A Lenda dos Guerreiros de Centurian

33 Capítulo 33 - O Degelo da Maldição


A vida dos guerreiros parecia estar voltada para perseguir o Castelo de Cristal e desta vez não era diferente. Eólia pensava se conseguiria realizar o desejo de salvar seu povo da maldição e apesar de Hugo ser uma força presente sentia a falta de Serena e Thor.

Lantis também se recolhia em seus pensamentos recordando a conversa que ambos tiveram antes de partir de Emerald e percebeu que sua amada ainda não entendia o porquê de seus amigos optarem em lhes entregar as gemas.

_ Lia... – acariciava os cabelos da amada.

_ Hum? – ela abriu os olhos e se voltou para Lantis.

_ Pelo que está lutando?

_ Primeiro quero salvar meu povo.

_ E depois?

_ Quero achar minha mãe.

_ Seria capaz de lutar com seu próprio pai?

Eólia se levantou dando alguns passos e se abraçou.

_ Não sei. – virou-se novamente para cair nos braços dele. – Por que tantas perguntas? Você não vai me deixar, vai?

_ Só se não puder evitar – sorriu enigmático.

_ Prometa que fará o impossível – ela deu um soco leve no braço do guerreiro.

_ Milagre? – abraçou-a beijando-lhe a testa.

_ Se for necessário, sim – enterrou o rosto no peito dele.

Serena e Thor não haviam desistido de seus sonhos e nem de lutar pela felicidade do povo de Centurian. A pequena sereia havia acreditado em Eólia, o elfo havia lhe confiado à esperança e ele estava decidido a seguir sua amada até o fim.

_ O que vejo em seu coração é verdadeiro? – Gaio infiltrou-se em sua mente.

_ Sim. Está decidido.

_ Então... Assim será. – Gaio, o dragão preto, inspirou soltando as labaredas de fogo. – Este ser finalmente encontrou seu guerreiro.

Enquanto isso, no Castelo Negro, o Senhor das Trevas continuava a acompanhar a viagem de sua filha e seu braço direito. A última imagem que chegou até ele o fez sorrir, pois agora olhava apenas para a ônix em sua espada. Então, finalmente... Lantis resolveu seguir o coração. Eólia estaria segura e ele morreria em paz.

Amanhecia e o sol despontava no céu, um prisma de luz surgia no horizonte mostrando as torres do Castelo de Cristal. O lar dos Dragonnis era de beleza indescritível e quase um sonho entre as nuvens. O coração do Reino de Lan vagava silencioso.

_ Guerreira! É chegada à hora – Íris chamou-lhe de volta para a realidade.

_ Hora de quê, Íris? Não é uma boa hora para enigmas.

_ Então, faça como ele! – Íris bufou.

Gaio chegava ao topo de uma das torres e planou o mais próximo que pôde. Lantis uniu as duas palmas, uma ao lado da outra, fazendo uma bola de luz surgir, raios coloridos brilhavam como se um arco-íris estivesse dentro dele. Ele lançou o poder acumulado das gemas em direção a torre.

_ Prisma de Luz! – ele gritou.

Eólia concentrou-se para encontrar as palavras mágicas em seu coração e lançar o feitiço em outra torre.

_ Prisma de Luz! – disse por fim.

À medida que o tempo passava, o Castelo de Cristal era envolvido lentamente por uma áurea de luz brilhante como se estivesse degelando um longo e tenebroso inverno. As plantas ressecadas ganhavam vida, os espinhos cediam sumindo, e o mais importante, os animais e as pessoas petrificadas voltavam a se mexer. A maldição estava quebrada.

Eólia sentiu um imenso alívio por ver os rostos felizes de pessoas queridas congratulando-se e acenando para ela. Lágrimas de emoção saltavam-lhe os olhos sem que pudesse impedir. Contudo, o perigo ainda rondava. Um barulho ensurdecedor se fez ouvir assustando a todos, que agora se recolhiam para dentro de suas casas.

_ Não! Morphilus por favor... Impeça! O castelo não resistirá sem o poder da luz – a Rainha de Lan fraquejou pressentindo o pior e ofereceu sua bola de cristal para seu marido.

_ Nem tão pouco sem o poder das trevas, a maldição foi quebrada. Escondendo brinquedos, querida esposa? – ergueu a sobrancelha. –E agora me pede para salvar seu povo?

_ É seu povo também, meu amor... – sua voz soava cansada e entristecida.

_ Confiará em mim? – penetrou com seu olhar que exigia nada menos que a verdade.

_ Sim – as lágrimas rolaram.

_ Então... Sente-se ao meu lado. Logo teremos convidados.

O Castelo começava a inclinar vertiginosamente como se fosse cair em queda livre, oscilando perigosamente como um navio quase a afundar no mar.

_ Lantis! – Eólia gritou em desespero.

_ Eólia. A maldição está quebrada, mas o seu povo ainda corre perigo. O que mais deseja?

_ Salvar meu povo, mas... como? – ela lançava-lhe um olhar suplicante.

_ Você já sabe como, querida.Mas seja breve porque o castelo não vai esperar sua crise passar.

O Reino de Lan desceu das nuvens, caindo em direção a Tópaz. Eólia via o fim próximo de todo seu povo, não só das pessoas no castelo, mas do povo que esperava pelo retorno do castelo e algo em seu interior aqueceu.

_ Desejo salvar meu povo! – disse gritando com todas as forças de seu ser.

_ Seja feito. – Lantis bradou.

Eles juntaram seus poderes mais uma vez. As forças dos elementos trabalharam simultaneamente agindo para que o castelo não desabasse dos céus. Ar, água, terra e fogo formaram um redemoinho gigante que equilibrou as diferenças na base, sustentado-as até que um ruído ensurdecedor se fez ouvir antes que o vale fosse preenchido novamente.

Eólia pulou de seu dragão para o pátio do castelo e gritou procurando sobreviventes.

_ Roody. Enzel – chamou os nomes das pessoas mais próximas e conhecidas. – Alguém? Por favor? – ajoelhou-se chorando convulsivamente.

_ Lia... Calma. Está tudo bem – Hugo a abraçou confortando-a.

_ Eu não consegui. Não... consegui.

_ Olhe de novo a sua volta, meu amor.

As pessoas começavam a surgir aos poucos de todas as direções, homens, mulheres e crianças, e mesmo apesar do susto, havia sorriso em seus rostos, um certo alívio, algumas deveriam estar com dor por causa dos ferimentos, mas todos estavam vivos. Então, enquanto ainda podia perceber, as famílias separadas se reuniam novamente e ela mergulhou no profundo sono da exaustão.