A Máfia
18 A boa filha a casa torna.
Notas iniciais
Faltavam quatro horas para que eu pudesse finalmente rever os meus pais. Sentado no banco do jatinho a minha frente estava Vitor, pensativo e misterioso. Mais atrás dele, estava Josué, que a cada cinco minutos olhava para mim. Eu não sei se ele está feliz por eu estar indo com ele ou puto da vida por Vitor também estar indo. Mas isso não importa agora, minha cabeça está há quatro horas daqui. Está no meu pai, na minha mãe, em nosso reencontro... Está em uma possível reconciliação!
***
Palerma continuava sendo uma das cidades mais lindas em que já estive. Não falo isso por ser minha cidade natal, mas ela realmente merece esse titulo. As ruas das cidades são de pedras, nos fazendo lembrar-se dos tempos antigos e deixando a cidade com um ar de aconchego e romance. Olho pela janela maravilhada com a cidade, como se essa fosse a minha primeira vez aqui, mas não tem outra, essa sensação de estar de volta é maravilhosa! Meu sorriso foi ficando cada vez apreensivo à medida que o carro se aproximava das terras de meu pai e foi quando o carro atravessou o portão que eu senti um buraco se abrir em meu estômago.
O carro para na entrada da casa e Josué é o primeiro a descer. Dona Edna o aguardava na escada de pedra e usava seu habitual avental laranja desbotado. Podia ver a alegria estampado em seu rosto ao ver o filho, ele correu até ela e a abraçou e eu sorri. Dona Edna é baixinha e bate um pouco acima da cintura do filho, nós sempre azucrinamos ela por conta disso quando éramos crianças e ela corria atrás de nós com a colher de pau na mão. Bons tempos...
_Pronta? – perguntou Vitor.
Fechei os olhos com força e balancei a cabeça na tentativa de afastar as cenas de quando eu era pequena. Respirei fundo e fiz que sim com a cabeça.
Vitor me beijou e senti minhas pernas fraquejarem, se eu não estivesse sentada, temo que teria caído. Estava tão apreensiva e nervosa que minhas mãos tremiam. Vitor desceu do carro e eu fui logo atrás. Na entrada de casa, havia vários seguranças da Máfia ao redor da pequena escadaria de pedra. Dona Edna se segurou em Josué quando me viu, quase caindo morta.
_Dios! Minha Valentina! – exclamou aliviada.
Tentei sorrir e acho que eu devo ter conseguido mostrar algo próximo a isso. Me aproximei dela com passos largos e a abracei. Ela soluçava de tanto chorar e meu coração dói a cada suspiro pesado que ela dá. Ela fala várias coisas, mas não consigo entender uma só palavra por conta da velocidade que saem. Eu já estava começando a chorar quando ela se afastou e acariciou meu rosto.
_Minha pequena... – sussurrou. – Que bom que voltou.
Enxuguei suas lágrimas e olhei para dentro de casa. E lá estava ela, linda em um vestido azul que ia até seus pés. Em seu rosto, um semblante triste, mas logo um certo alivio se espalhou por ele e um sorriso se formou. Foram segundos para que eu chegasse até ela e segundos para que eu caísse em um choro acompanhado por ela.
_Mãe! – disse entre um soluço e outro.
_Está tudo bem agora, minha filha. Você está comigo, ficará tudo bem!
Afundo minha cabeça entre seu pescoço e peito e exalo o perfume francês que ela sempre usou. Desde que me entendo por gente ela o usa e ele virou uma marca na história dela. O cheiro é suave, mas quando usado em grande quantidade vira enjoativo. Porém, esse nunca foi o caso dela, ela sabe como usá-lo. Achei que nunca mais sentiria essa essência.
Ela afaga meus cabelos e depois de um tempo, que para mim foi como a eternidade, ela se separou de mim e secou as minhas lágrimas. Ela deu um sorriso singelo cheio de carinho, me fazendo sorrir também. Seu olhar focou-se atrás de mim, onde ela estreitou os olhos. Olhei para trás e vi Vitor parado na porta, com Edna e Josué ao lado. Voltei a olha-la novamente, tenho tantas coisas para contar a ela...
_Onde ele está? – perguntei para ela me referindo ao meu pai.
_Trabalhando, como sempre. – respondeu. Olhei quase que instintivamente para o corredor que levava para o seu escritório. – Não aqui, querida. Ele está trabalhando fora hoje. Insisti para que ele ficasse, mas ele também insistiu que chegaria antes de vocês. Sinto muito.
Claro...
_Tudo bem, estou mesmo precisando de um banho e descansar um pouco. Se importa se fomos para o quarto? – me virei para Vitor e estendi a minha mão para ele.
Ele caminhou cauteloso ate a mim e a pegou com firmeza. Ele deva rápidas olhadas para minha mãe, que sustentava um olhar avaliativo para cima dele.
_Não, claro que não. Já pedi para preparar seu quarto, tem toalhas secas no armário do banheiro.
Subo as escadas com Vitor e vou direto para meu quarto. Ao abrir a porta dele, uma onda de lembrança e nostalgia me atingiu. Sonhamos com o dia em que vamos sair de casa e traçar o próprio rumo, fazer as próprias escolhas e morar em nossa própria casa. Mas deixamos passar o momento em que fomos felizes vivendo nossos dramas adolescentes em nosso quarto nada arrumado.
_Não mudou nada. – reparo.
Jogo meu casaco em cima da cama no mesmo instante que Vitor se joga sobre ela de bruços. Sigo para o banheiro e procuro pelas toalhas secas, encontro-as exatamente onde minha mãe havia dito que estavam. Ligo o chuveiro e começo a retirar minhas peças de roupa sem pressa, para que desse tempo da água esquentar e eu não correr o risco de me assustar com a água fria. Não que eu não goste, mas aqui em Palerma, o tempo não anda muito favorável. Entro no box e com a palma da mão, checo a temperatura da água. Entro debaixo do chuveiro e a água morna cai sobre mim. Como estou de costas para a porta de entrada, não consegui ver o momento que Vitor entrou no banheiro atrás de mim. Notei sua presença apenas quando ele me pegou pela cintura, me fazendo bater em seu peitoral com as costas. Céus, o beijo apertado que ele deu em meu pescoço me arrepiou até a alma.
_Sabe o que eu acho? – perguntou ele com a voz rouca, sedenta por algo mais.
_O quê?
Mal sentia minhas pernas e mesmo estando com o corpo molhado, Vitor consegui me causar arrepios quentes.
_Que você está muito tensa. Temos que dar um jeito nisso.
Temos que dar um jeito nisso.
Puta merda. Sorrio maliciosamente, o mesmo tipo de sorriso que eu sei que ele está dando nesse instante.
_O que você sugere Sr. Chiacchio? – pergunto com a voz doce e inocente.
E mesmo sem ver seu rosto sei que um vasto sorriso se abriga nele. Um sorriso sujo é claro.
Vitor morde o lóbulo da minha orelha delicadamente me fazendo tombar a cabeça para trás.
_Quer mesmo saber o que eu quero Sra. Chiacchio? – sussurrou.
_Adoraria.
Vitor me vira para ele com violência.
_Eu quero beijar cada parte do seu corpo enquanto meu amiguinho aqui – não preciso nem comentar sobre quem ele se refere, não é mesmo? – te fode com força e prazer.
Não consigo evitar um sorrisinho.
_Você acha que é capaz de fazer isso? – provoco.
Seus olhos queimam de desejo e o negro de suas irís brilham.
_É o que vamos ver.
Sua boca ataca a minha e nossas línguas brincam uma com a outra. Ele também me prensa contra a parede e uma de suas mãos percorre por meu corpo com vontade e desejo. Ele pega a minha coxa direita e a levanta, colocando ela e volta de sua cintura. Seu pênis pressiona a minha vagina e não vejo a hora em que terei ele dentro de mim. Mas não é isso que ele faz, em fez de seu amiguinho, Vitor enfia dois dedos em minha intimidade me fazendo gritar em seu ouvido. Vitor começa um vai e vem com seus dedos e seu dedão massageia meu clitóris, me proporcionando uma onda de prazer. Gemo alto, baixo, grito, arranho e antes de chegar ao maravilhoso ápice, Vitor simplesmente para. Ele parou!
_Não... – repreendo meio tonta.
_Eu disse que o meu amiguinho te iria foder, Valentina. Não meus dedos. – sua voz é autoritária e sei que ele fica feliz em me sacanear, mas porra tem que ser no sexo? – Não me olhe assim, também quero me satisfazer.
E então Vitor me pega no colo me fazendo dar soltar um grito reprimido de susto. Rimos e ele me leva até o quarto me jogando na cama. Sinto seus olhos percorrem todo o meu corpo.
_Você é fudidamente gostosa, Valentina.
Sorrio. Vitor deita sobre mim e começamos a nos beijar novamente. Mordo seu lábio inferior e ele geme baixinho. Ele desce seus beijos até meu seio esquerdo e começa a sugá-lo, sua outra mão massageia o seio direito. Minhas mãos estão cravadas em suas costas, o arranhando e tentando de alguma forma tentar aliviar o prazer na forma física. Isso resultaria, é claro, em suas costas toda arranhada. Novamente ele desce seus beijos, fazendo um caminho pela minha barriga até o canto da minha coxa. E nesse instante eu sei o que ele irá fazer. Ele irá me beijar lá!
_Seu cheiro me estimula, querida.
Então ele começa... Agarro seus cabelos com uma mão e o lençol com a outra. Quero gritar de prazer, mas sei que não devo. E ao olhar o teto de meu quarto cheio de estrelas que brilham no escuro me fazem ter mais certeza disso. Estou na casa de meus pais agora, fazendo loucuras de casal em meu quarto... Tenho que me conter. Suspiro pesadamente quando Vitor para com o sexo oral, traçando outra linha de beijos até meu pescoço.
_É apenas minha. – diz convicto. – Minha.
Arqueio as costas ao máximo quando Vitor penetra de vez em mim. Um gemido abafado sai de meus lábios e do dele. Suas estocadas são fortes, mas não é algo que me machuque ou coisa assim, está mais para o lado prazeroso, satisfatório. Abraço a cintura de Vitor com minhas pernas conseguindo uma posição mais prazerosa. Chego ao ápice momentos depois acompanhada por ele, Vitor cai sobre mim e eu afundo no colchão. Estamos suados e nossas respirações estão descompensadas, ele cai para o lado e eu me viro para ele. Minhas pálpebras pesam e eu tento não cair nessa tentação de tirar uma soneca. Pois além do sexo, tive também uma longa viagem de Chicago até aqui.
_Cansada? – pergunta Vitor.
Respiro fundo já de olhos fechados, faço que não com a cabeça, mesmo que parecesse obvio que eu estava morta de cansaço, ouço a rápida risada de Vitor e sinto uma de suas mãos sobre meu rosto, me acariciando de leve.
_Descanse um pouco.
E não demorou muito para que, enfim, eu caísse no sono.
[...]
Acordo apenas na manhã seguinte com a claridade invadindo o quarto. Espreguiço o corpo e tateio a cama a procura de Vitor, mas ele não está do meu lado. Me levanto e vou tomar um banho e fazer minha higiene matinal. Depois me visto com uma calça jeans escura e uma blusa de mangas compridas branca bem soltinha. Calço um par de meias junto com par de chinelos. Hesito um pouco antes de sair do quarto, mas é agora ou nunca. Abro a porta e caminho vagarosamente até o primeiro andar da casa, não encontrando ninguém no caminho. Sigo para a cozinha e estranho não encontrando Edna, já que ela vive aqui dentro. Pego uma fruta qualquer e como, já sentindo falta dos bolinhos de Chicago.
_Vai ser uma surpresa se algum dia eu entrar na cozinha e não te encontrar comendo, Valentina. – zomba Josué.
Faço careta para ele e termino de comer, jogando os restos no lixo.
_Onde está todo mundo? – perguntei a ele.
_Minha mãe e sua mãe foram ao mercado comprar as coisas para o grande jantar dessa noite. Agora, seu pai está no escritório.
Mordo o lábio. A hora é essa. Josué sorri para mim de um modo gentil, me confortando. O frio em minha barriga já vai se formando, só que isso não vai me impedir. Caminho confiante até o escritório de meu pai e me lembro da última vez que estive aqui. Como um déjà vu. E depois, a cena de quando eu ouvi a conversa de meu pai com Vitor e descobri a verdade, se passa pela a minha cabeça e sinto uma dor no coração. Quando dou por mim estou na porta do escritório, que está aberta, paro diante da entrada e vejo meu pai sentado atrás de sua mesa lendo e assinando alguns papéis. Olhando assim parece que ele é um homem de negócios. Bom, ele não deixa de ser um.
_Oi. – digo paralisada.
Meu pai levanta o olhar e parece surpreso por me ver. Ele retira os óculos e vejo um pequeno sorriso se formar no canto de seus lábios. Depois ele solta o ar pela boca, meio que aliviado.
_Oi. – responde.
Ficamos nos encarando por um longo tempo, até que ele pediu para que eu entrasse. Com passos curtos, entro em sua sala e fico de pé em sua frente. Ele pede também para que eu me sente, mas eu recuso. Mesmo que minhas pernas estejam tremendo e fraquejando, mesmo que eu possa cair de tanto nervosismo, eu preferi ficar de pé.
_É, bem, acho que, bom... – começou nervoso. – Oh, filha, eu nem sei por onde começar.
_Me conte quando tudo isso começou. – sugeri.
Meu pai respirou fundo e concordou com a cabeça.
_As coisas na Costa Nostra estavam se apertando e ficava pior quando me perguntavam sobre meu herdeiro, sobre você. Eles queriam uma resposta minha, queria que eu agisse logo e você sabe que o herdeiro deve ser alguém da família, de sangue. E depois da morte de seu irmão minha querida, só sobrou você. Você era a única que podia continuar com isso. Mas até o ano passado eu aceitava o fato de você não querer assumir seu devido posto na Máfia. Eu passaria ele para alguém de confiança, como você mesmo já havia sugerido várias vezes.
_E o que mudou de um ano pra cá? – perguntei. Há essa hora eu já estava sentada no pequeno sofá no canto do escritório.
_Os problemas na Costa Nostra se agravaram, Valentina. E muito.
_Valentin? – palpitei.
_Ele mesmo. Bom, ele é a farpa do momento. Ele já vem agindo há muito tempo, armando para cima de nós, roubando nossas cargas, fazendo a cabeça de nossos aliados... Estamos perdendo muitos aliados, são aliados de contrabando pequeno, mas é uma perda significativa. E foi nessa época que os Chiacchio’s apareceram. Eles foram expulsos da Costa Nostra há muito tempo, após a guerra com a família Bukovski em 89, porém o poder deles cresceram e eles vieram se redimir e pediram para se tornarem membros novamente. Só que isso só podia acontecer através de um casamento.
_E com esse casamento, você iria se livrar de dois problemas, não é mesmo? – sentia meu coração doer ao perceber o final da história.
_Você não era e nunca será um problema para mim Valentina, nunca! – falou ele dando ênfase a cada palavra. – Com você casada com Vitor, ele e a Máfia da sua família voltariam à Costa Nostra e com eles mais aliados. Acredite minha filha, mais querendo ou não, eu fiz isso para te proteger.
_Me proteger? Tem razão, pai. Eu não acredito em você.
Ele deu um sorriso gigante nessa momento, e de cara eu não entendi. Mas depois me toquei o motivo de sua alegria. Eu havia o chamado de pai.
_Filha...
_Mas eu vim aqui por um motivo e não quero voltar sem cumpri-lo. – o cortei. – Eu estou disposta a esquecer tudo isso, a apagar da memória toda dor que eu senti, todo sofrimento por qual eu passei. Tudo! – disparei.
Me levanto do sofá e caminho pela sala, já sentindo minha cabeça latejar. Paro de frente para ele e lembranças de quando eu era pequena começaram a se passar pela minha cabeça. Imagens nossas em um parque, fazendo um piquenique com a família. De quando fomos para o Brasil, de quando ele me ensinou a dirigir, a dançar, a atirar... Até mesmo aquelas cenas infantis de quando eu me machucava no jardim e ia correndo chorando para o colo dele eu me lembrei. Sei que ele me ama mais que tudo, assim como ele ama minha mãe e amou meu irmão, a nossa segurança é o que mais importa para ele. Ele é um cara que não demonstra sentimentos, mas isso não significa que ele não sente nada. Ele já passou por tantas coisas, já fez tanta por nós... E eu não posso simplesmente ignorar isso. Dói o que aconteceu comigo, mas acho que posso superar.
_Estou disposta a até mesmo te perdoar, assim como fiz com Vitor.
Meu pai suspirou totalmente aliviado. Ele sorriu de uma forma tão contagiante que eu acabei soltando um sorriso também.
_Isso me deixa muito feliz, minha filha.
Meu pai se levantou e veio até a mim, me abraçando. Não correspondo o braço imediatamente, mas conforme vou sentindo seu aconchego acabo cedendo e o abraçando de volta. Separamos-nos apenas quando ouvimos o choro silencioso de minha mãe atrás de nós, dona Catarina é uma manteiga derretida.
_Estou tão feliz que estejam se acertando. – comentou vindo até nós e nos abraçando. – Pensei que nunca teria minha família reunida e feliz novamente.
_É, mãe, eu também estou. – falei. – Eu vou subir, até agora não encontrei com Vitor e queria vê-lo.
_Antes eu gostaria de conversar com você sobre isso, querida. Importa-se? – minha mãe falou com uma de suas sobrancelhas levantada.
_Não, claro que não.
_Ótimo. Vamos ao meu escritório. Porque não é apenas o seu pai aí que pode ter um escritório. – disse ela me puxando para fora e fazendo uma careta engraçada para meu pai.
Sorrio dos dois e confesso que senti saudades da implicância que um tem com o outro. Eles brigam, brigam e brigam, mas no fundo não vivem sem o outro.
_Agora é comigo, filha. Sente-se aí e me conte tudo.
E durante uma hora e meia foi o que eu fiz.
[...]
Nunca tive muitas intimidades com minha mãe, nunca contei sobre garotos e sobre meus sentimentos. Até porque nunca ficava apaixonada, meu primeiro amor foi na oitava série e o segundo é Vitor. Ou seja, da oitava série adiante fui uma vadia aproveitadora (palavras de Lia, ok?). Tive meu coração partido uma vez e decidi que aquela seria a última, ai vem Vitor e fode com tudo. Ao conversar com a minha mãe expressei meus sentimentos da melhor maneira que pude, contei tudo. Da transgressão do amor para a raiva e depois para o amor de novo. Ela me escutou com atenção e em nenhum momento me atrapalhou. Quando eu finalmente acabei de contar tudo foi um tremendo alivio. Minha mãe me abraçou forte e perguntou se aquilo era o que eu queria mesmo e, caso não fosse, ela poderia dar um jeito na separação.
_Eu tenho certeza, mãe. Acho que viver sem o Vitor seria bem pior. – confessei.
Ela sorriu educadamente e depois disso, começamos a falar sobre pequenos detalhes da minha vida em Chicago. Contei a ela sobre Lia e Muriel, sobre a família de Vitor, os pais, irmãos e etc. E sobre Alicia também.
_Sabia que, quando eu fiquei grávida de você e de seu irmão, eu também deixei para saber o sexo na hora do parto? – revelou ela.
_Sério? Você fez isso? A pessoa mais curiosa desse mundo? – perguntei pasma. Eu realmente não esperava isso dela, minha mãe é daquelas pessoas que procuram saber do filme antes de ir vê-lo porque não aguenta o suspense de não saber de nada. Sério, ela faz isso.
Ela riu de mim e se fez de ofendida.
_Fiz, bobinha, eu e seu pai fizemos isso. Quer dizer, acho que somente eu fiz isso, porque pra mim ele subornou o médico e o obrigou a contar sobre o sexo de vocês.
_É bem a cara dele fazer isso mesmo. – disse. – Bom, acho que já passamos tempo demais aqui, é melhor eu ir procurar Vitor.
_Faça isso querida. Vou ir ajudar Edna com o jantar.
Despedi-me dela e fui tentar encontrar Vitor. Voltei para o quarto e o encontrei em minha varanda, caminhei até ele em silêncio e o abracei por trás, exalando um gostoso perfume de seu moletom preto.
_Oi. – falei.
_Oi. – disse ele. – Eu fui te procurar, mas seu pai me disse que você estava com sua mãe.
_É, estava. Conversa de mulheres casadas, sabe. – brinquei.
_É algum tipo de complô contra os maridos? – zombou ele.
_Coisa do tipo. – falei rindo.
Vitor me puxou e eu fiquei de frente para ele encostada na varanda. Ele acariciou meu rosto e o encarei. Seus olhos brilhavam. E o que eu sempre achei que ele escondia através dele pareceu voltar, aquele mistério, a intriga. O olhar dele é tão sexy quanto é perigoso.
_Você tá bem? – perguntou.
Faço que sim com a cabeça ainda encarando seus olhos. Eles são tão hipnotizantes...
_Amore? – ele chamou minha atenção fazendo eu desviar meus olhos dos dele.
Sorrio.
_Amo quando me chama assim. – falei.
_Eu sei, você sempre dá um sorriso lindo quando te chamo assim. Esse mesmo! – falou enquanto eu sorria.
Estar com Vitor é voltar a ser adolescente e ficar dando aqueles sorrisinhos apaixonados o tempo todo.
_Está quase anoitecendo e minha mãe está preparando um jantar para nós. É melhor irmos nos arrumar, vou ir tomar um banho. – falei.
_Isso é um convite, Sra. Chiacchio? – ele falou na malicia.
_Vitor! – repreendo.
_Que foi? Nunca namorou na casa de seus pais? – perguntou ele.
_Na verdade, não. Temos um código entre nós mulheres. – falei.
_Um código?
_Sim, nunca levar um homem pra casa, apenas se você quiser demonstrar que você quer algo mais com ele. E eu não quis algo sério com ninguém. – falei me divertindo com a expressão de Vitor. – E é meio estranho fazer sexo na casa de meus pais, ainda mais com eles aqui.
Vitor riu de mim e juntos entramos em meu quarto, ele se tacou em minha cama me puxando junto e me deu um beijo rápido e quente.
_Vou respeitar a casa de seus pais e seu quarto adolescente de menina inocente. Mas quando chegarmos em casa Valentina, você não terá desculpas. – sussurrou em meu ouvido.
_Serei toda sua. – sussurrei de volta.
Vitor sorriu de um modo galanteador e eu o empurrei para o lado e segui para o banheiro. Tomei um banho quente demorado e lavei meus cabelos bem devagar. A preguiça me dominou no momento do banho e assim que terminei, Vitor entrou e tomou seu. Confesso que a vontade de entrar dentro daquele box e tomar um outro banho com ele foi tentadora. Mas a ideia de fazer essas coisas aqui, na casa de meus pais é bem estranha. Sem falar que daqui a pouco vamos nos reunir para um jantar e encara-los depois de transar com seu marido também não é uma ideia sugestiva. Mas seja como for, sinto que a partir de agora terei menos problemas para lidar, será menos coisa para que se preocupar também, mesmo com a sensação de que algo ruim está por vir, me reconciliando com meu pai já me deixa feliz e preparada para os acontecimentos futuros.
Afinal, se as Máfias estão unidas, quem será contra nós?
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