A Máfia

5 Nada é o que parece ser


Notas iniciais
Voltei e trouxe mais um capítulo para vocês :)

Uma dor de cabeça horrível me atinge assim que abro os olhos, mas a claridade do quarto não permite que eu os abra por completo. Meu corpo todo também doía. Será que até morta eu iria sentir dor? Mas eu não estou morta, infelizmente não. Mas quem sabe tudo aquilo que eu presenciei não foi tudo apenas um sonho? É talvez tenha sido. A dor de cabeça estava tanto que logo caio no sono novamente. Mas pude perceber que eu estava em algum quarto, ouço vozes me chamando. Parece ser a minha mãe. Ela me chama pelo nome e sinto um beijo ser depositado ao topo da minha cabeça e depois apago novamente.

Outra vez acordo. Mas me sinto drogada, é como ter sido atropelada por um trator e ter sido juntada novamente. Sinto calafrios a cada segundo e as dores só parecem ter piorado. Mas o que foi que aconteceu comigo? Tento abrir os olhos e focalizar o lugar onde estou. Só que isso parece ser impossível. Então vejo Vitor sentado em uma cadeira com as pernas cruzadas. Ele lê um jornal e está na frente da cama onde estou deitada. Pela rápida olhada no local, acho que estou em um jatinho. Mas o que diabos estou fazendo em um?

Gemo de dor e ele parece me notar, abaixa o jornal e me olha. Minha visão falha novamente e quando abro os olhos mais uma vez, outra pessoa vestida de branco aparece na minha frente e eu apago.

[tempos depois]

A cama onde estou agora é bem mais confortável do que a anterior. Estou debaixo de vários cobertores bem quentes, mas isso não impede os ataques de calafrios que sinto, então agarro um e aperto contra o meu corpo. Droga, esses calafrios são horríveis vindo desse jeito. A cada segundo meu corpo treme e meu abdômen range de dor. Estou com tanto frio que parece que dormi em uma geleira somente de biquine.

Abro os olhos devagar, para impedir que a claridade me cegue novamente. Mas o quarto está todo escuro e não tem perigo. Olho ao redor em busca de algo que me ajude, a saber, onde estou, contudo nada parece ser familiar. Jogo a mão para o lado e tateio uma mesinha com um abajur em cima, puxa a cordinha e consigo um pouco de luz no lugar. E eu definitivamente não conheço esse lugar. Curiosa e confusa sento na cama, mesmo com a minha cabeça ainda latejando, me levanto e começo a ir até a porta. A abro, e sim, a maldita claridade me atinge.

A porta dava em um corredor, no final dele, para ser mais clara, as paredes são de um tom marrom claro e as portas de um verniz vermelho. Me lembra aquelas mansões antigas, com as paredes em tons escuros e os moveis rústicos combinando. Uma coisa meio medieval, porém moderna. Depois de virar aqui e ali dou de cara com uma escada enorme.

Lembram-se daqueles filmes de princesas? E aquelas escadas enormes que elas desciam desfilando seus belos vestidos? Então, essa escada é exatamente assim! Paro em frente a ela e olho ao meu redor. A casa é sim uma daquelas mansões antigas. E linda também. No fim da escada era uma sala com sofás grandes e modernos, no centro uma mesinha de centro e na parede uma lareira em pedra branca. Puta merda e eu achando que era rica.

_Senhora Chiacchio? – uma moça, que aparenta ser uma empregada por seu uniforme, aparece ao pé da escada e me chama sorrindo.

Só que ela fala em inglês, não em italiano. E mais uma coisa: senhora Chiacchio? O quê?

_Finalmente a senhora acordou, estávamos todos preocupados com a sua saúde. Com certeza o seu marido ficará feliz em saber que já está melhor.

Oh, céus. Vitor?!

Uma onda de lembranças me atinge e em segundos consigo lembrar-me tudo.

Vitor mentiu. Ele não é quem eu pensava que fosse. Ele me enganou e eu tentei me matar, tentei acabar com o sofrimento que ele e meu pai me causaram. Só que pelo visto não deu certo.

_A senhora quer que eu o chame? – a moça perguntou.

Paralisada pelo choque que minhas lembranças me causaram eu não respondo.

_Valentina?! A graças a Deus você acordou e está bem! – Reconheço essa voz. Mas minha cabeça doe tanto que não consigo raciocinar direito.

Somente quando Josué sobe as escadas e para na minha frente que eu o reconheço.

_Como se sente? – perguntou. – Foi uma queda feia aquela.

_E-eu n-não sei, — gaguejei. – minha cabeça dói e estou morrendo de frio!

_Vem, vou levar você para tomar sol, vai te fazer bem!

Josué me puxa e me ajuda a descer as escadas, passamos pela empregada que sorri e Josué pede para que ela traga algo para comermos.

Quando dou por mim estamos em uma área de lazer gigante do lado de fora da casa, ha uma piscina, também gigante, e ao seu redor verde e mais verde. É lindo! Alguns homens andavam de um lado para o outro de terno e gravata e quando me viram, pararam seus afazeres e me reverenciaram com o símbolo da Máfia.

O símbolo ou melhor dizendo, o sinal da Máfia é colocar o braço direito sobre o peito com o punho fechado e acenar de leve com a cabeça. Isso significa poder. E eu estou casada com Vitor (sou agora uma mafiosa de fato) e nossas Máfias se juntaram, é claro que somos poderosos. Quer dizer, ele é, eu odeio tudo isso.

_Senta aqui.

Ao redor da piscina, continha algumas espreguiçadeiras e eu e ele nos sentamos em uma. Um do lado do outro. Descansei meus cotovelos sobre o meu joelho e abaixei a cabeça, tentando lembrar onde tudo deu errado e eu acabei me casando com alguém que não era quem eu achei que fosse.

_Eu fui tão idiota! – disse já sentindo meus olhos arderem.

Josué passou as mãos sobre meus ombros e me deu um leve abraço.

_Não tinha como você saber Valentina.

_Mas tinhas os sinais, sabe? Os malditos sinais! Os mistérios dele, as reuniões de madrugada, as tatuagens significativas e os olhos que sempre me diziam perigo! Perigo! Só que eu fui tão idiota e estúpida, que abaixei a guarda e olha só no que deu.

As lagrimas já desciam sem permissão, meu corpo parecia doer mais e eu não sabia se era pela queda ou pela traição. Pelos ambos, talvez.

_Ei, ei. Calma, não chora.

Ele tenta me consolar, porém sua atitude é em vão. Mas ele continua ali, me abraçando de lado e eu tombo minha cabeça em seu ombro. Ele acaricia meus cabelos e depois de um tempo ele começa a rir.

_Do que está rindo, seu idiota? – pergunto olhando para ele.

_Nada, é só que, eu não consigo acreditar que você se jogou do penhasco. Desde que éramos crianças e felizes você sempre dizia que um dia pularia de lá, e o sorriso que você dava ao falar daquilo era assustador!

Olho pasma pra ele, eu aqui sofrendo e o babaca fazendo piada? Pra que inimigos, certo?

_Eu estou aqui, sofrendo, quase morrendo por ter sido traída pela minha família e você faz piadinhas sobre a minha quase morte? – arqueio uma sobrancelha e sua expressão muda para espantando. – Mas se você quer saber, a sensação é horrível! – completei sorrindo da cara dele. – Estou toda dolorida, parece que um trator passou em cima de mim.

Rimos um pouco para afastar a angústia e dor que eu sentia. Josué sempre me animou e cuidou de mim. Depois de incontáveis brigas com meu pai era ele quem me animava e me fazia sorrir, contando piadinhas idiotas e comparações malucas. Pois assim como eu, ele sabia a tensão de se viver na Máfia. Isso me faz lembrar que não estávamos mais na Itália e que ele de alguma maneira está aqui, comigo.

_O que está fazendo aqui, Josué? – perguntei fitando suas orbitas verdes que ficavam mais claras a luz do sol.

Ele suspirou e fitou o nada, me deixando preocupada.

_O que foi? – indaguei.

_Eu não confio nessa cara, Valentina. Vitor pra mim é problema e não podia deixar você vim pra cá sozinha, então eu pedi autorização ao seu pai para te acompanhar e cuidar de você. Ele concordou na mesma hora.

_Se ele quisesse meu bem não teria feito isso comigo. – sussurrei.

_É eu sei, mas eu quero o seu bem e vou ficar aqui cuidando de você.

Olhei para ele e sorrio em gratidão, é bom saber que tem alguém que se importa comigo.

_E tenta não se jogar de um penhasco novamente porque eu não vou pular atrás de você!

Sorrio com seu comentário e dou um soco em seu ombro e depois rimos um do outro. E é nessa hora que três BMW pretas, provavelmente blindadas, chegam e estacionam no gramado um pouco afastado da piscina. Mais homens vestidos de pretos saem dos carros e depois vejo Vitor e meu coração para. Ele veste uma calça preta que parece ter sido feita sob medida e usava uma blusa social branca. Assim que o vejo paro de sorrir e viro o rosto, não suporto olhar para ele.

_É melhor você ir, ele trouxe o seu médico, vá se cuidar. – Josué também ficou mais rígido com a chegada de Vitor. Ele bagunçou meus cabelos que já deviam estar bagunçados, e depois se levantou e saiu.

Ao lado de Vitor, havia um cara de branco que obviamente deve ser o médico. Ele se aproximou sorridente e a cada passo que dava, fui percebendo o quão velho ele é. Mas não podia ser muito diferente, a Máfia não confia nas pessoas novas, à pessoa tem de passa por um longo processo de aceitação e chantagens.

_Olá Valentina. – falou quando se aproximou e sentou-se ao meu lado, onde Josué estava há alguns minutos atrás.

A voz dele é calma e acolhedora, seu inglês parece ser britânico.

_A senhorita passou muito tempo desacordada, uma semana, acredita? Pois é, deve ter sido uma queda feia. Se seu marido não tivesse pulado atrás de você, com certeza não teria sobrevivido.

_Vamos entrar doutor, a examine lá dentro. – o tom de Vitor é autoritária e fria. Nada se parece com o cara por quem me apaixonei.

_Claro. Vamos minha querida.

O doutor se levantou e caminhou rapidamente até a porta de vidro que dava para a sala da casa e entrou, seus movimentos foram tão rápidos que mal consegui acompanha-lo com os olhos. Sorri do seu jeito e percebi que Vitor está bem na minha frente, me observando. Sendo assim, me levantei com pressa e tentei ir atrás do médico. Porém uma tontura me atingiu e quase dou de cara no chão, se não fosse por Vitor me segurando pela cintura e me virando para ele.

_O que foi? – seu hálito é de menta e sua voz parece mostrar que ele esta preocupado, mas eu sei que isso não é verdade.

_Me solta! – exclamei. – Não ouse encostar em mim novamente! – vociferei para ele enquanto me desvencilhava de seus braços.

O olhei com raiva e dei meia volta, indo para dentro da casa. Senti Vitor me seguindo, mas o ignorei, irei lidar com ele mais tarde.

Passei pela porta de vidro e o médico me esperava sentado no sofá, fui ao seu encontro e me sentei ao seu lado.

_O que sente Valentina? – perguntou sério.

_Dores no corpo, muita dor. – respondi.

_Algo mais?

Me sinto abandonada, traída e usada. Algo doe mais do que isso?

_Tonturas e quando acordei, fraqueza.

Ele me analisou com os olhos e depois fez alguns exames rápidos. Disse que eu sou uma garota com sorte por ter sobrevivido e devia estar muito feliz por isso. Tentei lhe mostrar um belo sorriso, mas acho que não consegui. Em seguida, ele pediu para falar com Vitor em particular e depois de um tempo conversando, ele foi embora.

_Nique, faça algo para Valentina comer, por favor, algo leve.

Ainda estava sentada na sala observando o Dr. entrar no carro quando novamente a voz de Vitor inundou os meus ouvidos chamando a minha atenção. Se eu não estivesse tão brava com ele poderia notar o quão perfeito sua voz é falando em inglês. Se eu não estivesse tão brava com ele poderia ter notado o quão magnífico ele está vestido desse jeito. Se eu não estivesse tão fodidamente brava com ele, eu poderia ter notado a falta que eu senti de abraça-lo e de beija-lo. Ah, se ele não tivesse feito o que fez.

_E você, — ele disse se referindo a mim. – temos muito o que conversar, vamos ao meu escritório.

Se isso não fosse verdade eu não o teria seguido por um corredor do lado direito da escada, e depois por um outro e por um outro. Até chegar a outra porta vermelha, a qual ele abre e nós entramos. Ele senta atrás de sua mesa e eu continuo em pé. O escritório de Vitor me lembra muito o de meu pai. Um ambiente bem fechado e não muito iluminado. Uma mesa de madeira bem grossa e cara com cadeiras encapadas, e uma estante gigante cheia de bebidas de todos os tipos. E do lado direto de Vitor, notei uma passagem secreta.

_Sente-se. – pediu.

Sentei-me a sua frente e o fitei.

_Faça suas perguntas. – ordenou.

_Onde estou?

_Chicago, Estados Unidos.

_Qual o nome do médico que me atendeu?

_Richard Gabril, é ele que toma conta da parte médica da Máfia daqui.

Murmuro um “hm” em resposta.

_Isso é tudo que tem para perguntar, Valentina? – o indagou.

_O que mais quer que eu pergunte? Como foi planejar esse maldito plano por meses? Ou quem sabe por semanas? Como foi sentar e falar normalmente com meu pai sobre destruir toda a minha vida? Ou em como pensou em fazer eu me apaixonar por você? É isso que quer que eu pergunte Vitor?

Ele colocou a mão no queixo e pareceu olhar dentro dos meus olhos. E se ele estivesse mesmo fazendo isso poderia ver a raiva que eles transmitem.

_Foi preciso. – ele respondeu depois de um longo tempo.

_Foi preciso? É tudo o que tem a dizer? Patético.

_Queria ouvir que nosso amor não foi uma mentira? Que todos aqueles momentos foram verdadeiros? Faça me o favor Valentina, você já tem idade o suficiente para saber que não existe amor dentro da Máfia, muito menos no mundo real. Achou mesmo que eu poderia me apaixonar por você?

Ai, essa doeu. Muito. Foi como ter uma faca enfiada em meu coração. Eu sabia que aquilo é verdade, mas ouvi-lo falando desse jeito foi mil vezes pior. Respirei fundo e tentei não abaixar a cabeça.

_Sabe o que eu acho Vitor? – perguntei. – Que não sofreu o suficiente as consequência da Máfia. Que ela não deve ter te causado danos nenhum. Deve ter apenas crescido nela e se tornado esse idiota que é hoje.

Dito isso, me levantei confiante e sai, o deixando ali. Segurei as lágrimas até chegar ao maldito quarto e quando cheguei lá procurei pelo banheiro e me tranquei nele, depois desabei no chão e chorei.

Chorei por Vitor. Suas palavras me feriram muito e eu não aguento o peso delas, é demais pra mim. Na verdade, isso TUDO é demais pra mim. Eu só quero gritar e gritar. E depois quebrar tudo! Mas por enquanto eu só quero por essa dor para fora e vai ser assim, jogada no chão do banheiro chorando até sentir falta de ar.

Eu sei que você acha que eu devia ter quebrado a cara de Vitor antes, mas ele sabe quem eu sou. Não sobre eu ser uma mafiosa, estou falando que ele viu o meu verdadeiro lado. O sentimental, sabe? Aquele que eu fui obrigada a esconder por conta da Máfia e criar um perfil de mandona e mal humorada, e eu me saia muito bem sendo assim, só que essa não era eu. E Vitor descobriu e viu esse meu lado quando passamos um mês juntos, e eu gostei de ter mostrado, me senti livre. Não adianta voltar atrás agora e voltar a ser aquilo que inventei ser, ele sabe que aquilo é apenas uma farsa. Eu sou assim, sentimental e quase sempre choro. Tenho minhas fases. E eu não quero esconde-las mais.

Eu irei cuidar de Vitor quando me for conveniente.

Chorar é uma coisa engraçada, algumas pessoas dizem que o choro trás alivio, mas para mim só trás dor. Meu peito dói a cada lembrança que minha mente me trás de mim e Vitor juntos, a cada momento ou palavra que ele tenha me dito antes, hoje vem à tona e batem com força na minha cara. No final das contas ele é, sim, um maldito mafioso e eu fui a maior idiota desse maldito mundo. Eu me odeio. Odeio meu pai. Odeio Vitor por me fazer odiar meu pai e a mim.

_Senhorita Chiacchio? A senhora está bem? – alguém bate suavemente na porta trancada do banheiro.

Fungo o nariz e tento me recompor levantando e passando uma água no rosto. O que não era preciso já que eu não tenho indícios de choro, sempre foi assim, eu chorava e quando parava, era só passar a mão e pronto. Estava pronta para a próxima, ninguém nunca notava e eu era grata por isso.

Respiro fundo e saio do banheiro.

A mesma empregada que Vitor pediu para que pegasse algo para que eu comesse está agora no meu quarto segurando uma bandeja enorme cheia de frutas e bolos, sucos e água. Minha barriga roncou alto assim que eu vi toda aquela comida.

_Dio Santo, quanta comida! – disse me aproximando e sentando com as pernas cruzadas na cama.

_É que eu não sabia o que a senhora gosta de comer, então preparei um pouco de tudo. – respondeu tímida.

_Oh, não se preocupe, vou fazer seu esforço valer a pena. – tentei sorrir.

Ela, ao contrario de mim, mostrou um belo sorriso e depositou a enorme bandeja na minha frente e se virou para ir embora.

_Só uma coisa,­ ­- peço e ela se voltou pra mim. – qual é seu nome?

_Dominique, senhora. – respondeu e saiu.

Sendo assim ataquei a comida e em menos de uma hora tinha comido tudo. Além do mais eu tinha passado uma semana em coma, tinha que recompor todos esses setes dias.

[...]

Passei o resto do dia na cama, deitada, chorando. Eu nos meus vinte e um anos chorando por um coração partido. Isso nunca aconteceu antes e agora parece que estou sofrendo por todos anos passados.

Eu sei que essa fase do choro vai passar e vai vir àquela fase de ódio eterno e eu vou querer matar todos que irão aparecer na minha frente. E sinceramente, eu não posso esperar para essa fase chegar.

De repente a porta se abre atrás de mim e sei que dessa vez é Vitor quem entra porque seus passos são fortes e pesados. Ele passa e vai direto para o banheiro, depois de alguns minutos ouço o chuveiro se abrir. Fecho os olhos com força e tento dormir antes que ele saia, mas parece que a atitude de passar horas dentro do banho é somente das mulheres, pois cinco minutos depois ele sai. Como eu estou virada para ele, não tenho que olha-lo e então tento pelo menos fingir estar dormindo.

_Venha Valentina, vamos jantar. – mais uma vez ele é autoritário. Vitor é sempre autoritário. E eu sempre odiei isso.

Fico imóvel e fecho os olhos com mais força em um pedido desesperado para que eu apague agora mesmo.

_Eu sei que não está dormindo, então ande logo.

Solto o ar pela boca e respondo em uma voz fraca e sem vida que já havia comido.

_Sim, isso foi há 8 horas. Agora você precisa comer novamente, então ande logo. – repetiu.

Uma breve historinha para vocês: quando eu fugi com Vitor descobri que o que eu mais odiava nele é a sua mania de mandar nas pessoas. Ele manda até pedindo por favor. E isso me deixava muito irritada.

E agora que eu o odeio pra valer, isso me irrita mil vezes mais.

_Eu já disse que eu não quero comer. – falei enquanto me levanto e ia para o banheiro.

_Mas você vai. – disse ele segurando meus braços e me fitando.

Olho para a mão dele em meu braço e depois olho para ele.

_Vitor, você pode mandar nos seus homens, você pode mandar na sua Máfia, você pode mandar na porra do mundo todo. Mas em mim, você não manda.

Seu lábio superior tremeu. Isso quer dizer que ele esta com raiva. Um ponto pra mim!

_Você é minha esposa Valentina, eu mando sim em você. – rosnou para mim.

_Eu sou sua esposa Vitor, não sua mercadoria.

Vitor parece querer me matar com os olhos e um arrepio frio me atinge ao vê-lo me olhar assim. O homem que eu amava hoje me dá medo. Mas então ele sorri. E meu coração derrete ao ver seu sorriso.

_Esperta senhora Chiacchio, muita esperta. – disse ele. – Se não quer comer, tudo bem, irei abrir uma exceção hoje.

Dito isso ele me soltou e saiu. Aproveitei e fui tomar um banho. Todas as minhas roupas já estavam no closet e não foi difícil achá-las. Vesti-me de algo bem leve, como uma calça de moletom e uma regata e com muito esforço penteei os cabelos. Nesse meio tempo em que estava dentro do closet, Vitor já havia chegado e se deitado, então aproveitei para descer e comer algo. É eu sei, devia ter ido àquela hora, mas eu não ia dar o braço a torcer.

O difícil mesmo foi achar a cozinha, eram tantos corredores e portas que quase comecei a chorar para ver se alguém me achava e me ajudava. Mas já devia ser tarde da noite e não devia ter ninguém por aqui, o jeito era continuar procurando e depois de 20 minutos consegui fazer uma tarefa que devia ter levado no máximo dois.

_Se eu estivesse em casa isso não teria acontecido. – resmunguei para mim mesma.

Abri a geladeira e me deparei com muita comida, que ia de doces a coisas saudáveis e gostosas. E isso me levou mais cinco minutos, quando decidi fazer um sanduiche e tomar um suco de laranja de caixinha. Depois de uns dez minutos comendo, limpei a bagunça que fiz e subi novamente. O quarto estava escuro e silencioso, Vitor dormia tranquilamente e o som da sua respiração era calma e despreocupada e tudo o que eu queria era deitar do seu lado e deixá-lo me abraçar e assim dormiríamos. Porém a situação é diferente agora, é diferente e complicada. Por que eu mal o conheço, é verdade, e essa nossa briga não é por coisas tolas e nem nada disso, então não vamos simplesmente nos voltar a falar e se beijar e tudo mais. Minha vida a partir de agora vai ser um inferno.

Me aproximei da cama e me deitei, tentando ficar bem longe de Vitor, meu mais novo e mafioso marido.

Notas finais
O que acharam dessa nova vida da Valentina? Coitada dela, não é mesmo? E Vitor? Josué? Será que os dois ainda se pegam na porrada? haha Por favor pessoal, comentem e digam o que acham da história! Isso é muito importante. Vejo vocês depois, beijoss