A Lenda De Shara Shimizu
5 Contato Humano
Shara estava cansada de tanto andar com o Bland. Então, quando chegaram em casa, ela subiu as escadas, indo até seu quarto. Deitou sobre sua cama e ficou La, imóvel, apenas pensando no motivo de ter ido até aquela cidade. A forma como Bland via as coisas em relação aos humanos, não era como Shara imaginava ser. A tempestade enfim chegou, fazendo a noite virar dia e seus sonhos se tornarem pesadelos. Ou melhor, o mesmo pesadelo de todas as noites. Enquanto estava deleite, Bland subiu as escadas para ver se Shara estava bem. Eles estava preocupado com aquele silêncio repentino, já que Shara sempre estava fazendo barulho em seus treinos matinais.
Ao entrar no quarto, se deparou com a jovem deitada em sua cama descansando e percebeu como ela ficava linda deitada. Bland tratou logo de se sentar no chão, ao lado da cama e acariciar seus cabelos, enquanto se controlava para não cometer um erro... O erro de demonstrar seus sentimentos.
Shara começou a despertar e bocejar de forma a parecer um miado, pois ela ficava linda naquele momento. Esfregou as mãos nos olhos e olhou para Bland que estava ao seu lado, dando um sorriso tímido e breve, tratando de levantar e andar até seu guarda roupas, de onde via-se um cálice e um cajado de gelo.
Shara: Iremos treinar agora, mestre? – pergunta enquanto pegava o cajado
Bland: Não. Hoje está havendo uma tempestade linda la fora... Notei que está me deixando sonolento. Irei aos meus aposentos. Prometa se comportar...
Shara: Prometo mestre.
Bland saiu do quarto e andou em direção ao seu quarto que ficava no final do corredor e fechando-o com uma tranca, selou a despedida de antes.
Shara foi até a janela e ficou olhando para fora, enquanto imaginava como seria bom ter uma vida normal como de todas as outras pessoas. Enquanto pensava, seu estômago estava começando a despertar seu instinto por alimento e a jovem tratou logo de pegar um bolinho de arroz que estava escondido debaixo de seu travesseiro. Ao morder, ouviu um barulho de trovão e se assustou, batendo na estante e derrubando o pó de néctar da lua de seu mestre. Ao cair no chão, o pó perdeu o brilho e ficou escuro como a noite. Desesperada, Shara tratou logo de pegar tudo e esconder, depois pegou uma capa negra e saiu de casa para conseguir mais. A loja da qual seu mestre comprara o frasco ficava na cidade e ela deveria ser breve ou Bland acordaria e veria que ela não estava.
Ao abrir o portão de madeira da casa, notou que a chuva estava muito forte, mas resolveu continuar. O portão rangia, mas nada que fosse tão alto quanto trovões que ressoavam da natureza.
Enquanto corria pela chuva, na esperança de conseguir tempo, notou que estava escurecendo mais rápido do que devia e apressou seus passos.
Ao chegar ao meio do caminho, deparou-se com um jovem caído na grama molhada e respirando com muita dificuldade.
Shara: Está se sentindo bem? Garoto? – pergunta enquanto cutucava-o
Sem ouvir a voz do jovem, tratou logo de arrastá-lo para sua casa e colocá-lo em um lugar seguro. Tentou carregá-lo, mas não conseguiu, já que suas roupas molhadas faziam um peso extra ao corpo. Levantou-o e tentou levá-lo até seu quarto, já que estava começando a respirar melhor e querer acordar.
Ao chegar em seu quarto, colocou-o na cama, tratando de trancar o quarto e acender uma vela perto do jovem.
Olhos trêmulos se abrindo e voz ofegante aumentando era o que Shara observava enquanto estava em seu quarto, trancada.
Shara: Sente-se melhor?
Kevin: Quem é você? – diz tentando se levantar – E onde estou? Lugar estranho.
Shara: Me chamo Shara. E salvei a sua vida. Seja mais grato.
Kevin: Shara? Você é a Shara Shimizu? A Menina da Maldição?
Shara: Não me chame assim! Nasci desse jeito, mas me arrisquei trazendo você até aqui. Se meu mestre souber...
Kevin: Mestre? Você é um bicho de estimação?
Shara: Saia daqui garoto.
Kevin: Desculpe. Não queria magoá-la. Meu nome é Kevin!
Shara: Saia agora... Ou eu faço você sair.
Kevin: Posso... Pelo menos... Conhecer minha salvadora?
Shara se aproximou, no escuro e Kevin pegou a vela para poder vê-la. Ao olhar bem para ela e ver seus olhos brancos, seu cabelo branco e suas orelhas de cachorro, se espantou, deixando a vela cair e se apagar.
Shara: O que foi?
Kevin: Você é... Um Monstro!
Shara: Não... Eu... Eu sou normal. Ta, eu tenho orelhas diferentes, presas, rabo...
Kevin: Você ainda tem rabo? Eu... Eu vou embora daqui.
Shara: Isso! Vá mesmo. Eu devia tê-lo deixado morrer na chuva.
Kevin: É, devia mesmo.
Kevin saiu do quarto, desceu as escadas correndo, abriu o portão e correu para a cidade no intuito de se ver livre daquele pesadelo. Enquanto Shara olhava pela janela, observando aquele garoto ir, notou que ele não parecia tão odioso como seu mestre havia lhe dito.
Mas sentir que era um monstro realmente, mostrava a ela que nunca seria aceita, o que provocou uma lágrima em seu rosto.
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