Notas iniciais
Olá queridos leitores, estamos aqui com um cap que foi complicado, quando o escrevemos a um tempão, queríamos que fosse de um jeito, saiu de outro e na hora que fomos ler tava tudo errado. Coube a Ju reescrever de um jeito certo e ela fez um resumo da complicação ao beta-lo: "como fazer parecer o que não é sendo que é sem ser" :v pois é hahahahah Mas valeu a pena ficou EXELENTE EEEEEEEEEEEEEEEEE AINDA GANHAMOS UMA CAPA PERSONALIZADA DELA AHHHHHHHHHHHHHH QUE LINDOO * momento surto hahah pq eu amei demais taquipariu* enfim vamos ao cap.

Shaka adentrou o porão mergulhando de corpo inteiro na escuridão espectral que engolia todo o cômodo.

— Mu? — chamou o sacerdote, sentindo o odor do Nut misturado ao de sangue fresco, mas sem ainda poder enxerga-lo.

Este, camuflado pela treva fulgurante feito sombra em sentinela, espiava a presa sentindo agora o baixo ventre pulsar em fortes contrações ritmadas, enquanto seus olhos bestiais, negros como a mais escuda das noites, seguiam seus passos.

Logo, e como esperado, o sacerdote vinha em sua direção rasgando o véu lúgubre que pairava sobre o quarto, então pode sorrir quando os olhos azuis celeste cintilaram ao encontrar os seus na escuridão.

Antes mesmo que o Setita pudesse ter qualquer reação, o Nut se teleportou de onde estava para surgir atrás dele, já colando todo seu corpo ensanguentado, ainda vestido nas vestes divinas, às suas costas.

No mesmo instante, uma rajada de ar balançou as longas mexas do cabelo dourado do sumo sacerdote, e como num passe de mágica inúmeras velas, espalhadas pelo chão e também sobre algumas das peças que compunham aquele espaço particular se acenderam, tremelicando suas chamas vívidas, expulsando a escuridão com sua luz dourada e cálida.

Os olhos de Shaka se fecharam para que somente seu corpo experimentasse a inefável sensação de ter o Nut colado a si, seu calor aprazível, o cheiro fascinante do sangue mesclado a seu odor particular, sua ereção firme e vigorosa pressionada contra suas nádegas.

Foi nessa hora que o sumo sacerdote tencionou se afastar dando um passo à frente para quebrar aquele contato, mas Mu o impediu o puxando de volta num abraço possessivo, corpulento, de forma a mantê-lo quase imobilizado, enquanto enterrava o rosto sanguinolento na curva do pescoço alvo do Setita e, sem pudor algum, chafurdava em meio aos fios dourados de seu cabelo, aspirando seu cheiro, ouvindo a vibração de seu corpo recém-alimentado, manchando as costas e cabelos de Shaka de vermelho.

— Ahh... Estou com sede. Muita sede. — com voz gutural, Seth sussurrava no ouvido de seu sumo sacerdote, deixando que suas presas arranhassem a pele pálida — Mas, gado nenhum, nem filho da noite, podem sacia-la!

Dizia isso mesmo depois de ter abatido cinco humanos que caçara nas redondezas e ter-lhes devorado até as entranhas.

— E o que pode saciar sua sede, Mu? — Shaka sussurrou de volta em meio aquele abraço autoritário e aquele contato voluptuoso que lhe entorpecia de desejo nu e cru, entrando no jogo de sedução que o Nut lhe propunha.

— Você. — agarrou nos cabelos louros próximo à nuca, e trazendo a cabeça do Setita pra trás lambeu a lateral de seu rosto — Eu o quero para mim, meu sumo sacerdote. Quero bebe-lo... Quero consumi-lo inteiro!

Os movimentos que executava não eram sutis. O elmo com a máscara da Fera que trazia na cabeça, com o choque entre os corpos foi ao chão produzindo um tilintar que ecoou pelo recinto. Instantes depois foi o som do tecido da túnica de Shaka se partindo a reverberar pelo local no momento em que Seth lhe rasgava as vestes para cravar as garras pontiagudas em seu abdome, fazendo o sacerdote deixar escapar um gemido rouco e em reflexo agarrar fortemente os punhos das mãos que lhe maculavam.

— Você é meu, sacerdote! — Mu imprimiu ainda mais força ao abraço — Enlouqueça-me mais uma vez com a sua luxúria!

De novo as chamas das velas tiritaram frenéticas quando o deslocamento de ar provocado pelo salto que o Nut deu até a cama as atingiu em cheio.

Num gesto rápido demais para ser percebido por olhos humanos, Mu atirou-se no leito sem soltar o sacerdote, que deitado de bruços agora sentia o peso do outro todo sobre si, o qual, feito um animal faminto, apressava-se a lhe rasgar o restante das vestes para deixa-lo nu.

Shaka por sua vez, sentia seu corpo reagir prazerosamente àquela abordagem aguerrida. Estava excitado, e um sorriso de êxtase em seu rosto pálido denunciava o fim da insegurança que por dias carregou na alma desde que descobrira a verdadeira identidade de Mu.

Logicamente que o resultado da reunião de horas antes contribuíra para esse grito de liberdade. O próprio Seth ter entrado naquela sala e o clamado, na frente dos Seguidores, como seu companheiro, seu escolhido, lhe tirara um peso dos ombros.

Era a vontade de Seth, e contra ela ninguém ousaria se opor.

Seth era o deus de seu clã. O deus tão esperado e temido, a quem todos deviam devoção e obediência cegas.

Todos. Menos ele. Shaka. Ou ao menos era como o sumo sacerdote dos Seguidores de Seth agora acreditava. Talvez pela intimidade partilhada com Mu ou apenas pelo hábito, tão somente. Sempre fora o líder absoluto de seu clã, a figura mais notória e respeitada, também a mais temida.

A verdade era que milênios ocupando o topo da sólida pirâmide de poder Setita deram a Shaka uma falsa ilusão de liderança. Aquele lugar nunca fora seu, mas de Seth. Porém, quem lhe garantiu que seria fácil cair em si? Que agora não era mais senhor de si mesmo?

Por isso, ao sentir-se preso, literalmente, pelos braços fortes do Nut, deitado de bruços naquele leito sombrio, nu e subjugado, Shaka ignorou uma vez mais sua nova condição, libertou seus instintos e num gesto ligeiro inverteu as posições, ele agora teleportando-se para as costas de Mu, prendendo o Nut com o peso de seu corpo contra o colchão macio de lençóis negros.

— Ahh... Mu... Eu o quero. Como daquela vez... — sussurrava roçando os lábios frementes na orelha e pescoço do Nut, enquanto era sua vez de rasgar o saiote que ele usava.

Shaka sabia que dada à forma como Mu o abordou, não teria muito tempo mais, nem poderia dar-se a romantismos exacerbados. Mu não tinha controle sobre si mesmo quando em sua forma vampírica, e quando o Consumo Conspícuo já lhe fosse impossível refrear, sabia que tentaria devorá-lo. Por isso, assumiu sua forma demoníaca e sem mais delongas cravou as enormes presas na jugular de Mu, sorvendo o sangue quente e poderoso em goladas sedentas e vigorosas.

O Nut agarrou os lençóis os rasgando com as garras, e soltando um chiado e um gemido gutural instigou ainda mais o êxtase, e também a vaidade, do sumo sacerdote, que sentia-se soberano em subjugar uma criatura de tamanho poder.

Sem demora, e acreditando ter Mu como queria, à sua mercê, Shaka encaixou-se no meio das pernas do companheiro as afastando com ligeireza. Tinha pressa. Ardia em desejo, e não podia mais esperar para toma-lo novamente e experimentar o frenesi único oriundo daquela união.

Enquanto sugava o sangue de Mu já conduzia seu membro túrgido e rijo como rocha à intimidade do amado.

Mas não era esse o desejo de Seth naquela noite.

Quando sentiu as presas de Shaka lhe rasgarem a carne e seu sangue ser sugado de forma voraz, Mu sabia que não teria mais muito tempo para agir antes que perdesse totalmente o controle da Besta, e naquele instante sabia que havia apenas uma maneira de acalma-la, que era saciando sua fome. Contudo não iria devorar Shaka.

Assim, surpreendendo novamente o sacerdote, levou um dos braços para trás das costas e agarrou nos cabelos louros do Setita, puxando-os com muita força para lado num tranco violento, obrigando Shaka a soltar seu pescoço segundos depois de mordê-lo.

Em seguida, Mu girou novamente seus corpos e deitou-se por cima do amado, agarrando seus pulsos e erguendo seus braços para cima da cabeça, o mantendo novamente preso, porém agora o encarava nos olhos para que ele pudesse, enfim, entender sua real intenção quando o abordou daquela forma em meio à escuridão.

— Eu disse que o quero para mim. — rosnou em alto e bom tom, seus olhos negros faiscantes de luxúria e desejo — Essa noite, você será meu.

Agora era ele quem usava o próprio corpo para afastar as pernas do sumo sacerdote e encaixar-se entre elas de modo rude e nem um pouco cuidadoso.

Assustado, numa reação instintiva Shaka arregalou os olhos e encarou o Nut em espanto. Não esperava por aquilo, não daquela forma, não já tão cedo!

Mu lhe parecia descontrolado, imerso em uma espécie de transe lascivo que urgia dentro de si dada a força e a pressa com que executava os movimentos.

Shaka remexeu-se entre os lençóis, oferecendo resistência ao tentar soltar os braços das mãos que lhe prendiam. Evidentemente não conseguiu, já que o Nut era mais forte, além mais poderoso.

No fundo nem sabia por que, nem o quê, estava lhe afligindo tanto naquele momento. Estava muito excitado, seu corpo pedia pelo do Nut, sua alma clamava pela dele, mas jamais, nem quando em vida, fora tomado por outro homem. Não tinha tido tempo de maturar a ideia em sua cabeça, além do fato de que Mu não era apenas um homem, mas um vampiro primitivo, um macho agressivo e descontrolado, uma criatura vil e extremamente violenta.

Por isso não pensou duas vezes, confiante de que poderia dobrar o Nut à suas vontades, novamente usou o dom herdado pelo laço sanguíneo e teleportou-se para as costas de Mu, dessa vez passando um dos braços por seu pescoço lhe dando um mata leão, colando seu tórax definido nas costas sanguinolentas do companheiro.

— Não, Mu... Será como da outra vez. — sussurrou em tom rouco pela excitação, enquanto passava as pernas nuas pela cintura do Nut — E vai ser tão bom quanto foi da primeira!

Shaka era um vampiro orgulhoso, e não estava nem um pouco disposto a ser subjugado por ele, ou ceder aquele jogo de dominância, só que em seu devaneio romântico, em todos esses dias que passara seduzindo o Nut, esqueceu-se de quem ele realmente era.

Mu era Seth.

Nada, nem ninguém, podia dominá-lo ou negar sua vontade.

Da garganta do Nut, um rosnado enrouquecido escapou misturado ao um sutil sibilar.

Excitado com a provocação, Mu fechou os olhos e correu ambas as mãos pelas coxas fortes do Setita, arranhando a pele cianótica e delirando com o odor do sangue que minava das pequenas feridas que rapidamente se fechavam.

Shaka tinha o poder de deixa-lo em êxtase, e quase estava se deixando levar, afinal, a primeira vez havia sido mesmo uma experiência expendida!

Contudo, tinha certo na cabeça seu intento, e naquela noite tomaria o sacerdote de qualquer forma.

Abriu os olhos num rompante e com um golpe tão veloz quanto potente agarrou Shaka pelo braço que lhe prendia e o atirou para fora da cama, derrubando-o no chão. Imediatamente saltou para cima da cômoda tal qual um felino, sustentando-se nos quatro membros, derrubando tudo que havia ali em cima e rachando o móvel ao meio.

Dali ele podia ver a presa de cima, acuá-lo, então um sorriso cruel se desenhou em seus lábios e Mu sibilou, como uma fera selvagem, para o amante.

O sacerdote apressou-se a levantar do chão, e sem quebrar o contato visual com o Nut divisava seus olhos negros e a boca dentada num misto de fascínio e receio, o vendo estalar a língua em um claro sinal de provocação.

“Você hoje será meu, sumo sacerdote Shaka! Se quer brincar, iremos brincar! Vou deixar você correr!” — Mu falou à mente do companheiro enquanto ainda sibilava de cima do móvel.

“E por que eu correria de você, Mu?” — disse da mesma forma o Setita, e percebendo que agora travavam um duelo se aproximou da criatura sobre o móvel a provocando, mordendo os próprios lábios de modo sensual enquanto tocava a si mesmo, masturbando-se num ritmo lento e cadenciado.

“Mu não, Seth!” — corrigiu o Nut erguendo a cabeça de forma imponente, sem tirar os olhos da presa — “Eu sou Seth! Sou seu deus, seu soberano, sumo sacerdote. E você vai correr, como as leoas no cio correm dos leões antes da cópula.”

Shaka sorriu para ele.

Aquela comparação era no mínimo esdruxula, porém completamente compreensível vinda de um vampiro tão ancestral quanto os próprios Criadores, e quando pensou em responder algo à altura, as chamas das velas se apagaram da mesma forma súbita que haviam sido acesas. Novamente uma escuridão pungente tomou conta do quarto e em meio a ela um brado de fera irrompeu pelo local.

Sem enxergar nada, Shaka só pode ouvir, em meio ao urro de Mu, o som do móvel se partindo em dois. Ele saltava na escuridão em sua direção.

Agindo por puro instinto, o sacerdote correu em direção à escadaria que levava à porta de saída. Séculos vivendo naquela mesma construção antiga lhe garantia a precisão que necessitava para saber onde ela ficava, mesmo enxergando muito pouco, já que aquele negrume todo não se dava apenas pela falta da luz, mas pelo poder avassalador do Nut.

Quando chegou à porta no topo da escada, porém, Mu surgiu à sua frente bloqueando a saída.

Shaka então teleportou-se para o lado de fora.

Levou segundos para que aquela porta fosse partida em dois pelas garras do vampiro primitivo, o qual agora a cruzava adentrando o corredor onde via Shaka na outra extremidade a encara-lo, agora um pouco mais receoso, porque a seus olhos agora Mu lhe parecia muito mais ameaçador e violento do que o costume.

Ficaram parados por alguns poucos segundos, um em cada extremidade do longo corredor, então o Nut curvou o tronco para frente e saltou, garras distendidas, bocarra aberta pronta para o abate, e nessa hora Shaka realmente correu.

O sacerdote mergulhou corredor adentro fugindo da fera numa velocidade impressionante. Atrás dele, Seth vinha com igual presteza, urrando e rosnando enquanto corria. A boca babenta sorria. Um riso ameaçador e de deleite.

Numa perseguição ferrenha, derrubaram móveis, destruíram paredes, estátuas, quadros, e tudo mais que viam pela frente, e quando Shaka tencionou fugir para o jardim Mu resolveu dar aquela “brincadeira” por encerrada. Já tinha o que queria.

Já perseguira, como gostava, sua presa, e agora se deliciaria com ela.

Havia se divertido correndo atrás de Shaka. Era como brincar com a comida, mas agora o desejo falava mais alto, e quando o sacerdote cruzava a porta de saída da casa, Mu teleportou-se uma vez mais, e surgindo nas costas de Shaka o agarrou-o pelos cabelos longos. Com um puxão violento o trouxe para dentro de volta, o empurrando com rudeza contra uma das paredes.

Usou seu corpo nu, as garras e seu poder para mantê-lo preso ali, então os dois pares de olhos negros se encararam, se analisando profundamente. Os lábios, de tão próximos que estavam, quase se tocavam, mas o tão ansiado beijo ainda não aconteceria.

Seth abriu a boca exibindo as presas enormes ao sacerdote. Com lentidão as passava pelo queixo, maxilar, pescoço e ombros do amado, o provocando.

— Cansei de brincar. — a voz gutural de fera sussurrava à sua maneira, enquanto o nariz procurava espaço entre os fios loiros capturando o odor aprazível do Setita — Esse jogo foi apenas para que aprenda que está ligado a mim e jamais poderá fugir, sumo sacerdote. Eu tenho tudo que quero. Tudo! Tampouco se atreverá a contestar minha vontade. Ela é lei! Acho que tem se esquecido disso.

— Eu já disse que... Não quero fugir de você, Mu. — sussurrou o sacerdote.

— Seth! Agora, aqui, para você é Seth! — agora o Nut arranhava a pele do pescoço do Setita com a ponta das presas, ansiando por mordê-lo — Mesmo que queira negar, mesmo que tencione fugir dessa sua nova realidade, tem que aceitar que eu sou Seth, seu deus. Foi a mim que dedicou sua imortalidade, foi o meu retorno que desejou e aguardou por milênios, e é a mim que deve obediência, ou terei de puni-lo.

A força com a qual o Nut o mantinha preso era assustadora, porém Shaka sabia, ou acreditava que sabia, bem com quem estava lidando, apesar da realidade agora lhe soar bem mais confusa.

Excitava-se com aquele duelo, mas o receio anterior ainda perdurava.

— Agora sei porque seus criadores não o iniciaram no sexo. — disse Shaka encarando os olhos negros da Besta à sua frente — Sei porque Aset e Rá o mantiveram casto... Seth... Seth!... Era isso que você queria me ouvir dizer? O seu nome? Minha punição, no enteando, se você assim desejar aplica-la, deveria ser por ter despertado o desejo no Caos e não por desobediência!

— Você é muito atrevido! — o Nut sorriu, e não suportando mais a ânsia de tomar os lábios do Setita, segurou em seu rosto com ambas as mãos e tomou sua boca num beijo voraz e desesperado.

Shaka por sua vez, retribuía ao mesmo modo, com intensidade e volúpia desmedidas, excitado como nunca ao ter o corpo do outro tão junto ao seu.

Aos poucos, Seth libertava o amado de sua opressora influencia, os toques e os movimentos de ambos se tornavam cada vez mais febris, mais intensas e nervosas as caricias mútuas, e cada vez mais forte o desejo um pelo outro.

Seth estava na fronteira de sua razão. A fome da Besta agora era tanta que estava sendo quase impossível para Mu controlar a vontade de, literalmente, comer os lábios do sacerdote.

Sentia seu lado racional anestesiado dentro de si, então percebeu que tinha que saciar o desejo da fome com outro furor tão intenso quanto antes que fosse tarde demais.

Levou ambas as mãos às nádegas do sacerdote e o suspendeu do chão, mesmo que a contragosto dele, carregando-o até o sofá sem interromper o beijo vigoroso que trocavam.

Jogou Shaka sobre o estofado, de bruços, já deitando-se sobre seu corpo para que ele não invertesse novamente as posições.

Estava farto de joguinhos.

Shaka ainda ensaiou uma reação, até instintiva, motivado pelo receio que aquela experiência nunca antes vivida lhe causava, mas Seth espalmou uma das mãos em sua cabeça o impedindo de sequer erguer os ombros, afundando seu rosto contra o couro negro que revestia a espuma do estofado.

— Fique quieto, e não tente se teleportar, não vai conseguir. — ordenou o Nut, que num gesto preciso e ligeiro usava as próprias pernas para afastar as pernas de Shaka e se colocar entre elas, mesmo sob protestos abafados.

— N-Não! — rosnava o sacerdote sentindo o couro do estofado lhe arranhar as maçãs do rosto.

Shaka forçava a cabeça para cima, mas a força de Seth era descomunal, além de que ele usava seu poder para anular os seus.

— Eu disse quieto! Você é MEU! — urrou de forma bestial, e quando se deu por satisfeito com o encaixe entre os corpos, debruçou-se sobre o Setita e esfregou sua ereção firme e pulsante no meio de suas nádegas — Ahhh... Eu o desejo tanto... Preciso prova-lo!

Aquele toque, o contato do membro rijo do amado contra seu corpo era aprazível para Shaka, isso ele não podia negar nem para si mesmo. No entanto, ter os poderes suprimidos pelo Nut e ser dominado daquela forma lhe causava uma sensação de impotência arrebatadora. E era justamente esse o ponto fraco de Shaka, seu orgulho, e também sua arrogância e petulância natas.

Ele nunca fora subjugado. Nunca tivera que obedecer a ninguém, nem mesmo aquele a quem havia jurado servidão. Era um choque de realidade violento para o sumo sacerdote dos Seguidores de Seth.

— Mu... Não... — gemeu baixinho em tom de súplica.

— Mu não. Seth! — respondeu Mu mais uma vez.

O Nut então buscou os punhos de Shaka e os agarrando com toda força puxou seus braços para trás das costas, mantendo-os presos. Depois, abriu a enorme bocarra e abocanhou, de uma só vez, a nuca do sacerdote, exatamente como fazem os felinos machos na hora da cópula. Suas presas enormes transpassaram a carne, e circundando as vértebras cervicais da coluna de Shaka o mantinham imobilizado.

Uma mordida certeira, com a precisão minuciosa de um cirurgião, e que inundava, instantaneamente, a boca do Nut com o extasiante sangue saboroso do companheiro.

— Uhh... nãooo... Mu... — Shaka gritou. Um grito de dor e surpresa, pois esperava que Mu fosse deveras violento e selvagem, era sua natureza, mas não que o fosse tomar ali, daquela forma, feito um animal.

Fechou os olhos apertando as pálpebras com força, sentindo seu sague ser drenado do corpo com fúria desmedida.

Nessas horas de desespero e terror, costumava rogar a Seth que lhe ajudasse, mas o que fazer quando era o próprio deus o seu algoz?

Por outro lado, havia o êxtase!

Um formigamento prazeroso tomava todo seu corpo, já que o ápice do prazer vampírico era o beijo. Não o beijo que se troca entre lábios ardentes, pórticos da luxúria, mas o beijo da carne, o beijo do sangue!

Sua carne vibrava a cada golada de Mu. O elo sanguíneo os permitindo compartilhar também o delírio mútuo. Sua mente se entorpecia o levando à loucura!

Shaka sabia o risco que estava correndo estando totalmente à mercê daquela fera e, diferente da outra vez, não poderia morder o Nut e sugar seu sangue de volta, já que estava subjugado imobilizado daquela forma.

Só lhe restava confiar nele, e ter fé.

Já Seth estava ainda mais selvagem. Fora de controle, enlouquecida pelo sangue do sumo sacerdote, a Besta dentro de si urrava, e sabendo que tinha total domínio sobre o companheiro, Mu soltou seus braços e tomando consciência do próprio poderio levou ambas as mãos às nádegas do sacerdote para afastá-las.

Chiando, ganindo e rosnando tresloucado, com um tranco violento penetrou o corpo do Setita com uma só estocada, forte e impiedosa, soltando um urro selvagem ao fazê-lo.

Shaka gritou uma vez mais. A dor só não era mais intensa que o prazer de ter as mandíbulas poderosas do Nut atracadas à sua nuca. Sentia um misto confuso de deleite e revolta, pois Mu o tomava à força, e de um modo bruto e severo, porém o frenesi da mordida o subjugava deliciosamente.

Agora percebia o quanto fora tolo em acreditar que teria algum domínio sobre seu deus, sobre Seth, sobre o Caos.

Se duvidou, em algum momento, que aquele Seth que de início apresentou-se a si como um vampiro frágil, triste e deslocado era o mesmo das Sagradas Escrituras, agora não lhe restava mais dúvida.

As estocadas eram cada vez mais violentas, como era de se supor vindas de uma criatura cujas paixões eram totalmente primitivas e descontroladas.

Com o rosto sendo friccionado contra o couro do sofá por causa dos trancos que Mu dava em seu corpo, Shaka gemia e também gritava.

E foram seus gritos que despertaram um lampejo de consciência em Seth, que percebendo estar secando as veias do companheiro, mas sem conseguir parar de beber seu sangue, tampouco estocar seu corpo com selvageria extrema, apenas retirou uma das mãos que seguravam as nádegas do sacerdote afastadas e a correu por suas costas até chegar ao rosto do Setita, oferecendo o próprio pulso para que ele o mordesse.

O convite foi aceito de imediato, e abrindo a boca o quanto podia Shaka rasgou a carne daquele pulso em desespero, pois já sentia seu corpo débil e anestesiado pela perda sanguínea.

Assim, entregaram-se mais uma vez ao desvairo daquele ato prodigioso. Um sugando o outro ao mesmo tempo, fazendo a tão sublime e sagrada troca!

De modo nada discreto, Seth urrava delirante de prazer, intensificando a violência daquela cópula selvagem, arremetendo-se para dentro do corpo do outro com força e velocidade sobre-humanas, grunhindo e chiando em orgásticas contrações que lhe arrebatam da cabeça aos pés.

O cheiro do sangue que os enlaçava, os grunhidos, rosnados e chiados, o barulhento contato de seus corpos se chocando com tamanha brutalidade eram provas de que eles eram animais infernais feitos um para o outro.

O sacerdote já não se importava mais em ser dominado, pois o prazer de Seth agora era seu prazer. Que importava as posições hierárquicas na cama?

Nenhum dos dois era capaz de parar, uma vez que se encontravam em uma dança hipnótica onde o sangue era o combustível do fogo que os consumia por dentro.

Era como se por alguns instantes estivessem vivos novamente. O sangue circulava rápido e quente através da mordida dupla, e eles já não sabiam mais quem era quem, pois naquele momento eram apenas um. Um todo!

Um só ser, uma só carne, uma só alma amaldiçoada.

Quanto tempo permaneceram ali? Impossível para os mortais mensurar.

Dançaram a balada dos prazeres sem medo. Mu vencendo o Consumo Conspícuo mais uma vez, fortalecido pelo amor que sentia pelo sumo sacerdote, e Shaka vencendo a morte certa ao se entregar de corpo e alma ao demônio.

Estavam plenos, fascinados, entregues.

Em determinado momento os dois foram arrebatados juntos pelo ápice do prazer vampírico, tão intenso quanto a força da natureza, violenta e destruidora.

Os corpos fremiam ainda unidos e o êxtase os fazia suar gotículas de sangue.

Agora sentiam vertigens, até seus corpos caírem débeis das nuvens direto para aquele sofá destruído.

Quando Seth, momentaneamente letárgico, finalmente conseguiu abrir os olhos e soltar a nuca de Shaka daquela mordida voraz, percebeu que estavam sobre os escombros do que um dia fora um luxuoso móvel de couro que agora não passava de um amontoado de madeiras quebradas e tiras de couro e espuma, cuja maior parte fora rasgada pelas garras e dentes do sumo sacerdote.

Ainda trêmulo e anestesiado pelo orgasmo, o Nut se esgueirou para baixo, como um gatão manhoso e saciado, se esfregando todo nas costas do loiro, delirante com seu odor único, com o cheiro delicioso do cabelo dourado todo emaranhado e sujo de sangue.

Sem aquele peso todo sobre si, Shaka se permitia agora relaxar afrouxando as garras que ainda seguravam os pedaços do móvel destruído, aproveitando a letargia prazerosa pós sexo.

Sentiu então Seth lamber suas nádegas, e também as acariciar com ambas as mãos, agora de modo extremamente delicado, apalpando levemente a carne com sutis toques.

O olhar felino do Nut deitava lascívia na carne exibida. Seus dedos atestavam a textura macia e suculenta, e quando percebeu que Shaka se apressava a se levantar, abriu a bocarra e lhe deu uma mordida ali, feroz e dolorosa, arrancando um naco de carne.

O sacerdote retraiu-se e com um rosnado que ecoou pela casa levantou-se num salto ligeiro, encarando o Nut com olhos ferozes.

— Já chega! Já teve o que queria. — o repreendeu, mas apesar da dor e do susto, Shaka sabia bem que aquela era a verdadeira essência de Mu. Tinha plena consciência do esforço que o Nut fazia para não devorá-lo até os ossos e essa era a maior prova de que seus sentimentos eram verdadeiros.

Com verdadeiro regozijo, Mu, ainda estirado nos restos do sofá, sentia o delicioso sabor do amado em sua boca. Normalmente a carne vampírica seria ruim, mas pelo ato ela estava quente ainda, quase fresca, e era como a ambrosia dos deuses.

— Hum... Já. — disse o Nut entre uma mastigada e outra, dando um sorriso satisfeito ao engolir a carne — Agora sabe que não adianta me dizer não.

Shaka notou o peito arder e a região da mordida formigar enquanto seu corpo tratava de regenerar rapidamente a lesão. Sentia-se ainda mais poderoso, os sentidos mais aguçados, a cicatrização quase instantânea. Ser parceiro sexual de um demônio como Seth tinha seu preço, mas também seus inegáveis benefícios.

Mu então se levantou e caminhou até Shaka, que permaneceu parado apenas divisando sua figura imponente com devoção.

Passado o furor do sexo, mesmo ainda em sua forma demoníaca, a personalidade amável de Mu voltava a dar o tom, e era com extrema delicadeza e muito carinho que agora ele abria os braços e acolhia o companheiro num abraço carinhoso e terno.

— Você é meu, Shaka. Só meu. — beijou com ternura o rosto do sacerdote, que mantinha-se calado — Não faça essa cara. Na próxima nós trocamos. Do outro jeito é bom também!

— Sim, eu sou seu. — disse em voz baixa o Setita dando uma lambida na lateral dos lábios do Nut que estavam sujos de sangue — E você é meu. É assim que será por toda a eternidade, Seth. Mesmo que a cada vez que fizermos sexo tenhamos que travar uma batalha. — riu irônico.

Súbito, ouviram um barulho vindo da direção do corredor, então, ao olharem para lá, viram a silhueta de Afrodite atrás de um dos pilares de mármore negro.

— Afrodite... Sei que está ai. — disse o sacerdote elevando o tom de voz — Por acaso estava nos espionando? Quando chegou?

O músico, que já pensava em correr de volta a seu quarto, envergonhado e amedrontado saiu do esconderijo e deu alguns passos à frente.

— Perdão, meu Senhor. — disse ele de cabeça baixa segurando o tecido da túnica com ambas as mãos — Eu... ouvi barulho de coisas se quebrando, e também de gritos e rosnados... Fiquei preocupado depois com o silêncio. Não vi nada, meu Senhor, apenas tive medo que fosse um ataque e que pudessem estar feridos ou até... mortos.

— Já estamos mortos, Afrodite. — disse Shaka rindo, enquanto olhava para Mu e lhe acariciava os cabelos embaraçados — Sim, sofri um ataque, de fato... Mas, estou bem. Volte para seus aposentos e não saia de lá até os carniçais arrumarem toda essa bagunça. Mandarei uma serva lhe servir o alimento em seu quarto.

— Sim senhor. Com licença. — disse em voz baixa o garoto, deixando a sala rapidamente.

Era obvio o que havia acontecido ali, entre os mestres. Tão óbvio quanto assustador!

A casa estava destruída, os dois sujos de sangue...

A cada dia, morar sob o mesmo teto de Shaka e Mu era ainda mais aterrorizante para o jovem músico sueco.

Shaka esperou Afrodite sair e se voltou à Mu.

— Logo vai amanhecer. Temos que voltar ao porão, mas não antes de um bom banho, ou todo esse sangue vai instiga-lo novamente. — pontuou o sacerdote.

— Está coberto de razão, como de costume. — Mu sorriu para o amado, curvando o tronco e lhe lambendo os ombros sujos de sangue — Um banho ou terei que sair para comer novamente, e ai terei que copular com você novamente, e de novo, e de novo... Hum... — a cada vez que repetia, um beijo era dado no rosto de Shaka —... Não sabe o quanto minha Besta pede por você, por sua carne, por seus ossos, Shaka! Acredite, não é nada fácil segurá-la.

— Eu sei que não. Eu assumi o risco que há em amar o Caos! — Shaka sorriu para ele e após lhe dar um longo beijo o pegou pela mão e juntos foram se banhar.

***

O alvorecer despontava no horizonte quando os amantes amaldiçoados desceram para o porão. Felizes e plenos deitaram-se na enorme cama de lençóis negros e entregaram-se ao sono reparador dos imortais, alheios ao fato de que um levante se erguia contra eles e a casa do sumo sacerdote Setita em breve seria o campo de uma sangrenta batalha.

Notas finais
Esse cap é muito importante, além do sexo e dominação, é nele que Shaka finalmente cai em si que Mu, aquele nut encantador não pode ser subestimado, até aqui, mesmo com a revelação o loiro ainda tinha certas duvidas, agora não. Agora ele passa a assumir seu lugar ao lado de seu deus, como seu sumo sacerdote fiel e leal e também como companheiro para a eternidade. Isso será de suma importante no futuro. PS: Se Mu não amasse Shaka, ele teria matado o amante logo após a cópula ou até memso durante ela e o comido. Foi por isos que a sua família o manteve casto de maneira proposital, pois o instinto selvagem do Mu Mistura fome com desejo e ele se torna ainda mais violento. E ai gostaram? è as coisas tão ficando cada vez mais violentas e perigosas...e o Dite como elo mais fraco está percebendo, que a presença de Mu está mudando o mestre, mais do que ele imaginaria.