A Lovely Gazegirl's Day
5 Rei
Notas iniciais
Como na maioria das noites que antecediam um dia importante, eu não consegui dormir bem... Era quatro da manhã e eu ainda estava com os olhos abertos, encarando o rosto de Akira enquanto ele dormia... Ele nunca me dava as costas quando dormia! Só fui dormir derrotada pela exaustão que me atropelou como um trator e esse jeito de dormir nunca me descansava...
Acordei com a triste sensação de que estava sonhando... Triste... Porque eu nunca conseguia me lembrar dos sonhos que tinha... Muitas vezes, lembrava apenas do suficiente pra me torturar pelo resto do dia pra tentar lembrar do sonho inteiro... Uma cena... Uma palavra... Uma sensação... Ou tudo isso junto, na imagem do homem que continuava adormecido em seu sono profundo e tranquilo diante de mim...
Tentei me levantar o mais devagar possível para não despertá-lo. Akira sempre ficava muito esgotado quando o the GazettE gravava (por se atormentar tanto quanto eu mesma) e ele ficava mais ansioso e nervoso se não dormia bem...
Fui para a cozinha fazer nosso café da manhã, achando graça como achava todas as manhãs em que me levantava para fazer aquilo, já que por toda a minha vida eu tinha me acostumado a me considerar uma negação na cozinha...
Eu tinha a impressão de que tinha sonhado com a comemoração do Gazegirls’ Day daquele ano... Com aquela história toda de nos vestirmos umas como as outras que a Chibiko tinha inventado pra tornar aquele ano mais diferente... Acordei apenas com a impressão mesmo... nada de lembranças... E não tinha esforço que eu fizesse que foi suficiente pra me fazer lembrar...
Então, eu me conformei em apenas encostar na mesa da cozinha e me atormentar bastante com a ideia de que eu teria de me fantasiar como Sereny naquele dia... Claro que eu não seria uma estraga prazeres, recusando a brincadeira do Gazegirls’ Day daquele ano... Mas eu era, sem sombra de dúvidas, a Gazegirl que menos gostava dessas novidades mirabolantes que as outras inventavam... Muito pelo contrário, quanto menos eu precisasse aparecer, melhor pra mim...
Nisso eu era o oposto de Akira... Era uma característica muito forte dele entrar de cabeça, sem hesitar, não importavam as consequências... Claro que ele só era assim com aqueles quatro amigos em quem confiava sua vida... Bom, mas eu também confiava a minha nas mãos das Gazegirls e isso não era o suficiente para que me convencessem de qualquer coisa... Nunca conseguiram me fazer aparecer em um só vídeo, não importava a frustração que eu tivesse de encarar em seus olhos...
Mas o Gazegirls’ Day sempre fora, desde o primeiro, um dia para se abrir exceções... E por isso mesmo que eu tinha aceitado participar da brincadeira das fantasias...
Eu não negava que montar um visual de Sereny tinha sido muito divertido, mas a parte que vinha a seguir me deixava bastante inquieta...Não tinha sido exatamente complicado montar minha fantasia já que Sereny, como assistente pessoal do the GazettE (e até mesmo antes), tinha um visual pronto: uma calça de alfaiataria preta, uma bota de couro e cano longo, uma blusinha larga e um colete preto com BELIEVE bordado.
Meu maior problema com todo o visual que Sereny usava era com certeza a bota... Eu sempre preferi usar tênis, enquanto a baixinha tinha a adoração mais engraçada que eu já vira por botas...
Toda a personalidade do visual ficava nos detalhes, é claro... Ou seria muito fácil... Mas, pra alguém que era uma das primeiras a ler suas novas criações, eu só perdia pra Chibi quando o assunto era entender a Gazegirl Inabalável... e eu tinha ficado muito satisfeita quando sorteei minha baixinha pra interpretar.
— Perdida em pensamentos, koi? – Akira tinha se levantado e apareceu às minhas costas na cozinha, com seu sorriso encantador e sua expressão sonolenta.
— Muito pelo contrário... – respondi quando ele me abraçou e apertou contra seu peito. –Estou forçando minha cabeça a não pensar...
— Você não consegue relaxar nunca? – o loiro gargalhou, mordendo minha bochecha.
— Não quando se trata daquelas quatro inventando... – passei meus braços por seu pescoço e afundei o rosto em seu peito.
— Ah, sem essa! As Gazegirls nem são tão ruins quanto o the GazettE! E eu aprendi a conviver com as bakices deles muito bem...
— Você tem muito mais autocontrole do que eu, Akira... E eles não te chantageiam...
— Isso é verdade! – ele me puxou para nos sentarmos. – Mas sabe? A convivência com eles me fez aprender que é exatamente isso que se leva da vida! Esses momentos em que você esquece tudo aquilo que te impede e você se sente... Livre!
Eu sorri e deitei a cabeça no ombro dele, sentindo-o afagar meu rosto.
— Sabe que foi essa mesma loucura que te intimida quando as meninas inventam alguma coisa assim que a trouxe até aqui hoje, que a trouxe para o Japão, para o cargo de encarregada de arte do the GazettE... Para os meus braços...
— Eu tento pensar assim... Do fundo do meu coração... Mas é verdadeiramente complicado mudar nossa natureza... Mesmo que tudo a minha volta me diga o contrário...
— Você ainda tenta se preservar demais debaixo da sua máscara, Ana...
— O homem da faixinha que está dizendo... –eu brinquei, fazendo Akira revirar os olhos e rir.
— Eu preservo a imagem do Akira debaixo da do Reita, sim... Mas não dos meus melhores amigos, meus companheiros de banda... Se me escondesse deles também, isso não daria certo e o the GazettE teria acabado há muito tempo...
— Sei que está certo... Mas eu não faço por mal... Se soubesse como eu era antes de conhecer Sereny... – mordi o canto da boca.
— Ela me disse... – ergui as sobrancelhas. – Não como você era – ele explicou. –Mas também já disse isso... Que você já mudou muito de si mesma desde que se conheceram...
— As Gazegirls me fizeram acreditar!
— Por isso, hoje é um dia tão importante!
— Eu sei...
Tudo o que as Gazegirls eram podia ser resumido em uma palavra: BELIEVE! Acreditar tinha nos unido, tinha nos dado força e nos feito crescer! Acreditar tinha nos tornado quem éramos e tinha nos levado mais longe do que qualquer um esperava... Acreditar tinha sido a chave de tudo e exatamente por isso era o nosso lema!
— Não é ruim mudar, Ana... – ele insistiu. – Eu sei que já mudou bastante, mas precisa aprender a enxergar as coisas com mais tranquilidade...
— Pensei que sua missão fosse essa: me ensinar a relaxar – ele tornou a rir e uniu nossos lábios docemente.
— Não vou poupar esforços, não tenha dúvida! Mas preciso que se esforce também...
— Pode apostar em mim... Não vim de tão longe pra decepcioná-lo.
Ele tornou a unir nossos lábios e eu segurei seu rosto contra o meu por mais tempo.
— Não vai me decepcionar... Eu acredito nisso!
— E eu vou acreditar também!
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