A Lenda De Um Imprinting.

11 Capítulo 11 - Sacrificando-me.


Notas iniciais
Olá meus amores!
Novamente desculpem pela demora, eu tento não demorar para atualizar, mas ultimamente isso tem sido mais dificil do que eu pensei.

Bom, vamos ler logo! Não tenho muito a declarar!

Boa Leitura!

Quando a alma de um homem morre e o uivo em seu peito se mantém vivo, o mesmo prevalece.

O cheiro fétido chegou ao meu nariz primeiramente, contorci o mesmo em sinal de repulsa. Aquele cheiro horroroso adentrava em minhas narinas com tanta voracidade, puxado para meus pulmões que chegou a arder minha garganta. Não sabia distinguir de onde aquele fedor vinha, não sabia dizer sua direção, pois meus olhos ainda se encontravam fechados e pesados demais para que eu pudesse abri-los. No entanto, poderia deduzir que o dono daquele cheiro medonho estava perto, perto até demais do que eu gostaria.

Tentei mais uma vez abrir meus olhos sem vitórias. Tentei tencionar e mexer meus músculos, mas a dor que senti ao fazê-lo foi forte demais para que conseguisse concluí-lo. Foi então que eu percebi que sentia dor. Uma dor intensa e forte que enrijecia todos os meus músculos e queimava meus ossos. Nunca, em toda a minha vida eu havia provado de dor mais intensa, mais dolorosa. Algo em meu peito queimava como fogo e aquela dor era mais do que uma tortura. Eu agonizava, mas agonizava em silêncio. Algo dentro de mim entrava em combustão e eu conseguia sentir aquela queimação percorrendo pelas minhas veias, rompendo cada pedaço de meu interior, destruindo cada glóbulo sanguíneo. Eu sentia que estava morrendo. Aquela dor era a morte vinda ao encontro de meu corpo ou algo bem parecido. Eu havia visto a morte várias vezes, mas nunca cheguei tão perto dela como havia chegado agora, não para desfruta-la.

Questionava-me sobre como ela havia vindo tão rápido e como havia vindo, no entanto, tudo em minha mente gritava em agonia e terror de uma maneira tão forte que pensar sobre algo concreto era impossível.

Movimentação!

Sentia algo se movendo de maneira rápida a minha volta, quase com o mesmo desespero que assombrava meu corpo. Vozes destorcidas soavam em meus ouvidos, mas nada que eu pudesse compreender de fato. O que estava acontecendo? – Era o que eu mais gostaria de saber. – A cada minuto de sofrimento eu sentia-me mais fraco, nem mesmo o lobo que havia dentro de mim eu sentia. Era como se o mesmo já estivesse morrido antes de minha alma. O desespero me atingiu ainda mais. E gritando com os lábios selados eu clamei-o, mas não tive respostas. Clamei novamente e novamente, porém nada, eu não o sentia. Um bolor tomou minha garganta quando meu lobo não chegou até mim, então com mais do que um clamor, uma súplica, eu gritei para os guardiões e com um frio que percorreu minha espinha minha resposta veio.

“Não temas a morte jovem guerreiro. Um homem não morre antes de concluir sua sina e nem tão pouco esmorece antes de escrever sua história.” – A voz envelhecida, porém familiar soou em pensamentos.

“O que está acontecendo?” – Gritei em pensamento.

“Provas.” – Foi tudo que ouvi, antes de sentir uma pressão sobre meu peito.

A pressão que senti fez meus ossos estalarem e ao mesmo tempo um alívio tênue me atingiu. Conforto foi o que eu senti. Aos poucos a queimação que percorria meu corpo foi sendo cessada até que por fim, tornou-se apenas um fio quente, normal, assim como a temperatura de meu corpo.

Em um grito agudo meu lobo rangeu em meu peito explodindo em minha garganta. Meu lobo voltou assim que toda a dor se cessou de meu corpo. Novamente tentei mexer meus músculos só que desta vez consegui concluir o ato sem dor. Minhas pálpebras já não estavam tão pesadas como antes, no entanto, abri-las ainda era uma dificuldade. As mesmas vozes, que antes estavam distorcidas, soaram novamente. Desta vez com mais clareza e mais amplitude. Meus sentidos aguçados também haviam se normalizado. Ouvia agora as vozes conseguindo distingui-las. Uma voz soava com zelo enquanto a outra familiar gritava, e eu a reconhecia; Leah!

– Consegui extrair todo o veneno de seu corpo, daqui a algumas horas ou minutos ele irá acordar. – Carlisle dizia.

– Ela se safou por pouco! – Leah estava com raiva. – Se algo acontecesse ao meu alpha eu não hesitaria em despedaça-la ao meio! – Ela grunhia.

– Renesmee não fez o correto, mas eu também não a julgo. – Carlisle deu de ombros.

– Não a julga? – Sentia um trepidar no cômodo, o chão tremia. Leah estava a ponto de se transformar.

– Leah se acalme! – A voz de Sam soou estridente. – Mantenha a calma, não cometa um erro.

– Eu vou sair daqui. – Leah cuspiu as palavras. – Estarei lá fora, me chame quando ele acordar. – Ouvi a porta bater com força.

– Não ligue para ela, ninguém a entende. – Sam sibilou. – Ele ficará bem? – Suas palavras soaram com dor.

– Acho que sim. Jacob é forte. O veneno que tinha na flecha era suficiente para matar até mesmo um vampiro, nem eu mesmo sei como ele sobreviveu. – Silencio pairou sobre o cômodo. – Melhor deixa-lo sozinho, saberemos quando ele acordar. – Carlisle falou e em poucos segundos, outro bater de portas soou.

Nada do que eles falavam fazia sentido até aquele momento. Até que eu desse conta de fato de tudo o que estava acontecendo comigo. Agora conseguia lembrar-me de tudo. Da batalha, da guerra, da magia do imprinting e da flecha envenenada lançada por aquela que fazia o relógio de meu mundo parar.

Por um momento o ar fugiu de meus pulmões e enfim meus olhos se abriram e eu consegui ver a claridade, mas ódio tomou meu ser. Uma ira grandiosa crescera dentro de mim e mesmo meus olhos enxergando a luz, por dentro eu estava em completa escuridão. Meu peito martelava dolorosamente martirizado, descompassado. Eu deveria ser o mundo para ela, o seu lobo protetor, no entanto tudo o que eu era, tudo o que ela via era um cachorro peludo. A última palavra dita de seus lábios havia sido: Cachorro! Era como ela via-me, era como os seus olhos me enxergavam. Ela não via alguém, não via em mim uma esperança para salva-la de qualquer perigo, porque para ela, eu era o perigo. Eu, somente eu era o inimigo. O perigo eminente que exterminava tudo o que ela vivenciara e conhecia. Tudo o que ela amava. Eu havia sido merecedor de sua flecha. Havia sido merecedor de seu desprezo, de sua revolta.

Levantei em um pulo da cama em que me encontrava e pude enfim concluir onde eu estava; na casa dos inimigos. Naquela manhã eu havia corrido contra o vento para vencer. Cheio de vingança nos olhos e na alma. Porém, todos os meus atos soaram contraditórios. Eu perdi a batalha e também a guerra que trajava contra meu coração. Eu não só perdi uma vitória naquela manhã aparentemente cinzenta, havia perdido também todos os motivos para querer morrer. A mulher que tentou arrancar a vida de meu corpo foi a mesma que me devolveu ela. Renesmee! O veneno que há poucos minutos percorria em meu sangue não havia sido forte o bastante para separar-me dela, não suficiente para romper a corda invisível que nos mantinha presos.

Eu estaria preso a ela para sempre...

Conclui aquele pensamento com dor. Certamente visível, as incertezas estavam sobrepostas em meu rosto na expressão corrosiva que o marcava. Rubor tomou meus olhos quando pensei que a veria novamente, quando pensei que a olharia nos olhos e veria, como um reflexo, em seus olhos achocolatados como ela me enxergava. Não queria vivenciar novamente de seu desprezo e nem tão pouco experimentar da fragrância que era exalada de seu lindo corpo. Era terror demais para mim, para meu lobo, para a minha magia.

Decidi então sair dali, fugir o mais depressa possível como um covarde que tem medo do que até então era desconhecido. Como um covarde que foge dos sentimentos mais fortes que não consegue conter dentro de seu corpo. Eu queria uivar; esbravejar a dor latente de meu peito e para isso, não poderia permanecer em minha forma humana. Sai em passos firmes do cômodo que me encontrava e chegando a sala presenciei o que até então nunca havia visto. Meus lobos, os vampiros estavam reunidos no mesmo ambiente como se fizessem parte de uma só colônia, do mesmo mundo. Quentes e frios estavam unidos e aquilo para meu ver, era inadmissível.

Eu havia provocado aquilo. O meu imprinting havia provocado. A maldição que percorria em meu ser ao encontro da escolhida havia feito com que meus lobos, minha família se rebaixasse a tal vergonha. E eu como um alpha não poderia permitir aquilo. Olhando para todos que estavam ali presentes eu me rebelei contra eu mesmo. De meus lábios em dialeto quileute eu maldizia os meus deuses, praguejava os guardiões.

Um bolor formou-se em minha garganta e antes que de meus olhos lágrimas febris escorressem, eu fugi. Saindo pela porta explodindo em uma grande bola de pelo amarronzada antes mesmo que pudesse pisar em terra firme. Do lado de fora, a única que assim como eu parecia não se rebaixar aquilo me aguardava; Leah. Não entendia como ela, mesmo sem tantos motivos permanecia ao meu lado. Mais do que uma amiga, Leah também era meu braço direito. Nós parecíamos tão diferentes e ao mesmo tempo iguais. Duas pessoas amarguradas pelo destino, duas pessoas que trilhavam caminhos dolorosos e corrosivos.

– Jacob! – Ela gritou explodindo também em pelos.

“Eu quero ficar sozinho Leah, saia daqui!” – Gritei em pensamento com dor correndo pela floresta.

“Nunca meu alpha.” – Ela pestanejou.

“Leah saia! Eu não quero compartilhar minha dor com você.” – Eu grunhi.

“Eu não irei sair do seu lado só porque você quer. Eu sei que ninguém me suporta; ninguém nunca me quer ao seu lado, mas eu não ligo Jacob.” – Seus pensamentos soavam com angustia. – “Se você quer se sentir sozinho tudo bem, mais saiba que a solidão não é o caminho certo para você conseguir livrar-se do que te abomina”. – Eu tentei ignorar seus pensamentos. – “Jacob!” – Ela gritou. – “Me escute.” – Eu parei. – “Quando eu... sofri por Sam, eu só queria que alguém estivesse ficado do meu lado, mas ninguém ficou e eu me tornei mais amarga do que nunca, e eu odeio isso em mim. Não deixarei que isso aconteça com você. Eu ficarei do seu lado, mesmo que você não me queira.” – Seus olhos eram tristes.

“Lee, você não pode ir para onde eu vou, não é permitido.” – Pensei triste.

“Não vá até o templo, lá não tem nada para você.” – Ela pediu.

“Eu preciso ir. Eu não quero o premio de consolação que eles me deram.” – Falei com dor ao lembrar-me de Renesmee. – “Não irei rebaixar nosso povo pela minha felicidade, não vale a pena.”

“Mesmo não tendo gostado do que te aconteceu, acho que no fundo isso é melhor do que não ter nada para amar.”

“Eu não acho o mesmo.” – Confessei. – “E isso é uma maldição e não amor”.

Deixei a loba branca triste para trás, correndo agora com mais velocidade do que nunca. Meus olhos eram manchados pela escuridão a cada nova investida que minhas patas davam na relva. Meu coração era dilacerado minuto após minuto e a dor que tomava minha alma me levava ao estado de degradação. Estava lutando contra todas as regras, lutando contra tudo o que eu era. Sacrifício. Sacrificava-me para que meu povo pudesse andar em liberdade. Era essa a vida que um alpha levava, ele se sacrificava e morria pela liberdade de seu povo, e era isso que eu como um guerreiro estava fazendo; me sacrificando.

Notas finais
Meus amores o que acharam?
Jacob mostrou-se amargurado ao se deparar com seus lobos e seus inimigos juntos.
O que será que ele fará em relação ao seu imprinting? A Renesmee? Irá fingir que nada aconteceu ou irá se render e se entregar ao que ele sente?
O que ele fará no templo dos guardiões?

Deixei vocês curiosas? Espero que sim!
Comentários? Recomendações?
Mandem!

Até o próximo capitulo amore...
Beijinhos...
By: Milleyd ♥