— Ter escolhido esse lugar vazio para lutar me intriga – comentou Satanás se afastando de Matheus.

Ambos estavam no deserto que, devido ao fuso horário, estava noite tornando o ambiente frio. Estavam longe de qualquer habitação humana.

— Eu o escolhi justamente por ser vazio. Assim não vamos precisar nos segurar.

— Então libere seu poder. Sabemos muito bem que você não tem chance contra mim nessa forma patética.

Matheus sabia que ele estava certo e, mesmo contra sua vontade e receio, liberou o poder que tanto odiava, deixando-se dominar por ele. Agora sua fisionomia era totalmente diferente, assim como sua personalidade, como podia se notar em seus olhos lilás.

Quando ambos já estavam prontos para a luta, Satanás deu o primeiro golpe. Em um piscar de olhos se encontrava atrás de Matheus e, antes que o garoto pudesse olhar, um tapa o fez voar por 1 quilometro até atingir o chão abrindo uma cratera enorme. A areia voando em todas as direções. Ao chegar perto do menino novamente, um soco o atirou para cima. Matheus não perdeu tempo e, antes que seu oponente pudesse se recuperar, desferiu um chute em sua barriga o mandando para o chão.

— Você não perdeu nem um pouco de força nesses últimos séculos – disse Satanás para o filho.

— Digo o mesmo. Talvez seja melhor paramos de brincar. Vamos lutar à sério!

Satanás ergueu as mãos e a areia se levantou do chão como se fossem paredes enormes que atingiam o céu, elas se fecharam com força com Matheus entre elas. Espinhos afiados surgiram debaixo da areia agarrando Satanás, cortando-o e prendendo-o. A parede de areia estourou e se dispersou no mesmo momento em que os espinhos incendiaram reduzindo-se a pó.

Um soco no rosto fez Satanás ser atirado a 2 quilômetros de onde se encontrava, suas costas raspando no chão. Sem perder tempo, assim que se levantou voou até o garoto que havia o socado, pegou sua cabeça e a empurrou de encontro ao chão, fazendo-a afundar na areia, arrastando-a em uma velocidade alucinante.

Matheus com certa dificuldade levou a mão de encontro ao rosto de Satanás e o puxou na altura do seu. Agora ambas as cabeças estavam sendo arrastadas pela areia, causando dor para os dois. Continuaram assim por mais alguns decâmetros até finalmente pararem e se afastarem, pairando no ar um de frente para o outro, a uma distância média.

Uma raiz verde escura começou a brotar da testa do garoto, assim como de suas mãos e pernas, elas começaram a envolver seu corpo, imobilizando-o, mais algumas raízes de mesma cor abraçaram seu pescoço, apertando-o com força. Matheus não conseguia mexer seu corpo e o ar começava a lhe faltar cada vez mais. A areia abaixo de ambos foi coberta de estacas enormes e pontudas feitas de aço que pareciam poder perfurar qualquer coisa.

Sem forças para continuar no ar, o garoto começava a despencar em direção às estacas. Antes de atingi-las, porém, ele parou no ar milímetros da ponto afiada de uma estaca que ameaçava perfura-lo por completo. Ele sorriu para o pai e encarou a lua que apresentava uma rachadura. Rachadura que se estendeu para o céu e para o chão e, sem aviso prévio, tudo ao redor se estraçalhou como se o mundo fosse feito de vidro. Matheus continuava no ar onde estava, frente a Satanás e sem nenhuma raiz por seu corpo.

— Está falando sério? – perguntou Matheus com escárnio. – Uma ilusão? Você deveria saber que algo desse nível não vai funcionar comigo.

Ambos avançaram e iniciaram uma longa troca de golpes até que, por fim, Satanás se descuidou recebendo um chute que o mandou para baixo com força o afundando no chão. Matheus não perdeu tempo e correntes de sombras saíram de suas mãos e prenderam seu oponente no chão logo depois de incendiá-lo com chamas negras.

Não demorou muito até que ele conseguisse se levantar e atacasse o outro com um raio e, quando este o atingiu, tanto as sombras quanto o fogo se dissiparam, porém seu ataque não durou por muito tempo também.

Matheus foi voando em direção a Satanás, porém antes de chegar perto dele, a areia, controlada pelo próprio Satanás, o agarrou e soterrou. O demônio tomou distância e reuniu areia moldando-a em forma de estacas, logo após transformando-as em vidro, usando elas para atacar Matheus que estava abaixo da areia.

Quando as estacas cravaram-se no chão, a areia foi se dispersou e o garoto saiu do chão com apenas alguns cortes no corpo e chutou Satanás fazendo-o voar longe. Antes que pudesse atacar novamente algo o atingiu nas costas e o mandou novamente para o chão. Satanás lhe atingiu com incontáveis raios antes que o garoto pudesse fazer algo.

Satanás se aproximou do garoto que estava caído e, aparentemente, desacordado, porém quando se aproximou ele saltou enrolando seu corpos. Os dentes afiados de Matheus foram de encontro à garganta do demônio que gritou ao sentir a dor lhe invadindo, era como se houvesse algo correndo dentro de seu corpo e destruindo seu órgãos.

Com um soco Matheus foi separado do oponente e o segundo golpe separou seu corpo em dois, porém ele simplesmente desapareceu no ar. Satanás não perdeu tempo e arrancou seu braço esquerdo fora, sombras saíram de dentro de seu corpo e se amontoaram ao redor do membro amputado que se incinerou poucos segundo depois.

Ele olhou ao seu redor procurando pelo outro, esperando algum ataque surpreso ou algo do gênero. O golpe veio do lugar mais inesperado: debaixo da areia.

Uma sombra se ergueu rapidamente da areia cortando a perna direita do demônio, mas ele voou fugindo da sombra que o perseguiu pelos céus, destruindo-a quando se recuperou do ataque repentino.

Ao ver Matheus se levantando da areia com os poucos cortes que apresentara antes, o demônio não perdeu tempo e lançou um ataque em massa contra o garoto usando estacas afiadas novamente. Matheus conseguiu desviar da maioria, porém uma passou raspando em seu ombro direito deixando um corte que, apesar de não ser profundo, lhe causava enorme incomodo fora o sangue que continuava a sair.

Matheus avançou em Satanás tocando onde deveriam estar seu braço e sua perna, porém Satanás rapidamente contra-atacou, conferindo-lhe um corte em suas costas por onde mais sangue começava a escorrer. Matheus continuava pairando no ar.

Ao olhar onde o garoto havia lhe tocado, pode notar duas esferas negras.

— Acha mesmo que sua sombra fraca irá funcionar comigo?

— Não é sombra – sorriu. – É escuridão!

Antes que Satanás pudesse fazer algo, as esferas começaram a perfurar seu corpo deixando buracos escuros por onde passavam e, no final, se estenderam transformando-se em um manto que cobriu seu corpo, já esburacado, reduzindo-o a nada.

O garoto, já cansado e sem forças, despencou caindo no chão com brutalidade.

A ameaça dos demônios havia sido, enfim, liquidada. Agora apenas precisava voltar para onde seus amigos o esperavam, isso se fosse capaz de usar seus poderes mais uma vez.