A Lenda De Shara Shimizu
4 Capítulo 4 - Família
Chagando à cidade, Shara se deparou com crianças brincando próximas ao quintal de uma escola. Reclinou-se em sinal de reverência, pois seus mestre era um amante das artes orientais e procurava ensiná-la sobre cada coisa que conhecia.
Menino: Olhem, um monstro! Corram!
Menina: TIA! — grita enquanto corria e chorava — TEM UM MONSTRO LA FORA!
Shara ouviu tudo em silêncio, resolvendo voltar para seu lar mesmo sem a aprovação de seu mestre. Enquanto dava passos para trás, fechou os olhos e acabou por sentir uma forte sensação de ódio emanando de seu corpo, fazendo com que ficasse com vontade de atacar alguém.
Bland: Shara, o que pensa estar fazendo? Continuemos nossa caminhada. — diz enquanto continua andando
Shara: Mestre, eu... Me sinto estranha...
Bland: Sente todo esse ódio dentro de você. Toda essa vontade de ter sangue em mãos. Poder dilacerar uma presa com facilidade... Sentir a vida escapar por entre suas presas... Não se preocupe criança. Não Fará nada que eu não queira.
Shara: Como você pode saber? Eu poderia matá-lo agora.
Bland: Não. Não poderia. Sabe como estou farto de ouvir suas histórias mediocres sobre si mesma? Vou lhe contar uma história enquanto caminharmos.
Shara olhou para suas mãos e colocou-as sobre seus cabelos, reparando que estavam com mechas brancas. Voltou a andar, apressando mais seus passos assustados, tentando acompanhar seu mestre que estava próximo de alcançar o horizonte.
Bland: Como eu ia fizendo... Contarei-lhe uma história. Há 18 anos atrás, uma família humilde de um vilarejo estava prestes a ser presenteada com um nascimento. A senhora estava grávida de nove meses e logo teria uma criança, porém sua saúde estava debilitada por falta de nutrientes em seu sangue. Seu marido, que era um agricultor conhecido pela vizinhança, estava a trabalho e havia deixado sua mulher aos cuidados de uma parteira. Como não estava muito longe de sua casa, ouviu um grito de mulher e logo deduziu que poderia ser sua mulher, tratando logo de voltar para casa. Ao chegar, viu que sua mulher estava perdendo muito sangue enquanto entrava em trabalho de parto, se desesperando. Ele saiu no quintal e olhou aos céus e, em meio aos gritos de sua mulher, pediu aos deuses que cuidassem de sua mulher e filha. Ao fazer isso, ouviu um silêncio na casa...
Shara: Mestre... Por que está me contando essa história?
Bland: Você logo entenderá... Quando ele entrou na casa, viu sua mulher aparentemente desacordada no leito. Prontamente se aproximou e perguntou sobre sua saúde. Ela disse que estava bem, mas que tinha algo estranho acontecendo. Ao olharem para um cesto coberto por lençóis, viram uma bebê com uma marca estranha...
Shara: A marca... Da maldição... Assim como a minha?
Bland: Isso mesmo. Eles se desesperaram, pois se as pessoas soubessem, poderiam matá-la. Manteram aquele segredo com eles até que ela começou a crescer... Crescia rápido e ficava cada vez mais fria. Um dia, essa menina resolver alegrar a mãe e fez um buquê com rosas vermelhas, mas a mãe se exaltou e colocou-a de castigo, derrubando o buquê. Enquanto dormia, seus pais a pegaram e a venderam para um jovem mago que morava próximo ao vilarejo, para que conseguisse curá-la. Como era muito jovem, ele não conseguiu e manteve-a, cuidando e ensinando-na como se controlar.
Shara parou no caminho, em frente a casa de seus pais e um flash de sua vida passou diante de seus olhos. Toda aquela história estava fazendo sentido para ela.
Shara: Eu... Essa história... É sobre mim... Eu sou amaldiçoada? Por isso pareço esse monstro? Diga-me Bland!
Bland: Esse medalhão em seu pescoço é o que te mantém sobre controle. Não fará algo a menos que eu permita.
Shara: Então... Sou sua escrava?
Bland: É minha Yokai.
Shara: Yokai?
Bland: Essa é sua raça. Sua Maldição. E meu maior desejo é satisfazer seu coração com a vida de que lhe privaram.
Bland se afastou da jovem, batendo na porta da casa com certa firmeza. Ouviam-se passos em direção a mesma que mantinha sua maçaneta intacta. Viradas de chave e a maçaneta se mexendo em função de abrir a porta, trouxe a tona todos aqueles momentos de apego parecidos com pesadelos que nunca acabavam.
Sr. Shimizu: Bland, não é? Ouvi falar de você. Nos conhecemos?
Bland: Lembre-se de uma noite... Há 18 anos atrás... Quando um medo percorreu teu corpo...
Sr. Shimizu: O que você quer conosco? Estamos velhos, doentes, castigados pelo tempo...
Bland: Acalme-se Sr. Shimizu. Eu trouxe-lhe uma surpresa. Está um pouco atrasada, mas foi difícil convivermos nos primeiros anos.
Blando esticou a mão para trás e puxou Shara que se escondia por detrás de seu corpo. Aproximando-se, Shara fez a reverência e o Sr. Shimizu ligo ficou pálido e imóvel.
Shara: Olá Sr. Shimizu. Sinto muito por suas doenças. Espero que se recupere logo.
Sr. Shimizu: Ela é... Ela é...
Bland: Sim. É sua queria filha Shara. Aquela pelo qual se viu obrigado a abandonar.
Shara: Eu.. Ham... Deveria te chamar de Pa...
Sr.Shimizu: Não sei o que você quer, mas não posso ajudá-lo. Melhor tomar cuidado com essa... Ela. Sabe como a cidade é.
Bland: Sr. Shimizu... Se não estou enganado, estava triste ao me entregá-la. Agora, parece estar tentando se ver livre de nós.
Shara: Sera que eu poderia... Sr.
Shimizu: Não. Não pode. O senhor Shimizu fechou rapidamente a porta e tratou de se aconchegar em um local escondido da casa na espera de que seu pesadelo fosse apenas isso.
Shara olhou para seu mestre sem expressas emoção alguma, depois pegou seu medalhão e olhou para ele, fixando o olhar.
Shara: O que devo fazer algo mestre? Qual o propósito de estarmos aqui?
Bland: Quero mostrar a você que as pessoas não são confiáveis. Elas só se preocupam com a aparência perante as outras e o que isso ocasionará para suas vidas medíocres. Ao chegarmos em casa, espero que não me faça mais pedidos de ir até esse lugar. Não estão prontos para ver seus belos olhos verdes e sua pose de linda menina.
Shara: Linda menina com um rabo.
Bland: Sim. Um rabo, orelhas e presas de Yokai. É um bônus. — diz expressando risos
Os dois viraram em direção ao caminho de sua casa e não olharam para os lados. Apenas ouviam o barulho de tempestade que se aproximava cada vez mais rápido e com grande força.
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