assustada.
Cerca de cinquenta demônios de classe 5 tinham a energia sugada em direção ao pedestal, esta que era convertida em um raio de luz azul que era disparado contra a parede.
O que realmente impressionava, no entanto, era o que havia na parede oposta à plataforma. Consistia em uma parede quase vazia, mas havia uma fenda vermelha no meio dela. Quando chegava perto desta fenda, a luz emitida pelo pedestal transformava-se em uma luz vermelha.
Luna rapidamente recuperou a compostura.

— É lindo.

— Achou? Eu sabia que não me decepcionaria! Sabe, garota, desde que Phill, meu braço direito, foi morto por bruxas, e meu Corruptor por uma criança nojenta, eu não tenho com quem contar. Estes demônios no caminho atrás de nós são meros peões, no máximo fontes de energia. Eles não são como você.

— Como eu?

— Você é forte. Além disso, por ser mestiça, e de um tipo bem diferente, possui peculiaridades que eu jamais vi. Também consegue ver a beleza do que estamos fazendo, e parece entender o que é. Estou correto?

— Tem razão. Achei esta fenda na Muralha que você está abrindo belíssima.

Arvak sorriu.

— Então você entende mesmo. Exatamente, eu cansei de procurar a tão famosa Fenda na Muralha. Eu decidi que abriria uma nova por mim mesmo.

— Mas como conseguiu isso? — perguntou Luna, realmente interessada, embora a preocupação que sentia tivesse ficado dez vezes mais intensa.

— O modo como descobri os passos? Foi com Lorde Mamon.

— E quais são os passos?

— Por que quer saber…?

— Porque eu poderia ajudá-lo. Porque nem fodendo que essa fenda tem poder suficiente para um exército passar, nem para um Príncipe passar e nem para abrir uma passagem permanente.

— Haha. Você venceu. Eu vou dizer. O primeiro foi encontrar um local onde a Muralha já estava levemente danificada, no caso, Fairyshall. Isso me faz acreditar que, se Asmodeus não está mesmo no mundo humano, ele pelo menos tentou entrar — comentou Arvak. — Após encontrar este local, eu só precisei usar as quatro Pedras da Lua que eu venho reunindo há anos e então combiná-las com a força sombria das almas retorcidas destes demônios à nossa frente. Com magia proibida fornecida por Lorde Mamon, consegui iniciar o processo de abertura da fenda.

— Apenas iniciar?

— Simmmm! Eu estou esperando há alguns meses. Existem outros dois requisitos para abrir um portal forte o suficiente para Lorde Mamon passar — explicou Arvak, claramente satisfeito por achar um demônio que apresenta utilidade e pensamento semelhantes ao dele. — O primeiro é o poder da aura de cem demônios de quinta classe. Estes que você vê são os cinquenta que falta. Após isso, com as Pedras da Lua energizadas, terei que esperar até a próxima semana para que a lua esteja na posição correta. Então, usarei métodos secretos para forçar a abertura efetiva da Muralha até a Ilha de Yuvik.

Luna sorriu malignamente.

— Então estamos realmente próximos de trazer Lorde Mamon para este mundo. Ele, que merece mais do que qualquer um o título de Rei do Inferno.

— Exatamente! Assim que Lorde Mamon passar, basta esperar um mês e então repetir o processo. Então, passaremos todas as legiões de Lorde Mamon para este mundo. O planeta Terra irá queimar.

Luna olhava vidrada para o portal que, ainda naquele mês, seria aberto, permitindo uma passagem real de um Príncipe Demoníaco para o mundo humano.
“Tenho que avisá-los. Mas, primeiro, terei que descobrir como passar por este bloqueio de portais”, pensou Luna.
Assim ela faria. Passaria os próximos dias procurando um jeito de atravessar a interferência mágica e avisar Jason.

*

Durou um período de cinco dias. Durante cinco longos dias, Luna ficou presa com o Culto de Mamon, elogiando suas maquinações enquanto procurava por um meio de superar aquela interferência de portais. Ficara procurando um meio de atravessar sem chamar elevada atenção, mas percebera que, no momento em que soubessem de sua saída, saberiam de suas mentiras.
Mas estava decidida. Afinal, naquele momento, não deveriam ter nem três dias para fechar a fenda. Precisava sair sa Ilha de Yuvik, e rápido.
A sua oportunidade surgiu no sexto dia na ilha, cinco dias depois que descobrira o portal, quando ela finalmente conseguiu deixar sua presença acostumada com a interferência. Afinal, aquela proteção fora feita mais para bruxas do que para demônios, e parecia ficar mais fraca a cada dia — talvez a energia criada por ela estivesse sendo sugada pelas Pedras da Lua.
O motivo era irrelevante. A questão era: poderia passar pela barreira antimagia, mas precisava chegar ao heliporto, onde poderia efetuar um transporte pelas sombras.
Aquilo também não seria um grande problema. Havia conquistado certo respeito, e viu como era surpreendentemente fácil subjugar a vontade daqueles demônios. Bastava mostrar que poderia matá-los em segundos.
Com isso, conseguiu chegar ao heliporto. Deveria ser por volta de cinco horas da manhã. Ficou em cima do grande “H” no centro da plataforma e preparou-se.
As sombras próximas começaram a se retorcer. Por sorte, já havia decorado o período da troca de vigias no heliporto (eles não estavam tão preocupados com esta segurança, pois poucos podiam entrar na ilha sem ter sintonia com a barreira). Quando as sombras alcançaram-na, ela novamente sentiu aquela sensação fria e desagradável.
No momento em que abriu os olhos, estava dentro do condomínio verde onde moravam Emma e Olive.
A primeira coisa que Luna fez naquele momento foi mandar uma mensagem para Jason.
“Sujeito Anônimo. Não tenho tempo de explicar meu sumiço. Explico quando nos reencontrarmos. A questão é: achei a localização do Culto de Mamon, e o problema é maior do que esperávamos. Encontre-me no endereço que te passarei em seguida, e traga as bruxas — as três — com você!”
Então, Luna suspirou. Independentemente do que Olive e Emma fossem pensar, necessitava urgentemente de um banho.

*

Já era noite naquele momento. Jason estava no banco de trás com Lily. Na frente deles, Alice desenhava um rostinho feliz no vidro e Selena dirigia sem dizer nada.
A mãe de Jason havia voltado para casa. Pelo que ela disse, não encontrou nenhuma Pedra da Lua em Fairyshall, mas não sabia dizer se isso era algo bom ou ruim. Alice teve que cuidar da caça de demônios, junto de Duncan Livesking — este que agora estava em uma Toca de demônios. Lily cuidou do treinamento de Jason, e a presença da mulher já não o intimidava tanto quanto da primeira vez que a viu.
Finalmente chegaram no endereço que Luna havia indicado (Jason ainda corava de vergonha ao lembrar de sua agitação quando finalmente a garota deu sinal de vida). O local era um condomínio verde de portão branco.

— Apartamento 4? — perguntou Selena, novamente.

— Sim, sim!

Selena clicou no interfone. Ninguém atendeu, mas o portão abriu na mesma hora. Lily olhou para Jason.

— Sinto a presença de demônios neste local — avisou a bruxa.

— Bem, se a Luna está aqui, não deve ter perigo.

Lily olhou com dúvida para o aprendiz, mas apenas aceitou. Estavam em muitos. Nem mesmo um demônio da terceira classe poderia acabar com todos eles.
Quando entraram, viram sair do apartamento 4 uma mulher de cabelos castanhos e roupas brancas. Emma acenou para eles, com uma expressão serena e levemente amigável, e indicou um estacionamento no interior do condomínio. Selena olhou com dúvida por um momento, mas por fim fez o que era indicado.
Quando todos desceram do carro de Selena, Emma aproximou-se com um sorriso no rosto, bem leve.

— A Senhorita Silverstone aguarda-os. Sejam bem vindos, caçadores. Espero que tenham feito uma boa viagem.

Não havia dúvidas do fato de que Emma era um demônio, mas parecia uma mulher tão adorável e gentil, com uma simpatia tão nítida que Jason nunca imaginaria que era um demônio de quinta classe na sua frente.
Emma guiou-os até o apartamento 4. Quando entraram, a primeira coisa que Jason viu foi um vulto de preto abraçá-lo com força. Alice, que estava ao lado, até saltou para o lado.
Luna apertava-o com tanta força que Jason pensou que iria quebrar sua coluna. Ele então retribuiu o abraço, pensando em como fora estranho ficar longe da garota por tantos dias.
Luna afastou-se dele rapidamente, corando, e pigarreou.

— B-bem, que bom que estão aqui. Ah, entrem. E rápido. Tenho muitas coisas para contar, e, acreditem, não é nada bom.

— Rápido, Luna. A reunião das bruxas no Santuário é amanhã, e eu gostaria muito de estar lá.

— Perdoe-me, senhora Torre, mas então deu merda. Você não estará lá amanhã.

Selena não perguntou. Pôde ver nos olhos da mestiça que a situação era séria.
Entraram no pequeno apartamento. No centro da sala havia uma mesa com espaço para seis pessoas. Emma e Olive — que era praticamente idêntica à irmã, embora parecesse um pouco menos fechada — cumprimentaram os amigos de sua mestra mais uma vez e subiram as escadas para o andar de cima.
Luna sentou-se à mesa e aguardou até os bruxos fazerem o mesmo. Então, olhou séria para eles.

— Tenho uma notícia boa e duzentas ruins. Qual querem ouvir primeiro?

— A boa — disse Alice, cínica.

— Descobri o esconderijo do Culto Carmesim de Mamon, e, antes que perguntem: como eu descobri é irrelevante. Fica na Ilha de Yuvik, próxima a Fairyshall.

Notou a leve expressão de surpresa no rosto de Lily e Selena, bem como uma bem maior nos rostos de Alice e Jason. Luna não esperou, e começou a lançar as informações ruins.

— A ilha possui um bloqueio antimagia, então teleporte é impossível. O único meio de acesso é através de um portal nas sombras, e um não autorizado provavelmente vai ativar os alarmes.

Selena suspirou.

— Isso não é bom — comentou Jason.

— Não acabei — ralhou Luna. — Este fato é o menor dos nossos problemas. O lugar está cheio de demônios, mas nada que três bruxas com uma Torre não possam lidar.

— Imagino que haja um motivo para ter chamado todos nós para cá.

Luna assentiu sombriamente.

— Arvak, Sacerdote de Mamon, está com quatro Pedras da Lua, e está combinando-as com o poder de demônios que estão sendo sacrificados para abrir uma Fenda na Muralha forte o suficiente para que um Príncipe Demoníaco passe para o nosso mundo.

— O portal está aberto?!

— Está abrindo.

Houve um período de silêncio, e então Selena perguntou:

— Você acha que precisa de todos nós para invadir?

— Senhora Torre, eu estou movendo as peças do meu tabuleiro imaginando o pior cenário possível. E o pior cenário possível é Lorde Mamon surgir na nossa frente enquanto estamos na base — explicou ela, sarcástica. — Eu provavelmente vou ficar um tempo sem conseguir lutar, porque levar tantas pessoas juntas por tantas milhas em um portal das sombras é cansativo. E, se tivermos de lidar com um Príncipe Demoníaco, quero ter algumas bruxas por perto. Principalmente você, senhora Torre.

— Já pedi para parar de me chamar assim.

— Que seja. A ilha é fortificada, e eu não conseguiria levar vocês lá hoje. Mal estou me aguentando em pé. Poderia, no máximo, levar o Sujeito Anônimo, mas ele não poderia sequer chegar até o portal. Amanhã, de preferência durante a noite, quando meus poderes estiverem mais potentes e as sombras mais acessíveis, levarei vocês até lá. Mas terão que me oferecer alguma proteção enquanto eu me recupero do cansaço.

Todos assentiram.

— Então…

— Possivelmente, poderemos lidar com um Pecado Capital — completou Lily, cansada. — Nunca pensei que teria que lidar com uma daquelas coisas. Dizem que só a casca humana deles é superior a uma Torre.

— Mas ele nunca se recuperou completamente dos danos causados por Lúcifer Morningstar — disse Luna, calmamente. — Mesmo assim, acho que até todas vocês juntas terão certos problemas.

— E por que chamou Jason aqui? — perguntou Selena, friamente. — Não pode estar realmente pensando em levá-lo junto.

— Sério?! — exclamou Luna, antes que Jason pudesse reclamar. — Acho que ele já provou seu valor. Encontrou o primeiro esconderijo do Culto e até expulsou o Corruptor. Não se preocupe, vocês podem cuidar da parte pesada. Eu só vou querer que ele me dê cobertura enquanto me recupero do caminho pelas sombras. E, depois, ele pode me ajudar contra o Arvak. Afinal, ainda tem ele. Odiei aquele cara, mas com certeza ele é um dos demônios mais poderosos que eu já vi. Não irei me recuperar o suficiente para enfrentá-lo com facilidade.

Selena ficou refletindo. Sabia que Lily concordaria com ela se buscasse apoio, talvez até Alice concordasse, mas não seria correto. Luna tinha razão. Jason já conquistara o direito de participar, mesmo que apenas na retaguarda.

— E por que estas duas mulheres não nos acompanham? — perguntou Lily.

— Olive e Emma são pacifistas. Assim como meu pai e eu, elas não comem carne humana… diretamente da fonte. Por isso, elas também mal usam sua forma demoníaca. Não seriam especialmente recomendadas para o nosso objetivo.

Selena olhou para Jason. Ficaram se encarando por alguns segundos, e então a Torre deu de ombros.

— Muito bem. Mas fique sempre atrás de mim.

— Pode deixar.

Continuaram discutindo métodos para lidar com certas situações enquanto Luna dava os maiores detalhes possíveis sobre o posicionamento de alguns sentinelas, o trajeto até o portal e todo o resto que pudesse indicar para as pessoas ao seu lado. Seu coração batia forte. A ideia de estar frente a frente com um Príncipe Demoníaco que não fosse seu pai era aterrorizante.
“Mas não importa. Já me cansei deste culto maldito. Amanhã, tudo acaba.”
Alice soltou uma risada zombeteira.

— Selena, Lily, vamos faltar a reunião amanhã. É uma pena. Todas as bruxas do continente estarão lá. Eu queria conversar com a Amanda de novo. Bem, nem tudo é como a gente quer. Vamos chutar a bunda de alguns demônios, mesmo se for um principezinho!

Jason sorriu diante da empolgação de Alice. Sentia-se motivado. Sentia-se capaz de fazer qualquer coisa.
Mal sabia ele que sua vida mudaria para sempre depois daquela ilha.

Notas finais
Aeee! Agora sim! O próximo capítulo talvez não seja tão grande, mas os próximos depois dele eu tenho quase certeza que serão! Finalmente certos personagens poderão realmente mostrar o que sabem kkkkk