Isabelle encontrava-se sozinha no cemitério, apenas os túmulos de sua família lhe faziam companhia. Agora toda a linhagem Lightwood estava acabada, ela não podia gerar filhos e seus irmãos estavam mortos.

Ela juntou-se as Irmãs de Ferro para que nunca tivesse que enterrar outros mortos, mas lá estava ela. No ultimo funeral de sua vida antes do dela próprio, era difícil pensar que nos anos que se seguiriam ela não teria nenhuma família com a qual falar, mas era bom também porque não haveria família por quem chorar.

Colocou rosas brancas sobre o tumulo de cada membro de sua família, também se lembrou de colocar algumas sobre os de Clary, Jocelyn e Luke que de certa forma haviam sido sua família também.

Ela desejava que eles encontrassem um pequeno pedaço do céu reservado para eles. Em vida eles foram sua família e também as pessoas mais corajosas que já conhecera.

Lembrou-se de como Clary chegou a vida deles, devastando tudo e deixando Jace apaixonado, as aventuras que eles viveram juntos. Para eles não existam as regras da Clave ou mesmo do mundo mortal, eles faziam o certo e estavam felizes com isso.

Mas essa felicidade foi tênue. Primeiro Max, depois Simon, Alec, Maryse, Jocelyn e Luke, e por fim Jace e Clary. Rebecca afogara a todos no mesmo mar de ódio onde ela navegava, levou um por um até deixa-la na completa solidão.

Um vento perfumado soprou do leste e ela virou a cabeça para encontrar Magnus. O feiticeiro vestia-se completamente de branco, não havia nenhuma cor nele, o que era estranho se tratando de Magnus.

– Magnus? – ela chamou.

O feiticeiro olhou-a com aqueles olhos dourados de gato e foi até ela.

– Isabelle. Quase não a reconheci nesse manto branco.

– Faz muito tempo. O que faz aqui?

Fazia mesmo muito tempo desde a ultima vez que vira Magnus, o feiticeiro tinha sumido depois da morte de Alec e agora parecia outra pessoa. Mais serio e deprimido, antes ele era o Alto Feiticeiro do Brooklyn e um festeiro, a dor o tornou nada.

– Visito o tumulo de Alec todos os dias – ele disse – Soube que Jace e Clary se foram e que Rebecca enlouquece em algum lugar.

– Verdade.

O feiticeiro ajoelhou-se e conjurou flores para os túmulos de Jace e Clary.

– Queria que tivesse sido de outra forma. Sinto falta de Alec todos os dias da minha vida, ele era o meu verdadeiro amor Isabelle.

– Sei como se sente.

Nessa guerra ela havia perdido Simon e não se imaginava com outro homem, para ela só existia Simon.

– Rebecca teve todas as chances, mas as desperdiçou. – disse Magnus – Espero que sofra pela eternidade.

– Ela vai.

Magnus e Isabelle ficaram em silencio um ao lado do outro, curando suas dores e chorando por seus mortos.

Na cobertura fria do hotel, Rebecca tremia de frio. Seu corpo envelheceu 50 anos em apenas 5 dias.

Jonathan continuava morto no chão da cobertura, seu corpo já mostrava sinais de inchaço e roxos que indicavam que logo ele se tornaria apenas vermes e comida para pombas. Ela precisava morrer.

Ela deitava-se todos os dias ao lado de seu irmão e perdia-se no sono, imaginando quando seria sua vez de morrer e se juntar a ele no Inferno. Oh, Rebecca sabia que não iria para o céu.

Ela fez o mesmo ritual de todas as noites, rezando para que esta fosse a ultima que precisasse viver, cada dia que respirava era um dia de tormento, Rebecca arrastou-se para perto do corpo de Jonathan e deitou a cabeça no peito frio do morto, o odor era desagradável, mas ela aprendeu a ignorar aquilo.

Nunca compreendi muito bem o conceito de morte. Sei que todos nascemos e morremos e que essa é a única certeza da vida. A questão é a forma com que isso acontece. Pessoas morrem todos os dias, em todo o mundo, questão de segundos. Em jornais, manchetes de assassinatos se espalham diante de páginas diversas. Na rádio, se escuta a mais nova vítima. Na televisão, estão gráficos do número de mortos do dia, do mês ou do ano. Números e mais números. É assim que são lembradas algumas pessoas.

Algumas pessoas são eternizadas por suas famílias, guardadas como boas lembranças de tempos que não vão voltar. Mas eu não teria esse direito, perdi tudo quando meu pai e meu irmão foram mortos.

Agora que estou às portas da morte, percebo que talvez minha vingança não fosse uma das minhas escolhas mais sábias. Eu provoquei em uma família tudo o que eu não queria sentir, tornei a dor externa para que não atingisse somente a mim.

Arrependida? Um pouco.

Desejo apenas a morte. A paz de espirito para descansar com aqueles que eu verdadeiramente ano. Seria assim tão impensável eu ter um pedaço do céu reservado para mim? E a conta de todas as coisas pelas quais eu passei por esses anos?

Onde quer que Jonathan esteja, eu quero estar com ele.

Rebecca suspirou profundamente pela ultima vez antes de morrer.

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