A Lenda dos Guardiões
3 Capítulo 3 - Aruka: "A Luz e a Escuridão"
Capítulo 3 — Aruka: "A Luz e a Escuridão"
Yusuke andava rápidamente pelas ruas, indo em direção à saída da cidade, guiando Aruka por atalhos que ele conhecia.
Aruka não parava de pensar em seu sonho com Ennes. Ela recebera uma missão como a de Yusuke, mas preferiu não mensiona-la ao irmão.
Ela olhou para Yusuke enquanto andava. Ele estava sério. Provavelmente estava preocupado com o que Valmor lhe disse em sonho. O sol batia em seus cabelos louros, fazendo-os brilhar, o que combinava com sua pele clara — quase pálida. Seus olhos verdes e inquietos observava tudo ao seu redor, verificando se tudo estava bem.
Quando eles chegaram na praça central da cidade, Yusuke parou de andar repentinamente e olhou em direção ao centro da praça. Aruka olhou na mesma direção, em busca do que chamara a atenção do irmão.
Foi então que ela avistou uma linda menininha de pele pálida, que estava discultindo com um homem de armadura negra.
– Eu não vou ir com você! — gritou a menina. — Não me obrigue a te encher de porrada!
Aruka ficara adimirada com a beleza da menina. Seu cabelo era castanho e encaracolados, e chegavam à altura do ombro. Ela usava um vestido preto com bolinhas brancas, na qual batia nos joelhos e uma sapatilha preta. Em seu pescoço pendia um cordão de prata em forma de livro.
– Não tem escolhas pirralha. Você irá comigo, queria você ou não! — gritou o homem de armadura.
A menina segurou seu colar, no qual começou a brilhar intensamente. Derrepente seu pigente cresceu e se tornou um pequeno livro de couro com alguns detalhes prateados. Ela o abriu e estendeu a mão sobre ele.
– CRIAR! — uma luz forte surgiu entre a palma de sua mão e o livro e um martelo se materealizou à sua frente.
Aruka assitia à cena atentamente.
A menina aproximou o livro do pescoço, que se tornou um pingente novamente. Ela segurou o martelo com as duas mãos — que por sinal, era dez centímetros maior que ela. Era feito de esmeraldas e possuia um rubi brilhante no meio de sua cabeça. Ambas as pontas da sua cabeça eram achatadas e revestidas com cristal branco. Na outra ponta de sua haste havia uma pequena lâmina feita do meso cristal.
Aruka se impressionara, não só com o fato daquele ser o maior sonho de qualquer ladrão de joias, mas também por uma garotinha tão pequena e meiga ter força para ergue-lo. Ela acreditava que se tentasse, teria no mínimo sérios problemas de coluna.
– Você tem certeza que deseja lutar contra mim, pirralha? — perguntou o homem de armadura, enquanto erguia sua espada contra a menina.
A menina desparou a correr contra o homem, que a esperava em posição de ataque.
Aruka pegou uma flecha e mirou contra o homem de armadura. Como uma homem pode lutar contra uma criança indefesa?– pensou ela. Quando ela iria soltar a flecha, Yusuke pousou a mão sobre seu ombro.
– Aruka, acalme-se. Ainda não é a hora de interfirir.
Quando a menina se aproximou, o cavaleiro negro desferiu um ataque lateral, mas a menina deslizou no chão, por baixo da lâmina do homem, e passou entre as pernas dele com uma rasteria. Ela se levantou e girou seu corpo, contra atacando o homem com o seu martelo. Ele tentou se esquivar, mas ainda assim o golpe o acertou em cheio no cotovelo esquerdo, fazendo soar um crack bem alto. Agora seu braço estava em um ângulo bastante doloroso. Ele gritou de dor.
– Sua pirralha maldita! Vai me pagar caro por isso! — disse o homem, que se retorcia.
A menina suspirou.
– Cansei de brincar contigo. Você é chato demais. — disse ela, demostrando estar entediada. — IMPULSO TERRESTRE! — ela pulou, erguendo seu martelo no alto e ao cair, acertou o chão com seu martelo, fazendo uma pequena coluna pedra se erguer bem embaixo do seu inimigo, que foi jogado para cima com o impacto.
A garotinha subiu na coluna de pedra e pulou na direção do homem, desferindo um golpe de cima para baixo, que o acertou, o jogando contra o solo.
Quando ele tocou o chão, um crack ainda maior foi ouvido.
Ele não se movia mais, exceto por sua fraca respiração. Estava gravemente ferido, mas não morto.
A garotinha olhou para Aruka e Yusuke e viu que ela ainda segurava seu arco.
– Vocês também querem lutar?
Yusuke sorriu.
– Calminha ai garotinha. Vimos o que você é capaz de fazer e não pretendo te-la como inimiga. Aruka, por favor, guarde o arco — disse ele, com um sorriso que transmitia confiança.
Aruka obedeceu ao seu irmão e guardou o arco em suas costas.
– Oi garotinha! como você se chama? — perguntou ela, que se aproximou da menina.
– Amylle Grennder. Mas pode me chamar de Ammy.
Yusuke também se aproximou de Ammy e se abaixou frente a ela, estendendo a mão para cumprimenta-la, na qual retribui com um aperto de mão.
– Eu sou Yusuke Inuzuka e esta é minha irmã, Aruka. Prazer em conhece-la.
– Onde seus pais estão? — perguntou Aruka.
– Estou a procura deles. Eles desapareceram à algum tempo — Ammy respondeu, com um tom de voz triste.
Yusuke se voltou a ficar de pé.
– Ora, Aruka e eu somos caçadores de recompensas e estavamos procurando por alguém para trabalhar com a gente. Se quiser, pode ocupar a vaga. Dessa forma nós te ajudaremos à encontrar os teus pais. Topa?
Ammy torceu o canto da boca.
– Como saberei se posso confiar em vocês?
Yusuke coçou sua nuca.
– E se eu te disser que eu tive um sonho com um dos guardiões lendários e que ele me disse para ajudar uma pequena guerreira? Te faria confiar em mim?
Ammy sorriu.
– Sim, pois também tive um sonho parecido. E nele a guardiã lendária me dizia que encontraria ajuda oferecida por um guardião — ela tocou o rubi de seu martelo que, por sua vez, desapareceu em pleno ar. — Okay! Então eu vou com vocês — disse ela sorrindo.
(...)
Yusuke guiava as meninas por entre as ruas e becos, seguindo seus atalhos. Aruka conversava com Ammy sobre diversos assuntos, para que se conhecessem melhor. Ela notou que seu irmao estava mais tranquilo, pois vez ou outra ele olhava para elas e ria de algum comentario delas, mas ainda assim ele se mantinha atento.
Ela lembrou de seu sonho com Ennes. Não deixe-se levar por meras aparências, pois não haveria luz sem as trevas e nem as trevas sem a luz, disse a guardiã lendária à ela.
– Onii-cha, você tem algum plano?
– Apenas sair da cidade o quanto antes — respondeu ele calmamente. — Ammy se expôs demais na praça. Teremos de ser discretos e sair daqui o quanto antes.
Ammy segurou a mão esquerda de Aruka e a mão direita de Yusuke, se colocando no meio deles.
– Isso mesmo! Vamos agir como uma família. Meu onii-chan Yu, minha onee-chan Ka e eu.
(...)
Aruka estava feliz. Enfim conseguiram sair da cidade em segurança. Conseguiram também manter a discrição. Já faziam muito tempo que ela e Yusuke não faziam uma saída calma em relação a situações complicadas. Mas mesmo que feliz, algo a incomodava. Sua nuca se ouriçou. Algo estava errado.
Foi quando ela avistou um menino vindo em sua direção.
Ele vestia um sobretudo preto e sem mangas — deixando seus braços à mostra — , com um capuz que impossibilitava à eles de enchergarem seu rosto. Sua calça preta estava um pouco justa e sua barra encontrava-se dentro de um coturno. Em suas mãos, ele usava uma luva sem dedos. Presa em suas costas estava uma foice — que tinha, na ponta inferior de sua haste negra, um rubi brilhante e, na ponta superior, um crânio prateado. No lugar do máxilar, se projetava uma lâmina longa e curva. Seus braço fortes possuiam bastante pelo.
Aruka sentiu uma forte aura negra vinda do menino. Ela olhou para Yusuke, que estava sério novamente. De alguma forma ele já sabia que esse encontro ocorriria.
Yusuke olhou para Aruka e sorriu, transmitindo segurança para ela.
– Aruka, cuide Ammy. Isso não vai demorar.
Ele começou a caminhar na direção do menino, que por sua vez, empunhou sua foice.
– Hoje é um ótimo para se encontrar com um cara estranho que, ao me ver, retira sua foice das costas e caminha até mim. Não acha? — disse ele irônicamente.
– Eu descordo. Não gosto de ter de matar duas jovens donzelas — respondeu o garoto, com um tom de voz triste, como realmente dissesse a verdade.
– E o que você ganharia nos atacando? Vá embora! Siga seu caminho e assim eu não terei de mata-lo — disse Yusuke, confiantemente.
– Sinto muito, mas não tenho alternativas — o menino fez uma pausa. — Nada pessoal. Mas nem tudo na vida acontece como a gente quer. Terei de matar você e as garotinhas.
Aruka se sentiu furiosa e, por alguma razão, sentiu seu rosto corar. Ela odiava ser chamada de garotinha.
O garoto suspirou.
– Enfim! Prometo que será uma morte rápida. Fiquem tranquilos quanto à isso — ele brandiu sua foice e começou a correr na direção à Yusuke, que desembanhou Massamune e seguiu em direção ao garoto.
O rapaz desferiu um ataque lateral, mas Yusuke rolou para o lado e conseguiu se esquivar.
– CORTE TORNADO! — ele atacou horizontalmente em um ângulo de 360°, com sua força duplicada. Mas o menino se esquivou para tras.
A luta estava equilíbrada. Yusuke ataca ao menino, que se defendia utilizando sua foice, e por sua vez, ele atacava à Yusuke, que se esquivava.
Yusuke atacou o menino novamente com Massamune, mas o menino se defendeu. Então Yusuke acertou um soco em seu peito, fazendo-o recuar alguns passos.
Aruka se sentiu incomodada com aquela luta. Ela acreditava que eles não deveriam estar lutando, por alguma razão que ela não sabia explicar.
O menino retomou o folêgo.
– LÂMINA NEGRA! — a lâmina de sua foice foi tomada por uma aura roxa e sombria.
O garoto se aproximou rápidamente de Yusuke e lançou contra ele um ataque diagonal, de baixo para cima, mas Yusuke recuou para tras. O menino sorriu e girou sua foice usando um ataque lateral, que acertou o peito de Yusuke, que gritou por causa da dor.
Ele levou a mão no peito, sobre a ferida, que mesmo não sendo profunda, sangrava bastante. Aruka pensou em ir até o irmão, na intensão de ajuda-lo, mas sabia que ele a reprienderia.
– VELOCIDADE SALVA! — uma aura verde tomou conta de Yusuke. — CORTE TRIPLO! — ele correu até o garoto tão rápido, que para Aruka, parecia que irmão havia teletransportado. Ele parou atras do menino, de costa para ele e com sua katana embanhada novamente. Aruka nem vira quando ele guardara a espada.
De repente, sugiu três cortes no peito do menino, fazendo-o cair de joelhos.
– Eu não serei vencido assim tão fácilmente! — gritou ele. — ATAQUE SOMBRIO! — uma aura negra o rodiou e ele se pos a correr até Yusuke.
Yusuke desembanhou a espada outra vez.
– ATAQUE DIVINO! — ele foi tomado por uma aura branca e correu em direção ao menino.
Eles atacaram um ao outro e ao toque se suas lâminas uma na outra, ocorreu uma grande explosão que irradiava uma poderosa mistura de luz e trevas. As suas auras se fundiram, e tudo ao seu redor foi consumido pela explosão de luz e sombras.
A poeira subiu, impedindo Aruka de ver o que havia acontecido. O silêncio era quase total e o único som a ser ouvido era o assóbio do vento que levava a poeira.
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