A Little Piece Of Heaven
13 Super pump
Rebecca foi bruscamente acordada, alguém a tinha empurrado da cama com força.
Ela levantou-se e encarou o rosto de todos os vampiros que viviam no Dumort com Santiago, eles pareciam irritados e prontos para mata-la. Rebecca apenas sorriu.
– O que querem, ahn?
– Você morta. – disse Will. Ele era o segundo no comando de Santiago e agora devia ser o líder – Você matou Santiago.
A risada de Rebecca reverberou pelo quarto como um som maligno e de morte.
– Me matar? – ela ficou ereta e pronta para a luta. Ainda sentia uma pequena dor na cabeça, mas ignorou – Matei Santiago, Luke e Jocelyn, mandei metade da família Lightwood para o inferno. O que os faz pensar que seria diferente com vocês?
– Somos muitos. – disse Will – E vamos matar você.
A parte sangrenta veio logo a seguir. Rebecca sentiu-se sair de seu próprio corpo enquanto a luta começava, os vampiros surgiam de todos os lados com garras e presas a mostra. Ela chutava e girava, tirando os vampiros de perto de si.
Mas no processo ela também foi machucada. Seus braços sangravam e ela tinha certeza que um dos malditos vampiros a tinha mordido na perna.
– O que vocês querem?! Vão para o inferno!
Rebecca gritou e o quarto explodiu em chamas negras, as quais tinham matado Santiago horas mais cedo. As crianças da noite começaram a sair por todos os lados, pisando um no outro e causando o completo caos no aposento.
Por fora ela sorria como uma louca.
– Já chega.
Alguém aproximou-se sorrateiramente por trás dela e tinha as mãos frias em seu pescoço, ela ia morrer naquele momento, mas ao invés de sentir terror Rebecca riu e o vampiro foi empurrado diretamente para o fogo.
Rebecca foi tranquilamente até o seu quarto e pegou o baú com seus frascos de sangue. Depois ela andou pelo salão observando a beleza que era as chamas negras se alastrando pelo Dumort.
Sozinha a garota fechou o tampão da saída secreta e desapareceu pela noite.
...
– Precisamos fazer alguma coisa – disse Jace.
Eles ainda estavam velando o corpo de Jocelyn e Luke. Novamente Jace vestia as roupas de luto e Clary vestia-as pela primeira vez em sua vida, eles se perguntavam se algum dia o branco do pesar e da morte sairia de suas vidas.
– Você viu onde a vingança levou Rebecca.
– Levou seus pais para o caixão.
Clary lançou ao namorado um olhar magoado. Espera, agora eles eram marido e mulher, ela sempre se esquecia disso, mas quando olhava as alianças lembrava todo o amor que existia entre eles.
– Temos que fazer alguma coisa. Ela não vai parar e eu não quero passar a vida fugindo. – confessou Jace.
– Eu sei – Clary entrelaçou seus dedos nos de Jace – Vamos mata-la, apenas espere que ela venha. Vamos ser felizes nesse pequeno momento do nosso casamento.
Jace sorriu. Ela amava aquele sorriso branco e perfeitamente alinhado, com as roupas brancas ele parecia ainda mais angelical.
Eles envolveram um ao outro em um abraço que nunca terminaria, um abraço cheio do silencio reconfortante do carinho que eles tinham pelos seus pais mortos, pelos irmãos e amigos. Por todos.
Eles tinham um ao outro e sempre teriam.
– Você quer ficar aqui? – perguntou Jace.
Clary assentiu com a cabeça.
– Então vamos limpar essa bagunça.
Juntos eles pegaram os baldes e as vassouras para limpar todo o sangue do chão, cacos de vidro e arrumar objetos nos lugares.
...
Rebecca vagou pelas ruas de Nova Iorque com apenas um baú e as roupas do corpo. Ótimo, ela tinha voltado ao inicio.
Ela passou pela parte barulhenta e cheia de vida da cidade, depois pelos becos escuros e áreas que ainda estavam em construção. Havia um prédio ainda em construção que parecia não ser habitado por construtores há muito tempo.
– Isso pode servir – ela disse para si mesma.
O prédio era escuro e estava muito sujo, mas algumas coisas já tinham sido feitas. O piso era de mármore e os elevadores estavam ali, em pleno funcionamento.
Rebecca entrou e apertou o ultimo andar, a cobertura, ela queria se sentir uma rainha em seu castelo feito de ruinas e sangue.
A cobertura estava sem janelas, portas ou qualquer coisa em que ela pudesse dormir com o mínimo de conforto. Ela abriu a porta da sacada e se encontrou no terraço do prédio, dali podia-se ver toda a cidade e a noite fria e cheia de estrelas.
Ela deixou o baú com seus frascos no chão e deitou-se, sem cobertas ou colchoes, apenas a noite cobria sua cabeça. Amanha ela pensaria em uma solução e novos aliados, hoje ela queria dormir com o gosto da derrota de Luke e Jocelyn.
Na manhã seguinte Rebecca foi acordada pela luz do sol queimando seus olhos. Maldito terraço.
Ela abriu o baú ao seu lado e passou a mão carinhosamente sobre os frascos, havia apenas três de cada raça agora. Ela não tinha tomado o do príncipe do Inferno Azazel.
Rebecca preparou a seringa com os dois sangues, anjo e demônio, e injetou em si mesma. Imediatamente sua cabeça começou a fervilhar de adrenalina, pensamentos e desejos.
Ela precisa de outro aliado. Mas não as crianças da noite, lobisomens ou os Filhos de Lilith...
Lilith.
Seu pai tinha alguns livros de feitiços e invocações nos quais ela nunca podia mexer, mas agora ela estava sozinha no mundo e não havia ninguém que pudesse para-la. Rebecca era invencível.
Naquele dia ela visitou o antigo apartamento de Teri, a feiticeira que a levou para caçar príncipes do inferno e depois matou para que não pudesse saber o que aconteceria. Teri tinha muitos livros sobre todos os assuntos e ela levou a manha toda para achar um sobre invocação, só para depois descobrir que não era o certo.
Eram quase seis horas da tarde quando ela finalmente achou algo que pudesse ajuda-la. Era um livro que falava especialmente sobre a mãe dos feiticeiros e como havia sido a vida dela.
– Chato, chato, chato – Rebecca folheou as paginas. – Aqui.
O feitiço mostrava como invocar Lilith. Rebecca estremeceu um pouco quando leu o que precisaria fazer.
“O feiticeiro que chamar pela Mãe dos Feiticeiros, a Mãe Maior, Demônio criador, estará responsável por seus atos, devendo assim estar ciente do risco de morte e de falha no feitiço.
A invocação exigirá do feiticeiro o sacrifício de cinco crianças, sangue de anjo e o sangue do próprio feiticeiro misturados em um cálice de ouro puro e maciço.”
Depois o livro citava um feitiço em latim que deveria ser proferido enquanto o sangue era misturado, em um ciclo da estrela de sete pontas desenhado no chão.
Rebecca saiu da casa de Teri com o livro e começou seu trabalho quando a noite caiu. Se teria que matar crianças era bom que fosse enquanto o sangue ainda estava correndo em suas veias e fazendo seu corpo vibrar de ódio.
Uma mãe e uma menininha de tranças de uns sete anos passavam pelo mesmo beco que Rebecca à noite. Ela já tinha oferecido quatro sacrifícios e sua cabeça doía como o inferno, infelizmente para essa menininha seria o ultimo passeio.
– Moça. – Rebecca falou quando as duas se aproximaram – Me ajude.
Ela caiu no chão, respirando com dificuldade e tremendo. Era um fingimento e tanto, mas a mulher acreditou e ajoelhou-se para ajudar Rebecca.
– Tudo bem? – perguntou a mulher. Rebecca tremeu – Ah meu deus, vou chamar uma ambulância.
Assim que a mulher distraiu-se para procurar o telefone na bolsa, Rebecca a segurou pelo pescoço e torceu. O estalo deixou Rebecca saber que a moça estava morta, a menininha gritou.
Rebecca levantou-se rapidamente e segurou a menina.
– Fique quieta, coração – ela disse – Eu vou cuidar de você.
A menininha acalmou-se nos braços de Rebecca e ela sussurrou docemente no ouvido dela:
– Vai ficar tudo bem, você vai encontrar sua mamãe.
As lagrimas da menina molhavam os braços de Rebecca e a roupa encharcada de sangue, ela desejava fazer isso de forma mais limpa, mas era necessário sangue para oferecer a Mãe Maior.
Rebecca tirou a adaga do suporte e cravou no peito da garota. Não houve tempo para gritos ou choro, o coração dela simplesmente parou e o sangue correu pelos braços de Rebecca.
– Ó Mãe Maior, eu lhe oferece esse sangue jovem e puro, para glorificar tua volta e alimentar tua alma.
Depois de dizer as palavras, Rebecca deixou o corpo da mãe e da filha abandonados naquele beco e fez seu caminho para o hotel em construção.
Rebecca descobriu que podia tomar um banho, pois a agua funcionava nos canos, mas era gelada e ela teve de improvisar uma toalha para se secar. As roupas que ela vestia agora era apenas uma túnica vermelha simples que ela pegou na casa de Teri, Rebecca sabia que vermelho era a cor de invocar um feitiço.
Devidamente vestida, ela subiu ao terraço onde dormia e desenhou na poeira do chão uma estrela de sete pontas, depois pegou um cálice que também havia roubado de Teri para encher de sangue de anjo – usar um de seus frascos foi a parte difícil – e seu próprio sangue. Rebecca ficou fora da estrela e cantou até sentir-se exausto.
Se isso não desse certo...
Então ela sentiu o ar mudando, tudo ao seu redor parecia ser sugado em um redemoinho espiritual. O corpo de Rebecca sentia a vibração de poder que emanava do centro da estrela de sete pontas.
Por alguns instantes ela não pôde olhar para o centro radiante da estrela, mas depois o corpo de uma mulher tomou forma e ela olhou diretamente para Rebecca.
– Quem é você que ousa me chamar aqui? – perguntou Lilith arrogantemente.
– Sou Rebecca Morgenstern.
Os olhos negros de Lilith mudaram e ela moveu-se dentro do circulo.
– Ah – exclamou Lilith – A filha de Valentim. O meu sangue criou seu irmão, sabia?
Rebecca ficou surpresa e curiosa. Ela sabia que ambos os filhos de Valentim tinham o sangue de um demônio, mas ele nunca dissera qual.
– Sebastian? – ela se corrigiu quando Lilith olhou sem entender – Jonathan Christopher?
– O próprio. Seu pai fez o mesmo que você – disse Lilith – Chamou-me aqui para obter o meu sangue, dizendo que queria ter um filho com o sangue da Mãe maior, Valentim era um cavalheiro. E você o que quer?
– Vingança.
A Mãe maior a olhou com curiosidade e atenção, ela parecia sair do circulo centímetro a centímetro.
– Pelo que, criança?
– Pela morte do meu irmão e do meu pai. Eu preciso de aliados.
– Rebecca Morgenstern não pense que eu sou tola – Lilith saiu completamente do circulo e mirou Rebecca nos olhos. Era assustador – Observei Clarissa Morgenstern trazer de volta Jace Herondale a vida, ela pediu isso ao próprio Anjo. Ele é uma vida da luz, quando ela o trouxe de volta quebrou o equilibro natural das coisas, agora as trevas devem receber uma vida em troca.
– Eu não entendo.
– Podemos trazer Jonathan de volta a vida
Os olhos de Rebecca brilharam com a possibilidade, nada no mundo importaria se ela pudesse ter Jonathan ao seu lado.
A felicidade em seu coração foi substituída por uma dor lancinante no peito, a garota caiu de joelhos na frente de Lilith e gritou. Rebecca segurou os cabelos e queria poder arranca-los se isso fizesse a dor em seu peito sumir.
Ela gritou novamente e tão repentina como a dor veio, ela desapareceu.
– O que você anda injetando? – Lilith olhava diretamente para seu braço roxo onde ela injetava seus sangues misturados.
– Sangue de Anjo e de Demônio.
– Você precisa de controle.
Rebecca gritou com Lilith:
– Não me diga o que fazer!
As lonas que cobriam algumas partes do terraço voaram para longe e materiais abandonados bateram na parede.
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