A Lenda dos Guerreiros de Centurian

31 Capítulo 31 - O Adeus de uma Amiga


Galardia caiu morta. O silêncio se transformou num burburinho assustador. Os outros Guerreiros se aproximaram de Serena. Porém, ela mantinha a serenidade, seus olhos verde-mar encararam Eólia carinhosamente antes de falar.

_ Guerreira do Vento, a mim chegou como uma estranha e durante o tempo que estivemos juntas ensinou-se muito sobre amizade, respeito, sinceridade e amor. Sempre disseram que as sereianas não têm sentimentos, mas a verdade é temos. Sabemos o que é ódio, raiva, zanga, medo... Aprendemos os sentimentos ruins, mas ninguém nunca nos ensinou os bons.

O burburinho assustador foi silenciando aos poucos. O tom de voz de Serena era claro e firme. Nem mesmo Lantis parecia ousar interrompê-la com suas gracinhas. E Thor estava completamente encantado. E Eólia sentia sua presença marcante.

_ É meu dever como herdeira deste trono dar um novo rumo ao meu povo. É meu dever como filha de Nereid Marmeid consertar os danos que minha mãe causou em Centurian. – Um brilho luminoso surgiu em suas mãos. – Eu, Serena Marmeid sou a Senhora das Águas.

Serena enviou o jato de luz para cima dividindo as águas por um momento, a luz procurava encontrar o objeto que lhe pertencia, o Espelho da Verdade.

_ Volte para mim.

A luz percorria o céu numa velocidade espantosa vasculhando toda Centurian até encontrar o Castelo Negro. A luz seguiu diretamente para o objeto e Lyan protegeu Morphilus contra a luminosidade intensa do encontro da luz com o espelho. Este perdeu a sua forma moldando-se ao jato que saiu da mesma forma que entrou.

_ A partir de hoje, o Usurpador não mais terá domínio sobre as águas e meu povo.

Serena levantou os braços e olhou para cima esperando o retorno da relíquia real. A luz voltou e em suas mãos apresentou um novo formato. Era feito de conchas e pérolas diversas das mais variadas cores que lembravam o arco-íris.

_ Que as águas retornem lentamente para os desertos de Kenob. Aos poucos a natureza deverá produzir o seu encanto e Topáz voltará a ser a cidade que sempre foi.

A correnteza parecia mudar seu curso e lentamente as águas se tornavam menos densas e obscuras.

_ “E duas gemas surgiram. O diamante reluzente e a ônix onipresente, de um desejo latente.” – fez uma pequena pausa após recitar. — É meu desejo como Guerreira da Água que a pedra seja transferida para Eólia Dragonnis, a Guerreira do Vento para quem juro minha fidelidade.

O tridente esquecido sumia e somente a pedra flutuou até elas. Serena recebeu a pedra em sua palma direita, a pedra parecia incrustada em sua mão e um brilho suave a envolveu. Eólia estendeu sua mão esquerda para recebê-la. Elas ficaram de frente uma para a outra unindo palma com palma. Alguns momentos se passaram até que Eólia sorriu para Lantis.

Serena voltou-se para os irmãos e irmãs que se agrupavam ao seu redor. Os guerreiros se afastaram um pouco para assistir o encontro familiar depois de muito tempo. Podia-se notar o quanto Oppal mudaria sob o reinado da nova soberana.

Um pouco mais tarde realizou-se a breve cerimônia de coroação da Senhora das Águas. As sereianas comemoravam a conquista da paz. Thor recolheu-se para um recanto mais silencioso, mas para sua surpresa Serena já se encontrava lá. Sem ter como voltar sem ser notado, ele aproximou-se dela.

_ Nobre Thor – havia tristeza em sua voz. – É aqui que nos separamos.

_ Não, Serena. Só se você quiser porque sempre estará aqui... – bateu levemente no peito – comigo.

_ Você é o herdeiro de Emerald e reinará em Ishtar. Manterá seu povo unificado sem distinção, sem diferença para um koeh ou um Tis e escolherá uma garota de seu povo para esposa e rainha.

_ Herdeiro de Emerald... Sim, Reinarei em Ishtar. Sim, será trabalhoso unificar meu povo tão diferente... Sim, escolherei minha Rainha. Mas ela não será um elfo, ela é metade sereia, sabe?

_ Como ter certeza de que não está encantado? – ela corou.

_ Se estou encantado mantenha-me assim para sempre.

_ Não poderia... Quero ser amada da mesma forma que Lantis ama Eólia.

_ E o que faremos para saber se o que sinto é real?

_ Se conseguir se manter afastado... Irei ao seu encontro.

_ Quanto tempo de espera?

_ Até que os guerreiros consigam a paz de toda Centurian.

_ Então... Preciso chamar os outros para partimos imediatamente.

_ Não tão de imediato. – Serena riu puxando a manga de sua túnica.

Não havia como resistir a tamanho encanto e Thor deixou-se levar pelo desejo de provar os lábios de Serena, porém conteve-se dando apenas um beijo casto. O compromisso que selaram tinha mais valor, ela seria sua quando toda Centurian puder viver em paz novamente.

Os dias passaram não tão lentamente quanto os guerreiros gostariam, mas eles precisavam seguir sua jornada. As despedidas foram realizadas no salão real. Serena encontrava-se sentada em seu trono e ela se levantou para cumprimentá-los.

_ Meus amigos – os olhos já rasos de lágrimas. – Então, é chegada a hora da partida?

Os guerreiros assentiram ajoelhando-se diante da Rainha de Oppal.

_ Levante-se Eólia! Estarei sempre em contato através do Espelho da Verdade. Poderão receber mensagens através da pedra das águas. O Senhor das Trevas pôs um feitiço muito mais forte que a do espelho, bloqueando meu acesso ao castelo. Sentirei saudades.

_ Eu também. – elas se abraçaram.

_ Lantis! Trate de protegê-la com a própria vida.

_ Seu desejo é uma ordem – beijou-a galantemente na mão. – Nunca pensei que lhe diria uma coisa destas.

_ Nem eu. – eles riram e ela finalmente pulou dando-lhe um forte abraço.

_ Eu sabia que era só pose e que você sempre gostou de mim.

_ Thor! Tenha cuidado – ele apertava-lhe a mão suavemente.

_ Terei. – disse beijando-lhe cada uma de suas mãos.

_ Até breve!

Os guerreiros foram escoltados para fora de Oppal e já nos corais invocaram os dragões para uma longa viagem a procura do castelo de Zahfir.