A Lenda dos Guerreiros de Centurian

35 Capítulo 35 - O Confronto Final


O vórtice se abriu trazendo os dois visitantes mais esperados do Castelo Negro. Hugo Lantis segurava Eólia pelos ombros enquanto caminhavam pelo grosso tapete vermelho até a presença do Senhor das Trevas que os aguardava sentado em seu trono.

Eólia caminhava confiante, em seus olhos determinados não havia mais dúvidas ou incertezas sobre o que viera buscar. Os olhos carinhosos da bela mulher ao lado de Morphilus pousaram sobre ela, não era a Senhora da rainha, nem tão pouco a Rainha de Lan, mas pura e simplesmente sua mãe.

Ela desceu correndo para abraçá-la, a mulher firme que outrora nunca se esquecia do protocolo e nunca se deixava levar pelas emoções não existia mais. O amor mudava as pessoas e percebia essa mudança em si mesma, pois se sentia corajosa para enfrentar qualquer futuro obscuro estando ao lado de Hugo.

_ Então? Com qual dos guerreiros devo lutar? – a voz grave e suave chegava até ela como um aviso.

_ Vai querer lutar? – abraçou a mãe confortando-a.

_ E o que a faz pensar o contrário? – o tom de cinismo lhe era peculiar.

_ Por ainda encontrá-la viva.

Ele foi rápido sumindo do trono para estar ao lado delas empunhando uma ponta afiada que saia da unha do indicador no pescoço de sua mãe.

_ Talvez... Estivesse apenas esperando o momento ideal para me vingar.

_ Talvez... Não seja este, o momento certo senhor – Lantis empunhava a espada no baixo ventre de seu antigo mestre.

_ Então... Enfim, escolheu seguir o caminho que leva ao amor? Não teve um bom exemplo para seguir comigo, não é mesmo? – ele largava Lyan aos cuidados de Eólia para desembainhar a espada negra.

_ Sim, mestre. Ela tem muito mais charme, mas doravante é um exemplo melhor para seguir.

_ Como bom pai que devo ser... Devo verificar se é um bom pretendente. – trincou a espada de seu opositor.

_ Passarei com louvor, pois tive o melhor mestre.

_ Passará se puder me desarmar.

As espadas iniciaram uma batalha, Zagard imprimia força e agilidade em seu ataque enquanto Lantis possuía destreza em sua defesa. Eram forças que antagônicas que se opunham produzindo o som das armas se chocando no silêncio de um salão vazio.

_ Você apreendeu muito bem – Zagard ofegava.

_ E o senhor está ficando velho.

_ Velho? – Zagard reiniciou mas um número de ataques.

_ Não se irrite! – Lantis bradava entre um ataque e uma defesa – onde está a sabedoria dos idosos?

_ AGHHHHH! – o senhor das Trevas renovava sua fúria até que Lantis o desarmou segurando a Espada Negra com sua mão vazia.

_ Aprovado! – Zagard bateu palmas – Mas...

_ Não haverá más... – Lyan se interpôs entre Zagard e o jovem tornando-se o alvo. – Não há necessidade causar dor... Este jovem não tem mais seus poderes assim como eu. Acabei de confiar meus sonhos e nosso futuro nas mãos da nova Senhora da Luz.

Por um breve momento, Eólia sentiu o peso triste do olhar de seu pai, mas logo a imagem do Senhor das Trevas voltou em seu semblante.

_ Que nosso confronto seja num local mais apropriado.

Ele tinha um poder equivalente para a sua vontade, realizando seu desejo instantaneamente num piscar de olhos. Eles estavam sozinhos numa espécie de limbo onde sentia seus poderes enfraquecendo. De alguma forma aquele homem protegeu, as duas pessoas mais importantes de suas vidas.

_ Vejamos quanto seu desejo é mais forte. Será que terá a capacidade de vencer o vazio?

_ Do que tem medo, pai? — olhos azuis tão profundo quanto os seus questionavam-lhe determinados.

Eólia deu um passo em sua direção a escadaria que teria que subir para alcançá-lo e ele jogou-lhe um feixe negro para pará-la.

_ Afaste-se e lute comigo.

_ Por que quer fazê-la sofrer com este confronto? Ela jamais voltará a ser feliz com a morte de um de nós? – subiu novamente.

_ Só deve existir um desejo – falou como se estivesse explicando algo crucial para uma criança.

_E porque não podemos desejar o mesmo? – subiu mais ainda.

_ O que um Senhor das Trevas teria em comum com a nova Senhora da Luz?

_ Tirando o fato de que temos os mesmos olhos azuis? Tirando o fato de que compartilhamos o mesmo sangue? Tirando o fato de que amamos a mesma mulher? Tirando o fato de que somos capazes de qualquer coisa por amor? Pensando dessa forma agora acho difícil não encontrarmos coisas em comum – ela estava a um passo de alcançá-lo.

_ Não sabe o que é o vazio, a solidão, a escuridão. Eu não mereço estar neste sonho. Esse desejo não serve para mim – ele murmurava como se pensasse consigo mesmo.

_ Não há trevas sem luz – ela pegou-lhe as mãos firmemente. – Já está mais que na hora do povo de Centurian andar com os próprios pés. Cada um deles tem o direito de escolher seu próprio destino de luz ou de trevas. E saiba... Temos pelo menos mais uma coisa em comum. Eu não desistirei de você mesmo que já tenha desistido de si mesmo.

_ Terá um desejo maior capaz de dissipar as trevas que me cercam?

_ Confia em mim?

Os olhos iguais se fecharam, luz e trevas se confrontavam numa batalha de vontades. Qual desejo seria maior quando as trevas lentamente abraçavam a luz?