A Máfia

7 Jogo de sedução


Notas iniciais
Mais um capítulo para vocês :) Nos vemos lá embaixo, ok? Haha LEIAM AS NOTAS FINAIS, LEIAM AS NOTAS FINAIS

Naquela mesma noite, tive um desagrado enorme ao acordar no meio da madrugada e vomitar o que havia comido e o que eu devia ter comido no banheiro da suíte. Foi horrível, odeio vomitar. Vitor se levantou e me ajudou, mesmo eu reclamando o tempo todo que não o queria ali, me vendo naquele estado, porém, era bom que ele visse o estado que eu estava, já que foi ele que me deixo daquele jeito. Mas foi em vão, pois ele entrou no banheiro mesmo assim e me ajudou, quando eu já estava quase desmaiando sem forças, ele gritou e alguns homens apareceram, ele exigiu o Dr. Richard imediatamente e o mandou buscá-lo. Tentei dizer que aquilo não era necessário e que meu mal estar logo passaria, claro que Vitor não me escutou e minutos depois – sim, minutos depois. – Richard estava na mansão.

Vitor me pegou no colo e me levou para a cama, me deitando com cuidado sobre ela. O médico se aproximou e me examinou, perguntou o que eu sentia e eu disse que não sentia absolutamente nada, que apenas me deu vontade de vomitar e eu vomitei. Ele injetou algo em meu braço e aos poucos minhas pálpebras foram ficando pesadas e eu apaguei por completo. A última coisa que vi foi Vitor parado em pé, ao lado da cama me olhando.

Sonhei com grandes e charmosos olhos pretos... Um sonho bom.

[...]

Curada. Completamente curada. Nada de dores no corpo, ou tonturas e ânsias de vomito. Nada mais disso me perturbava mais, graças aqueles benditos (e inúmeros) remédios eu já estava bem. Depois do acontecido (de ter vomitado igual uma louca) dormi profundamente durante dois dias.

Sim, estou ficando craque nisso. Mas eu acordei feliz, apesar de estar cansada por ter dormido dois dias seguidos (como isso é possível?) estou grata por estar completamente curada. Caralho, eu pulei de um penhasco, minha recuperação devia ser de meses, mas foi em semanas! É, eu até que tenho sorte... Só que não. A parte embaraçosa de tudo isso, é que hoje, quando finalmente acordei, estava agarrada a Vitor na cama. Abraçados. JUNTOS, AGARRADOS, COMO UM CASAL QUE SE AMA! Eu estava debruçada no peito dele enquanto, gentilmente, ele acariciava meus cabelos, demorei alguns minutos para perceber a situação que me encontrava e tive que lutar contra mim mesma para sair dos braços deles. E ao lembrar que antes eu adorava dormir agarrada a ele.

Enfim, não quero ficar me deprimindo. A partir de agora irei ignorar tudo isso que aconteceu comigo e tentar ficar forte. Vou reconstruir a barreira que Vitor desmoronou e ficar forte novamente, não quero mais ser a vitima. Estou casada com Vitor, e ele me enganou para isso. A Máfia está sobre o nosso comando agora e eu também não posso fazer nada para mudar isso. A partir de agora irei comandar o tráfico de drogas, de armas e até mesmo de pessoas, e se eu vou fazer tudo isso é melhor eu fazer direito! Meu pai sempre quis uma filha de pulso forte, de vibra forte e agora ele vai ter, nem que para isso eu me torne uma vadia destruidora de deuses e do mundo. Eles irão colher o que plantaram.

[...]

Dominique era uma moça jovem e tinha os cabelos vermelhos cor de fogo lindos, sim, ela é ruiva natural. Nos primeiros dias que cheguei aqui, ou eles estavam presos em um coque lindo ou ela estava com eles preso em uma trança de lado. Hoje não foi diferente. O cabelo dela estava preso em um rabo de cavalo alto e uma mecha de seu cabelo estava trançado da raiz até as pontas e não tinha nenhum fio fora do lugar, ela estava impecável. Já eu estava parecendo a Fiona do Shrek. Não, a Fiona do Shrek é linda, acho que estou mais para aquelas bruxas horrendas que só de olhar você já desmaia de medo. É por isso que chamei Dominique para me ajudar a arrumar meu cabelo, logo assim que Vitor saiu para “trabalhar”, pedi para que ela subisse. Tomei meu banho e lavei meus cabelos, quando sai, Dominique já me esperava no quarto.

_Mandou me chamar, senhora? – perguntou.

Ergo minhas sobrancelhas ao ouvi-la me chamar de senhora, ela pediu desculpas e me chamou pelo nome.

_Sim, pedi. Seu cabelo está lindo hoje, é você que o arruma assim? – perguntei.

Ela faz que sim com a cabeça e sorri agradecida, sento na beirada da cama de costas para ela e jogo meus cabelos para trás.

_Tem como fazer algo assim nos meus? – peço.

Sinto ela se aproximar de mim e tocar em meus cabelos, pega a escova que eu havia trazido do banheiro e começa a pentear. Ela puxa aqui, puxa a ali e depois de alguns minutos ela diz que está pronto. Me levanto e volto para o banheiro, me aproximo do espelho e me surpreendo com o que Dominique fez. Meu cabelo estava preso em um rabo de cavalo alto e uma trança espinha de peixe dava todo o charme que ele precisava. Estava lindo!

_Meu Deus, Dominique. Está lindo, muito obrigada! – agradeci pasma com o meu reflexo no espelho.

_Obrigada. – respondeu sorridente. – Se não deseja mais nada, irei descer.

_Claro, claro.

Dominique saiu e eu fiquei mais alguns minutos me admirando no espelho, a garota é boa no que faz. Mas eu ainda não estava pronta, então fui direto para o closet, estava na hora de deixar os moletons para trás e começar a se vestir de verdade (não que não seja maravilhoso ficar de moletons o dia todo, porque é sensacional, mas o ponto não é este!).

Abri a porta do guarda-roupa e analisei o que tinha ali dentro. De imediato me lembro de Lia e de seu jeito de escolher roupas. Lia... Como será que ela está? Não tive tempo para ligar pra ela e explicar as coisas, com certeza ela vai me matar quando eu finalmente fizer isso. Se bem que, agora não é um bom momento para voltarmos a se falar, e quando vai ser esse momento? Talvez nunca mais... Não me entenda mal, mas antes não era tão perigoso ter uma amiga normal, digamos assim, só que agora eu sou uma criminosa! E os outros criminosos sempre desejam se vingar, na verdade é uma coisa que eles adoram fazer, não só se vingar, mas sim matar pessoas inocentes para provocar a irá dos outros, e eu não quero e não vou deixar nada acontecer com Lia, nada. Por isso o melhor é me afastar definitivamente dela, mesmo que isso machuque ambas, é o certo a fazer.

Pensando novamente nas roupas, opto por uma coisa mais “sim, talvez eu seja uma vadia, mas uma vadia com classe”. Sendo assim, escolho uma calça de couro preta que fica perfeitamente bem em mim, depois coloco uma blusa branca de seda de manga curta e por fim um blazer vermelho. Para finalizar, escolho um coturno preto e vário nos acessórios: colar, brinco e algumas pulseiras finas. Depois começo a fazer minha maquiagem, eu não sou muito fã de maquiagens pesadas, mas hoje seria preciso. Então nos olhos eu passo uma sombra bem fraquinha e lápis preto em seu contorno e esfumaço tudo, deixando a coisa para o lado sexy e poderosa, e na boca eu também passo um lápis labial em seu contorno e depois uso um batom cor de boca com gloss.

Quando fico pronta, fecho as portas do guarda-roupa e me olho no espelho.

Eu estava gostosa, muito gostosa!

Todo o conjunto caiu perfeitamente bem! Desde o cabelo até o par de coturnos, estava tudo perfeito. Se eu fosse lésbica, eu me pegaria com certeza! E se caso você me visse na rua, eu também tenho certeza que você me pegaria, porque como eu disse eu estava gostosa, todos iriam me olhar e me cobiçar, todos iriam me querer quando eu for até o quartel. Porque sim, eu estava planejando ir até o quartel da Máfia. O quartel é meu agora, não é? Pois bem, tenho que conhecer os meus negócios e empregados. E o melhor de tudo vai ser provocar Vitor dessa maneira, ele vai ficar furioso, quer dizer, eu espero que fique puto pra caralho, quero ele nas minhas mãos. Esse é meu plano agora, fazer ele se arrepender por ter casado comigo.

Opa, Valentina, calma. Não é pra tanto.

Enfim, caso Vitor fique com ciúmes vai ser engraçado. Ah, qual é!? Ele praticamente jogou na minha cara que se diverte com outras mulheres enquanto eu sofro, o fazer ficar com ciúmes não chega nem aos pés disso. E eu não posso negar que me sinto bem quando sou cobiçada e desejada, acho que toda mulher gosta quando isso acontece, e nesse exato momento eu estou precisando e muito do meu alto estima de volta. Essa pode não ser a maneira correta de se fazer isso, mas quem é que liga?

No final de tudo, procuro por meu celular e o encontro na cabeceira ao lado da cama. O ligo e checo às horas, 09h45min e depois ele logo começa a apitar avisando que tenho novas mensagens. Todas são de Lia. Guardo o celular sem nem se quer olhar o que ela havia escrito e desço para o andar de baixo indo atrás de alguma das empregadas. Acho apenas Dominique que prepara a mesa para o almoço, assim que entro ela olha pasma para mim. Sorrio internamente, mas por fora adoto uma posição de séria e até mesma de superior.

_Vitor virá almoçar em casa? – pergunto para ela que continua com a boca aberta ao me ver arrumada. Não a culpo, eu estava realmente um trapo nos dias que cheguei.

_N-não, quer dizer sim, ele virá. – disse ela. – Estamos começando a preparar o almoço.

_Me avise quando ele chegar. – pedi.

_Claro. – respondeu ainda pasma.

Sai da cozinha e fui para a sala, me sentei em um dos sofás e peguei novamente meu celular. Respirei fundo umas três vezes e repeti a mim mesma um milhão de vezes que o certo a se fazer é afastar Lia de mim antes de ler as mensagens que ela havia me mandado. Eram sessenta sms e vinte e quatro ligações. Talvez agora seja uma questão de segurança não me aproximar dela novamente, não temendo pela segurança dela, mas sim pela minha, pois ela vai querer me matar assim que me ver.

As primeiras mensagens eram do dia seguinte de quando pulei do penhasco, ela perguntava se eu já havia acordado e para eu ligar assim que pudesse. E isso se repetiu nos dias seguintes. Eram cinco sms e duas ligações por dia. Todas perguntando se eu estava bem e pedindo para que eu ligasse o mais rápido possível:

Lia: Não sei se você está bem ou não, se já acordou ou não, pois o puto do seu pai também não me responde e sua mãe vem me ignorando há dias. Você pode estar morta pelo o que eu sei. E isso está acabando comigo. E caso você esteja sim, recebendo meus sms, quero que saiba que você é uma pessoa horrível por não responder.

Lia: E também uma vadia. Odeio você!

Sorrio ao lembrar dos ataques de raiva dela, ela pirava por breves segundos e depois voltava ao normal, sendo assim não me espantei com o próximo sms:

Lia: Mentira, mi amore, não te odeio, só estou ficando louca de tanta preocupação! Por favor fique boa logo e entre em contato comigo assim que puder. Eu amo você e sinto muito pelo o que aconteceu, Vitor vai receber o que merece.

Lia: Diga a ele que eu o odeio!

Lia: Estou com saudades, muitas saudades!

Depois de ler mais alguns sms antigos, percebo que a uma mensagem nova dela de dois dias atrás:

Lia: Agora já basta, não aguento mais! Irei atrás de você Valentina Baldocchi, nem que você esteja no inferno! Hoje mesmo invadi sua casa e tive uma conversinha com seu pai, sei que está em Chicago. Ótimo, sempre quis ir para América, te vejo assim que conseguir pegar um voo e chegar ai. Espero que vá me buscar no aeroporto, pois será falta de respeito se não for.

Lia: Ah, e para o seu bem é melhor que você esteja mesmo em coma, ou dormindo profundamente como dize o seu pai, ou ter uma ótima desculpa por não ter me ligado ou coisa do tipo e, caso você não tenha... haha.

Meu coração começou a pular no instante em que li que ela estava vindo para cá. Ela não sabe dos ricos que está correndo, uma vez aqui e vista aqui, ela já vai estar marcada. Amaldiçoei Marcelina e todas suas passadas e futuras geração, porque ela tem que ser tão igual a mim?

Ok, Valentina, pensa. Você tem que dá um jeito dela não chegar aqui.

E o que eu poderia fazer? Ela já deve estar em algum avião vindo para cá, deverá chegar em algumas horas e com certeza vai estar decidida a me ver. Talvez eu posso ir disfarçada até lá e conversar com ela, depois despachá-la para Europa novamente. Não, isso não vai colar com ela. Tá, já sei. Mandarei algum dos motorista até lá para dizer por mim que não é mais seguro nos ver. Ela também não vai cair nessa, do jeito que é. Afinal a garota é jornalista, não desiste fácil. O jeito é fazer ela ter medo de vir até aqui.

Ok, isso vai ser maldoso. Mas é a única maneira.

O plano vai ser o seguinte: mandarei sim, um de meus motoristas, porém ele irá fingir que estão sendo perseguidos e até mesmo simular uma troca de tiros com outra Máfia, desse jeito ela vai ver o quanto é perigoso e vai voltar para Palermo o mais rápido possível. Depois ligo para ela e digo que estou bem, e assim ela fica salva e eu continuo com a minha melhor amiga viva.

Invado o escritório de baixo de Vitor e repenso no plano várias vezes e faço um esquema bem elaborado. Claro que eu não tinha o horário dos voos dela, então liguei primeiro para o aeroporto de Palermo e pedi informações sobre uma de seus passageiros. Eu podia ter hackeado o sistema deles, mas decidi ser decente dessa vez e ligar, e eles me passaram a informação e eu fiquei feliz por isso. Depois disso, liguei para o aeroporto de Chicago e perguntei o horário que o avião vindo de Palermo chegaria lá, e Lia estaria aqui às 17h30min da tarde. Já com todas as informações, converso com meus homens – não levem para o lado sexual, hein. – e explico o que eles devem fazer. Deixo bem claro que não quero que ninguém se machuque, principalmente Lia e que, por isso, eles deveriam usar balas de borrachas. Eles entendem tudo e saem para se preparar. Eu respiro fundo e peço a Deus que tudo dê certo. Pelo menos dessa vez.

Checo às horas, agora são 11:45 e já está quase na hora do almoço. Me pergunto se Vitor já estava em casa e segundos depois o desgraçado aparece na porta do escritório, me assustando. Ele e essas malditas manias de chegar sorrateiramente.

Primeiro ele me encara surpreso ao me ver arrumada e, convenhamos eu também estava sexy arrumada assim, e depois espreita os olhos e me olha sério. Eu o olho com desdém e começo a me livrar dos papeis que usei como rascunho e a desligar seu computador.

_O que você está fazendo aqui? – pergunta.

_Resolvendo alguns problemas. – respondo despreocupada.

Sinto ele observar todos os meus movimentos. Isso me irrita bastante, mas tento me transparecer calma. Quando termino de limpar a mesa dele, me levanto e deixo mais a mostra como estou vestida e ouço-o suspirar baixinho. De costas, exibo um sorrisinho e logo o desfaço, me virando para ele. Ele estava como sempre, impecável. Vestia uma calça justa, algo não muito gay, que modelava o corpo dele e uma blusa social cinza dava um toque de masculinidade. Se eu não o conhecesse, o julgaria como um jovem filho de algum milionário que trabalhava na empresa do pai. Um jovem filho muito gato, Vitor é um desses homens que chega a exalar masculinidade, sabe? Que te intimida com os olhos e invade a sua mente te fazendo imaginar coisas loucas com ele. Para mim, Vitor seria um Christian Grey perfeito.

_Vai a algum lugar? – pergunta provocador.

_E por que acha isso? – pergunto no mesmo tom que ele.

_Por estar vestida desse jeito. – diz ele.

Sorrio e me aproximo um pouco mais dele.

_Que jeito? – provoco.

Ele também esboça um sorriso, um sorriso de banda bem rápido e depois da um passo na minha direção.

_Arrumada, bonita e gostosa. – diz pausadamente.

Sorrio um pouco mais. Estamos em algum tipo de jogo de sedução.

Eu adoro jogar esse jogo.

_Eu sempre fui arrumada, bonita e gostosa. – falo. – Achou que eu iria ficar sofrendo por você por quanto tempo Vitor? – perguntei e ele fechou a cara imediatamente, me fazendo sorrir mais. – Não achou que seria para sempre, achou? Que eu iria ficar sempre trancada nessa casa, vestindo pijama o dia todo e desperdiçar a minha vida chorando e me lamentando por estar casada com você e com a Máfia? Não meu querido, não sou tão fútil assim. Você devia saber disso.

_Quer me dizer que não me ama mais?

O tom de deboche estava claro na sua voz. Irritando-me um pouco mais. Eu o amo. Eu só não irei deixar isso transparecer nunca mais.

_Eu estou definitivamente na Máfia agora Vitor. E como você mesmo me disse dias atrás, não existe amor dentro da Máfia.

Ah, como eu adoro ser vadia às vezes. Me diz, isso não foi perfeito? Orgulhosa de mim mesma e com a minha resposta rápida a ele, não espero nem mesmo a sua reação perante a isso e saio do escritório, indo para a cozinha. Josué estava lá e ficou de boca aberta ao me ver, fazendo com o que a minha autoestima suba ainda mais.

_Nosso Deus. – diz rápido.

Sorrio da cara que ele faz e depois que ele se recompõe ele me olha surpreso. Sei exatamente o que ele pensa, é algo como “cadê a garota com o coração quebrado?”.

_Algum problema, Josué? – digo em um tom divertido.

Ele me olha ainda confuso e, quando vê Vitor entrando de cara fechada olha para mim novamente e abaixa a cabeça rindo.

Vitor se senta do outro da mesa e Josué sai em direção à cozinha, assim eu e Vitor ficamos sozinhos na sala, mas logo Dominique e outra empregada chegam e começam a nos servir. O almoço todo foi silencioso e percebo que Vitor está muito puto comigo pois não me olhou em nenhum momento, se focou apenas em comer o risoto que nos foi preparado. E somente depois de ter terminado a sobremesa que decidi lhe avisar que eu voltaria com ele para o quartel. Ele não negou, apenas disse que sairíamos em 5 minutos e então desapareceu.

É, ele está muito bravo.

[...]

Um clube. Era essa a fachada do quartel da Máfia em Chicago. Bom, não é na verdade um clube, mas lembra muito um. A entrada é extensa e seguimos por um caminho cercado por muros de folhagem, e quando o carro para e eu desço, vejo um prédio de três andares na minha frente e ele lembra muito aqueles hotéis de luxo. Ele é todo branco e na entrada a duas pilastras enormes de mármore sustentando o teto do hall de fora. Na porta havia dois seguranças fortões que estavam com um semblante de sérios. E dos lados do prédio havia muito mais espaço, o verde predominava ali também, é até bonito aqui. E muito charmoso.

Vitor vem do meu lado e coloca a mão na minha cintura, me assusto por um momento, mas depois entendo o seu interesse. Sua a mulher dele, as pessoas tem que saber disso.

Entramos no local e havia muitas pessoas circulando ali. O hall de entrada é bem grande, quase me lembra um shopping Center de tantas pessoas. Ok, eu posso estar exagerando, mas o lugar é bem grande e amplo. No lado direito havia um bar não muito grande com algumas cadeiras para o balcão. E do lado esquerdo uma grande escada também de mármore no canto da parede, e um pouco antes da escada havia uma porta de elevador. Quando entramos todos nos olharam, e depois de me olharem de cima a baixo, me irritando um pouco, perceberam quem eu era. Levantei a cabeça e os olhei da mesma maneira que estavam me olhando. Ficamos parados por uns breves minutos, depois Vitor me puxou e eu, ele e mais um segurança entramos no elevador. Fomos para o terceiro andar e quando a porta abriu tinha um corredor a minha direita, esquerda e a minha frente. E no final de cada corredor, havia mais dois abrindo para cada lado, fazendo parecer um labirinto eterno. Nós seguimos pelo corredor da direita, depois da esquerda, depois da direita e enfim chegamos à luz do fim do corredor, quer dizer a porta do fim do corredor. E do lado dela, mais dois seguranças de ternos pretos.

_Senhor. – saudaram eles.

Vitor acenou a cabeça e eles abriram a porta. Outro escritório, mas esse era branco. Lá na frente havia uma mesa de madeira maciça escura linda, com alguns desenhos aleatórios esculpidos no pé dela. No centro havia uma mesinha com dois sofás um de frente para o outro. Nas paredes estantes com armas e espadas. Muito muito mafioso.

_Sente-se. – ordenou Vitor.

_Isso é uma ordem? – perguntei.

Vitor suspirou e se sentou atrás da mesa.

_Droga, Valentina, se quiser ficar em pé fique. – reclamou.

Ri um pouco e fui observar as armas. Eram armas antigas e elas eram bem intrigantes, estavam em bom estado e brilhavam, parecia que haviam acabado de polir elas. Era a mesma coisa com as espadas, elas brilhavam e eu quis tocá-las e manuseá-las, mas não eram minhas então.

_Aqui, tome. São estes os arquivos de todos que trabalham para mim. – Vitor jogou a pasta na mesinha de centro e saiu.

_Grosso. – disse eu assim que ouvi a porta bater.

Me aproximei no sofá e me sentei, peguei os arquivos e comecei a ler o perfil de cada pessoa que trabalhava ali. O que elas faziam, no que eram mais necessárias, suas habilidades e até mesmo a família delas eu tinha que saber. Eram muitos arquivos, é bem provável que eu vá terminar isso em casa. Mas é interessante, porque cada arquivo é uma história diferente. Essas pessoas são os nossos aliados, entendem? Por exemplo, Vitor não faz tudo sozinho, ele não fábrica droga e armas, ele tem os seus vendedores. Vendedor de armas, de droga e de pessoas. E eu tinha a ficha de cada um deles. É a minha obrigação saber o que é melhor para a Máfia, qualquer um deslize e puf, ou estamos mortos ou presos. E eu não quero ter um fim desses.

Horas depois...

Pelo amor, quantos arquivos! Não podia mais pensar em ler que minha cabeça latejava. A sala de Vitor virou uma bagunça, principalmente onde eu estava. A área do sofá estava cheia de papéis amassados, fruto de todos os meus rascunhos que fiz. E eu até poderia ir limpar, porém tenho certeza que alguém poderá fazer isso por mim mais tarde e além do mais já esta anoitecendo e estou com fome e cansada, só quero ir embora e me jogar na cama.

Me levanto e começo a juntar as pastas com os arquivos e então coloco tudo na mesa de Vitor. A porta do escritório se abre e presumo que seja o mesmo.

_Ora, ora, veja se não é Valentina Baldocchi, membra de uma das mais poderosas famílias da costa nostra.

O homem a minha frente é de tirar o fôlego, ele é moreno e, acho, que da mesma altura de Vitor. Os olhos são azuis e penetrantes. Conheço ele, dos arquivos. Ele é o traficante de armas, se chama Muriel O’Corner. O cara é o maior filha da mãe. Passava a perna em muitas gangues antes de entrar e trabalhar exclusivamente para a Máfia.

_E você é Muriel, o maior 7.1 da história. – digo.

Muriel está parado na batente da porta e depois de me analisar de cima a baixo vai se aproximando aos poucos. Será que ele sabe mesmo quem eu sou?

_Não me considero um 7.1, só faço o que é o melhor para mim. E se isso envolve ferrar com a vida dos outros, por mim tudo bem, eu

_Não se importa com ninguém, é eu sei. – o interrompo. – Li sua ficha. Mas você não trabalha mais sozinho Muriel, trabalha com a Máfia agora e é melhor não vacilar. Já deve saber o que acontece com as pessoas que fazem isso. – digo calmamente.

Ele esboça um sorriso lindo e ao mesmo tempo sujo. Merda, como ele é lindo. Como nunca o vi antes? Ele disse que trabalhava para o meu pai, mas nunca o vi. Incrível como estes tipos de homens só aparecem quando você está comprometida, ou melhor, casada.

_Não se preocupe, não irei vacilar com a Máfia. – comentou.

_Ótimo, assim não terei que me preocupar com você. – disse eu.

O olhei perversa, pois eu adoro provocar as pessoas. Sejam sexualmente ou não. Isso não me importava muito, apenas gostava de me sentir forte perto delas, de saber que elas eram tão vulneráveis quanto eu.

_Algum problema, Muriel? – Vitor invadiu a sala, fazendo Muriel se assustar de seus próprios pensamentos e recuar para trás.

_Não, nenhum. Apenas fiquei sabendo que sua esposa estaria aqui vim cumprimenta lá. E me recordei de que ela é filha de um antigo cliente meu, Augusto Baldocchi. Homem muito importante este.

_Sim, ele é. – Vitor respondeu seco, e nem se quer o olhou, apenas começou a juntar as suas coisas.

_Não sabia que era com a filha dele que você se casou.

Vitor parou o que estava fazendo e fuzilou Muriel, o mesmo o fuzilou de volta e depois esboçou um sorriso. Levantou as mãos em sinal de rendição e saiu da sala. Muriel disse algo bem intrigante, que não sabia que era comigo que Vitor havia se casado. Então Vitor teve opções de herdeiras da Máfia? E escolheu a mim? Claro que meu pai devia saber do interesse dele de voltar para a cosa nostra e esse foi o negócio perfeito. Sinto-me usada, um simples objeto de troca, é isso que eu sou tanto para Vitor quanto para meu pai.

Mas não quero me importar com isso mais...

Agora, serão apenas negócios como eles sempre quiseram.

_Estou indo para casa. – digo me aproximando da saída.

_Espere.– disse ele. – Eu já estou indo também, só vou terminar de olhar algumas coisas aqui e acabo por hoje. Se quiser pode me esperar lá embaixo.

Respondi um “tá” para ele e sai da sala. Bem, devia ter esperado por ele porque esses corredores parecem não ter fim. Depois de ter me perdido umas duas vezes, a visto a porta do corredor e corro para lá o mais rápido que consigo antes que ela desapareça. Aberto o botão e espero a porta se abrir.

_Já vai? – Muriel aparece no fim do corredor e vem se aproximando. Ele tem as duas mãos no bolso da frente da calça preta.

_Já, só irei esperar Vitor acabar de resolver algumas coisas. – falo.

A porta do elevador se abre e entro nela seguida por Muriel.

_Eu não sabia que você se interessava pela Máfia. – começou ele.

_Agora eu sou. – respondo rápida.

Ele murmura um “hm”.

_Vai trabalhar aqui? Com o seu marido? – pergunta ele.

Dou um sorriso de lado e mordo a língua para não lhe dar uma resposta feia.

_Talvez. – respondo.

Ele murmura novamente um “hm” em resposta e no mesmo instante a porta do elevador se abre. Saio dali e olho ao redor procurando por algum lugar para me sentar.

_Já que vai esperar por Vitor, que tal tomar um drink comigo? – pergunta ele.

Até que não parecia ser uma má ideia e eu já estava aceitando quando de repente a voz de Vitor ecoa pelo salão.

_Isso não vai ser necessário O’Corner.

Vitor desce a escada seguido por seus dois seguranças. Depois vem até a mim e coloca as mãos em minha cintura .

_Até mais, Muriel. – diz Vitor.

Só não consigo ouvir sua resposta, pois Vitor já me puxa para fora e logo já estamos dentro do carro seguindo para casa. Vitor passa o caminho todo novamente em silêncio e não vai ser eu que irá quebra-lo, então passamos a viagem até em casa quietos, imersos em nossos próprios pensamentos. Quando chegamos, Vitor é o primeiro a descer e depois de alguns segundos eu também desço, dando de cara com ele que me esperava ao lado da porta. Ele me prensa no carro e meu coração fica a mil por hora. Merda, o que esse homem quer fazer comigo?

_Não quero você perto de Muriel. – disse. Suas orbitas pretas brilharam pela raiva que ele devia estar sentindo. Sua boca estava a centímetros da minha e precisei reunir todas as minhas forças para não beija-lo aqui e agora.

_Ele trabalha para mim Vitor, iremos nos encontrar sempre. – digo.

_Não importa, evite-o o máximo.

Senhor, esse homem quer acabar comigo de todas as maneiras que ele conseguir. Vitor ficava sexy de qualquer maneira, mas nesse exato momento ele estava conseguindo se superar. Me prensando no carro daquela maneira, falando daquele jeito e praticamente colando a sua boca na minha... Tudo o que eu conseguia pensar era terminar esta noite na cama com ele. Mas me lembro que agora tudo não passará de um jogo de sedução, então me recomponho e tento sorrir.

_Não se preocupe querido, serão apenas encontros de negócios. – falo.

Vitor me fuzila e me olha de cima a baixo, não dou tempo para ele falar mais nada e ando em direção a porta. Quando entro na sala de estar dou de caras com uma certa melhor amiga toda desgrenhada e com uma cara na amigável.

Puta merda!

Notas finais
E então, gostaram? Amaram? Odiaram? Comente com as opiniões, dúvidas e elogios de vocês, adoro ler eles e isso me incentiva muito. Agora aos personagens... O que acharam da fase "vadia" de Valentina? Ela vai dar o que falar, Vitor que se cuide haha Gostaram do personagem novo? O Muriel? Caso vocês queiram saber como eu o vejo é só procurem no Google o ator Colin O'Donoghue, ele é quem faz o Capitão Gancho na série Once Upon a Time. E caso vocês também não saibam quem é Christian Grey, ele é um personagem do livro Cinquenta Tons de Cinza e também é um pedaço de mal caminho! Ah, perdoem pela demora e pelo tamanho do capítulo, mas espero que profundamente que vocês tenham gostado... Sei que tenho leitores novos, então apareçam!!!!!!!!!!!!!!! Amo vocês :)