A Lost Soul
2 #2 - Era para ser mais uma vítima
Notas iniciais
#2
Era para ser mais uma vítima
Blaine era, o que se podia chamar de problemático, fosse com sua carreira, fosse com sua família, seus amigos e, principalmente, com seu namorado.
Ele terminou a escola aos dezoito anos e, hoje, com vinte e dois anos, cursa o segundo ano de música na NYU.
Seus pais o expulsaram de casa assim que descobriram que ele possuía um namorado e desde então ele mora com esse namorado em New York.
A relação de Blaine e Sebastian costumava ser perfeita, mas com o tempo deixou de ser. Eles namoram há três anos, mas as brigas começaram há cerca de seis meses.
Essa era apenas mais uma noite comum, onde Blaine e Sebastian estavam jantando em um restaurante italiano e desenvolviam uma conversa que, por incrível que pareça, era amigável.
– Como anda a procura de emprego? – Perguntou Sebastian, tomando um pouco de seu vinho.
– Não consegui nada ainda, mas amanhã terei uma entrevista em uma gravadora. Eles precisam de alguém que seja bom e sem muita ambição na vida para poder ensinar um cantor novato que não tem muito controle ao cantar. – Blaine foi levantar a cabeça para encarar Sebastian e o viu mexendo no celular. – É por isso que nosso relacionamento está indo para o lixo. Você está sempre mexendo nessa porcaria de celular.
– Você fala demais, isso me cansa. – Sebastian disse seco.
– Você que perguntou. – Blaine se defendeu.
– Sim, e você só precisava dizer se estava boa ou ruim e não dar um discurso. – A raiva estava possuindo mais Blaine a cada instante, fazendo a faca em sua mão parecer atrativa para enfiar no pescoço de Sebastian.
– Por que você é assim? – Blaine perguntou magoado.
– Eu tenho que me virar sozinho para pagar por aquele apartamento. – Blaine o cortou.
– Seus pais pagam pelo apartamento, Sebastian.
Em uma mesa próxima à de Blaine e Sebastian, haviam um castanho de olhos azuis cuidando a cena. Kurt olhava tudo com atenção, prestando atenção em cada palavra dita pelo casal.
– Seus pais pagam e enquanto eu estudo e tento achar um emprego, você fica em casa e eu sei que você me trai na nossa cama, Sebastian. – Blaine estava se segurando o mais forte que podia para não começar a chorar ali mesmo.
– Se você pelo menos me fizesse sentir prazer eu não precisaria procurar em outros lugares. – Sebastian disse frio. Kurt, que estava observando, estava com pena de ver aquela briga, pois o pobre moreno que estava ali, parecia estar sofrendo. Kurt só conseguia enxergar o cabelo de Blaine e ouvir sua voz, mas estava matando para conseguir ver o rosto daquele rapaz.
– Isso é inacreditável. – Blaine disse e se levantou.
– Onde você vai? – Sebastian perguntou sem muita preocupação.
– Isso não é da sua conta. – Blaine aturou o dinheiro da conta em cima da mesa e saiu do local, sendo seguido discretamente por Kurt.
Kurt andava devagar, tentando parecer apenas mais uma pessoa na rua, tentando fazer com que Blaine não o percebesse, até que ele vê o moreno entrar em um bar no centro da cidade. Ele entra e se dirige ao balcão, pedindo algo para beber em seguida.
Ao ver Blaine ali, sentado, de lado, Kurt pôde jurar ter visto o homem mais bonito em sua vida, mas ele sabia que não era capaz de sentir nada além de prazer. Ele não era capaz de amar ou, pelo menos, se achava incapaz de ter tal sentimento.
– Você está com cara de poucos amigos. – Kurt disse sentando-se ao lado de Blaine e pedindo uma água. Sim, uma água, pois Kurt não era muito fã de bebidas.
– Conheço você? – Blaine perguntou virando-se para Kurt.
– Está conhecendo agora. – Kurt sorriu. – Me chamo Kurt Hummel.
– Eu me chamo Blaine. – Blaine disse bebericando o líquido de seu copo. – Por que está falando comigo? Bares são conhecidos por atraírem pessoas que estão deprimidas, sem companhia ou que procuram por sexo. Qual desses é você?
– Talvez uma mistura de todos, mas a pergunta aqui é, qual desses é você? – Kurt perguntou com um olhar superior, como se quisesse demonstrar domínio.
– Provavelmente nenhum. Venho aqui para provar que essa denominação está errada. – Blaine piscou para Kurt.
– Você parece abalado. Certeza de que não quer conversar? – Kurt tomou um pouco de sua água.
– Sim, eu tenho certeza. – Blaine disse ríspido e Kurt ignorou. O castanho aproveitou que tinha música ali e foi dançar, sem se preocupar com mais nada. Blaine não seria sua vítima, pelo menos não naquela noite.
Lá pelas duas horas da manhã, Kurt ainda dançava freneticamente, até sentir duas mãos segurando sua cintura. A pessoa começou a se movimentar junto com Kurt e o virou de frente para si.
– Ah, é só o homem que não quer conversar. – Kurt disse olhando para Blaine com um tom sarcástico em sua voz.
– E continuo sem querer, por isso vim dançar. – Blaine explicou e os dois voltaram a dançar.
– O que acha de levar essa festa para outro local? – Kurt perguntou com sua boca próxima ao ouvido de Blaine, que se arrepiou com o ato.
– Não podemos ir para minha casa. – Blaine disse meio triste.
– Para isso existe a minha. – Kurt disse e puxou Blaine pela mão.
Os dois saíram do bar e foram indo pelo caminho de mãos dadas. Kurt já conhecia aquele caminho de cor e salteado, era por onde ele levava suas vítimas. Ele levava elas até o beco próximo dali e as matava sem dó nem piedade.
Mas algo estava estranho naquela noite. Algo impediu que Kurt tivesse vontade de matar Blaine e ele não estava entendendo o porquê.
Ao invés de parar naquele beco, Kurt continuou puxando Blaine pelo caminho.
Após alguns minutos de caminhada eles finalmente chegaram ao apartamento de Kurt. Um grande apartamento. Ele morava na cobertura e aquilo parecia um palácio de tão lindo.
– Wow. Sua casa é linda. – Comentou Blaine.
– Eu não quero que pense algo errado sobre mim. Eu nunca trago ninguém para cá. – Kurt disse sincero. Realmente era verdade, ninguém nunca havia entrado ali, só sua amiga, Quinn. Kurt não tinha motivos exatos para ter dito isso, na cabeça dele ele simplesmente precisava falar aquilo, fora o fato de que ele queria passar segurança para Blaine. Mas espera, ele não era um psicopata sem coração e alma? Pois é. Acho que ele era.
– Bom saber. – Blaine disse sorrindo. Kurt sentou-se no sofá e deu alguns tapinhas em seu lado, para Blaine sentar com ele. – Você trabalha no que?
– Trabalho para uma revista. E nos momentos livres eu gosto de matar pessoas. – Kurt completou mentalmente. – E você?
– Por enquanto em nada. As pessoas não querem contratar universitários. – Kurt assentiu.
– Faz faculdade de que? – Kurt perguntou se ajeitando em seu lugar.
– Música. Quantos anos você tem? – Blaine perguntou passando sua mão pela perna de Kurt, o que fez o coração do castanho disparar.
– Tenho vinte e cinco, e você?
– Tenho vinte e dois. – Respondeu Blaine, sem tirar a mão da perna de Kurt. O castanho não se aguentou, ele precisava experimentar o beijo daquele rapaz, então em um rápido movimento ele selou seus lábios nos de Blaine, em um beijo urgente, com mãos passeando por todo o corpo um do outro.
– Desculpa, eu só... – Blaine interrompeu Kurt com outro beijo e o puxou para sentar em seu colo, colocando uma perna em cada lado de si.
Os dois pararam o beijo por falta de ar, mas Kurt continuou ali no colo de Blaine e nenhum dos dois sabia o que dizer ou fazer agora.
– Eu acho melhor eu ir embora. – Blaine disse sem realmente querer aquilo.
– Está tarde, não vou deixar você ir embora agora. – Kurt disse e seu subconsciente gritava para ele fazer o contrário e deixar o moreno ir embora como e quando quisesse, afinal ele não deveria se preocupar com Blaine.
O único problema, é que Kurt estava confuso com aquilo. Ele não sabia o que iria fazer, mas sabia que precisava de algo a mais de Blaine.
– Eu sei me virar. Estou acostumado com as noites em New York. – Blaine disse se levantando.
– Então tome isso. – Kurt pegou um papel, anotou alguma coisa e entregou para Blaine, que sorriu ao ver que aquilo era o número de Kurt. – Me ligue assim que chegar em casa para eu saber que você está bem. – Blaine assentiu e foi saindo ao ver Kurt abrir a porta. O castanho foi até o elevador ao lado de Blaine e, antes de o moreno entrar, Kurt lhe roubou um beijo.
Blaine foi embora e Kurt ficou ali, sorrindo feito idiota, sem entender o que estava acontecendo. Eram quase cinco horas da manhã, mas Kurt ainda não tinha cumprido seu objetivo. Ele nem se deu ao trabalho de trocar sua roupa amassada, ele simplesmente pegou suas chaves e saiu de seu apartamento.
Ao chegar ao térreo, saiu do prédio e foi dar uma caminhada. Ele tinha uma navalha (como a de barbeiros) que guardava em sua carteira. Ele sentia a necessidade de guardá-la para momentos como o de agora. Próximo ao beco onde ele sempre ia, havia um garoto que aparentava ter uns dezessete anos de idade. Kurt se aproximou e o garoto recuou um pouco com a aproximação de Hummel.
– Está perdido? – Kurt perguntou tentando parecer simpático.
– Sim. – O garoto disse com medo.
– Precisa de alguma ajuda? – O garoto negou sem nem pensar. – Tudo bem.
Kurt andou para mais a dentro do beco e se escorou na parede, onde ficou mexendo em seu celular, até ver um número desconhecido o ligando. Sem nem pensar ele atendeu, já imaginando quem seria.
“Alô?!” – Disse Kurt.
“Olá, Kurt. Eu só queria avisar que já estou em casa e agora você também tem meu número”. – O moreno disse calmo.
“Oh, sim. Eu guardarei com carinho”. – Kurt disse sorrindo, mesmo que Blaine não pudesse vê-lo.
“Eu estava pensando... o que vai fazer amanhã à noite?” – O coração de Kurt disparou com aquela pergunta. Ok, aquilo estava mais estranho a cada instante.
“Vou sair com você”. – Kurt disse novamente sorrindo e ouvindo o moreno rir do outro lado da linha.
“Pego você às oito”. – Disse Blaine.
“Não se atrase”. – Kurt disse e desligou o telefone, percebendo que havia alguém parado ao seu lado. – Perdeu alguma coisa aqui?
– Eu preciso de ajuda. – O garoto disse com um pouco de receio.
– Quantos anos você tem, criança? – Kurt perguntou tranquilo.
– Tenho dezesseis e eu estou aqui por um passeio da escola, mas acabei me perdendo de meus colegas e preciso encontrá-los. – Disse o garoto.
– Vou ajudar você. – O garoto abriu um sorriso e Kurt pegou sua carteira, tirando sua navalha dali de dentro. – Você vai ter uma vista ótima lá do céu.
– O que está fazendo? – O garoto voltou a ter medo.
– Fique quieto, assim podemos terminar isso logo. – Kurt disse e viu o garoto começar a tremer. – Tudo bem. Eu vou deixar você ir, mas quero que vá caminhando devagar para fora daqui. – O garoto assentiu lentamente e fez o que lhe foi mandado. O único problema, é que Kurt não estava mesmo pretendendo deixar o garoto ir embora, então foi caminhando atrás dele, até prender o pescoço do garoto com seu braço esquerdo, colocando a navalha próxima ao pescoço dele com a mão direita.
– Você disse que eu podia ir embora. – O garoto disse tremendo.
– E você acreditou? – Kurt riu e sem muitos rodeios, cravou a navalha no pescoço do garoto e a arrastou para o lado, fazendo todo o sangue do corpo do garoto se esvair rapidamente, deixando Kurt mais do que satisfeito.
Agora sim ele podia ir para casa e descansar tranquilamente.
[...]
Blaine deitou assim que chegou, mas ao invés de deitar-se ao lado de seu namorado, resolveu deitar no sofá, onde ficou até às oito da manhã, mais ou menos, pois precisava sair para sua entrevista de emprego.
Ele levantou preguiçosamente pensando em Kurt. Ele não pôde deixar de sorrir ao lembrar do castanho e passou seus dedos involuntariamente por seus lábios. Ele caminhou até o banheiro e tomou um banho, sem parar de pensar em Kurt. O que estava havendo com ele? Nem ele sabia responder, ele apenas sabia que estava se sentindo diferente, como se sua vida tivesse novamente um propósito.
Após o banho ele se vestiu adequadamente para sua entrevista de emprego e caminhou até a cozinha, onde viu a mesa posta perfeitamente e Sebastian sentado com as mãos entrelaçadas e um olhar sério.
– Bom dia. – Blaine disse nervoso.
– Onde você estava? – Sebastian o cortou em um tom ríspido, como sempre.
– Isso não é da sua conta. – Blaine respondeu colocando a chave do seu carro dentro da bolsa e pegando sua mochila da faculdade.
– Você ainda é meu namorado, então sim, é da minha conta. – Sebastian disse com a expressão ainda mais séria, deixando o clima ainda mais pesado.
– Eu fui a um bar. – Blaine respondeu e o outro arqueou a sobrancelha direita. – Não acredita em mim?
– Honestamente? Não. Você devia estar com algum garoto de programa ou algo do gênero. – Blaine riu.
– Falou o honesto e fiel da nossa relação. Por favor, seja mais sensato, ok? – Blaine disse se escorando na parede de braços cruzados.
– Eu não quero saber quem aqui é honesto ou não. Você pertence a mim. – Sebastian levantou irritado e Blaine riu.
– Em uma relação ambos deveriam pertencer fielmente um ao outro, mas com você tudo tem que ser diferente. Você pode fazer o que bem entender e me magoar, mas eu não tenho o direito de ir em um bar? – Blaine riu sem graça e se endireitou no lugar.
– É exatamente isso. – Sebastian disse autoritário.
– Aqui o que vai acontecer: eu vou sair agora, vou para a minha entrevista de emprego, vou para faculdade e vou sair. Só volto amanhã. – Blaine foi saindo e Sebastian foi indo atrás, então o moreno se virou para ele. – Isso se eu voltar.
Fale com o autor