Notas iniciais
Estou de volta! Felizes? Senti a falta de vocês e de postar aqui, mas vamos saber o que acontece no final da nossa história. Feliz ano novo!

Lilith não pareceu surpresa ou minimamente intimidada. Ela apenas esperou que Rebecca terminasse seu ataque, o que de alguma forma enfureceu mais ainda a garota.

– Não sou seu vampiro aliado ou a família Lightwood. Não serei derrotada ou amedrontada por você, criança.

– Eu tenho o sangue de quatro anjos e quatro demônios dentro de mim. Devia temer.

– Mas não a temo. – Lilith cruzou as mãos na frente do corpo – Eu quero resgatar seu irmão e acredito que você também queira.

Rebecca assentiu e Lilith continuou.

– Ótimo. Mas você não quer somente isso.

– Não – concordou Rebecca – Eu quero a morte de Jace e Clary. E tem mais uma coisa, você é um demônio maior e não vai querer me ajudar sem ganhar nada em troca.

– Seu irmão é meu filho. Sangue do meu sangue – havia certa emoção nos olhos de Lilith. – Quero ele vivo. Não importa o que isso signifique.

Ela podia entender a Mãe maior. O titulo de “mãe” era uma honraria completamente vazia porque como mãe dos feiticeiros Lilith era estéril e havia uma história por trás dela que Rebecca não conhecia porque odiava história.

Mas Sebastian era o sangue de Lilith e de alguma maneira isso o tornava filho dela.

– Você acredita que ele seja seu filho.

– Exatamente. – disse Lilith – Vamos precisar fazer algumas coisas antes que ele possa retornar a vida.

Rebecca faria qualquer coisa para ter Sebastian de volta, afinal ele era mais que seu irmão. Era seu amante.

– O que precisamos fazer? – perguntou a garota.

– Uma vida foi dada para a Luz, agora uma deve ser dada para as Trevas – disse Lilith – Jace Herondale deve dar seu sangue para que Jonathan possa viver.

A garota sorriu com a ideia. Jace jamais viria para Lilith de boa vontade, pronto para se entregar para morte, a menos...

– Vamos sequestrar os dois – disse Rebecca – Se ameaçar matar Clary, Jace vai fazer qualquer coisa que ordenar.

Lilith pareceu ponderar por um momento. Seria bem mais fácil completar o ritual se o sacrifício estivesse disposto, e quanto mais rápido trouxesse Sebastian de volta mais feliz ela ficaria.

– Você tem um plano criança. – afirmou Lilith

– Sim. Tenho certeza que Jace e Clary estão na casa de Jocelyn e Luke.

– Por quê?

– Porque eu os matei – disse friamente – Ela não vai querer enterrar a mãe em outro lugar que não a Cidade dos Ossos.

A Mãe Maior pareceu divertir-se com a situação.

– Faça como achar melhor. Mas traga-os.

Rebecca assentiu. Estava pronta para ir embora e caçar sua irmãzinha e o querido namorado, mas tinha que tomar mais um de seus frascos antes enfrentar os dois.

Antes de ir para seus frascos. Rebecca virou-se para Lilith.

– Onde pretende achar o corpo de Sebastian para revivê-lo?

– Tenho meus próprios planos. – disse a demônio.

– Eu não sei o que fazer com as coisas dela – confessou Clary tristemente.

Depois que foram para Las Vegas pra se casar, Jace e Clary tinham sido felizes por um curto período de tempo, mas como tudo na vida de Jace a felicidade se esvaíra, transformando-se em cinzas na sua boca.

– Vamos partir Clary – Jace disse pela milésima vez.

– Não posso. – ela balançou a cabeça – São as coisas da minha mãe. As únicas coisas que eu vou ter dela.

Clary começou a chorar novamente e Jace a envolveu com os braços, era sempre assim nos últimos dias. Qualquer palavra ou atitude era o suficiente para fazer a garoto chorar convulsivamente por horas a fio e não havia nada que Jace odiasse mais do que vê-la infeliz.

O casamento deles era infeliz. Jace nem se lembrava de quando Clary havia sorrido ou o beijado pela ultima vez, talvez isso não tivesse acontecido nesse mês.

Ele compreendia a perda. Só não compreendia a maneira de Clary de lidar contudo, varias vezes ele sugeriu ir atrás de Rebecca e mata-la, mas a esposa dissera que não e que havia prometido isso a sua mãe.

– Vamos embora Clary, não há nada aqui para nós além de sangue e dor.

– Mas... – ela se encolheu contra Jace.

– Acabou. Vamos para casa.

Clary riu. Um som sem humor algum.

– Casa. – ela disse – O que isso significa para nós? Não temos casa.

– Podemos construir tudo juntos. Só nós dois, mas vamos sair daqui primeiro.

Finalmente ela parecia convencida a deixar os Estados Unidos para sempre. Não havia nada para eles ali, a própria Clary dissera que os dois não tinham mais um lar, arruinado por Rebecca.

Jace sugeriu que fossem para Idris, estariam seguros lá. Onde qualquer demônio poderia ser detectado e pelo que vira dos poderes de Rebecca, ela estava se entupindo de frascos de sangue de demônio.

– Olá feliz casal

Ambos se viraram para a voz.

Parada na porta estava Rebecca Morgenstern, uma garota loira com os mesmo olhos claros do irmão, seu rosto demonstrava ódio e desprezo como ele nunca viu em Jonathan ou Valentim.

– Rebecca. – disse Clary.

– Irmãzinha – ela ironizou – Parece que ainda está de luto por sua querida mamãe, que pena.

Jace se colocou entre as duas irmãs e olhou diretamente para Rebecca.

– Não tem mais nada para você aqui. Vá embora.

Ela deu mais um passo para dentro da casa, agora ele podia ver a adaga brilhando em sua mão.

– De novo errado Jace. Você não se cansa de fazer escolhas ruins? – ela girou a adaga nos dedos – Preciso que venha comigo, seu sangue vai trazer meu irmão de volta.

O garoto soltou uma gargalhada que encheu a casa, assustando até mesmo Rebecca.

– Quero que seu querido irmão queime no inferno, Rebecca. E você pode ir encontra-lo

Aconteceu muito rápido, mesmo para Jace. Em um minuto Rebecca fervia de fúria na sua frente e no outro ela tinha uma adaga posicionada contra o pescoço de Clary.

Ele poderia correr o risco de pegar Rebecca por trás e quando tencionou fazer isso, a adaga de Rebecca ficou mais firme contra o pescoço de Clary e um filete de sangue escorreu.

– Não! – ele gritou – O que você quer?

– Já disse. Venha comigo e nada vai acontecer.

– Tudo bem. – Jace levantou os braços em sinal de rendimento – Solte Clary.

– Com certeza. – ela juntou sua mão direita a de Clary e fechou os olhos.

– O que está fazendo? – perguntou ele.

– Apenas para garantir o bom comportamento de vocês.

Uma linha fina de energia saia da mão de Rebecca e prendia-se no pulso de Clary como uma algema, a algema ligava Rebecca e Clary. Depois de enroscar-se nos pulsos das duas, a energia desapareceu dentro dos corpos dela.

Clary gritou onde a algema tinha penetrado sua carne e Jace gritou também.

– Ela está sentindo dor. Pare com isso. – gritou.

– Eu sei que sim. Sinto tudo o que ela sente – Rebecca deu dois passos e Clary a acompanhou era como se as duas fossem um imã – Funciona da seguinte forma: Tudo o que Clary fizer ou sentir, eu vou também. Fico muito mais tranquila em dar as costas para você agora.

Rebecca saiu pela porta com Clary a dois passos de si e Jace não teve outra opção se não segui-la.

Enquanto caminhavam para onde quer que fosse, ele pensou em como havia sido seu namoro e casamento com Clary. Tudo tinha sido muito breve.

Quando namorados o destino sempre pregava uma peça nos dois, os separando e fazendo com que as mentiras sufocassem a vida deles juntos, depois de casados Jace achou que fosse mudar, mas tudo era exatamente igual.

Parecia que o universo conspirava para mantê-los separados, todos os poucos meses de felicidade que tiveram estariam sempre gravados na mente de Jace, agora eles eram a prova de quão infeliz fora seu casamento.