A Madrasta gótica

1 A chamada do mundo cruel


Notas iniciais
Espero que gostem.

Era de manhã na cidadezinha do Shipune, na maior cadeia da cidade estava Maria San Román, uma mulher muito bonita, porém estava muito mal tratada pois faz anos que não se cuida, andava apenas de preto e a maquiagem da mesma cor. Tinha uma colega de cela chamada Buca, que também era gótica. Maria com seu poder de convencimento fez ela ser uma também.

Maria se levanta da beliche e resmunga: — Mais um dia de tristeza e derrota, porque não posso amanhecer morta?

Buca se levanta logo depois e pergunta para Maria:

– Maria você viu o estilete? tô afim de me cortar.

– Está debaixo do meu travesseiro, estava me cortando na madrugada. — Maria mostra os pulsos para ela- Está vendo? é muito bom sentir isso cortado.

Buca pega o estilete e enquanto se corta pergunta para Maria:

– Então, vai falar com o horroroso do seu advogado?

– Ainda não.

– Sonhei com o inferno hoje Maria, e sempre que sonho com isso, uma coisa menos triste vai acontecer hoje hein. — diz Buca, enquanto limpava o sangue de seu pulso

– Aprendi a amar esse isolamento na minha vida, o mundo lá fora apenas me assusta. Tenho nojo das pessoas, só gosto de você mesmo, quer dizer...nem sei se eu gosto de você...só acho que falo contigo porque sabe da minha história. — maria senta na cama para olhar para a parede.

– Maria, falando nisso, quando você matar o verdadeiro assassino, me avise viu, irei me matar de rir. — Disse Buca lavando na pia o estilete sujo de seu sangue.

Maria apenas fixa o olhar para aquela parede tão sem graça, mas era o que mais chamava atenção naquela cela. Nesse momento relembrou do momento em que estava sendo julgada por ter matado a Patrícia, todos apontando o dedo para ela, chamando-a de assassina e seus filhos sendo levados da sala. Depois daquele dia ela nunca foi a mesma, não teve forças para conseguir sorrir, e só conseguia pensar nas coisas tristes da vida, não tinha esperanças, a sua tristeza foi tão grande, que transpareceu para sua aparência, o preto era sua aliada.

– Maria! — Disse uma vigilante do corredor. — Tem uma pessoa querendo falar com você...

Maria não respondeu, ela saiu da cela e foi em direção à sala de visitas, olhou para a mesa e viu seu advogado a esperando.

– Que inferno o que faz aqui Juliano? — disse ela se sentando.

Juliano era um homem muito nerd, usava um óculos que deixava seus olhos muito grandes, e seu terno causava uma bagunça no seu estilo. Ele apenas parou para admirar Maria.

– Vai falar não capiroto? — disse Maria impaciente.

–É...Maria, tenho uma boa notícia para você.

– Vai se matar? — Maria riu um pouco.

– Não, muito melhor. — Ele deu uma pausa — Você está livre Maria, poderá sair da cadeia agora mesmo!

Maria olhou para ele sem nenhuma reação: — Ainda preferiria que se matasse.

– Ah Maria...brincadeiras a parte, eu fico muito...- Maria o interrompeu.

– Não foi brincadeira, preferiria que se matasse mesmo, você é apenas um peso na terra.

– Maria...eu entendo que você ficou assim pelo que você passou, mas agora pode...- ele pega na mão de Maria, que estava apoiado na mesa -...ser feliz novamente.

Maria olha para sua mão por baixo da mão do Juliano : — Está querendo dizer pra eu ser feliz com você? — ela ri — está mais fácil eu ser feliz com o diabo querido, nem o espelho se agrada com você. — Ela retira sua mão da dele.

Juliano fica magoado com suas palavras e responde: — Então é isso Maria, pode pegar suas coisas e se retirar de sua cela...parabéns. — Ele levanta e a olha por alguns segundos -... de nada.. — ele sai choramigando da sala.

Maria nem olha para a saída dele, fica focada na parede chamativa da sala e pensando: "Nem queria sair desse mundo maravilhoso que vivo, não quero sair pra fora, num lugar onde as pessoas não ligam para os outros...quer saber, vou sair sim, enfrentar esse pessoal que me julgou...vou dar o que cada um merece, e hoje mesmo!

maria sorri sem humor, se levanta e vai em direção à sua cela para arrumar suas coisas, passa uma vigilante e ela dá o dedo do meio, e enquanto ela andava pensava o que iria fazer para seus inimigos.

Notas finais
O que a gótica vai fazer? e.e