A Luta
2 Um Inimigo?
Notas iniciais
No trem eu e Yukio conversamos sobre diversos assuntos, descobrimos que éramos parecidos em várias coisas, e as partes em que não concordávamos respeitamos um ao outro.
–Marin-chan, você é de que parte da cidade? Eu sou do bloco 13-A*
–Eu sou do 27-C, é na parte baixa.
–Hã? Você é pobre?
–... Que tal usar o termo “pessoa com baixos recursos financeiros”? Eu acho mais apropriado a situação correspondente...
EleRIU
calmamente, contente – Desculpa, achei que, como você vai estudar na Mitsuhashi, era de mais perto. Mas isso não muda nada o fato de eu gostar da sua companhia.
–É-É muito bom saber disso! E-Eu estava com medo de ficar sozinha aqui também.
–Hã? Sozinha?
Eu abaixei a cabeça em vergonha — É que... Desde pequena eu não... Eu não consigo falar com as pessoas... Se você não tivesse vindo falar comigo eu nunca teria ido até você...
–Entendo... Eu era assim também, mas eu aprendi a me controlar... – Ele viu o quanto eu parecia nervosa, então deu um sorriso contagiante — Mas enfim! Não se preocupe, eu vou estar com você sempre que precisar!
E o trem havia chegado.
**
–Woa! Olha que grande Yuki-chan!
–Yuki-chan?
Assim que passamos os portões da Mitsuhashi, eu senti uma ansiedade, e ao mesmo tempo uma alegria imensa. Yukio ainda estava comigo, e disse que me apresentaria à escola.
–Vamos que você ainda não viu nada.
O colégio era imenso, havia quatro prédios: um para salas, outro para atividades extracurriculares, os dois menores eram dormitórios, ainda havia um ginásio do tamanho de um campo de futebol e o pátio, que parecia ser sempre bem florido pelos clubes de botânica e biologia.
Eu estava maravilhada com tudo aquilo, imaginando quantas coisas eu poderia fazer em três anos. Passávamos pelos dormitórios quando Yukio parou de repente.
–A propósito, Marin-chan, você vai usar os dormitórios?
–Provavelmente sim. Minha casa é do outro lado da cidade, então demoraria muito para eu chegar todo dia de lá.
–Oh, sério? Eu estava pensando em usá-los também...
Eu dei-lhe um tapinha no ombro – Oe, deixa de ser preguiçoso, sua casa é aqui perto! Os dormitórios são para gente de longe!
Ele colocou uma das mãos na cabeça e riu
para mim, um pouco corado – Maus, é que eu queria passar mais tempo com você e não acho desculpa.
Eu senti o rosto pegar fogo e meu corpo tremer – Ê-Êh?!
Mas de repente, saiu um grupo de garotos rindo de dentro do dormitório feminino, expulsos aos gritos pelas meninas que se vestiam. Um deles nos olhou e parecia surpreendido.
–Olha só, se não é o Otonashi Yukio flertando uma garota! O que houve com o pirralho que tinha medo da própria sombra?
Era um garoto poucos centímetros mais alto que Yukio, aparentava ser muito forte... E idiota. Tinha o cabelo bagunçado, preto e os olhos cinza, seu uniforme estava amarrotado e eu não fazia ideia de onde ele conhecia Yukio, pois ele parecia ser o total oposto dele. – Yuki-chan, quem é ele?
A voz de Yukio era rouca e calma, mas naquela hora, pareceu um sussurro vindo pelo vento, prestes a matar alguém a sangue frio, ele virou de costas – Apenas mais um erro na minha vida. Vamos ver a cerimônia, está começando.
–O quê? Vai ser mal educado e não me apresentar? Então eu mesmo faço isso: Meu nome é Mitsuhashi Akiba peituda, a seu dispor.
–Ué
Peituda, eu?
Sem mais nem menos Yukio pegou na minha mão e começou a me levar calmamente ao ginásio, onde seria feito a abertura – Vamos Marin-chan, não há nada que poderíamos querer com eles.
–Hã? M-Mas e os dormitórios Yuki-chan? Você não quer vê-los?
–Ele vai ficar em um deles, tenho certeza. Se for assim eu venho duas horas mais cedo para ficar com você, sem problemas.
Meu rosto aquele dia era um pimentão ambulante — T-Ta...
Dentro do ginásio todos já estavam em suas posições, os alunos são distribuídos por classes, e infelizmente Yuki-chan e eu não estávamos na mesma. Nos separamos e ouvimos o discurso de abertura do diretor Okagami.
–Agora, o discurso do primeiro aluno*
Se você não sabe, o primeiro aluno é o “aluno excepcional” por assim dizer. Nos seus anos no fundamental ele foi o mais exemplar, participativo e inteligente, o destaque de todos, eu acho que é isso, ou foi o que o diretor me disse quando ele me colocou nessa posição.
–Duarute Marin.
Todos aplaudiram, e eu estava realmente nervosa lá na frente, mas ver o Yuki-chan sorrir do seu lugar na fila me fez sentir mais calma durante o discurso.
**
–Realmente, eu não sabia que você era o primeiro aluno! Por que não me contou? Queria me surpreender?
–Na verdade eu esqueci de te contar...
–... Ah, entendi. – Ele riu, e como estava mais atrás me abraçou de surpresa – Acho que preciso me acostumar com o seu esquecimento, ainda bem que eu tenho uma memória forte, senão seríamos dois perdidos.
Nós dois rimos... E, de repente paramos no meio do pátio... Eu senti um calor diferente, um palpitar que não era meu, uma proteção estranha.
–Marin-chan... Você está bem?
–Hã? – No meu rosto podiam-se fazer omeletes, pois foi quando vi que segurava a mão dele em meu peito, e o soltei rápido. – GAH! AH! TO BEM! AGORA TO BEM!
Ele parecia não entender muito bem o que aconteceu, e nesse momento Akiba apareceu novamente, dessa vez sozinho, e a sua voz calmamente sarcástica já estava me dando nojo – Já terminaram? Nossa Yukio, eu sabia que você não era bom com mulheres, mas não sabia que era tanto assim.
Yukio o olhou novamente como se quisesse matá-lo ali mesmo, virou, pegou na minha mão com carinho e sorrindo sob a luz do Sol de fim de tarde olhou para mim – Marin-chan, me mostre o seu quarto que depois de amanhã você vai começar a acordar bem cedo.
Eu me encantei com a cena por um momento, mas depois me toquei do que havia dito. *É sério que isso era pra ser lindo?* — Hã?? Você quer me acordar mais cedo todo dia??? Isso é sacanagem!
EleRIU
enquanto nos distanciávamos – Ah vamos, faça um esforço.
–Hah, se você quiser me acordar vai ter que me tirar da cama todo dia!
Mas Akiba não tinha acabado, quando virei para trás ele sorriu com maldade, em seguida me deu um aceno rápido – Te vejo na turma 12, Duarute Marin.
Assim que ele sumiu nas árvores nós paramos. Eu olhei para trás mais aliviada – Ufa, ele já foi. Você quer mesmo ir ver o – Mas, quando virei para frente, Yukio tinha uma atmosfera diferente, sombria –... Yuki-chan?
–Marin-chan... Ele vai para a sua sala.
–Sério? Pensei que ele estava só tirando uma com a minha cara.
–Ele vai. Eu olhei nos registros. Por isso eu preciso te dizer uma coisa.
–... Sim?
–Em hipótese alguma fique perto dele, fale com ele ou sequer pense nele, por favor.
–Por que disso Yuki-chan? Ele me parece inofensivo.
–Apenas faça o que eu pedi, por favor, ele não é confiável. Pode fazer... – Ele me abraçou novamente, mas dessa vez parecia precisar desse abraço –... Por mim?
Eu confesso que fiquei assustada com a mudança de comportamento, mas, para o bem dele eu o abracei – Se é isso que você quer tudo bem.
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