A Luta
3 Um Amigo Ou Um Companheiro?
Notas iniciais
Havia se passado dois meses de aula, e Yukio chegava sempre no mesmo horário.
*Toc toc toc* – Marin-chan, acorda, são seis horas.
Eu, como sempre, não conseguia levantar da cama.
–Hããããããããããããã
Ele, como sempre, acordava a Sakimi para que ela abra a porta.
–Cara, eu não aguento mais ter que fazer isso todo dia.
–Obrigado de novo Sakimi-san.
–Tá tá, só deixa eu dormir de novo.
E, como todo dia, ele me pegava como se eu fosse um saco de batatas.
–Quando você disse que eu teria que tirar da cama todo dia eu achei que fosse brincadeira!
–Ããããã... Êh? GAH! ME TIRA DAQUI!! EU VOU CAIR!!!
–Oe, eu estou te segurando, calma. – O problema é que eu me mexi tanto que ele começou a perder o equilíbrio – WOA! – E nós dois caímos no chão.
E Sakimi acordou outra vez – Vocês não conseguem se encontrar todo o dia sem me acordar? Que saco.
**
–Sabe, às vezes Sakimi-san me dá medo...
–Ela fica meio neurótica quando acordam ela pelas seis da manhã a batidas na janela para chamar a colega de quarto que não consegue acordar sozinha, assim como eu, mas ela é legal.
–Fico contente que você tenha se dado bem com ela, você não é muito de fazer amizades.
–Eu sei, isso é tão legal! Eu e ela podemos falar de coisas que eu não posso falar com meninos!
–Hã? Que tipo de coisas??
*Ué, ficou curiosu de repente?* – Do tipo calcinhas e presilhas de cabelo. – *E garotos*
–... É, me exclui dessa.
Conheci Saki-chan no segundo dia de aula, quando me mudei para o dormitório sete do primeiro andar. Ela é aquela pessoa popular que toda turma tem, bonita, comportada, simpática. Mas fora dos olhares de todo mundo, é uma das mais loucas e idiotas, depois de mim. Ela tem o mesmo tamanho que eu, com cabelo todo prateado, e olhos roxos como ametistas, quase a cor do meu cabelo.
–Bom, o que vamos fazer hoje senhor surpreendedor? To curiosa!
Todos os dias eu e Yukio íamos a algum local da escola para conversar em particular, pois só nos víamos nos intervalos, nos clubes de música e jardinagem e em alguma excursão... É, para falar a verdade isso é muita coisa, em resumo nós ficamos juntos metade de um dia.
–Que tal a botânica? O Sol já vai amanhecer.
–Mas não temos a chave.
–Quem disse? – Assim que disse isso ele retirou um chaveiro pequeno do bolso – Eu acordo mais cedo que todo mundo, lembra?
Eu ri um pouco – Como você é ladino. Vamos?
Ele colocou o chaveiro no bolso, passou seus braços envoltos na minha cintura, depois me pôs em seu ombro como um saco de fertilizante (cof cof bosta) e começou a rir – Vamos.
**
A botânica era um local bem grande, toda espelhada em vidro, com flores de várias regiões do mundo, cada uma com uma aparência e aroma diferentes, mas todas muito bonitas. Yukio abriu a porta de rede e depois a de vidro, e assim entramos.
–Ainda bem que aqui é quente, eu já achei que ia congelar só com esse vestido.
–Mas estamos na primavera.
–... Continuo achando muito frio. Já viu na África? Lá que deve ser bom. Pena que é um lugar tão árido.
Ele riu daquilo, não sei o porquê até hoje. Ele se recostou em uma das mesas de mármore que havia dum lado da botânica, e eu sentei ao lado dele, em cima dela. Do lado de fora estava tudo engolido em uma imensa escuridão, num frio insubordinado, foi assim que eu me senti segura ali dentro – Você já fez a partitura?
–Nem comecei ainda. Você já fez a letra?
–Claro que já. Se apresse, pois é para semana que vem.
–Sério?
–Mas claro, já seu passou dois meses que estamos aqui, lembra disso pelo menos?
–Nossa, parece que foi ontem que viemos para cá. Mas também, é estranho, quando eu fico com você é como se o tempo nem passasse...
Eu fiquei vermelha pela primeira vez no dia, e eu tinha recém acordado – E-E por incrível que aparente toda vez que eu estou perto de você fico vermelha!
Ele deu um sorriso de satisfação – E tomara que ninguém mais consiga fazer isso além de mim.
Se eu ainda sentia frio aquilo já tinha passado com o calor do meu rosto. Ele levantou a cabeça e fechou os olhos, enquanto eu olhava para ele. Ele parecia uma pessoa bem diferente sem uniforme, podia se ver pela gola em “V” que era mais forte do que parecia, com roupas tão normais (de marca) como qualquer pessoa, era um homem no corpo de um adolescente: Inteligente, responsável (um pouco), simpático, bonito... E misterioso.
Desde a abertura da escola ele nunca mais mostrou aquele lado sombrio de novo, isso era muito estranho...
–Marin-chan, o que foi? Está babando nos lírios.
–...Hã? Ah que droga! Me distraí um pouquinho, só isso! – Eu peguei um pano para limpar a mesa e comecei a esfregar freneticamente – Babacontémáguaqueéboaprasplantasquevãosermais cheirosasefrescasetambémajudarNAHORTADAESCOLA!
–... Calma...
Mas de repente, senti um calafrio percorrer minha espinha e comecei a bater meu queixo, quando o calafrio se repetiu eu soltei o pano e abracei a mim mesma – Qu-qu-que friooo.
–Estranho, tenho certeza que todas as janelas estão fechadas... – Ele fez um sinal com um dedo para que eu chegasse mais perto dele, e quando o fiz ele tirou a camiseta de cima que usava (Quando ele fez isso eu dei uma leve olhada no tanquinho que apareceu por fração de segundos) colocou-a em mim, depois me abraçou eRIU
– Duvido você ficar com frio agora.
*EU VOU É MORRER DE CALOR COM VOCÊ ME FAZENDO DESMAIAR DESSE JEITO!
...
Eu to com roupa de macho
Roupa de macho cheirosa
Meu Deus, que perfume Yuki-chan!
Aliás, você é cheiroso...
*Tum Tum*
Essa sensação de novo...*
Eu me afundei no abraço do Yukio como se nada importasse. De... De alguma forma eu senti que nada podia me afetar ali dentro. Assim que isso aconteceu, eu senti ele me apertar mais forte contra seu peito e pousar sua cabeça em cima da minha, foi quando as flores começaram a desabrochar, e o Sol a amanhecer. Eu lembrei do aviso da minha mãe, mas depois o do meu pai, quando eu era menor.
“Querida, as pessoas só protegem umas as outras por três motivos: Amor, Vingança, Necessidade.”
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