A Little Piece Of Heaven
15 Honeymoon in prison
Notas iniciais
Rebecca entrou com os dois em um hotel ainda em construção no subúrbio da cidade, por sorte os elevadores funcionavam, ela entrou em um deles e apertou o andar da cobertura.
– Bem vindos ao seu novo lar. – Rebecca saiu do elevador com Clary em seu encalço.
A túnica vermelha de Rebecca se arrastava atrás dela enquanto ela conduzia o jovem casal aos seus novos aposentos, não tão confortáveis quanto quartos no Instituto ou na casa de Jocelyn. Era o que eles realmente mereciam.
Prisão.
Duas jaulas grandes o suficiente para caber um leão foram colocadas lado a lado, ela tinha roubado essas jaulas de um zoológico da cidade. Empurrou Jace para dentro, Clary ficou ao seu lado, claro.
Rebecca gostava da presença da irmã, ela estava muda e obediente a todos os seus movimentos. Desse jeito ela poderia viver.
Riu consigo mesma. Clarissa iria morrer não importava o que fizesse.
Ela segurou a mão da irmã e concentrou-se em quebrar a corrente que havia entre elas, por fora Rebecca era uma muralha, mas por dentro suas paredes caiam e ela urrava de dor.
A ligação foi dolorosa para ela também e estava quase terminando de quebra-la quando sentiu um metal frio em seus dedos, olhou para baixo e viu uma aliança dourada no dedo de Clarissa.
– Você é casada? – o sorriso de escarnio de Rebecca fez Clary crispar os lábios.
– Sim. – a garota respondeu.
– Que maravilha! – Rebecca gritou. Ficaria feliz em torturar marido e mulher, um de cada vez para que pudessem assistir o sofrimento de seu amor como ela assistiu o dela – Você quer salvar o seu querido marido? Como Jocelyn se sentiu sabendo que sua única filha tinha fugido para casa com Jace?
Clary não respondeu.
– Responda. Vamos.
– Você não entenderia – a voz de Clary era sussurrada por causa da fúria, se ela falasse iria atacar Rebecca e acabar morrendo – Você nunca teve uma mãe que a amasse ou alguém que se importasse com você. A única pessoa que poderia tê-la amado a traiu.
Ela sabia que a irmã estava apenas tentando tira-la do sério. Talvez tivesse planos de fuga com seu adorável marido, mas ela não permitira tal truque, Jonathan a amava.
– Jonathan me amava e o sangue do seu marido vai trazê-lo de volta.
O sorriso de Clary incomodou Rebecca. Um sorriso que escondia segredos e zombava da ignorância dela, naquele momento ela quis socar a irmã e arrebentar aquele sorriso.
– Rebecca – ela contornou cada silaba de seu nome com cuidado – Jonathan era apenas um irmão que a amava por pena, a autodestrutiva Rebecca. Foi por isso que ele me beijou em Idris, por isso ele correu atrás de mim, porque ele me amava.
A raiva tomou conta do corpo de Rebecca. Cada poro de seu corpo estava arrepiado de ódio por causa das palavras de Clary, como ela podia dizer que Jonathan a amava?
Rebecca era tudo, tudo o que o irmão queria e ele não iria procurar consolo nos braços da mulher que ele teria que matar por Valentim muito em breve. Era mentira, mas irritou Rebecca mais do que Clary poderia prever.
– Durma com as suas mentiras. – Rebecca segurou o braço de Clary com força – Amanhã enquanto eu estiver comemorando com Jonathan, você vai assistir a morte de Jace.
Ela abriu a porta da grade vazia e jogou Clary para dentro com força, a garota se desequilibrou e bateu com a cara nas grades de ferro. O grito de dor deixou Rebecca feliz.
Ela virou as costas e saiu.
Lilith estava do outro lado da cobertura em frente ao que parecia uma grande caixa cheia de um liquido estranho.
– O que é isso? – perguntou Rebecca quando se aproximou.
– Jonathan.
Rebecca aproximou-se mais da caixa e percebeu que na verdade era um caixão feito de vidro e cheio de um líquido para conservar o corpo dentro, Jonathan estava ali dentro. Em vida seu irmão sempre fora muito pálido e de cabelos quase brancos, me morte todo ele era cor de osso.
Branco e se vida.
Ela encostou as duas mãos no caixão de vidro e encarou o rosto branco e lívido, queria poder abraça-lo e dizer que tudo iria ficar bem, eles teriam o mundo para si feito de sangue e fogo.
Mas ele estava morto e somente o sangue poderia desperta-lo. Ela encostou os lábios no vidro frio e silenciosamente prometeu que voltaria, depois virou-se para Lilith.
– Conseguiu pega-los?
– Sim. – Rebecca disse – Por que não começa o ritual logo?
– Preciso da força da lua cheia para completar o feitiço e assim Clary e Jace podem se despedir um do outro.
Ela deu de ombros e foi para dentro do edifício, o sono não lhe vinha fácil nas ultimas noites. A capacidade de Rebecca lentamente estava sendo minada por alguma coisa que ela desconhecia, cada corte, cada dor e cada palavra a feria mais profundamente do que deveria.
Olhou para os próprios pulos, um deles ainda estava queimando onde as algemas a ligaram a Clary hoje cedo e ardiam.
O que estava acontecendo com ela?
No terraço Clary tremia de frio e sentia dores por todo o corpo, na hora lhe pareceu certo intimidar Rebecca na esperança de força-la a um combate, mas agora ela sabia que foi a pior ideia que teve em toda a sua vida.
Quando Rebecca jogou-a nas grades da jaula, Clary bateu com o rosto e imediatamente seu lábio começou a sangrar, depois sentiu a dor do nariz quebrado.
– Precisamos de ajuda. Preciso tirar você daqui – Jace soava aflito, ele passou uma mão pelas barras de ferro e segurou a mão de Clary.
– Eu vou ficar bem. – garantiu Clary – É só um nariz quebrado.
– Você está vertendo sangue Clary.
Era verdade. Sangue escarlate quente corria como um rio em sua camiseta, ensopando-a em seu próprio sangue.
– Nós vamos ficar bem. – Jace soava esperançoso e isso partiu o coração de Clary.
– Jace. Acabou – ela disse – Rebecca provavelmente vai nos matar amanhã e tudo isso vai acabar. No fim eu quero que acabe.
– Não fale isso – Jace deu um aperto encorajador na mão dela – Vamos sair dessa, nós sempre saímos.
– Não dessa vez. – ela não tinha mais esperanças, a esperança só iria machuca-la quando chegasse a hora de Rebecca mata-la – Ninguém vai aparecer e nos salvar. Estão todos mortos Jace e os mortos não podem ajudar.
Os olhos dourados de Jace estavam tristes como ela jamais o vira, como se toda a felicidade e a vontade tivesse sido sugada dele. O ódio de Rebecca sugou a todos nós, pensou.
– Nossa lua de mel é em uma prisão. Quantos podem se gabar disso? – Jace tentou brincar, mas não havia senso de humor.
Ela deitou-se o mais confortável que pode, com o nariz sangrando e latejando. O sono não veio fácil, mas quando chegou levou Clary a um mundo de sonhos.
Simon e Isabelle, Alec e Mangus, sua mãe e Luke. No sonho, todos estavam vivos e felizes, Clary e Jace corriam com um lindo menino que se parecia tanto com Jace que deixou o coração de Clary apertado.
O sonho acabou quando Rebecca apareceu em suas celas e jogou um balde de água gelada nos dois.
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