A Little Piece Of Heaven
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Atualmente (12 anos depois)...
- Nós vamos nos mudar.
- O QUÊ?
- Nós, vamos, nos, mudar... – disse a mãe de Julliet exagerando nas pausas entre as palavras — E não fala comigo nesse tom!
- Eu falo como eu quiser porra e boa viajem, eu não vou a lugar algum!
- Eu não quero saber a sua opinião ela não faz a mínima diferença, vá para o seu quarto e faça suas malas, não quero ouvir mais nenhum som vindo da sua boca até você terminar entendeu? Agora vai!
- Se fode. – murmurou
- Como disse?
- Nada não, pensei alto. – Disse, lançando a mãe um sorriso bem amarelo e uma cara de anjo forçada.
Julliet foi andando pelo corredor em direção ao seu quarto, bateu com força e trancou a porta para que ninguém a incomodasse, ligou o som com a sua playlist no último volume e acendeu um cigarro.
Sim ela fumava, tinha pegado esse hábito muito cedo aos treze anos ainda, apesar de morar no Upper East Side em um luxuoso apartamento de frente para o Central Park – mesmo que, bem, esse hábito fosse comum entre os jovens dessa parte da cidade, a única diferença á queles mantinham descrição quanto ao hábito, diferentemente de Julliet. Ela só queria saber de andar com a galera barra pesada das partes baixas da cidade. Ela entrou nesse mundo porque seu primeiro “namorado” – se assim se pode dizer – era um riquinho que comandava a venda de drogas em um ponto desses lugares. Ela já havia experimentado drogas, mas não quis se envolver muito com isso só ficava observando o pessoal fazendo a transação toda e depois pegava a parte do dinheiro que cabia a ela.
Julliet se deitou no chão de sua varanda, e se pôs a observar a paisagem com a qual tanto estava acostumada, não podia acreditar que teria que dar adeus a tudo aquilo. Não queria acreditar que o lugar de que tanto gostava teria que ser deixado para trás, desde que ela se lembra, seu único lar fora ali e doía demais só de pensar em sair dali e nunca mais voltar a entrar no lugar que fora seu refúgio por tantos anos, todos os eventos marcantes de sua vida aconteceram ali, naquele quarto, naquela casa, naquele bairro...
Ela acabou adormecendo no chão da varanda e somente despertou ao sentir a brisa fria percorrer-lhe o corpo, eriçando seus pelos em uma sensação gostosa e irritante ao mesmo tempo, ela se levantou do chão gelado e adentrou seu quarto. Foi em direção ao banheiro e tomou um banho quente e demorado, vestiu suas roupas de dormir, pois percebera que já estava tarde, abriu a porta para ir pegar algo para comer na cozinha.
Ao voltar percebeu que havia um bilhete colado em sua porta.
“Julliet, espero que tenha me obedecido e feito o que lhe pedi, precisamos de suas coisas, pois partiremos amanhã a tarde mesmo, os outros pertences mandaremos depois. Eu te amo meu anjo.”
Sua primeira reação foi amassar e tacar longe o papel. Ela não se conformava em como seus pais poderiam estar fazendo uma coisa dessas com ela, como eles poderiam pensar que de uma hora para outra ela poderia largar tudo que ela vivenciou ali e ir para um lugar que ela sequer sabia que existia?! Eles tinham ficado loucos? Mas depois ela pensou melhor, apesar de toda a pirraça, mesmo depois de ter afrontado sua mãe, ela não recebeu punição ou castigo, pelo contrário, continuaram tratando-a como se nada tivesse acontecido, como se ela fosse um anjinho. Apesar de tudo, Julliet não era má pessoa e amava seus pais.
Ela adentrou seu quarto pegou uma mala grande que estava em seu armário e começou a colocar ali as roupas que mais usava e coisas as quais ela tinha um apego especial, colocou seu celular para carregar e foi deitar. O dia seguinte guardava muitas surpresas para ela...
Julliet acordou no dia seguinte com sua mãe a sacudindo delicadamente.
— Acorda meu amor, está na hora de ir.
— Mas eu não quero ir mãe!
— Nós temos.
— E por quê?
— Por que... achamos que fará bem a você.
— Como um lugar que eu nunca vi na vida vai fazer bem pra mim?!
— Na verdade, você nasceu lá e morou por um tempo e só depois veio para cá.
— Ah, mas não faz diferença, não quero ir e não vou.
— Você não tem o que querer agora vai se arrumar ou te carrego para o aeroporto de pijama mesmo.
Ao dizer isso a mulher se levantou e saiu do quarto pondo fim a discussão. Julliet arrastou-se para o banheiro, tomou um banho rápido e se vestiu, pegou a mala e colocou dentro de uma bolsa outras coisinhas que ela queria levar e saiu de seu quarto, ao passar pela porta ela deu uma ultima olhada no quarto que a abrigou por tantos anos, suspirou e fechou a porta atrás de si.
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