Depois de abrirem um portal e trazerem César, os quatro se encontravam espremidos no banco traseiro de um táxi e Larissa no banco de carona. Quando chegaram no aeroporto da cidade vizinha, os garotos se jogaram para fora do carro se esparramando no chão, Larissa pagou o taxista que foi embora cobrindo-os de fumaça. A garota ignorou os amigos que se levantavam e seguiu para o interior do aeroporto.

Adentraram apressadamente o local, empurrando pessoas de vez em quando abrindo caminho até a recepcionista.

— Com licença, tem passagens para Charleston? – indagou Larissa.

— Infelizmente não temos voos diretos para lá. A senhorita teria de pegar um avião até um local próximo.

— Para onde por exemplo. Teria algum que sobrevoasse o local? Não necessariamente que pousasse perto, mas que passasse pela cidade.

A recepcionista encarou a menina de modo estranho, porém não mencionou nada, apenas desviou o olhar para o computador a sua frente e digitou alguma coisa.

— Tem um que sobrevoa a cidade, porém o destino é uma cidade canadense.

Larissa encarou João que assentiu silenciosamente.

— E quando sai o próximo voo?

— Daqui a quinze minutos, porém passagens internacionais devem ser compradas com antecedência. Sinto muito, mas não posso vende-las acima da hora.

Larissa se dobrou sobre o balcão, forçando a mulher a olhar em seus olhos.

— Estamos com pressa. Você irá nos dar quatro passagens nesse avião agora. – declarou ela. Os olhos da recepcionista ficaram nublados, como se estivesse recebendo cada palavra com cuidado. – Não temos dinheiro, então agradeceríamos se nos fizesse um pequeno desconto de cem por cento.

Após terminar de falar, a balconista se virou para seu computador, com os olhos ainda inexpressivos. Poucos segundos depois ela entregou quatro passagens na mão da menina que agradeceu.

— Como você fez isso? – indagou Amanda.

— Posso hipnotizar pessoas para fazerem as minhas vontades – disse dando de ombros. – Mas só funciona com pessoas normais. E não gosto muito de fazer isso. Não se acostumem, foi apenas dessa vez porque a Gabriela pode estar em perigo.

Larissa se despediu dos amigos e foi embora, confiando a eles o restante da missão. Enquanto isso Victor, Amanda, César e João pegavam o avião para uma cidade que nem lembravam o nome.

Os quatro sentaram-se juntos e se ajeitaram pouco antes do avião decolar.

— Durmam um pouco, ainda temos algumas horas até chegarmos – sugeriu João.

—

Seus olhos furiosos fitavam despreocupadamente a mulher à sua frente. Ela trajava um longo vestido prateado, semelhante ao de uma madame rica usado em um baile da alta sociedade, uma tiara de prata com uma pedra vermelha incrustada e longas asas coloridas cujas cores lembravam um arco-íris.

“Horrível! As asas definitivamente não combinam nada com a roupa” pensava em sua gaiola improvisada.

— Sempre soube que você era estúpida, mas nunca achei que iria revelar sua localização tão facilmente. O tempo a amoleceu! – disse a mulher a encarando com nojo. Como não houve resposta, ela continuou. – Dessa vez com certeza vou matá-la! Mesmo que tenha conseguido fugir uma vez, nunca irei perdoá-la por ter matado tantas de nós sem se importar.

A menina de branco que até então fitava o chão, levantou o olhar.

— Sem me importar? – perguntou. – Você faz parecer que e diverti fazendo aquilo. Eu realmente matei muitas de vocês, porém foram vocês que tentaram me matar primeiro.

Um sorriso cruel brotou em seus lábios.

— E falhamos! – Seu sorriso aumentou. – Dessa vez, no entanto, não haverá falhas.

Ela se virou para ir embora, mas a voz da outra chamou sua atenção.

— Acha mesmo que vai conseguir dessa vez, Titânia?

— Não sei! Vamos descobrir? – falou Titânia entre risos divertidos. – Vou mostrar o motivo de meu título ser “Fada-Rainha”, e o seu qual é mesmo? Ah, é! “Fada Renegada”! Não deveria ter me desafiado, farei sua morte ser o mais dolorosa possível.

— Seja lá o que estiver pensando, não pode ser pior do que ter que ficar olhando pra sua cara.

— Veremos, Gabriela! – dito isso, a mulher que aparentava estar na casa dos 40 se virou e saiu calmamente do enorme salão decorado na qual se encontravam, deixando Gabriela sozinha em sua gaiola.

—

— Acorde! – disse João chacoalhando César que começava a acordar.

— O que houve? – perguntou esfregando os olhos.

O moreno apontou para a janela. Estavam sobrevoando uma cidade média, dava para ver também a vasta floresta e alguns quilômetros adiante, uma fortaleza enorme flutuando no céu sustentada por um enorme e extenso pedaço de terra que também flutuava.

Os quatro tiraram seus cintos e um pequeno portal se abriu ao lado de seus assentos, quando César a tocou, a imagem ondulou, como a água de um lago ao ser tocada.

— Vamos, passem rápido! – ordenou João.

Queda livre foi o que encontraram após cruzar o portal do pequeno feiticeiro. Enquanto despencavam do céu em alta velocidade as roupas de João se transformaram em uma túnica preta e com um pingente vermelho pendurado no pescoço, a pele de Victor agora era apenas escamas prateado, suas roupas fundidas na transformação. César vestia seu macacão branco e Amanda suas roupas azul escura e cinza.

Se estabilizando no ar e parando a queda, os quatro seguiram caminho voando para Aldea.