– Jace. – disse Clary – Nós temos 17 anos, isso é muito cedo.

Os olhos dourados dele estavam brilhando de esperança e ansiedade com a resposta de Clary. Jace viu muito de seus amigos, irmãos e companheiros indo embora e ele não podia perder Clary senão sua vida não teria mais sentido nenhum.

– Clary – ele segurou-a gentilmente pelos ombros – Meus irmãos morrera, minha irmã partiu para as Irmãs de Ferro. Eu só tenho você e pelo que sei Rebecca pode nos matar a qualquer instante.

– Nós podemos esperar, dar um jeito em Rebecca e então...

– Não, Clary – Jace parecia querer chorar. Mas ela sabia que ele não faria isso – Dessa vez é diferente. Maryse vai morrer, Robert não vai ajudar. Você não entende que tudo desmoronou? Acabou. Só resta nós dois, Clary.

Ela entendia e ao mesmo tempo não entendia. Clary perdeu Simon, seu melhor amigo desde que ela lembrava de aprender a andar e falar, e agora eram dias difíceis em que ela não podia contar com o humor de Simon. Todos os dias Clary rezava para que ele estivesse bem, mesmo que tivesse morrido como um vampiro amaldiçoado.

– Minha mãe não vai deixar.

– Fugimos. Só resta nós dois.

– Eu preciso de tempo.

Jocelyn e Luke eram toda a família que ela tinha, com um pai como Valentim e irmãos como Rebecca e Sebastian sua vida não era a melhor coisa do mundo.

– Não temos tempo. Se você aceitar minha proposta, estarei esperando na frente do que restou do Instituto. – Jace beijou-a na testa – Até a uma da manha e depois eu vou encontrar Rebecca e mata-la.

– Não pode fazer isso sozinho.

Jace não respondeu, apenas saiu silenciosamente da casa de Luke. Ela sabia que Jace iria a uma missão suicida porque a luta era a única coisa que acalmava o coração partido dele, ela sempre soube que ele morreria por causa disso no final.

Depois de Jace ter ido embora, Clary foi até o quarto de Jocelyn e Luke. Os dois estavam vendo um filme qualquer, abraçados na cama, pareciam tão em paz que ela se perguntou se um dia teria isso com Jace.

– Eu preciso falar com vocês.

Luke e Jocelyn sentaram-se eretos na cama.

– Pode dizer – disse Luke.

– Jace me pediu em casamento.

Os dois trocaram olhares e depois encararam Clary, naquele momento ela se sentia terrivelmente pequena.

– E você disse não.

– Eu não respondi ainda.

– Clary – começou Jocelyn – Vocês terão anos de vida, ainda são muito novos para casar e se um dia você descobrir que não era o bastante?

– Mãe, olhe para Magnus e Alec, Isabelle e Simon. – disse Clary – Você não vê? A história se repete.

– Rebecca não está mais aqui. Pelo que sabemos não tem como continuar sem aliados. – disse Luke.

– Ela vai conseguir. Todos os Morgensterns são loucos.

– E você também. – disse Jocelyn – Se pensa em aceitar a proposta de Jace, deixe o tempo.

A raiva irrompeu do peito de Clary como uma fera selvagem. Assim como Jace, ela tinha visto muitas pessoas morrerem para entender que todos os planos, vergonhas e futuros caiam diante da morte.

– Não mãe. – ela gritou – Eu tenho que aceitar porque posso nunca me casar, posso morrer antes disso. Simon era um vampiro, imortal, e onde ele está agora?

Jocelyn tencionou responder, mas Clary já tinha saído do quarto e batido a porta atrás de si. As lagrimas rolavam livremente pelo seu rosto enquanto ela preparava uma mochila com roupas e coisas que talvez fosse precisar.

Não importava se a mãe e Luke não aprovassem seu casamento, ela queria ser feliz ao lado de Jace o máximo que conseguisse.

...

Rebecca abriu os olhos lentamente. Seu corpo doía com uma sensação boa de pós-sexo. Santiago estava dormindo porque o dia já tinha amanhecido e bem... Ele era um vampiro.

Ela ficou na cama pensando em tudo o que poderia fazer. Um plano começava a se formar na mente dela, agora que ela tinha um aliado às coisas iam ficar mais fáceis e logo Santiago poderia ser descartado.

Eles transaram a noite inteira, Santiago não era um homem fácil de ser saciado assim como o irmão dela também não era. Por vezes seus lábios formaram o nome de seu irmão e por vezes era o rosto dele que ela via, mas no final tudo se resumia a Santiago.

Ela lembrou-se da primeira vez que Sebastian a tinha tocado. O irmão nunca foi inocente, mas eram muito novos quando tudo começou.

Valentim havia saído para mais uma de suas missões. O pai não ficava muito tempo em casa, então o irmão mais velho sempre cuidava de Rebecca sozinho.

Sebastian tinha 15 anos e Rebecca tinha 13, era um dia frio em Idris e a neve estava cobrindo todo o quintal de branco.

– Eu quero ir lá fora. – disse Rebecca.

– Está muito frio para ir lá fora, Becky.

Rebecca estava agarrada a janela desde que acordou naquela manhã, ela tinha que ir lá fora deitar na neve fofa e branca.

– Mas, Sebastian eu quero fazer anjos de neve.

O irmão sorriu docemente.

– Você vai morrer de frio.

– Não vou não, você vai me proteger e depois podemos fazer chocolate quente.

O irmão aproximou-se dela e segurou suas mãos na dele. Eles eram pálidos e tinham os mesmos cabelos loiros claros, ela amava tanto o irmão que eles pareciam ser apenas um.

– Prometa que não vai contar ao papai.

– Eu prometo – disse Rebecca sorridente.

Sebastian pegou dois casacos, um para si e outro para a irmã. O vento esta cortante do lado de fora e Rebecca se encolheu dentro do casaco forrado de peles.

– Então, não quer voltar para dentro? – perguntou Sebastian.

– Não.

Ela era uma criança teimosa desde sempre. Rebecca deitou-se na neve fofa e começou a mexer os braços e pernas, fazendo um anjo de neve um pouco torto e pequeno.

– Vem Bash! – ela chamou pelo irmão no meio de gargalhadas.

Sebastian veio lentamente e deitou-se com ela, primeiro ele ficou parado e depois se moveu muito lentamente.

– Precisa ser mais rápido! – ela gritou. Bateu suas pernas e braços com força, demonstrando para o irmão como se fazia – Viu?

– Chega – disse Sebastian rindo e levantando-se – Vamos tomar um banho e tirar toda essa neve de você.

Os dois olharam para a neve onde tinham tentando fazer anjos de neve. O de Sebastian era muito maior que o de Rebecca, mas as pontas das asas encostavam uma na outra. Até os anjos sabiam que eles eram uma coisa só.

– Tire a roupa, Becky.

O irmão sempre ajudou Rebecca no banho, lavando seus cabelos ou esfregando suas costas. Valentim dizia que eles estavam velhos demais para tomarem banho juntos, mas sempre que o pai não estava em casa eles faziam isso.

Rebecca tirou toda a roupa e o irmão também. As vezes ela tinha receio de olhar para as partes intimas do irmão, não eram como ela se lembrava quando eram menores e o corpo dele parecia mais definido agora.

– O que está acontecendo com seu corpo Sebastian? – ela perguntou enquanto o irmão lavava seu cabelo.

– Nada. Por quê?

– Você parece... Maior.

Sebastian riu.

– Estou ficando velho. É por isso que papai diz que não podemos tomar banho juntos.

Rebecca virou-se de frente para o irmão, ele era mais alto que ela então ela teve de ficar na ponta dos pés para envolver o pescoço dele com os braços.

– Não importa o que o papai diz. Nunca vamos nos separar.

O contato dos seios de Rebecca contra o peito de Sebastian causou sensações estranhas aos dois. Então, Sebastian decidiu que já era hora de testar uma coisa.

– Quero fazer uma coisa. Prometa que não vai contar ao pai.

Rebecca assentiu com a cabeça.

O irmão segurou seu rosto gentilmente e aproximou do dele, ela não teve medo do que ele ia fazer, confiava cegamente em Sebastian. Ele encostou os lábios nos dela e deu seu primeiro beijo, no começo foi desajeitado e temeroso, mas depois o irmão sentiu-se confiante para colocar a língua dentro da boca da irmã.

E assim foi seu longo e maravilhoso primeiro beijo.

Depois daquele dia Sebastian ensinou a Rebecca uma coisa nova todos os dias, até que ela perdeu a virgindade com ele aos 14 anos. Valentim nunca desconfiara de nada entre os dois.

– Está acordada? – perguntou Santiago.

– Estou pensando.

– E o que tem em mente?

Rebecca encarou os olhos castanhos e sorridentes do vampiro.

– Meu pai guardava frascos de sangue de anjo e eu os trouxe comigo, pelo menos seis dele. – Rebecca começou a narrar o plano – É bem simples. Valentim misturava sangue de anjo ou de demônio em uma criança para torna-la forte, eu planjo injetar os dois em mim mesma e ver o que acontece.

– E se der errado?

– Nós saberemos.

– Onde vai conseguir o sangue de demônio? Supondo que algum deles tenha sangue.

– Isso não vai ser difícil. A maioria dos príncipes do Inferno estão acorrentados nas profundezas e incapazes de lutar, eu vou conseguir seis frascos de sangue.

Santiago deu de ombros e continuou a dormir. Rebecca levantou-se e foi até o banheiro tomar um banho, ela precisava começar seu plano imediatamente.

Primeiro ela iria buscar os frascos de sangue de demônio, ao mesmo tempo em que injetasse os de anjo e depois iria testa-los matando Luke e Jocelyn sozinha.

Rebecca fechou os olhos em baixo da agua quente e relaxou, sua mão foi para sua intimidade e ela começou a se masturbar pensando no rosto de Sebastian.