A Little Piece Of Heaven
2 Saved by killer
Notas iniciais
Idris era um completo caos. A cidade era uma mistura de pó, sangue e ruinas, havia corpos pelo chão, crianças, adultos e caçadores de sombras jovens.
Ficou claro para Rebecca que o pai perdeu a guerra, os sobreviventes se dirigiam ao salão de acordos e foi para lá que ela se dirigiu também seguindo a multidão com passos lentos.
Uma garota ruiva estava no palanque com uma versão mais velha de si mesma, um garoto loiro e várias outras pessoas que ela não reconhecia.
- A guerra acabou e ficou mais do que claro que todos os integrantes do submundo devem trabalhar unidos com os caçadores de sombras. Respeitemos um ao outro e vamos conviver em paz, é o único jeito de livrar nosso mundo de pessoas como Valentim e o filho dele.
O homem loiro falava muito bem, usava óculos e tinha olhos azuis. Um bando aplaudiu o homem com vigor, os outros apenas ficaram calados consolando seus pais e amigos.
Rebecca ficou parada no meio do salão, ninguém a conhecia e ela não conhecia ninguém. Viu algumas famílias chorando sobre o corpo de parentes e amigos, enquanto outros eram tratados e iam para os restos de sua casa.
A garota ruiva ficou encarando-a por alguns momentos e cochichou alguma coisa para o menino loiro ao lado dela. Ambos encararam Rebecca, ela manteve os olhos castanhos fixos nos verdes da ruiva e assim foi até que a outra desviou o olhar.
Rebecca decidiu que era hora de sair do salão e procurar por pistas.
Lá fora as ruas continuavam desertas e vazias, cheias de sangue. Ela andou por entre as ruinas, a cidade foi ficando menos iluminada a medida que avançava, não havia rumo para Rebecca Morgenstern, era filho de um homem taxado de louco pela sociedade e o irmão estava morto.
Foi tarde demais para ter alguma reação de luta, o demônio a atacou pelas costas e a derrubou de cara no chão arenoso. Rebecca atirou-se para o lado bem a tempo de esquivar do demônio Oni que estava pronto para ataca-la.
Oni’s eram demônios que lembravam aranhas gigantes e tenebrosas. O treinamento de Rebecca ajudou-a a sobreviver aos primeiros demônios, esquivando e socando o que via pela frente, mas logo eles eram muitos e a cercavam.
Por que não trouxera uma arma? Sair sem nada em meio de uma guerra era burrice.
Os golpes e ataques continuaram por uma eternidade. Rebecca pegou um pedaço de madeira e bateu na parede caída de uma casa, a madeira lascou e formou-se uma estaca improvisada.
Rebecca cravou-a no primeiro demônio que viu, acertou direto em um dos olhos do bicho, o Oni saiu gritando de volta para a sombra e as ruinas.
Os outros pareceram surgir do nada e um a derrubou no chão. A estaca foi perdida no olho do outro demônio.
- Inferno. – disse Rebecca.
Ela preparou-se para o final ridículo que sua vida teria e então foi salva.
Uma lamina serafim cortou o ar em um floreio luminoso, o homem que a manuseava acabou com todos os demônios em meio segundo os demônios sobreviventes fugiram correndo.
- Você esta bem? – era o garoto loiro que cochichava com a garota ruiva.
Ele estendeu a mão e Rebecca a aceitou.
- Sou Jace Lightwood.
Ela lembrava-se vagamente da família Lightwood. Não eram todos morenos com olhos claros? Esse Jace era loiro, com olhos dourados e pele bronzeada.
- Sou Rebecca Kley – ela sabia que não podia dizer que era filha de um assassino.
Jace assentiu, vasculhando em sua mente que família era Kley.
- Pode vir comigo, parece bem machucada e precisara de cuidados.
Rebecca não sentia-se machucada ou mesmo dolorida, o calor da batalha sempre a deixava imune a qualquer tipo de dor. Houve uma vez durante o treino que Jonathan a derrubou com um pouco de violência e quebrou seu braço, Rebecca levantou-se e continuou lutando. Depois Valentim chegou e cuidou do ombro dela, também elogiou ambos pelo bom desempenho, para o pai elogiar era sorrir.
- Tudo bem, estou bem
- Você tem runas. – notou Jace.
- Sim, eu tenho.
- Mas não tem a angelic power. Por que?
- Não sou uma caçadora de sombras. Meu era morreu em serviço e meu irmão morreu recentemente, eles queriam minha proteção e me treinaram.
Jace franziu a testa e não disse mais nada. Eles caminharam de volta para o Salão dos Acordos, agora estava menos movimentado, apenas as pessoas do palanque – incluindo a garota ruiva – se encontravam ali conversando.
- Quem é ela? – perguntou uma ruiva que era a copia mais velha da garota.
- Jocelyn, esta é Rebecca Kley. Seu pai morreu em serviço e o irmão também.
Jocelyn aproximou-se dela examinando seu rosto atentamente. Depois assentiu e virou-se para a garota ruiva.
- Clary é melhor leva-la par a enfermaria.
E então Rebecca desmaiou.
Ela estava consciente a algumas horas, mas não tinha vontade de abrir os olhos assim como estava podia ouvir todas as conversas no salão de acordos. Aquela família continuava ali, Jace e Clary vieram vê-la e depois Jocelyn.
- Ela é muito parecida com ele. Viu os olhos? – era a voz de Jocelyn.
- É apenas uma coincidência mãe, ela não é filha de Valentim. – respondeu Clary.
- E se for? – disse Jocelyn – Por que ela mentiria sobre isso? Ela não vai querer nossa amizade, o irmão provavelmente é Jonathan.
- Não diga o nome dele. – Clary disse entre dentes.
- Ele esta morto, morto por Jace!
Rebecca abriu os olhos. Uma súbita raiva cresceu em seu peito, o sentimento venenoso corroía suas veias como chuva acida corroía uma plantação verdejante.
Jace a salvara.
Jace matou Jonathan, seu irmão.
Rebecca fechou as mãos em punho, iria matar Jace Lightwood.
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