A Lenda dos Guerreiros de Centurian
34 Capítulo 34 - O Desejo Mais Forte Vencerá
Lyan Dragonnis observava a bola de cristal que lhe trazia as imagens do Reino de Lan, agora unificado pelas mãos de sua filha Eólia, sorriu com pesar por saber-se próxima do fim. Lembrava-se que suportou o exílio nos céus por saber que um dia eles se encontrariam novamente.
E agora, se percebia incapaz de viver sem Morphilus. Por que um desejo deve se sobrepor a outro mais forte? Estaria ele atrelado à escuridão por ter enfrentado à solidão por tempo demais? Via em seu marido uma resistência ferrenha contra a vida como se já estivesse selado o destino. Ele abdicaria da vida para não se deixar corromper novamente pelas trevas.
Como a Senhora da Luz não lhe restava muito poder, visto que o partilhara com os Guerreiros de Centurian, mas em seu peito ainda pulsava seu desejo mais profundo, o sonho que guardara silenciosamente por todo aquele tempo. O dia em que seriam finalmente... Uma família.
Sempre acreditou nele e nem por um segundo havia temido este confronto. Mas ver-se diante do dilema entre perder um marido ou uma filha colocava-a num caminho doloroso, sem volta e sem o alívio. Ela se odiaria eternamente pela perda preciosa de um entre seus dois únicos amores.
Então, ela se decidiu pelo caminho do sacrifício. Ela caminhou com a cabeça erguida e saiu de seu aposento para o grande salão, enfrentaria com coragem o destino que escolheu, mas enquanto isso, faria companhia a seu marido e aguardaria a chegada de sua filha, que sentia estar mais próxima.
Morphilus Zagard encontrava-se solitário no grande salão, sentando em seu trono, amargando a vida solitária que teve ao ser tomado pelo vazio. Sentia-se minado, seu poder esvaia-se como areia por entre os dedos agora que Lyan estava ao seu lado, preenchendo a escuridão de sua alma com a chama de uma esperança.
Não se sentia digno daquele sonho, do desejo que via na alma de sua amada quando por tanto tempo agiu para destruí-la. E Centurian... Estaria melhor sem o tirano, pois cada passo dado pelo Senhor das Trevas fora dado em nome deuma vingança pessoal. O povo merecia a liderança de um soberano que pensasse no bem de todos.
A morte seria um alívio e ele voltaria a ser o simples guardião que ousou um dia amar sua princesa. A linda mulher caminhava com um sorriso triste, por um tempo pareceu-lhe que seria capaz de fazê-la feliz, mas nisso ele falhou também. Estendeu a mão para sua rainha e beijou-lhe com sofreguidão. Talvez, não houvesse amanhã. Mas sentia o conforto por saber que em breve tudo estaria acabado Lyan viveria novamente uma vida alegre.
_ Amo você, Lyan Dragonnis, meu amor e minha esposa — e o sorriso iluminado que ela lhe dera fora mais que uma dádiva.
Eólia ouvia o som de um coração pulsar... tum, tum... tum, tum... Um ritmo tranqüilo e acolhedor se faziam ouvir deitada sobre o peito de Lantis, que lhe afagava os cabelos. Ali, abraçada a ele, a paz do Reino de Lan parecia ser o melhor lugar para estar, mas toda Centurian aguardava para ter uma vida mais harmoniosa e um futuro esperançoso para todos os povos.
O vento suave balançava as copas enriquecendo a rotina de sons singelos como o cântico dos pássaros, dos pequenos animais que viviam dos frutos e o riso das crianças que brincavam dependuradas aos galhos das árvores. Ninguém deveria depender de um único guerreiro para ser feliz. Todos deveriam ter o direito de cuidar de suas vidas.
Ela suspirou e abriu os olhos para observar seu sonho se realizar, mas as flores que coloriam os campos somente enchiam a vista de uma beleza primaveril, não via a imagem de sua mãe caminhando em companhia do novo rei, Morphilus Zagard, o Senhor das Trevas, seu pai.
_ Venha, preguiçosa! – Hugo sussurrara ao percebê-la acordada enquanto a levantava.
Por um momento, breve, sonho e realidade se misturaram, mas a quimera feneceu aos poucos deixando um doce sabor de seu desejo mais profundo e a realidade se interpôs em seus olhos determinados.
_ Hugo... – viu-se refletida nos olhos negros.
_ Eu sei. Devemos partir. Então, Miramar será nossa próxima parada. Lá há uma conexão com o Castelo Negro.
_ Castelo Negro?
_ Sim. Uma réplica do Castelo de Cristal numa versão mais... Tenebrosa.
_ Há um meio mais rápido. Você me mostrou o caminho, lembra?
_ Sem despedidas?
_ Esteja ciente de que nós voltaremos. Não retornarei sem você. Confia em mim?
_ Sempre. – ele sorriu depositando-lhe um beijo cálido.
As mãos se entrelaçaram firmemente, as palavras mágicas não eram mais necessárias e os elementos agiam por si através da vontade ferrenha de um forte desejo de uma Guerreira escolhida por Centurian. Um brilho intenso surgiu do nada abrindo um vórtice de entrada para o confronto final.
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