– Bom dia casal – Rebecca colocou o balde de água de lado e os chutou – Dormiram bem? Sua cara está linda essa noite Clary.

Jace não dormiu durante a noite. Ficou observando Clary e velando pelo sono dela, não podia fazer muita coisa de onde estava, mas sentia-se melhor em cuidar dela.

O rosto de Clary inchou durante a noite e ela continuou dormindo sem nem ao menos perceber a mudança, agora era quase inicio da madrugada e Clary ainda estava dormindo.

– Hora do show.

Rebecca abriu a cela de Jace e deixou-o sair. Ele queria poder bater em Rebecca até mata-la, mas sabia que isso terminaria em dor para Clary, então seguiu a garota até o outro lado do terraço onde se encontrava uma mulher com um vestido vermelho.

– Aqui está ele. Vou pegar a outra.

Clary estava acordada quando cheguei, seu rosto era uma confusão de sangue e inchaço, parecia muito ruim.

– Vamos. – disse Rebecca enquanto abria a porta da jaula — Você não quer perder as ultimas palavras de Jace.

Lentamente a garota arrastou-se para fora da jaula, seguiu Rebecca e encontrou do outro lado do telhado Jace com uma mulher vermelha que ela não conhecia.

– Quem é? – perguntou para Rebecca. O ato de falar lhe provocava dor.

– Lilith. Mãe Maior. – explicou Rebecca – Ela vai trazer Jace de volta a vida.

A Mãe Maior dizia palavras em latim na frente do caixão de vidro, Jace ficou parado aos pés do caixão, esperando pelo grande ato final.

Clary e Rebecca ficaram a uma distancia saudável de onde Lilith invocava seu feitiço. A Mãe Maior pegou um dos pulsos de Jace e fez um corte delicado, lentamente sangue vermelho começou a gotejar.

Jace olhou diretamente para Clary enquanto a vida se esvaia de seu corpo, sua boca formou um “eu te amo”.

– Suas ultimas palavras para Jace, Clary – disse Rebecca.

A garota hesitou um pouco e começou a falar.

– Eu...

As ultimas palavras nunca aconteceram.

Rebecca podia ouvir os gritos de Jace do outro lado do terraço, Lilith o segurava no lugar com a adaga na mão. A adaga havia sido enfiada até o cabo no coração de Clary, um golpe certeiro, quase misericordioso.

Ela podia ver a dor nos olhos dourados de Jace, seu coração tão partido quando o dela ficou.

– Você entendeu Jace?! – ela gritou para ele enquanto Clary caia no chão – Entende o que é perder o amor da sua vida? Nada pode sanar essa ferida, nada. Espero que posso viver para saber como é uma vida sem Clary.

Louco de dor, Jace encontrou forças para responder Rebecca.

– Não vou me sujeitar a uma vida sem Clary. Em vida ou em morte eu irei de encontra-la e vamos ficar juntos. – ele disse. Depois seu olhar fixou-se no de Rebecca – Mas não você. Tudo o que você tem no seu caminho é sangue e dor, esta cega de ódio, afogando-se em sangue. Tenho pena de você Rebecca.

Com essas ultimas palavras, Jace puxou a adaga da mão de Lilith e cravou-a no próprio peito da mesma forma que Rebecca fizera com Clary. Mas Clary morreu com surpresa estampada no rosto, Jace morria com um sorriso.

Lilith gritou de ódio.

– O que você fez Rebecca? – ela gritou.

– Qual o problema? Ai está o sangue de Jace.

– O problema? – Lilith aproximou-se dela com o dedo em riste – Duas vidas. Era necessário um pouco do sangue de Jace, se ele morre o equilíbrio é recuperado e não teremos Sebastian de volta. Percebe o que fez?

Ela queria dizer para Lilith que era mentira e que o irmão despertaria a qualquer momento, olhou esperançosa para o caixão de vidro e viu que os olhos de Jonathan piscaram.

– Ele piscou – disse Rebecca.

– O que?

A Mãe Maior virou-se para encara Jonathan. Ele ainda estava muito pálido e seus olhos pareciam sem vida, mas andava, escutava e sentia o ar batendo contra seu rosto. Isso era o suficiente para Rebecca.

Ela correu para abraça-lo, mas Lilith segurou firme em seu braço.

– Não é ele – ela disse.

– O que? – Rebecca soltou o braço – Esta de volta. Como pode não ser?

– O feitiço não foi completo, isso é apenas a sombra de Jonathan. Temos que mata-lo.

O olhar de Rebecca escureceu.

– Você não vai feri-lo.

Lilith atirou Rebecca do outro lado da cobertura, mas ela pôde ouvir as palavras de Lilith.

– Mais do que ninguém que queria Jonathan de volta. Ele é meu filho, criado do meu sangue.

Rebecca levantou-se rapidamente, mas não rápido o suficiente para impedir Lilith de golpear Jonathan no coração. Com um grito de horror, ela viu o irmão cair, sem baque, sem grito, Jonathan apenas caiu e entregou-se para sua segunda morte.

Foi a vez de Rebecca gritar e correr diretamente para Lilith. A mulher se desviou e atacou Rebecca com um golpe que a deixou sem ar e jogada no chão, o sangue de anjo e demônio ainda fervia dentro dela.

Convocando toda a sua força e todos os poderes que seus últimos frascos de sangue conferiam, ela atacou Lilith. Uma luz branca desceu do céu diretamente para Lilith, a mulher gritou e começou a queimar, acabou rápido, Lilith se desintegrava em partes minúsculas e suas cinzas espalhavam-se pelo vento.

Rebecca caiu gritando e agonizando de dor.

Ela caminhava lentamente pelos escombros. Parecia ter ocorrido um terremoto na cobertura do prédio em construção, no canto haviam duas jaulas feitas para leões, estavam vazias.

E no chão frio repousavam os corpos.

Ela quase não podia caminhar entre eles sem se sentir nauseada com a visão horrenda, seu estomago dava voltas enquanto ela olhava para o rosto frio de Clary.

Há alguns metros encontrou o corpo de Jace e depois o de Jonathan, ela apenas ignorou o corpo de Jonathan e foi para Jace. Precisava ajudar seu irmão, ele devia ter uma morte digna.

Recolheu os corpos e enrolou em mantos puros como a neve, entre as Irmãs de Ferro, Isabelle aprendeu muitas coisas inclusive como transportar os corpos para Cidade dos Ossos.

Isabelle virou-se quando ouviu um gemido, em sua frente encontrava-se um resquício do que foi Rebecca Morgenstern.

Rebecca tinha perdido boa parte dos cabelos, os que restavam estavam brancos e quebradiços, sua pele era pálida e não havia cor nos olhos verdes, somente pupilas negras e apagadas.

– O que é você? – ela perguntou em um fio de voz.

Rebecca não a assustava mais, a garota logo encontraria seu fim. Perdida na loucura que era ter sangue de anjos e demônios dentro de seu corpo, um corpo humano. Isabelle aprendeu sobre as propriedades do sangue nas Irmãs de Ferro.

Não podia e nem queria falar com Rebecca. Deixou-a entregue a própria loucura.