A Lenda dos Guerreiros de Centurian
5 Capítulo 5 - O Limbo e a Prisioneira
O portal se abriu no Limbo, Morphilus havia criado esse local especial para receber sua prisioneira. Ele ainda carregava a Rainha da Luz e tê-la em seus braços trazia-lhe um velho sentimento que pensou ter banido para sempre. Essa mulher era a única que conseguia atingi-lo onde ninguém mais alcançava.
Ele depositou-a na cama, com todo o cuidado, a respiração profunda indicava o estado crítico de Lyan, ela havia usado quase toda sua energia vital, mas se recuperaria. Não totalmente, pois no limbo era impossível usar qualquer tipo de magia.
Ela dormia um sono tão tranqüilo que o Senhor das Trevas se sentiu compelido a espreitar os sonhos dela. Debruçou-se sobre ela e aproximou sua mão sobre a fronte da mulher deitada. Morphilus foi puxado com força, isso significava que não era um sonho, mas uma lembrança da qual ele fazia parte.
- Eu vim porque te escolhi – Lyan o envolveu num doce abraço e num beijo cheio de promessas. – Nada mais importa, nem mesmo Zahfir.
Morphilus viu-se novamente acreditando em cada palavra proferida. Nada nos olhos negros e cristalinos daquela bela mulher indicavam que ela mentia. Ele percebeu que mesmo vestindo a máscara de tirano implacável e mesmo estando perdido na lembrança de Lyan, nada havia mudado, ele continuava a amá-la do mesmo modo.
- Amo você... – ele sentiu a mesma alegria exultante daquele dia ao ouvir-lhe – faça-me sua para sempre.
Ele reviu alguns dos doces momentos daquela noite, mas aquela era uma lembrança proibida na mente de Lyan, um sorriso surgiu nos lábios de Morphilus sem que ele percebesse o quanto suavizava seu semblante sempre inexpressivo, sentiu a rainha se mover e uma outra lembrança a perturbava.
- O que faz aqui, senhor, meu Rei! – olhou temerosa para Lan.
- Vim, buscá-la! – Lan disse com o semblante carregado. – Não como um rei, mas como um pai que quer o seu bem.
- Pai! Deixe-me ficar... – suplicou sabendo que o que pedia estava fora de cogitação. – Se realmente me ama e pensa em minha felicidade.
- Eu sei o que se passa entre você e o jovem guardião. A guerra começou e logo esta terra estará em perigo, Zahfir subirá para os céus e você precisa ir para sua própria segurança – ele forçou-a para fora, convocando um dragão para levá-la até o castelo. – Não se preocupe, assim que resolver alguns problemas eu seguirei juntamente com Morphilus e abençoarei essa união. Agora, vá!
Por uma ironia fatídica, Morphilus acabava de descobrir que nunca havia sido traído. A seca havia gerado o ataque dos Goblins a uma Topáz enfraquecida pela miséria e fome. Então, o Rei Lan morreu lutando sem ter tempo para lhe contar que Lyan o esperava. Ele julgou-se abandonado por ela e num átimo de loucura e dor tomou a espada do rei morto e desejou um poder para controlar todas as criaturas de Centurian e destruir Zahfir.
- Eólia... – Lyan balbuciou, o semblante suavizando-se novamente.
Morphilus viu a rainha convocar os Guerreiros da Luz e cair exaurida, havia outra pessoa ao seu lado que tomou uma das quatro gemas para si, então viu o seu rosto, uma cópia jovem de Lyan exceto pelos olhos, espelhou-se naquele tom azul e para ele era óbvio demais, acabava de conhecer um pedaço de si mesmo, retirou a mão e assim, ele soube, que nesta batalha tinha muito mais a perder para obter a sua vitória.
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