A Lenda dos Guerreiros de Centurian
3 Capítulo 3 - O Domínio da Treva sobre a Luz
Eólia jamais teria partido se a visse agora, a Rainha da Luz jogada como um trapo ao chão, sem forças para se levantar estava sem alternativas até recuperar suas forças, Lyan olhou para o teto e vislumbrou a beleza das luzes refletindo nos cristais, fazendo-a sentir uma paz que há tempos não sentia e recordar os preciosos momentos que deixou para trás.
- Morphilus! – ela correu para abraçá-lo – Que saudades, meu amor. – Eles se beijaram e ela sentiu que este momento em que podiam ficar juntos eram os mais felizes.
- Lyan! Precisamos parar de nos esconder... – seus olhos azuis brilhavam intensamente – Eu preciso estar com você e esses momentos roubados já não são suficientes.
- Eu sei que não, mas... – suspirou infeliz – o Rei Lan está muito tenso com as desavenças entre os povos de Centurian e ele teme por Zahfir. Não creio que seja o momento adequado.
- Se as desavenças continuarem, a guerra será inevitável e então, qual será o momento adequado? – ele disse exasperado – Diga-me a verdade, que temores a afligem e guarda para si? Conheço-a bem demais para perceber que me esconde algo.
- Eu... Desculpe! – disse com imensa tristeza – Estava conformada com a vida que tinha antes de você...
- E o que pode mudar agora que nos encontramos? – ele tentava entender as entrelinhas de suas palavras e segurou seu queixo para ler a verdade em seu rosto – Lyan?
- Nada mudará... – disse confessando finalmente – Por mais que queira outro destino, ele sempre me leva para Zahfir – cerrou os olhos para não encará-lo – é para meu povo que deverei dedicar todos os dias de minha vida.
- Nós fomos feitos um para o outro. O que pode ser mais importante para o Rei Lan que a felicidade de sua filha? – a dor estampada em seu semblante – É essa a sua escolha? Pois saiba que mudarei qualquer destino que me impeça de seguir o meu caminho. Eu destruiria até mesmo Zahfir para tê-la ao meu lado, Lyan. – Ele partiu deixando-a sozinha para escolher que caminho seguir.
As lembranças se dissiparam e com ela, a tranqüilidade momentânea ao perceber que o grande salão era tomado lentamente pela escuridão. Ela sentiu a presença dele antes mesmo de ouvir sua voz, nada, nem mesmo o tempo corrido lhe prepararia para esse reencontro e por isso apenas o aguardou.
- Tanto tempo esperei por este momento... – disse a voz vinda de seu passado – é um prazer revê-la Rainha da Luz.
- Morphilus... – disse com a voz enfraquecida – Uma visita em tanto tempo e... não posso recebê-lo... como manda ... a boa etiqueta.
Então, ela soube que era mais que uma mera imagem, o Senhor das Trevas em pessoa estava ali, bem ao seu lado, somente os olhos azuis sobressaindo-se sobre seus trajes totalmente negros, ele a via caída ao chão e nada em seu rosto indicava algum resquício de sentimento ou emoção.
- Por que vê-la sob os meus pés não me dá a alegria que eu deveria sentir? – ele questionava a si mesmo. – Meu desejo está quase para se realizar, não é mesmo?
- E... o que realmente desejou? Meu amor... – felicitou-se ao ver a surpresa estampada em seu semblante até a pouco inexpressivo – destruir Zahfir... enquanto estou enfraquecida – fechou os olhos – mate-me... e assim terá a sua vitória...
Ele se abaixou tomando-a cuidadosamente em seus braços, ninguém imaginaria que o Senhor das Trevas, um tirano tão implacável pudesse ser tão gentil ao carregar a Rainha da Luz para o vórtice de um portal.
- A morte não satisfaria meu desejo de vingança... – viu o ricto quase imperceptível no canto de sua boca. – No entanto, ver o seu sofrimento... – desceu amparando-a lentamente para que não caísse enquanto proferia o encantamento – quando a luz é maior para iluminar um caminho, duas vezes maior é a sua escuridão, que as sombras de Zahfir se ergam para o domínio das Trevas. – Os olhos brilharam perigosamente – você é minha Lyan.
Antes de desaparecer no portal, sobre os ombros de Morphilus, a Rainha da Luz viu as trevas tomando conta de Zahfir, o chão tremia espalhando caos e destruição, as heras de espinhos brotavam emaranhando-se às paredes do grande salão e em sua impotência, ela apenas temeu pelo seu povo.
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