A Lovely Gazegirl's Day
4 Chibi
Notas iniciais
Sentei na cama preguiçosamente quando o despertador tocou naquela manhã, sonolenta demais pra entender o que estava acontecendo. Takanori sempre foi menos sonolento do que eu... Sempre mais disposto pela manhã (ou ele dizia que era...) e se levantava com mais agilidade.
— Isso tudo é entusiasmo pra gravação? – brinquei, levantando e arrumando a cama ainda sentindo muito sono. Se eu me desse tempo de perguntar por que eu tinha me levantado, eu perderia a coragem.
Ele fez uma careta fofa na minha direção, saindo meio corpo do banheiro, com a escova de dentes na boca e muita espuma em seu rosto.
Caminhei para a cozinha e liguei a cafeteira. Eu nunca gostei muito de café... Era irônico dividir a casa com alguém completamente viciado.
— Ohayou – ele entrou pela cozinha, sorridente e me fez sorrir também.
— Ohayou! –seus lábios tocaram os meus brevemente, me fazendo suspirar bobamente.
— Você está estranha... – ele disse, pensativo, se sentando em uma das cadeiras que tinha ali, me encarando com uma sobrancelha levantada.
— Estranha como? – dei uma volta em torno de mim mesma, como se pudesse me ver.
— Parece que está faltando alguma coisa... –ele continuou, divertido.
Vinquei os olhos, encarando-o e ele se levantou, já sem conter sua risada.
— E o que é que está faltando, Takanori-san?
— Isso aqui – ele tirou do bolso um pedaço de pano acinzentado e cobriu meu nariz com ele. – Ah! Agora sim! Está bem melhor – o vocalista quase caiu no chão, rindo.
— Muito engraçado! – tirei o pano de meu rosto e atirei de volta pra ele. – Pois o senhor fique sabendo que eu não vou precisar de uma faixinha!
— Você é a Rei! Precisa de uma faixinha!
— A Rei não precisa da faixinha do Akira! – me sentei no colo dele e deitei a cabeça em seu ombro. – Por que vocês tinham de trabalhar justo hoje? –resmunguei.
— Sabe que eu estou gostando disso tanto quanto você, Carol... –ele esfregou seu nariz em minha bochecha lentamente.
— Você ama gravar... –enfatizei, emburrada e ele gargalhou da minha atitude infantil.
— Amo. Mas com certeza não é a coisa que eu mais amo! –ele sussurrou em meu ouvido e eu me apertei mais em seu colo. – Prometi que vou fazer o possível pra terminar logo, não prometi? Todos nós queremos estar na festa! Vê-las fantasiadas!
— Foi uma boa ideia, não foi? –falei, entusiasmada e ele riu, assentindo.
— Foi uma ideia muito boa mesmo! Um jogo bem de psicóloga, né? Colocar todas vocês para se autoanalisarem...
— É sempre um exercício saudável, a autoanálise – dei de ombros. – E não é porque eu sou psicóloga que foi mais fácil pra mim...
— É lógico que não! Você pegou justo a Rei! Se tivesse pegado sua irmã, talvez fosse mais fácil, mas a Rei? Eu conheço Akira há quase vinte anos e é difícil de entendê-lo...
— Por mais que a Rei só use preto, foi realmente complicado não ser eu vestida de preto... –me levantei de seu colo e tirei o café, para colocá-lo na mesinha junto com o leite e os pães. Eu sei que estou morando no Japão, mas o café da manhã no estilo ocidental continua o meu preferido!
Quando sorteei Ana, eu sabia que teria um trabalho e tanto pela frente, afinal de contas, ela era nossa Reita principalmente pelo fato de esconder tudo de si sem precisar da faixinha que Akira adotara no início da banda... Tinha coisas que eu achava que conhecia dela sem ter muita certeza se era ou não verdade... Muitas vezes, meu olhar encontrava com o dela e via uma nova e desconhecida face daquela que era uma das minhas melhores amigas!
O sentimento que tinha nascido entre eu e Ana desde o primeiro momento se parecia muito com o que existia entre Taka e Akira, era como se nos conhecêssemos há muito tempo e havia nisso uma comunicação muda de entendimento.
Por mais que ela fosse fechada, tinha traços dela que eram inconfundíveis. Ana tinha sido a Gazegirl menos óbvia e a que me melhor se encaixou na imagem de seu Gazeboy, ela era irônica e piadista como Akira, sempre disposta a ajudar, sempre por perto quando mais se precisa... Mas eu sinceramente fiquei perdida na hora de fazer isso transparecer em minha fantasia.
Ela sempre usava preto! Em todos esses anos, se eu a vi com outra cor cinco vezes, foi muito! Mas ela tinha roxo como cor marcante também, apesar de não vesti-lo... Eu achava que o roxo tinha mais de sua personalidade do que suas roupas permitiam mostrar... Decidi por mesclar as duas cores nas roupas como ela fizera no cabelo com suas mechas roxas.
Se eu colocasse só preto, seria mais a Carolina do que a Ana... Então, eu não podia pegar roupas iguais às dela e usar... Não seria trabalhar toda a personalidade de Rei... Eu tive de criar! Tive de montar as asas de borboleta que ela escondia em seu casulo... Suas belas asas roxas!
Minha roupa era bem simples: uma calça preta, meu all star também preto e uma blusa de mangas compridas roxa, de um roxo bem escuro, entre o berinjela e o vinho, com uma caveira preta, na qual eu customizei uma borboleta roxa pousada no topo. A fantasia era terminada por uma longa peruca preta, com mechas roxas também.
Terminei de me vestir e fiquei um longo tempo me encarando. Era bom e ruim descobrir que eu conseguia bem pouco “ser” a Rei... Era bom porque era a prova de que eu precisava de que as Gazegirls não tinham sido criadas... Que cada uma de nós era única e insubstituível... Que não nos tornamos as Gazegirls por imitarmos os meninos do the GazettE...
Mas eu não estava preparada para o choque de conhecer Ana há mais de cinco anos e, ainda assim, quase não conhecê-la... Claro que o exercício era exatamente esse: nos mostrar que ainda há um longo caminho, que ainda temos muito o que construir dessa amizade, que não devíamos nos acomodar... As Gazegirls tinham se encontrado por obra do Destino, sim! Eu não tinha dúvidas, mas agora cabia a nós cinco cuidar pra que sempre crescêssemos, pra que essa amizade sobrenatural nunca morresse...
— Eu disse – Takanori entrou no banheiro e riu ao me encontrar me olhando daquele jeito meio desapontado. – Você precisa de uma faixinha!
— Baka! –eu me virei e o abracei, tendo seus braços retribuindo ao apertar meu corpo contra o dele.
— Você desdenha da minha sugestão sem nem ao menos saber que fui eu que disse ao Akira pra usar aquela faixa no nariz no começo...
— Foi mesmo? –eu arregalei os olhos, surpresa e ele assentiu, cheio de si.
— Ele queria alguma coisa que mostrasse que ele era diferente, sem precisar ser muito chamativo...
— Ah, porque usar uma faixa sobre o nariz é discreto pro Aki-chan? –brinquei.
— Se soubesse todas as ideias que tivemos antes de chegarmos à faixa... –ele suspirou longamente, entre o divertido e o pesaroso.
Ficamos um tempo em silêncio, pensativos, até que ele nos afastou repentinamente.
— Isso não está certo! Um Ruki com uma Reita nos braços? Só vai alimentar os sonhos yaoístas das fãs!
— Eu só estou vestida de Reita!
— Pras fãs, isso não faz diferença...
Eu revirei os olhos e segurei seu rosto.
— Ah, cala a boca e me beija logo!
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