Notas iniciais
Hello! Continuando com a história, não tenho muito o que dizer aqui Boa leitura ^^

A bruxa Alice e o bruxo Jason chegaram na casa do garoto e de Selena já tarde. O sol havia desaparecido havia talvez uma hora. O local estava com um leve cheiro de enxofre, então Alice supôs que Selena havia voltado de uma caça a demônios também.
Jason estava orgulhoso por ter vencido um demônio de sexta classe sozinho — embora soubesse que a maioria das bruxas via aqueles demônios como não mais do que um pequeno incômodo. Também estava curioso sobre aquele bastão/lança/espada que agora possuía. E o fato daqueles sons estranhos que o demônio fizera — uma gargalhada assustadoramente semelhante à de um ser humano — ainda estavam em sua cabeça.
Os dois bruxos entraram na casa. Depararam-se com uma sala e cozinha vazias. Jason imaginou que sua mãe estivesse no porão.
Assim que os dois desceram, deram de cara com Selene com um braço enfaixado e manchado de vermelho. Ao lado dela, Luna esmagava e espremia algumas ervas de tom esverdeado e outras de tom esbranquiçado. Elas não ouviram os dois chegarem (até Luna, com seus sentidos aguçados, estava concentrada demais em preparar o remédio e em conversar).

— ... com uma mordida. Pensei que vocês, Torres, eram melhores — zombou Luna.

— Já eu fico pensando no motivo de você não ter vindo me ajudar.

— Nunca imaginei que uma bruxa como você precisaria da minha proteção. Afinal, como foi mordida?

— Aquele maldito fez brotar uma segunda cabeça do nada, com um pescoço extremamente longo. Foi irritante.

— Tanto faz. Quando eu terminar, você ficará melhor. E, da próxima vez, não deixe eles chegarem tão perto.

Selena assentiu. Quando Luna retirou a faixa branca e pressionou a pasta esbranquiçada contra o braço de Selena, a bruxa contraiu a face, indicando dor.
Apenas após terminarem de cuidar do braço de Selena as duas repararam nos recém-chegados.

— Ah, Sujeito Anônimo, que bom que está vivo. Foi mordido também?

— Não te interessa — respondeu Jason, apenas para provocar. Luna sorriu de canto e arqueou a sobrancelha.

— Vou ter que tirar sua camisa para ter certeza? — O garoto corou.

— Não fui ferido. Relaxe. Ah, e o meu bastão também vira uma espada! Você tinha que ver!

— Uma espada? — repetiu Luna, animada. Lembrando-se da presença de Alice e Selena, a meio-demônio corou, pigarreou e adotou uma postura séria e severa. — Não se anime, bruxo. Lembre-se que nem sempre poderá contar com seu bastão.

— Mas eu posso puxar ele com telecinese como se eu estivesse usando a Força.

— Isso é trapaça! — esbravejou Luna. — Eu sou quem deveria ter armas fodonas. Eu quem mando nas armas?

— Manda nas armas?

— Exatamente! Un!

Alice pigarreou, voltando a atenção para ela.

— Como pode ver, o Jay conseguiu terminar a caçada com êxito, embora tenha sido impulsivo, não seguindo minhas ordens.

— Você é uma bruxa. Não existem “ordens” — observou Luna. Alice ficou emburrada.

— Mas ele deveria me respeitar. A Selena não te ensinou a respeitar os mais velhos?!

— Mas onde você estava, mãe? — indagou o garoto, mudando de assunto.

— Eu e a sua meio-demônio fomos caçar juntas. Aproveitei que ela estava comigo para caçar em uma área que nunca cacei.

— Espera! — exclamou Alice, espantada. — Você atacou uma Toca?!

— Sim — confirmou Selena, sorrindo de canto. — Eram mais de uma centena de demônios do quinto ciclo. Claro, nada tão complicado para uma Torre com ajuda.

— E que baita ajuda. Invadir uma Toca e algo que nem uma Torre pode fazer sem ajuda. Você deve ser incrível, senhorita Silverstone.

— É óbvio que sou. Senão eu já teria sido morta há anos.

— Jay — chamou Alice, após alguns momentos de silêncio. — Pode nos deixar?

— Por que só eu?!

— É um assunto que não diz respeito a você — interveio Selena rispidamente, lendo a mente de Alice. — Vá.

Um pouco irritado, o garoto subiu as escadas, enquanto Luna sorria diante do claro desejo do garoto de participar da reunião. A adolescente mestiça deitou-se na mesa de pedra que havia no porão e começou a brincar com uma adaga que surgira a partir do nada.
Alice e Selena estavam sérias.

— Quando estive na Toca — revelou Selena —, havia alguns demônios diferentes dos outros. Consideravelmente mais fracos, porém com características humanas. Eles emanavam sofrimento.

— Viu apenas isso? — questionou Alice. — Então seus feitiços devem ter destruído os corpos. Consegui ver o que ocorreu quando eles morreram.

Diante a afirmação, Luna atentou-se à conversa.

— Assim que morreram, eles viraram cinzas, e restou em seu lugar partes humanas. Alguns tinham a metade superior do corpo, outros partidos ao meio, mas sem dúvidas eram seres humanos.

— Demônios que viram humanos após a morte? Nunca ouvi falar de algo assim.

— Eu já — pronunciou-se Luna, chamando a atenção das bruxas. — Esse tipo desprezível de contaminação é criada… Não, mas isso não é possível. Eles não deveriam sair do inferno…

— O que não deveria sair, Luna?

— Bem, a transformação de humanos em demônios enquanto eles ainda estão no plano terreno só é possível utilizando um Corruptor, um demônio que não se encaixa em nenhuma classe de demônio. Eles são muito raros, mas se houver um aqui na cidade ou nos arredores, só ele poderia causar isso.

— Corruptores… — murmurou Selena. — E essas coisas surgirem justamente quando o Culto Carmesim de Mamon está na cidade…

— … não pode ser coincidência — completou Alice, concordando.

— Bem, podem avisar a sua Irmandade. Corruptores fazem coisas não muito agradáveis com mestiços, então deixo com vocês.

Dizendo isso, Luna subiu as escadas. Selena ficou divagando por um tempo, antes de concluir:

— Temos de avisar a Irmandade o quanto antes.

— E temos que achar esse tal Corruptor e, se possível, o Culto de Mamon também.

Selena odiava o fato dessas coisas acontecerem tão rápido. Assim que o culto chega à cidade (por sinal, pouco tempo depois de Jason ser atacado a mando de um Príncipe Demoníaco que já sabia em que cidade ele estava), a ameaça de uma transformação de humanos em demônios era preocupante e parecia estar ligada ao culto.
“Luna, agora eu talvez acredite que você possa cuidar do meu filho. Eu irei… irei confiar em você.”

*

No andar de cima, Jason folheava o livro buscando a página solicitada pelo professor Harry. Assim que achou, começou a escrever com a caneta.
Luna encostou-se na porta do quarto, esta aberta.

— Afinal, quem é esse Harry?

— O primeiro professor que te deu aula — respondeu o garoto, seco. Luna fez um bico.

— Não vai ficar assim só porque te excluímos da reunião, né?

— E se eu for?

— Certo, certo. Deixe-me te contar uma coisa — disse Luna, aproximando-se dele e sussurrando em sua orelha (Jason amaldiçoou-se por ter ficado arrepiado): — vou te contar tudo na minha casa amanhã. Aqui não é muito seguro.

Entregou uma raiz rosada na mão do garoto. Ele olhou para ela em uma muda interrogação.

— Coma. Vai dificultar sua mãe de ler sua mente. Por mais estranho que possa parecer, tem gosto de frango.

Jason comeu.
Os dois ficaram em silêncio por um minuto. Então, Luna perguntou:

— E agora, Do Que Quiser, vai responder a minha pergunta?

— O Harry era um conhecido de um amigo de antigamente. Bem rapidamente ele se tornou o nosso professor favorito. Ele até jogava com a gente de vez em quando. Mas isso foi antes…

— Antes do quê?

Jason olhou para o quadro na parede. Luna acompanhou o olhar e notou um garoto de cabelos negros que ela não conhecia.

— Quem era ele? — perguntou Luna o mais gentilmente possível, vendo a hesitação do bruxo.

— O nome dele era Owen. Eu e ele fomos os primeiros, antes do Robb e da Bia entrarem no grupo. Éramos apenas nós dois… Tsc. Depois de tanto tempo, ainda é tão ruim quanto já foi.

— O-o que aconteceu com ele…?

— No último ano em que nós quatro passamos juntos ele ficou bem distante, e então…

Luna sentou-se na cama e pôs a mão no ombro de Jason.

— E então ele foi achado morto, um ano atrás. Não houve sinais. Ele simplesmente… morreu.

— O que quer dizer com “não houve sinais”?

— O coração dele parou de bater subitamente. Foi encontrado a uma cidade de distância, no meio do nada.

Luna assentiu, e ficou pensativa. Já havia ouvido falar de algo assim em algum lugar…
Decidindo que pensaria nisso depois, ela olhou solidária para Jason. Antes, porém, que pudesse dizer algo, Selena surgiu na porta e semicerrou os olhos.

— Sobre o que estavam conversando?

— Nada que não podíamos conversar — garantiu Luna.

— Sabe que posso descobrir a verdade, não é?

— Estávamos falando do Owen — murmurou Jason, de cabeça baixa.

Selena ficou branca.

— E-entendo…

Obviamente se lembrava de Owen. Sim, de todos os amigos de Jason, aquele era de longe o que ela mais havia conhecido. A morte dele fora um golpe cruel contra todos que o conheciam. Sim, principalmente para a própria Selena.
“Ele falou disso com essa garota… Você está começando a conquistar uma confiança grande dele, Luna. Grande demais para o meu gosto.”
Luna suspirou.

— Acho que tenho que ir pra casa. Meu pai também não fica muito tempo lá, e espero ver ele hoje. Até depois, Sujeito Anônimo. Tchau, Selena. Ou senhora Torre? Vocês bruxas gostam de destacar essa distinção.

Dizendo isso, ela deixou o quarto.
A Torre olhou para o filho. Após ouvir a porta de entrada se fechar, disse:

— Tome cuidado com o que conta para as pessoas.

— Confio na Luna — afirmou ele, sério. — E, de toda forma, o que ela saber disso pode me prejudicar?

“Pode levar a mexer com coisas que deveriam ficar enterradas”, pensou Selena.

— Tem razão, não há problema nenhum — concordou ela com um sorriso forçado. — Agora termine seu trabalho e vá dormir.

Jason assentiu, e voltou a estudar.

*

No dia seguinte, Jason entregou o trabalho a Harry. O professor sorriu.

— Excelente como sempre — elogiou ele, quando os alunos foram ao intervalo.

Jason agradeceu e correu atrás dos colegas. Quando encontrou Robert e Bianca, já estavam conversando com Luna. A meio-demônio comentava sobre como achava que os jogos de fantasia foram inventados por bruxas de verdade (claro, apenas Jason entendeu que ela realmente achava isso).
Assim que viu Jason, Luna sorriu.

— Conseguiu terminar? Nem quero imaginar até que horas você ficou acordado. Suas olheiras tão horríveis.

— Não vou nem responder. Talvez seja porque não tenho como — resmungou o garoto, irritado.

— Eu sei. Sou perfeita — afirmou ela, sarcástica. — Agora, o que mais vamos fazer? Eu já terminei todos os trabalhos.

— Mas foram mais de dez! — exclamou Robert, impressionado.

— Aqui vemos um claro exemplo de um ser humano sem vida social — apontou Bianca, dando risada.

— Não sou um ser humano — negou Luna. — Sou na verdade uma meio-demônio com super poderes. Só não uso para não me revelar para os mortais.

— Claro, e eu sou um lobisomem — retrucou Robert.

— Então era esse cheiro de cachorro que eu estava sentindo — constatou Luna, pensativa, fazendo Robert soltar uma exclamação indignada.

Após o intervalo, receberam mais um trabalho, para a indignação de Robert, que achava injusto receberem tantos trabalhos.
Jason e Luna seguiram o mesmo caminho para casa, mas Luna disse que o pai estaria em casa no dia e despediu-se de Jason. O garoto, já acostumado com a presença dela, sorriu triste.
Duncan chegou pouco tempo depois.

— Oi tio Duncan — cumprimentou Jason. — Onde está minha mãe?

— Foi procurar a tal Irmandade. Por ser uma Torre ela consegue entrar em contato com as bruxas mais rapidamente. Com tudo isso de culto e bla-bla-bla as coisas estão esquentando.

— Muito?

— Não importa quão poderoso seja o demônio envolvido nisso, sua mãe não terá problema. E, se ela precisar, eu irei ajudá-la.

Jason assentiu. Depois, fez uma pergunta:

— Tio Duncan… como uma pessoa normal se torna um demônio?

— P-por que pergunta isso?

— Bem, o senhor é irmão do meu pai, mas ele era um bruxo, e o senhor é um demônio, não é?

— Tsc. Sou sim. Mas isso é assunto para outro dia, moleque.

Jason assentiu. Seu tio era, no mínimo, teimoso, então ele imaginava que não iria falar se não quisesse.
Assim que chegaram à casa de Jason, o homem desceu também. Os dois entraram.

— Sua mãe foi avisar a Irmandade, então vou ficar com você hoje até você ir fazer seja lá o que faz com aquela garota.

— Antes que comece com a sua malícia — anunciou Jason, corando levemente —, eu apenas aprendo sobre demônios e aprendo a lutar. Por exemplo, eu ganhei uma arma bem estranha. Um bastão que pode virar várias coisas.

Duncan franziu o cenho.

— E posso ver esse bastão? — perguntou.

— Sempre carrego comigo — revelou Jason, tirando o pequeno cilindro da mochila e dando a Duncan.

O demônio ficou olhando atentamente para aquele pequeno objeto, com dúvida nos olhos. “Seria possível?”, questionou-se ele.
Por fim, Duncan tirou o celular do bolso, tirou uma foto do cilindro e devolveu-o a Jason.

— Certo. Vou me preocupar com isso depois.

— Eu também — concordou Jason, sussurrando.

*

Chegou à casa de Luna cinco minutos antes do normal. Duncan disse que precisava se unir a Niel para fazer algo, mas não entrou em detalhes sobre o que era. Com essa afirmação, Jason imaginou que o senhor Niel também não estaria em casa.
“O que eles dois fazem? Pelo que a Luna me disse, o pai dela também está muito mais distante que o normal. Mas por quê?”
Não havia pistas, então seria um desperdício ficar pensando no assunto. Por isso, o bruxo apenas despediu-se do tio e foi até a porta. Como sempre, Luna já esperava, e abriu a porta antes mesmo dele chegar.
Quando foram até o Salão de Baixo, Luna sentou-se no chão da pequena arena. Uma faca subitamente surgiu em sua mão, e ela começou a brincar com ela.

— Minha mãe me disse para não brincar com facas.

— Sério? Meu pai me ensinou a brincar com muitas coisas. Minha favorita foi a estrela da manhã. É uma arma interessante pra quem quer quebrar os ossos dos outros.

— Parece simpático — comentou Jason, rindo forçado. Luna sorriu também.

— Talvez eu te mostre. Posso testar em você.

— Serei obrigado a recusar a proposta respeitosamente.

Eles ficaram se encarando por um momento, e então Jason fez a pergunta.

— Sobre o que vocês conversaram?

— Sobre os demônios que encontramos ontem. Aparentemente, eles eram humanos que foram forçados a se tornarem demônios antes mesmo da morte.

— Como?! — indagou Jason, espantado.

— Não tenho certeza, mas é possível que se trate de um demônio chamado de Corruptor. Eles são criaturas que não se encaixam em nenhuma coasse de demônio, e podem forçar uma transformação antecipada em demônios.

— Isso não parece bom — constatou Jason, sério.

— Exatamente. Não é. E os Corruptores também não deveriam poder passar para o mundo humano, o que significa que, mesmo que minúscula, alguém achou uma fenda na Muralha. E, se as suspeitas de sua mãe estiverem certas, este Corruptor tem ligação com o culto de Mamon na cidade. Além disso — acrescentou ela —, apenas os Príncipes Demoníacos possuem influência sob os Corruptores.

— Então é quase certo que o tal Corruptor tem envolvimento com o Culto do tal do Mamon. E também que esse culto tem envolvimento direto com o Mamon.

— Exatamente. Quer dizer, isso se eu estiver certa. Mas não consigo pensar em outra forma de transformar humanos em demônios enquanto eles ainda estão vivos.

— E… Nós temos como ajudar a minha mãe e as outras bruxas?

— Era sobre isso que eu queria conversar. Eu já disse que acho que o Culto Carmesim pode estar dentro da floresta bem próxima da sua casa. Estou pensando se nós poderíamos… — Luna corou. — Eu não queria ter que pedir isso, mas Corruptores e mestiços não possuem uma relação muito harmônica. Então… você poderia vir comigo até a floresta? S-só para vermos se conseguimos achar alguma coisa. Sem entrar em combate.

Jason sorriu.

— Se você precisa, acho que é minha obrigação de ajudar. Somos amigos, não somos? O Owen me dizia que um amigo nunca deve abandonar o outro.

Luna, aos poucos, sorriu agradecida.

— Então — disse Jason —, quando começamos?

— Agora mesmo.

*

Os dois jovens estavam na floresta havia algum tempo. Mesmo procurando em vários locais, não estavam conseguindo achar o tal culto. Só havia duas possibilidades: ou uma proteção havia sido lançada contra o esconderijo, impedindo a detecção de bruxos, ou eles não estavam no local. Luna agarrou-se à primeira opção.
A floresta era escura e despertava lembranças ruins em Jason, mas ele resolveu continuar.
Passaram justamente pelo local em que Jason fora atacado por cães infernais dentro da floresta, e o bruxo ainda via um rastro de sangue.
A lua iluminava o caminho, e Jason notou como toda a floresta estava calma e silenciosa.
Silenciosa demais…
O bruxo pediu para Luna parar e externou seu pensamento. Luna assentiu, concordando, e os dois olharam ao redor. Após cinco minutos procurando, encontraram um local no mínimo suspeito — Luna disse que o cheiro característico de demônios era fortíssimo naquele local, e ela sentia algo ainda pior… Talvez miasma.
Os dois não precisaram esperar muito. Enquanto discutiam se deveriam ou não entrar na caverna a alguns passos de distância, algo saiu de lá. Era uma criatura semelhante a um macaco, com dois metros de altura, três caudas e quatro chifres. Nas pontas das caudas, ferrões semelhantes aos de escorpiões, e seus olhos eram órbitas amarelas.

— Merda — praguejou Luna. — É realmente um Corruptor. E pensar que um desses estaria mesmo fora do inferno…

Jason estava chocado. Aquela criatura emanava uma aura de perigo diferente de tudo o que já viu. Luna praguejou novamente.

— Eu não achava que ia achá-lo tão cedo, nem tão perto de nós — lamentou ela. — Corruptores não são invencíveis por poder, mas apenas uma planta específica pode expulsá-los deste mundo.

— Você trouxe essa planta?

— Trouxe, mas eu não posso usar.

— Por quê?

— Corruptores e mestiços não possuem uma boa relação.

— Em que sentido você fala? — indagou Jason. Luna hesitou.

— B-bem… se esse Corruptor me atingir com aquelas caudas, é possível que eu perca momentaneamente a minha humanidade.

— Quer dizer quê…?

— Que se ele me acertar, eu vou tentar te matar. Por isso eu não podia ir sozinha. Se isso acontecer, você deve usar a tal planta em mim, não no Corruptor, por favor.

Jason esperava não precisar fazer aquilo. E, como sempre que Jason esperava não precisar fazer algo, ele precisaria.
O Corruptor olhou diretamente para eles. Luna e Jason suaram frio quando a intenção assassina da criatura preencheu o ar. Em segundos, o demônio estava em movimento, correndo em velocidade assustadora.
Jason disparou um pulso com sua psicocinese, mas sequer afetou o demônio. Com outro movimento, paralisou-o, mas por poucos segundos. “É forte demais”, pensou Jason assustado.
O Corruptor livrou-se da paralisia, mas os jovens já estavam fugindo. O demônio rugiu e foi atrás deles.
Luna corria com surpreendente agilidade, desviando com facilidade dos galhos e pedras no caminho. Talvez sua visão noturna auxiliasse nisso. Já Jason não tinha tanta sorte, e acabou tropeçando.
Quando ouviu o garoto cair, Luna olhou para trás, e viu o Corruptor se aproximando.

— Merda.

Luna esticou o braço, e uma lança surgiu em sua mão. Ela arremessou-a no Corruptor, e uma das caudas da criatura foi perfurada. A dor da criatura fora usada por Luna para chegar até Jason e ajudá-lo a correr.
Quando o Corruptor olhou novamente para eles, entrou nas sombras. Surgiu novamente na frente da dupla. Luna derrapou antes de parar, e seu coração acelerou. “Merda. Por que eu fui sugerir isso”, pensou ela, arrependida. “Um Corruptor. No que eu estava pensando?!”
A garota criou uma maça estrela e correu contra a criatura. Desviou-se agilmente de uma das caudas de escorpião e atingiu a pesada arma na cabeça da criatura, fazendo-a cambalear.
Não foi o suficiente. Ainda restavam duas caudas úteis no Corruptor, e ele começou a atacar várias vezes. Luna era infinitamente mais forte que o inimigo, mas se resolvesse transformar-se em demônio havia o risco de perder a sanidade na hora.
Luna recuou e disparou três adagas no demônio, que protegeu-se com um dos longos braços. O Corruptor atacou novamente. Desta vez, Jason disparou uma pedra na cabeça dele, e Luna ergueu uma lança — mas o demônio desviou com facilidade.
O Corruptor desviava das armas criadas por Luna. Ela temia usar demais sua habilidade, pois a cada segundo o desejo hostil dos demônios ficava mais forte em sua mente.
Foi quando o Corruptor atingiu-lhe um golpe com a cauda, no ombro esquerdo. Luna gritou, e Jason disparou um pulso psíquico que afastou o demônio. Logo, o bruxo ficou entre a ferida Luna e o Corruptor.
“Se ela não conseguiu, eu não tenho a menor chance”, pensou ele.
O Corruptor aproximou-se em uma investida furiosa. Jason já não possuía mais opções, e sua magia parecia inútil. Não conseguira levantar a pedra no treino com Selena, então não conseguiria parar o demônio. Então apenas estendeu as mãos para ele, desejando que parasse.
E o Corruptor parou.

Notas finais
Hehehe, Corruptorzinho fdp