A Loba e o caçador
6 Capítulo 5 - A marca da Lua
A lua estava em meio ao céu, fria e curiosa, como se assistisse a um espetáculo que só ela compreendia.
Na floresta, o vento carregava murmúrios, e entre eles, um nome sussurrado demais para ser esquecido.
Jacob.
Renesmee o sentia.
Mesmo distante, mesmo no silêncio.
Era como um fio invisível, puxando o coração dela para um lugar que ela não deveria ir.
A cada batida, o nome dele ecoava dentro dela — e junto, a dor de saber que aquele laço era perigoso demais para existir.
Do outro lado da clareira, o acampamento da Ordem da Luz crepitava com fogo e segredos.
Jacob estava sentado perto das chamas, a besta encostada ao lado, observando o reflexo do fogo dançar nos olhos de Leah.
Ela se aproximou, com aquele meio sorriso que misturava desafio e desejo.
— Então… a loba te deixou viver. — A voz dela soava quase como um riso. — Ou será que ela te poupou por outro motivo?
Jacob desviou o olhar, mas Leah continuou.
— Deve ser estranho… ser caçado e desejado pela mesma criatura.
Ele suspirou, cansado.
— Você fala demais, Leah.
— E você sente demais. — Ela se inclinou um pouco mais. — Talvez eu possa te ajudar a esquecer.
Jacob sentiu o corpo reagir — não por vontade, mas por confusão.
Ela era bonita, perigosa e, acima de tudo, uma distração.
E parte dele queria isso: esquecer, provocar, testar até onde Renesmee o alcançava.
Leah percebeu.
O sorriso dela cresceu, e ela pousou a mão no braço dele.
— Está vendo? — murmurou. — Você não é tão diferente assim.
Jacob deixou que ela o tocasse.
Sabia que não era justo, mas, naquele instante, o orgulho falou mais alto.
Se Renesmee era um mistério, Leah era o reflexo do que ele entendia: raiva, desejo, dor.
Mas o que Jacob não sabia era que, do outro lado da mata, Renesmee sentia tudo.
O imprint — o vínculo que unia suas almas — pulsava como uma ferida aberta.
O calor, o toque, a emoção dele... ela sentia.
Cada batida, cada respiração.
E quando Leah o tocou, uma dor aguda atravessou seu peito, como se algo nela tivesse sido rasgado.
Renesmee surgiu da escuridão com o olhar aceso.
Leah se afastou um passo, surpresa, mas não assustada.
— Veio espiar o caçador, loba? — provocou. — Ou veio protegê-lo de mim?
Renesmee caminhou lentamente até elas.
Os olhos dourados brilhavam com intensidade incomum, quase febril.
— Eu vim avisar você, Leah.
A voz dela era calma, mas havia algo por trás — uma força, uma verdade antiga.
Leah cruzou os braços.
— Avisar?
— Ele não te pertence. — Renesmee deu um passo à frente, e o vento soprou forte, erguendo seus cabelos. — Porque ele já é meu.
Jacob se levantou, confuso, tentando entender o que estava acontecendo.
— Do que está falando, Renesmee?
Ela olhou para ele, e naquele instante o tempo parou.
Tudo ao redor — o fogo, a floresta, o mundo — silenciou.
— Você sente, não sente? — ela sussurrou, a voz trêmula. — Desde o primeiro olhar.
O imprint.
Jacob piscou, atordoado.
Um calor percorreu o corpo dele, vindo do peito, espalhando-se como luz.
As lembranças, os cheiros, as vozes, tudo se misturou — e, por um instante, ele viu.
Viu a própria alma se ligando à dela.
Leah deu um passo atrás, o rosto endurecendo.
— Isso é impossível.
Renesmee ergueu o queixo.
— É inevitável.
O vento rugiu entre as árvores, e as brasas do fogo se elevaram como pequenas estrelas vermelhas.
Leah olhou para Jacob, a mágoa escorrendo em silêncio.
— E o que vai fazer agora, caçador? Vai escolher o monstro?
Jacob não respondeu.
Mas Renesmee deu a resposta com o olhar.
E Leah entendeu que, a partir daquela noite, a floresta nunca mais seria a mesma.
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