A Lenda dos Guerreiros de Centurian

30 Capítulo 30 - A Herdeira do Trono


Por um momento parecia que Oppal era uma cidade extinta, pois Serena havia ouvido a própria voz voltar em eco. Porém, a escuridão lúgubre daquele lugar se dissipou quando a pedra em seu tridente brilhou intensamente e aos poucos as sereianas surgiram de todos os lugares.

_ Quem são vocês? – uma sereiana destacou-se entre as demais.

_ Eu sou Serena e estes são meus amigos. E você quem é?

_ Uma sereiana com amigos? – a espécime tenebrosa riu cruelmente. – Galardia, a nova soberana.

Os guerreiros ficaram de prontidão por causa da hostilidade.

_ Soberana do quê? – Serena provocava.

_ Soberana de Oppal e de toda a água deste mundo.

_ É mesmo? — a pequena sereia levantou a sobrancelha.

_ E quem contestará? – Galardia olhou em volta causando temor entre as demais sereianas que se afastaram mais para trás e rindo desagradavelmente de forma jocosa. – Vai me desafiar?

_ Eu reclamo o trono de Oppal. Sou filha da rainha Nereid Marmeid e Desmond de Vandreis... – sorriu ao ver a surpresa estampada no rosto daquele ser vil.

_ É mentira! – Galardia sibilava. – A rainha morreu sem deixar herdeiras.

_ Bem... Fomos deixadas à própria sorte, mas por felicidade todas as herdeiras sobreviveram. Guerreiros de Centurian... Afastem-se! Essa luta contra essa usurpadora é minha.

Mal disse essas palavras e Galardia avançou para cima dela. As armas trincaram produzindo um som diferente dentro da água. Serena era pequena, porém não perdia em agilidade e destreza para a força da outra sereiana.

_ O reinado é para os mais fortes. – Galardia urrava imprimindo mais força fazendo Serena vergar sob seu peso.

_ Nem sempre há necessidade de se fazer uso da força para vencer... – retirou sua arma esquivando-se para o lado fazendo Galardia se desequilibrar momentaneamente.

Era impressionante como Serena parecia diferente, não era apenas uma garotinha. Como filha de Nereid Marmeid, a Senhora das Águas e Rainha de Oppal, Serena desconhecia o poder que possuía, a força interior que não dependia dos poderes da gema.

_ Nós, as sereianas aperfeiçoamos nossa raça, escolhendo concubinos que nos fortalecessem. Os humanos nunca foram escolhidos porque possuem sentimentos. Marmeid era uma dessas aberrações nascida do acasalamento com um humano...

Galardia não parava de falar enquanto enfrentava Serena, Lantis podia perceber que ela queria irritá-la.

_ Uma aberração que a tornava emotiva... Ahhh! – Serena acabava de feri-la no braço fazendo Galardia reforçar os ataques. – Tanto que ela se apaixonou por um elfo-rei... E para atraí-lo tornou a Floresta Encantada mais atraente enviando água em forma abundante... Raptou-o trazendo para cá – havia um prazer perverso nos olhos dela – ela não conseguiu matá-lo e essa fraqueza custou-lhe a vida porque foi morta por ele.

Serena aproveitou-se daquele momento de jubilo de sua oponente para desarmá-la e mantê-la presa sob a ameaça de seu tridente.

_ Você fala demais! Blá, blá ,blá... Enfim, acabou de perder para uma aberração. Quem é a fraca agora? – encarou bem dentro e viu o medo tomar a íris fazendo Galardia arregalar os olhos. – Suma de minha vista!

_ Sena? – uma linda sereia de cabelos brancos apareceu entre a multidão.

_ Melity! – Abriu os braços para abraçar uma de suas irmãs.

_ Cuidado! – Lantis apenas gritou, o poder do fogo era inútil dentro da água.

Galardia partia com a arma em riste com toda sua fúria. Não havia tempo para se defender. Serena apenas elevou a mão como se fosse parar o ataque com sua mão. As palavras mágicas não foram faladas, mas um brilho intenso surgiu envolvendo a perigosa sereiana.

Ela foi envolvida numa bolha em que a água era retirada, infelizmente a criatura não era uma aberração e por tanto, não tinha capacidade para respirar fora da água. Serena não apreciou o ato, mas viu que a morte daquela traidora era um mal necessário para adquirir respeito.

Era um respeito adquirido por meio da força, mas não se podia mudar a natureza das sereianas de modo abrupto, era seu dever como soberana ensinar seu povo que a fraqueza não está em possuir sentimentos. Então, pela primeira vez ela teve a certeza do que precisava fazer.

_ Eólia!