A Máfia

4 Las Vegas, bebidas e casamento.


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês :)

_Casada? Casada Valentina? Como assim casada? Ai meu Deus, ela esta casada! – minha mãe grita enquanto anda de um lado para o outro na sala de estar da nossa casa. – Augusto, ela está casada, nossa filha ESTÁ CASADA! – gritou para meu pai.

Sim, eu me casei. E sim, ainda estou com Vitor. Na verdade estou completamente apaixonada por ele e me casar com ele foi uma das coisas mais sensata que eu já fiz. Depois de ter fugido com ele durante um mês, repito, um mês inteirinho sem brigas, sem Máfia, sem preocupações. Um mês cheio de tranquilidade e de descobertas. Vi-me apaixonada por ele quando ele cancelou nosso jantar e foi em outro a negócio. Uma noite sem ele foi uma noite de tortura. Então me dei conta que não poderia voltar pra casa e fingir que nada aconteceu. Em meio a uma briga idiota revelei meu amor a ele e o mesmo correspondeu. Tudo bem que olhando assim dá vontade de vomitar, eu vomitaria ao ouvir uma história dessas, mas é a minha história e para mim, ela está perfeita.

Ah, nos casamos em Las Vegas. Em um cassino, para ser mais exata, era para ser uma coisa mais “O que fica em Vegas, fica em Vegas, certo?”, mas não deu para deixar pra lá essa história. E voltar para casa divorciada é pior do que se casar escondido. E como já estávamos apaixonados, pensamos por que não?

_Você fica desaparecida durante UM MÊS VALENTINA, e volta casada? – esbraveja minha mãe. Minha mãe brava é bem pior que meu pai. Ok, não é pra tanto, mas até agora ele não disse uma palavra, então ela está sendo pior.

_Por favor, me diga que você reconheceu que isso é um erro e que na verdade veio me pedir ajuda com o divórcio? – perguntou ela olhando para mim. Desvio meu olhar do dela e fito o chão. – Não, não é por isso que volto! – diz jogando as mãos pro alto e voltando a andar de um lado para o outro.

_Mãe se acalme, isso não é o fim do mundo! – disse eu. Estou sentada no sofá com Vitor ao meu lado. Que constrangedor. – Só estou casada, e eu já sou bem grandinha pra isso.

Minha mãe e vira a cabeça quase que 360 graus para mim. Cara que medo que ela me deu agora!

_Foi por causa dele que fugiu durante um mês? Já se conhecem há quanto tempo? Há quanto tempo vem fazendo a cabeça da minha filha? – perguntou furiosa olhando para Vitor.

_Senhora Baldocchi, com todo respeito, mas... – começou Vitor, mas foi interrompido por minha mãe. Mais uma vez.

_NÃO ME VENHA COM DESCULPAS! – gritou ela e voltou a andar.

O que mais me doía é que eu sabia que minha mãe sofreu durante esse mês que eu fiquei desaparecida. Sei que ela deve ter ficado até mesmo doente de tanta preocupação. Mas aquele tempo em que fiquei fora foi bom para mim, não porque estava vivendo um sonho estúpido adolescente com Vitor, mas porque eu tirei um tempo para mim mesma. Descobri-me durante esses 30 dias. Vitor me ajudou com isso, deve ter sido por isso que me apaixonei tão rápido por ele.

_Posso falar com você sozinha Valentina? – pergunta minha mãe bem mais calma. Olho para Vitor e ele faz que sim com a cabeça.

Levanto-me e sigo-a até o escritório de meu pai. Entro e me apoio na mesa, virada para ela que fecha a porta. Me olha séria e depois de um tempinho corre e me abraça.

_Dios Santo Valentina, como é que desaparece assim? Por dias e semanas, sem telefonema sem nada. E ainda me volta casada, minha filha? – diz ainda sem reação a abraço de volta.

Céus, como senti a falta do abraço da minha mãe. Sinto o peso das suas palavras, devia ter ligado.

_Me desculpa, me desculpa, me desculpa. – peço já sentindo as lagrimas rolarem.

Ficamos abraçadas por um bom tempo, sem falarmos nada, apenas ficamos ali, aproveitando o nosso momento.

_Casada Valentina, casada? – minha mãe nos separa e me fita.

_Pare de dizer a palavra “casada”. Está fazendo isso parecer um bicho de sete cabeças. – disse eu enquanto enxugo as lagrimas.

Minha mãe soltou uma risada fria.

_Ah, querida, isso é um bicho de sete cabeças! – rimos com seu comentário e depois nos sentamos no pequeno sofá que contem no escritório. – Nunca pensei que te veria casada, e pelo visto, apaixonada. Luas não se apaixonam. – diz com a voz doce. – Vamos, conte-me como é essa sensação.

Suspiro e penso comigo mesma: como é estar apaixonada? Penso, penso e penso. Mas a resposta certa não me aparece. Apenas deixo escapar um dos sorrisos mais sinceros que eu já dei na vida.

Minha mãe sorri e me abraça forte.

_Espero que ele seja tudo o que você desejou.

Eu também espero.

*********

_Sua desgraçada! – Lia esbraveja ao me ver. – Entendo o porquê de fugir, se eu tivesse um pai igual ao seu, eu fugiria sem pensar duas vezes, mas não avisar a melhor amiga? Isso já é maldade.

_Eu sei me desculpa. Foi de última hora.

_Poderia pelo menos ter ligado. – choramingou.

Estávamos em meu quarto. Ela havia acabado de chegar, e com ela trouxe um belo tapa. Acho que mereci aquilo.

_E ainda não me chamou para o casamento. Puta merda, hein Valentina. Casada? – indagou. – Me diga que se casou por raiva de seu pai? – ela se ajoelhou na cama e juntou as palmas das mãos, como se estivesse orando.

Reviro os olhos e me deito fitando o teto.

_Por que é tão difícil de acreditar que eu estou apaixonada? – disse eu. – Você mesma me disse que seria uma boa eu me apaixonar. E agora que estou, ficam me atirando pedras. – bufo irritada.

_Não é isso amorzinho. – ela se deita ao meu lado e fita o teto junto comigo. – É que além de você estar apaixonada, você está casada! Não entende o choque que eu e sua família levamos?

Assinto de leve a cabeça.

_Pois bem, e eu me lembro perfeitamente de você me falar que preferia mil vezes morrer sozinha em uma cadeira de balanço a estar casada! – diz ela.

E isso era verdade. Sentia minha barriga embrulhar sempre que ouvia essa coisa de casamento e amor, para mim tais coisas sempre me incomodaram. Mas comigo as coisas aconteceram tão rápido que puf! Um dia acordei casada e apaixonada, ponto final.

_Lia eu sei. Mas esse mês que eu passei com ele foi o suficiente para eu descobrir que era ele, sabe? Ele tem os seus mistérios e eu os meus, eles os seus segredos e eu os meus. Ele tem suas manias e eu as minhas, ele odeia o que eu amo e eu odeio o que ele ama. É tudo tão novo para mim que...

_Se casaram bêbados, não foi? – perguntou ela me olhando seriamente. Revirei os olhos e reprimi uma risadinha. – Eu sabia! – exclamou batendo uma palma e se sentando na cama novamente.

_Em Las Vegas. – anunciei e a boca dela se formou em um grande O. – Eu pelo menos estava chapada. No dia seguinte ele disse que foi um erro e que resolveria aquilo mais tarde, me senti um lixo naquela hora, já estava sentindo algo diferente por ele. Amor, não sei, alguns dias se passaram e tivemos uma briga feia, foi quando disse que estava apaixonada por ele.

_E o que ele fez? – perguntou ainda mais interessada.

_Não foi o que ele fez, foi o que nós fizemos. – disse eu me referindo a aquilo.

_Santo Deus, um casal de ninfomaníacos. – ri de seu comentário.

De fato, Vitor não alegou estar apaixonado por mim, mas me olhava como tal. Me tocava e dizia coisas lindas. Talvez só esteja surpreso com o novo sentimento assim como eu estou.

_Já contou a ele sobre a Máfia Valentina? – perguntou ela.

Respirei fundo, eu contei?

_Ãn, não... – disse baixinho. Ela me olhou surpresa, preste a me repreender. – Mas irei contar! – me apressei a falar antes que ela comece com o discurso.

_Bom me conte como foi esse mês então, quero detalhes. – disse ela voltando a se deitar ao meu lado.

_Estranho e bom. Vitor é um homem muito misterioso, mas também é gentil e carinhoso, a sua forma é claro. Mas sabe Lia, ter fugido com ele realmente me fez bem. Ele libertou um lado meu que eu escondia há anos, que por causa da Máfia eu fui obrigada a ignorá-la e trancafiar dentro de mim.

_Que lado seu?

_A pessoa que eu realmente sou. Uma garota que ama vestidos, gosta de jantar na praia e ama quando alguém a faz corar. Meu lado apaixonada que eu jurei a mim mesma que nunca iria deixar alguém ver. Mas ele apareceu e me libertou rápido e fácil. E foi isso que me conquistou.

Lia ficou em silêncio por alguns instantes absorvendo tudo o que eu havia falado, e eu também. Acho que falar em voz alta um sentimento o torna mais forte e... Concretizado?

_Nossa isso foi... Lindo. – ela disse. – Não querendo ser estraga prazeres nem nada, mas, a Máfia pode mudar tudo. Você sabe disso, não sabe?

Suspiro cansada. A Máfia sempre dá um jeito de estragar a minha vida, que ódio sinto dela por isso.

_Ela não vai! – digo com firmeza. – Estou casada agora e com um homem que não é mafioso. Que não tem nada a ver com ela, ou seja, estou livre dela e de meu pai.

Lia se levantou e se sentou na cama, como havia feito antes. Eu fiz o mesmo, me sentando de frente para ela com as pernas cruzadas. Ela me olhou preocupada e perguntou:

_Valentina minha amiga, você realmente quis continuar com o casamento por amor ou para se livrar da Máfia?

A encarei por um bom tempo, eu sou apaixonada por Vitor e creio que ele por mim, foi por isso que decidimos levar o casamento adiante. Mas sim, em partes eu fiquei feliz em pensar que me livraria da Máfia e foi esse pensamento que me ajudou a me expressar o que sentia por ele.

_Quer saber, não responda. – disse ela. –Se você está feliz e longe de problemas eu também estou.

Sorri para ela e a abracei.

_Senti tanto a sua falta. – digo.

_Eu também senti a sua.

****

Na hora do jantar o clima estava tenso. Todos quietos e comendo devagar, como se a comida estivesse estragada ou algo assim. Ninguém se olha, ninguém não faz absolutamente nada, a não ser fingirem estarem comendo. Meu pai é o mais quieto ali, o que me lembra de que desde que eu cheguei não tive oportunidade de conversar com ele. E que quando eu o fizer, estarei duplamente ferrada. Ele vai me matar. Com certeza vai. E depois matará Vitor. Poderia fazer uma lista de Como fazer seu pai te odiar. E ela seria mais ou menos assim:

1º- fuja durante um mês.

2º-case-se com alguém durante esse tempo.

3º-volte como se nada tivesse acontecido.

4º-não se esqueça de dizer que estava bêbada quando disse o “sim”.

E caso você seja filha de um mafioso:

–case-se com alguém que não é da Máfia.

É meu pai deve querer me matar. Mas essa é a minha vida, é o que eu quero para mim. Confesso que por dentro estou me sentindo vitoriosa, pela primeira vez fiz algo contra as regras, burlei principalmente as regras do meu pai. Eu o venci. Não irei entrar na Máfia e muito menos governa-la. Vou ter uma vida como sempre quis, com o meu mais novo e misterioso marido. Porque Vitor é bem misterioso. Ele soa ser misterioso, os olhos negros só confirmam isso. Mas entre marido e mulher não existem segredos, certo? Certo. Sendo assim, após o jantar quando eu e Vitor já estávamos em meu quarto nos preparando para dormir decidi que era hora de contar a verdade. Como é que se diz ser filha e herdeira de uma das maiores máfias do mundo?

Oi amor, então, minha família é uma família mafiosa desde muito tempo e provavelmente iremos morrer por termos casados. Mas tirando isso eu continuo te amando, ok?

Bom isso pode dar certo. Saio do banheiro decidida em contar a ele, vejo Vitor sentado na beirada da cama mexendo no celular, ele veste somente uma calça de moletom. Aproximo-me e paro bem na sua frente. Estralo os dedos nervosa e ele me olha confuso.

_Preciso te contar alguma coisa. – disse eu. Ele se levanta e afaga meus cabelos, me abraçando logo em seguida.

_Não quero conversar agora, minha querida. O dia foi longo e cheio de conversas em particulares, mal tive tempo com você. – falou, segundos depois uma de suas mãos apertou minha cintura com desejo, enquanto a outra me causou arrepios no pescoço. – À noite a conversa vai ser um pouco diferente, já que nossas bocas estarão ocupadas de mais para falar.

Senti minhas pernas vacilarem e quase caio molenga no chão ao ouvir sua voz sexy sussurrando em meu ouvido. Puta merda, mas que tipo de marido eu fui arranjar? Um dos bons é claro. Olho para ele e o encaro. Logo um sorriso sujo se forma em nossas bocas e ele rapidamente me pega no colo, caímos na cama em seguida. Nossos beijos são rápidos e famintos. Sua mão passeia livremente pelo meu corpo, me causando arrepios mais sujos ainda. Vitor tira a minha blusa e depois a minha calça de moletom, fico apenas de calcinha e sutiã e com certeza ele também já deve estar sem nada. Rapidez é um dos dons dele. Sem mais delongas, me apreso a retirar minha lingerie e assim estar pronta para ter ele dentro de mim. E claro que ele não demora para fazer isso. No começo ele é mais sutil e gentil, dando estocadas leves.

_Vamos, peça. – suas palavras saíram mais como uma ordem.

Em uma de nossas noites, Vitor me fez implorar por mais dele, me fez sussurrar e gemer para ter mais dele. Ele diz que ambos têm que colaborar e que ele não pode apenas fazer suas vontades. Ou seja, se que quero mais eu tenho que pedir mais. E no ritmo que ele estava fazendo não satisfaz nem mesmo uma velha, porra.

_Mais. –sussurrei. Não precisei nem olhar para ver o sorriso sujo que ele deve ter dado.

_Mais? Mais o que?

_Juro por Deus Vitor, que se você não me foder com mais força eu te troco por um cuidador de cavalos!

Ele ri e aumenta o ritmo, indo com mais força. Chupo seu pescoço e ele geme, seguido por mim. Chegamos ao ápice quase que ao mesmo tempo. Depois, com ambos exaltados, visto uma de suas camisetas e me aconchego ao seu lado. Nossas respirações estão descompensadas e sorrio. Minha vida é uma merda, mas pelo menos o sexo é bom.

_Me diga, por que você me trocaria por um cuidador de cavalos? – perguntou ele.

_Eu não sei, mas seria bem interessante transar em um estábulo.

Disse mordendo os lábios e pensando seriamente no assunto.

_Não seja por isso, dá próxima vez iremos andar a cavalos.

Vitor deposita um beijo em meus cabelos e me aperta contra si, logo depois adormeço.

[No dia seguinte]

Acordo e percebo que Vitor não está mais na cama, cambaleio até o banheiro e tomo um banho rápido. Visto um short e uma camiseta de mangas longas. Procuro por meu celular tendo plena certeza que o havia deixado no quarto ontem. Encontro ele debaixo da cama e o relógio avisa que já são 15h00min. Caralho, eu dormi tanto assim? Dios mio!

Desço as escadas e encontro Lia, minha mãe e Josué na sala. Logo Edna apareceu com uma bandeja cheia de bolinhos e chá. Minha barriga ronca só de olhar.

_Olha só quem acordou. Bom dia moça casada. – disse Edna sorrindo amigavelmente.

Retribuo o sorriso e comprimento Lia com um beijo na bochecha. Faço o mesmo com minha mãe e Josué, esse parecia meio chateado. Provavelmente por conta de meu “repentino casamento”. Eu e ele somos como irmãos, mesmo indo para a cama com ele às vezes, ele se preocupa comigo e eu com ele. Talvez isso nunca mude. Eu lhe dou um olhar de “eu tenho tudo sobre o controle” e ele parece entender.

_Bom, onde está Vitor? – pergunto olhando em volta.

_Ele está conversando com seu pai no escritório. – respondeu minha mãe.

Engasgo com um dos bolinhos e Lia bate freneticamente em minhas costas. Merda, logo me caso e já viro viúva. Alguém lá em cima deve gostar muito de mim pelo jeito.

_Ei calma, eles só estão conversando. – Lia diz ainda me batendo.

Largo o bolinho em cima da mesinha de centro e me levanto.

_Aonde vai? – Lia pergunta.

_Irei ver como eles estão, afinal, eu faço parte da conversa e tem muitas coisas em questão. – digo indo decidida até o escritório de meu pai.

Um buraco enorme se abre na minha barriga, eu não contei sobre a Máfia para Vitor e muito menos sei qual será a reação dele sobre isso. Lindo Valentina, só falta ele te dar um pé na bunda e você se casar com um gordo mafioso e viver o resto da vida amargurada e trancada no quarto.

Afasto esses pensamentos e me aproximo do escritório. Ouço as vozes de ambos e paro para escutá-las, mas o que eu ouço não é nada bom.

_Ela está em cima dormindo, temos tempo. – ouço Vitor dizer.

_Você se saiu muito bem Sr. Chiacchio, ela está casada. E agora, você e sua Máfia estão de volta a Cosa Nostra. – meu pai disse.

E então por um momento meu coração parou. Chiacchio é o sobrenome de Vitor, e por muitas vezes eu tentava me lembrar de onde foi que eu havia escutado esse nome. Mas agora, tudo faz sentido. Chiacchio é outra família mafiosa, Vitor, assim como eu, é um membro de uma Máfia. E pelo jeito, eu fui usada. Não, não pode ser! Eu não pude ser tão tola assim.

Tomada pelo choque e pela raiva repentina, entro no escritório com tudo, praticamente derrubando a porta. Paro e encaro meu pai, que me olha perplexo. Ele está sentado atrás de sua mesa, Vitor está sentado a sua frente, mas com o susto ele se levantou e agora está do lado dele em pé.

Lágrimas ardem em meus olhos.

_Filha – ele começa. Mas eu levanto minha mão em sinal de silencio e fecho os olhos com força.

_Me diga que eu entendi errado. Diga-me que o sobrenome Chiacchio não pertence à família mafiosa a qual o senhor estava fazendo negócios meses atrás. DIGA-ME! – gritei.

Ele ainda me olha sem reação, o que me deixa mais nervosa ainda.

_Valentina, nosso casamento foi uma farsa. – a voz de Vitor sai tão fria que eu sinto que levei um tapa na cara mediante a dor que tais palavras me causaram.

Você queria descobrir os segredos dele, não queria? Pois bem, agora aguente. – meu subconsciente pareceu gritar para mim.

Olho rapidamente para Vitor que mantém um olhar sério. Abaixo a cabeça e tampo meu rosto com as mãos. Meu corpo está frio e parece que todos os meus órgãos foram tirados dele e só resto o vazio. Eu estava em choque. Estava tremendo e parecia não sentir meu corpo.

_Vitor! – meu pai o repreendeu. – Filha, escute.

Não, ele não esse direito de me chamar assim, não mais.

_Não me chame de filha! – gritei. Levanto a cabeça e o olho duramente. Ele se levanta e me olha. – Nunca mais me chame de filha, você não tem mais esse direito. Pai nenhum faria algo desse tipo com a própria filha.

Respiro com dificuldade, eu preciso gritar, preciso colocar isso para fora.

_Você não é mais o meu pai. – gritei a plenos pulmões.

Meu pai, digo, Augustos arregalou os olhos, pasmo. Mas o que ele queria? Que eu pulasse de alegria ao descobrir que ele planejou tudo isso?

_Não diga uma coisa dessas Valentina. – disse ele sério.

Sorrio com amargura e sinto mais lágrimas descerem.

_Você colocou um homem na minha vida, — comecei calma, ainda chorando. – me fez ama-lo, me fez acreditar que ele sentia o mesmo por mim, me fez casar com ele, agora descubro que foi tudo uma farsa e ainda quer que eu te ame, papai?

Ironizei essa ultima parte e ele abaixou a cabeça.

_A Máfia me obrigou a fazer isso Valentina. Os negócios também.

_E a felicidade da sua filha não conta para você? – disparei.

Meu pai pareceu que levou um soco da realidade. Abriu e fechou a boca várias vezes, mas nada disse.

Meu mundo desmoronou de vez. Meu pai me fez de idiota. Meu pai. Pode imaginar a dor que eu sinto? Pode imaginar ser enganada desse jeito? Meu coração parece que está sendo massacrado e eu não quero nem imaginar a dor que eu vou sentir quando misturar meus sentimentos por Vitor a isso tudo. Irei sofrer por ele mais tarde, agora sofro pela perda de um pai que um dia ousei amar.

_A Máfia é complicada Valentina, você sabe disso. Você não pode simplesmente abandoná-la, ainda mais sendo membro da Cosa Nostra. Você tinha que continuar os negócios da família, mas você não queira. O jeito que eu achei foi este. Achei que assim seria mais fácil.

Sento-me em uma cadeira que tem ali e choro baixo, mas choro muito. Sinto que posso morrer ao chorar daquele jeito. Isso é demais para mim. Ele achou que seria fácil? Mas para quem? Pra ele? Só se for.

_Uma vez me contaram uma história, — comecei tentando inutilmente me acalmar. – sobre uma família, também mafiosa, onde havia dois irmãos. O mais novo, queria comandar a Máfia, o mais velho não. Então o pai matou o mais velho para dar o poder ao mais novo. Nessa hora eu também preferiria a morte.

Me levantei e me direcionei a porta, pronta para sair.

_Preferira a morte. – sussurrei a mim mesma.

Então eu corri. Corri o mais rápido que eu consegui. Pude ouvir meu pai me chamar, mas não dei atenção. Ao passar pela sala, vi todos ainda ali, assustados. Com certeza eles haviam ouvido a discussão. Minha mãe também gritou por mim, mas eu continuei correndo. Sai pela porta da frente e corri mais rápido ao avistar o píer.

Eu sempre quis me jogar dali, e agora está me parecendo a hora perfeita. Com sorte a queda irá me matar e toda a dor que eu estou sentindo irá embora. Quando chego à parte de madeira ouço vozes me chamando, vozes distantes. Mas tudo o que eu quero agora é dar um fim nisso tudo. Na dor, no sofrimento, nas mentiras. Quero alivio. Quero paz.

Quando os meus pés já não tocam mais o chão, caio.

Na queda, sinto todo o peso que eu carregava desaparecer. Sinto o alivio. A dor parece não existir mais. A paz irá chegar logo. Com os olhos fechados com força, visualizo Vitor. Sua boca na minha, teu corpo no meu, e outra dor me atinge. É meu coração clamando por mais dele. Só que agora eu sei a verdade. Ele não me ama, foi tudo mentira uma encenação. Com um ultimo suspiro, caio dentro da água fria.

Notas finais
Gostaram? O que acharam do casamento repentino da Valentina? haha Bom não sei quando irei postar o próximo porque estou doente e provavelmente com dengue, então, paciência! Beijos