A Máscara
19 Capítulo 19 - Análise.
Notas iniciais
LEIAM A NOTA FINAL, IMPORTANTE!!!!
Bel estava impaciente, me chamando sem parar para segui-lo, entretanto meus olhos não despregavam de Conner, que se contorcia de dor. Estava completamente desfigurado.
Alguma coisa dentro de mim mudou nesse instante ao ver o sofrimento de meu amigo e a falta de piedade e compaixão do príncipe.
Eu poderia ter escolhido ficar com Conner, mas agora estava claro que tomei a decisão errada. Eu não seria capaz de olhar novamente para Belphegor sem odiá-lo.
— Clarrice! – o vampiro estava inquieto com minha relutância.
Eu sabia que devia segui-lo, mas minhas pernas trêmulas não me obedeciam. Por outro lado, também não era capaz de deixar Conner sozinho. Como eu poderia fazer tamanha maldade, passeando com Belphegor como se nada tivesse acontecido?
Antes que eu tentasse me mover, Bel me pegou em seus braços, parecia locomover uma boneca feita de trapo, devido minha passividade. Acho que estava em estado de choque, meus músculos simplesmente não me obedeciam. Minha fisionomia era de total repulsa, enquanto o sangue abundante em seu corpo manchava o roupão de banho cor de rosa que usava.
— Quando eu digo parra vir, é parra vir. – resmungava o vampiro, que andava com passos rápidos e determinados.
Bel me jogou no banco traseiro do automóvel e assumiu a direção, enquanto seu capanga, que trouxera o caçador para ser trucidado, ajeitava-se no banco de passageiros, ao lado dele.
Eu olhava para o pedaço da estrada iluminado pelos faróis sem nada ver. Minha respiração era um barulho lamurioso entre o choro e suspiros.
Senti o olhar do príncipe sobre mim pelo retrovisor. Se eu não o conhecesse bem poderia jurar que estava preocupado com minha atitude, mas eu o conhecia bem. Seu olhar só me deixava ainda mais nervosa.
— Nom faça à coitada. – disse num tom cortante. — Boa parte disso é culpa sua.
Depois dessa acusação me forcei a encará-lo. Dessa vez não vi seu rosto lindo, seu olhar sexy. Vi maldade, vi sangue manchando seu corpo, vi uma criatura vil, repugnante.
Ele sustentou meu olhar, talvez tenha percebido que essa foi a primeira vez que o encarei dessa maneira.
E então sorriu. Seu sorriso era diabolicamente magnífico e escondia uma alegria genuína, pela primeira vez essa beleza delirante não me atingiu.
Confesso que estava curiosa para saber o motivo de sua alegria, mas não perguntei, talvez já soubesse a resposta. Acabara de humilhar um inimigo e isso certamente o deixava muito satisfeito.
Voltei a olhar para estrada.
O príncipe ligou o som do carro e sintonizou numa rádio em que tocava True Colors de Cyndy Lauper. Ele cantarolou a música, errando a letra com sua voz desafinada. De tanto que me encarava, cheguei a pensar que cantava trechos da música para mim. Sorri por ter tido essa ideia ridícula.
Eu queria ter o poder de fazê-lo parar, não queria vê-lo agir como se nada tivesse acontecido, isso era pior do que estar ao seu lado sentindo seu cheiro de morte.
Bel estacionou num posto de gasolina. Os frentistas olhavam amedrontados para o homem com a roupa manchada de sangue, no entanto, nada disseram.
Belphegor entrou na loja de conveniências e saiu de lá limpo.
Eu queria fugir. Talvez, desde o momento em que fui capturada até agora jamais quisera tanto estar em outro lugar, contudo, fugir não era uma opção. Um de seus cães estava atento a cada reação minha, além disso, com o cheiro de sangue que eu exalava não conseguiria ir a lugar algum sem que ele me achasse.
Continuamos seguindo de carro e o temporal voltou a nos pegar na estrada.
Fomos obrigados a fechar os vidros. O cheiro de sangue ficou mais forte e isso estava me enojando.
O pobre caçador morreu fazendo aquilo que julgava certo, protegendo a humanidade. Menos um que poria um fim nesses seres odiosos.
– Pare o carro. – meu tom foi tão autoritário que me surpreendeu. Pela expressão de Belphegor, o surpreendeu também.
– O que?
– Você me ouviu. Pare o carro. – cobri a boca com as mãos.
O veículo estacionou. Abri a porta do automóvel e sai na chuva. O ar puro e a água contra a minha pele ajudaram-me a acalmar. Chorei ao ver a água vermelha que escorria por minha pele. Ao menos não estava enjoada agora, talvez esse cheiro parasse de me aborrecer.
Percebi a presença de Bel atrás de mim. Não me virei.
— Eu queria um minuto de privacidade, é possível? – não podia olhar para ele.
— Nom é possível. Volte parra o carro. Já chega de chiliques, Clarrice, estou cansado da sua síndrrome de donzela injustiçada. – disse em seu tom habitualmente hostil.
Precisei me virar para encará-lo. Tinha medo dele, não tenho como negar, mas cheguei ao ponto alto da indignação. Voltaríamos às brigas, mas dessa vez eu tinha vantagem, não me derreteria por ele.
– Cansou? Pois bem, eu também cansei. Esse seu jeito malvado e seu rosto irreal foram charmosos a principio, mas agora essa beleza é só uma forma de compensar a maldade que há em você. E não compensa, nem de longe compensa. – cruzei os braços, a água fria começava a incomodar.
– Nóm pedi sua opinión. Pouco me imporrta o que acha a meu respeito, entrre no carro agorra. – Bel lançou-me um olhar de aviso.
Passei por ele e entrei no veículo, não estava nem um pouco animada para discutir. Queria que me deixasse em algum lugar o quanto antes.
Seguimos calados.
Agradeci quando vi o carro se aproximar de uma pousada.
Estava decidida a não ser mais conivente com essa história. Não queria ser a responsável pelos assassinatos de Belphegor. Iria me entregar a Maxwell, estava decidida.
Quem cuidou de nossa hospedagem foi o servo de Bel, o príncipe não arredava o pé do meu lado, talvez estivesse esperando que eu fizesse alguma bobagem.
O vampiro estendeu as chaves para Belphegor e lhe disse quais quartos ocuparíamos.
Peguei minhas chaves e já me dirigia ao meu quarto quando o príncipe me agarrou pelo braço, me forçando a parar. Mordi os lábios, empregando toda minha força para não chorar ainda mais.
— Comprre algumas roupas, a menina prrecisa vestir algo seco. – ordenou ao seu escravo — Ela esteve molhada a maior parte da noite. – explicou como que para ele mesmo — Trraga aspirrinas, analgésicos, antitérrmicos, essas drrogas que os humanos usam parra prevenir resfrriados ou combatê-los, nóm me lembrro.
O vampiro fez uma mesura respeitável e foi cumprir seu dever.
Puxei meu braço, com violência.
— Não precisa bancar o preocupado. – disparei, sem me esforçar para não chamar atenção.
— O que posso fazer se sou atingido por um espírrito prrotetor toda vez que estou com você? – ele baixou seus olhos claros para o tênis que adquiriu na loja de conveniências, como se a pergunta o deixasse constrangido.
Balancei a cabeça, discordando.
— Se fosse verdade não teria feito o que fez com ele. – a tristeza em minhas palavras era palpável.
— Meu objetivo nóm erra que se sentisse assim. – fez uma pausa, analisando minha reação. — Você e o Conner prrecisam me respeitar, mas do que isso, me devem... Submissón. — tentei me controlar, mas não pude. Sorri ruidosamente para que ele sentisse minha inquietação.
— Submissão? Não seja patético, você poderia ter tudo o que quisesse, mas prefere estar no controle usando repressão. É só o que sabe fazer, intimidar, obrigar e agredir. – ele pareceu desconfortável com minha acusação, isso me deu forças para prosseguir. — Devia ser mais honesto com você mesmo. Se não sabe lhe dar com o que sente, devia pelo menos falar a respeito. Talvez eu pudesse te ajudar. É provável que toda a destruição e morte que você causa não ameniza o que te machuca por dentro.
Pensei que ele fosse esbravejar, mas apenas levantou seus olhos cristalinos para me encarar e sorriu, daquele jeito mágico que fazia tudo ao seu redor congelar.
— Nóm banque a psicanalista comigo, nóm sou tóm fácil de desvendar. – disse como se contasse um segredo. — Ás vezes você me assusta. – completou, sorrindo tímido.
— Tenho que discordar, você não é tão difícil de desvendar. Toda atitude violenta é resultado de algo que está além de seu poder de resolver. Algo te incomoda demais, e você está sem o controle da situação. – o príncipe revirou os olhos.
Seu servo deve ter usado a “super velocidade”, como a de Conner, pois já estava de volta, com todas as encomendas compradas.
Subimos de elevador até o corredor onde ficavam nossos quartos.
Bel me passou as sacolas das compras.
— Sabe que estarrei muito atento a você essa noite, oui? Nóm faça nada que possa te comprrometer, até por que minha paciência com você chegou ao limite.
Assenti. Abri a porta com a chave, mas antes de transpô-la ele me agarrou pelo braço.
Estava pouco a vontade ao dizer:
— Nóm posso deixar que ninguém te tirre de mim, pois antes mesmo de entrrar em minha vida eu já sentia sua falta.
Engoli em seco, entrei e fechei a porta.
***
Notas finais
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Agradeço a atenção.
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