A Loba e o caçador

16 Capítulo 15 - Ecos do sangue


A chuva fina caía quando Renesmee e Jake cruzaram os portões da casa dos Cullen.

O silêncio do bosque parecia segui-los como uma sombra.


Renesmee ainda tinha os olhos marejados.

O cheiro do sangue do híbrido, o último olhar dele, as palavras — loba de duas almas — ecoavam em sua mente como um chamado.


Jake caminhava ao lado dela, exausto, mas atento a cada passo que ela dava.

Ele podia sentir o peso que ela carregava, como se a culpa fosse dela por não conseguir salvá-lo.


Quando as portas se abriram, Carlisle foi o primeiro a aparecer.

— Vocês se machucaram? — a voz calma, mas firme.


— Não fisicamente. — Jake respondeu, evitando olhar para Edward.


O vampiro mais velho analisou os dois, o olhar rápido, quase clínico, e depois assentiu.

Edward, porém, se manteve imóvel na escada, os olhos cravados em Jake.

— Ele era um híbrido. Não havia o que fazer — disse, tentando racionalizar, mas o tom era de desconfiança.


Renesmee ergueu o olhar, firme.

— Ele falou, pai. Ele sabia quem eu sou.


O silêncio que seguiu foi cortante. Bella deu um passo à frente, tocando o ombro da filha.

— Isso significa que a Ordem sabe mais do que imaginávamos.

Jake desviou o olhar.

Ele sentia o julgamento, o medo, a tensão no ar.

Mas o que mais o incomodava era a tristeza de Renesmee.


Quando todos começaram a discutir as implicações da profecia, ele se afastou discretamente e a puxou pela mão.

— Vem comigo, Ness. Você precisa descansar.

O quarto dela era como ele lembrava — janelas largas, cortinas translúcidas e o cheiro doce que o enlouquecia.

Renesmee se sentou na beira da cama, os ombros caídos, os dedos entrelaçados.


— Eu devia ter feito algo… ele podia ser salvo…


Jake se ajoelhou à frente dela, as mãos apoiadas em seus joelhos.

— Ei. Olha pra mim.


Ela ergueu os olhos — dourados, intensos, partidos.

— Ele tinha medo, Jake. Mesmo com tudo o que era… ele só queria viver.


— E você tentou salvá-lo — ele sussurrou. — Isso é o que te faz diferente deles, Ness.


O apelido escapou naturalmente, e ela não o corrigiu.

Pela primeira vez, o som da voz dele a chamando assim pareceu certo.


Jake subiu na cama, sentando-se ao lado dela.

O silêncio entre eles não era vazio — era cheio de respiração, de tensão, de algo que crescia há muito tempo.


Renesmee encostou a cabeça no ombro dele.

O calor do corpo humano contrastava com a frieza da noite lá fora.

Ela fechou os olhos, sentindo o coração desacelerar.


Jake passou o braço em torno dela, e ela não se afastou.

Pelo contrário — virou o rosto, o nariz roçando de leve o pescoço dele.


Ele estremeceu.

Os dedos dela tocaram a pele dele de forma hesitante, quase curiosa, e o ar entre eles ficou mais denso.


Jake sussurrou:

— Se continuar me olhando assim, Ness, eu não vou conseguir parar.


Ela sorriu de leve, triste e provocante ao mesmo tempo.

— E quem disse que quero que pare?

O beijo veio lento, profundo.

Não havia pressa — apenas a necessidade de se sentirem vivos, de esquecer o sangue, o medo, a perda.


Quando se afastaram, ainda ofegantes, Renesmee pousou a testa na dele.

— Eu não entendo o que está acontecendo comigo.


— Então não tenta entender. — Ele segurou o rosto dela com cuidado. — Só… fica comigo.


E ela ficou.

Deitou-se ao lado dele, o corpo envolto no calor do dele.

Sem promessas, sem certezas — apenas o som da chuva e o batimento dos dois corações que, por uma noite, pareciam bater como um só.