A Lenda dos Guerreiros de Centurian

4 Capítulo 4 - Eólia e o Poder do Ar


Eólia Dragonnis herdou a beleza da mãe, com uma única diferença, a de que seus olhos eram extremamente azuis. Uma vez ao indagar de quem herdara os olhos azuis, a mãe havia respondido com imensa tristeza que ela havia herdado os olhos do pai e então ela soube que jamais deveria falar sobre o pai novamente.

Ela saiu do castelo e se distanciou do vilarejo, o suficiente para não encontrar nenhum morador, não havia tempo para uma conversa amena e nem explicações, também pressentia o perigo e precisava encontrar os outros guerreiros primeiro. O pior era que não tinha a mínima idéia por onde começar e nem mesmo sabia como manejar a sua arma.

Observou o objeto em suas mãos atentamente, a arma era leve, com uma lâmina comprida que oscilava de um lado para o outro e por dentro do cabo. A pedra estava alojada no cabo, uma opala num tom lilás bem claro que reluzia a luz do sol e havia dois furos, um acima e outro abaixo da gema. Como poderia ferir alguém sem ter nenhuma firmeza para introduzi-lo em algo sólido.

De alguma forma, Eólia sabia que o segredo daquela arma estava naqueles furos e buscou sua capacidade de domínio sobre a arma, cobriu o furo acima da gema e surpreendeu-se ao ver a lâmina escorregar para baixo, testou-a até encontrar dificuldade em manter a espada sempre com a lâmina voltada para baixo e então, cobriu o furo abaixo da gema.

Ela se surpreendeu novamente, a lâmina escorregou para cima, treinou alguns golpes de ataque e defesa, deu-se por satisfeita e quando em seu último golpe acidentalmente cobriu os dois furos, ela descobriu que poderia surpreender seu adversário, a lâmina já não oscilava, com o cabo fixo no meio transformava-se numa espada com duas pontas afiadas.

A euforia pela descoberta durou pouco, pois o sol brilhante até bem pouco tempo agora era tomado por uma escuridão que avançava lentamente sobre Zahfir. Ela não soube dizer de onde retirou as palavras, mas conjurou-as como se sempre soubesse o que fazer:

- Dragão do Vento! – A gema em sua arma brilhou irradiando uma luz intensa iluminando aquele pedaço já tomado pelas trevas. Um dragão azulado com manchas brancas misturadas apareceu e aguardava por ela.

- Atendo pelo nome de Íris – o dragão era uma fêmea e comunicava-se mentalmente. – Venha! Devemos partir imediatamente.

O chão começou a tremer, Eólia mal conseguia se manter de pé e por isso, agarrou-se na crina da fera, que volveu seu pescoço ajudando-a a montar em suas costas, bateu as grandes asas e sobrevoou Zahfir. Eólia viu a escuridão tomar conta de cada pedaço de seu amado Reino, as heras de espinhos brotavam destruindo o que encontrava pela frente, consumindo as paredes do vilarejo e do castelo, ela desesperou-se por sua mãe e pelas pessoas conhecidas que amava.

- O Senhor das Trevas a levou – Íris estava conectada aos seus sentimentos e respondeu aos seus piores temores. – E... seu povo, sinto muito. No momento, não há nada que possamos fazer para salvá-los. Eles foram transformados em criaturas das sombras.

- O que farei agora, Íris? – derramou lágrimas de dor e angústia. – Eu não sei por onde começar...

- Você é muito jovem... – disse como se constatasse uma verdade – precisa fortalecer seu coração e sua alma lhe concederá um desejo, mas... – calou-se por um breve momento – almeje apenas quando tiver a certeza do que quer, pois um desejo nunca pode ser alterado.

- Então não tenho força para realizar um desejo agora? – o vento secava as suas lágrimas e indagou já sabendo a resposta.

- Não! – Íris respondeu distanciando-se cada vez mais de Zahfir. – Mas posso ajudá-la em sua jornada. Para onde gostaria que a levasse?

- Para o Guerreiro mais fácil de convencer – ela previa que isso seria um trabalho árduo. – Quem seria ele ou ela?

- Eu fico feliz em saber que a pedra escolheu seu guerreiro acertadamente. Desculpe, mas é maravilhoso descobrir que não sou o único ser pensante – disse como se estivesse a constatar um fato surpreendente. – Partiremos para o sul, sua guerreira encontra-se em Oppal, na cidade submersa das águas de Nereid. Se puder me ajudar chegaremos antes do entardecer.

- Diga-me como e eu me esforçarei, Íris – alisou a crina do dragão, tão pouco tempo e já sentia um imenso carinho por aquela criatura.

- Concentre-se e... – Íris pareceu um pouco tímida — saberá.

Eólia fechou os olhos para ouvir a voz que vinha de seu interior, a voz de sua alma guerreira.

- Asas de Vento! – uma corrente de ar soprou a favor, impulsionando Íris com mais velocidade ao seu destino.

Notas finais
Enquanto isso Eólia tornou-se a guerreira do vento. Alguém poderia imaginar a ligação dela com Morphilus? ^^