A Loba e o caçador

5 Capítulo 4 - Instinto


A lua já estava alta quando Renesmee voltou à clareira.

O vento frio atravessava as árvores, levando consigo o eco dos uivos que ainda vibravam na mata.

Ela não sentia o corpo — apenas o coração, descompassado, furioso.


O toque dele ainda queimava em sua pele.

Por que aquele humano mexia tanto com ela?

Por que parecia… conhecido?


— Você o deixou escapar. — A voz cortou o silêncio como uma lâmina.


Renesmee se virou.

Leah estava ali, encostada em uma árvore, os braços cruzados, o olhar duro.

Os cabelos negros grudavam no rosto por causa da chuva, e os olhos — de um âmbar intenso — ardiam como fogo.


— Não era da sua conta, Leah — respondeu Renesmee, tentando controlar o tom.


— Era, sim — ela rebateu. — Ele é um caçador. Devia estar morto agora.


Renesmee estreitou o olhar.

— Eu não preciso que você me diga o que devo fazer.


Leah deu um meio sorriso, ácido.

— Não precisa… ou não consegue?

Renesmee avançou um passo, e o ar entre elas pareceu vibrar.

As duas tinham uma história antiga, feita de rivalidade, lealdade e feridas abertas.

Leah era a única que conhecia o verdadeiro limite do poder de Renesmee.

E talvez fosse por isso que a desafiava tanto.


— Eu o senti, sabe? — Leah continuou. — O cheiro dele. O jeito como te olhou. Ele não te vê como inimiga, Renesmee. E você… você também não o vê como um caçador.


— Cuidado com o que diz. — A voz de Renesmee saiu mais baixa, quase um rosnado.


Leah sorriu, provocante.

— Por quê? Porque é verdade?

Ela se aproximou, lenta, cada passo carregado de veneno e curiosidade. — Você sente algo por ele. Eu vi.

Um brilho de ironia cruzou seu olhar. — E talvez… eu também veja algo nele.


Renesmee franziu o cenho, confusa.

— Do que está falando?


— Do mesmo homem que você quer negar. — Leah deu um leve toque no ombro dela, a voz quase sussurrando. — O caçador. Jacob.


O nome dele pairou no ar, pesado, proibido.

Renesmee desviou o rosto, mas não rápido o bastante para esconder o que sentia.


Leah percebeu — e sorriu com amargura.

— É, achei que fosse isso. O destino tem um senso de humor cruel.


— Fique longe dele, Leah.

— Não posso prometer nada. — O sorriso se desfez, e os olhos dela tornaram-se frios. — Talvez eu queira ver até onde vai essa sua fraqueza.


Renesmee respirou fundo, o controle oscilando.

Por um instante, o instinto quase tomou conta — a loba dentro dela queria reagir, mostrar os dentes, marcar território.

Mas ela se conteve.


— Isso não é um jogo — disse, firme. — Se ele morrer, a culpa será sua.


Leah arqueou uma sobrancelha.

— Ou sua, por se importar demais.


E então virou-se, desaparecendo na escuridão, deixando atrás de si o cheiro de terra e raiva.

No outro lado da floresta, Jacob limpava a arma, tentando silenciar os pensamentos.

Mas o rosto dela voltava cada vez que fechava os olhos — o toque, o olhar, o mistério.

Ele devia odiá-la.

Devia caçá-la.


Mas o coração… não obedece mandamentos.