Notas iniciais
Escrito pela : AnneBlack

A noite em Idris era sempre clara e enluarada, mas não aquela noite.

Aquela noite estava fria demais, pesada e ventosa como os vários funeiras aos quais ela tinha ido quando mais nova. A morte é uma consequência certa de todos, porém com caçadores de sombras ela pode chegar mais cedo.

E naquela noite haveria morte, haveria sangue correndo por todas as ruas de Idris, ela sabia disso pois o pai contara seus planos antes de partir para guerra ao lado do irmão. A garota ficou para trás como sempre, escondida em uma casa nas profundezas da floresta de Idris.

“Você é importante demais para morrer, fique segura”. Dissera o pai.

Ela viu as primeiras luzes anunciando os demônios rompendo as barreiras de Idris e depois mais nada, tudo era tranquilo ali naquela cabana.

Ela esperou por toda a noite algum sinal de Hugin – o falcão do pai -, mas não recebeu nenhum sinal do andamento da guerra, o irmão também não veio vê-la. E ele prometeu que viria, Jonathan nunca quebrava uma promessa.

Quando finalmente cansou de esperar por noticias, a garota colocou uma capa de veludo negro sobre os ombros, puxou o capuz sobre o rosto e saiu pela floresta na noite escura e fria.

A garota encapuzada chegou ao lago Lyn, aquele em que o anjo entregou os Instrumentos mortais para Jonathan O primeiro Caçador de Sombras, agora estava deserto.

As águas tranquilas e cristalinas como sempre estiveram, porém alguma coisa parecia errada, a terra a margem do lago estava pisoteada como se uma luta tivesse acontecido ali, ela abaixou o capuz para analisar o solo, tinha manchas de sangue no gramado e alguém certamente tinha tentado um feitiço de invocação.

Ela caminhou pela clareira e avistou um corpo, a principio pensou ser algum residente de Idris morto por algum monstro durante a guerra, mas ainda estavam longe demais da cidade para que alguém morresse por ali.

Ao aproximar-se do corpo, todo o sangue no corpo dela gelou, seu coração não tinha forças para bombear sangue – partido como estava -.

No meio da relva verde e límpida estava estendido o corpo de Jonathan Morgenstern, seu irmão e único amigo, os olhos do irmão estavam abertos fitando o céu e – ela soltou um grito quando viu – uma de suas mãos foi brutalmente arrancada.

– Jonathan – chorou ela.

Lagrimas cristalinas como o lago desciam por seu rosto e marcavam a pele alva, Rebecca Morgenstern, filha de Valentim, ajoelhou-se ao lado do irmão e chorou copiosamente ao lado do corpo do irmão morto. Ela chorou por tudo o que ele significava, pelo amor, pelos bons momentos e também chorou de ódio.

Rebecca levantou-se.

– Eu juro que vou vinga-lo, não importa como farei isso, mas o farei.

Então ela colocou o capuz novamente e se dirigiu a Idris, vingança bombeava o sangue para sua cabeça e tudo que ela via era o sangue do assassino do irmão em suas mãos.