A Lenda.
2 Capítulo 2 - Bem vindo à Rio Azul.
Notas iniciais
O caminho que percorremos era solitário, e com muitas árvores. De Cristal até Rio Azul eram aproximadamente uma hora de viagem. A kombi de Teo estava lotada de comida, bagagem, edredons e travesseiros.
Sentei no ultimo banco, grudei meu rosto na janela para observar as árvores que passavam, no som tocava The Wolf de Fever Ray, o que deixava tudo mais assustador, estrada solitária, árvores de ambos os lados, e uma lua que radiava um brilho muito intenso.
Pelo canto do olho, pude reparar que Issie estava me olhando, virei o rosto para encara-lo, mas ele desviou o olhar.
– Está com medo ? — disse Miguel, olhando para trás.
– Eu ? Não, só estou com receio. — disse, encarando-o
– Relaxa Lizi — ele soltou um leve sorriso, por um momento achei lindo aquele rosto com pele morena, olhos negros e cabelos iguais de anjos sorrindo para mim — Essas histórias não passam de bobagens que as pessoas contam para o jornal ir até la investigar. Igual a bruxa de Blair, lembra ?
– Lembro — disse olhando para a janela, bruxa de Blair era um filme que falava de jovens que foram acampar, e acabam morrendo, legal né ? bem nossa situação. — Como é a casa que alugamos ?
– É perfeita — disse Ani que estava no banco da frente, junto ao Teo que dirigia, é toda de madeira, e … você vai ver, é linda.
Olhei para fora novamente, fiquei observando a lua, ela estava tão perfeita, grande, brilhante e tão… solitária.
Me deixei levar pelos mais profundos pensamentos, pensei como era minha vida até ali, pensei como seria meu futuro ou se ele acabaria com essa viagem. Calma Lizi, pensava, é apenas uma viagem e toda aquela história não passa de idiotice.
Ani gritou, uma pancada acertou o carro, pulei de susto.
– O que foi isso ? — perguntei, com os olhos arregalados.
– Apenas um morcego, provavelmente ficou meio cego por causa dos faróis, e bateu no carro. — disse Teo — Não foi nada, só deu um pequeno arranhão no vidro.
A noite começou esfriar, ja andamos cerca de quarenta minutos, paramos em alguns pontos para, como diz Issie, esvaziar a bexiga. Não falei de Issie, bem, ele era um garoto alto, nem gordo e nem magro, sua pele era branca igual a minha, seus olhos eram um azul celeste, e seus cabelos, negros e lisos… era o menino que toda garota venerava naquelas revistas adolescentes, eu o achava atraente, nada mais que isso.
Fechei meu moletom, e me apertei no cantinho da kombi para esquentar, Issie que estava do meu lado deu um pulinho para ficar mais próximo, fechei os olhos e adormeci.
—//—
Acordei com Ani abrindo a porta lateral da kombi para descermos, quando minha visão voltou ao normal, percebi onde estávamos. O lugar era lindo, vários vaga lumes ajudavam a iluminar as diversas árvores que tampavam o céu, a cabana ? Parecia aquelas de filme, completamente de madeira, e possuía vários andares, era como se fosse uma casa da árvore versão mansão.
Se por fora era bonita, você não imagina por dentro, parecia aqueles condomínios de luxo, com a decoração seguindo o ultimo padrão de design, trouxemos todas as coisas da kombi para dentro da casa, arrumamos nossas comidas, etc.
Sentamos todos no sofá, ficamos conversando e Miguel tinha colocado um filme de suspense para a gente assistir, Issie se sentou do meu lado, e nas cenas assustadoras eu segurava sua mão, mas por puro impulso.
Uma batida vindo da porta fez todos pularem, quem quer que seja, não teria que estar ali porque ja eram aproximadamente onze horas da noite.
Teo foi até a porta, andando cautelosamente, quando abriu era uma senhora com roupas simples, cabelos presos num coque.
– Sra Matilde, que prazer — o tom de voz de Teo era de puro desprezo. — Obrigado por agendar essa cabana para a gente passar essa semana.
– De nada, vejo que ja colocaram as coisas nos devidos lugares — Matilde olhou para dentro da cabana, quando seus olhos cruzaram os meus, um arrepio percorreu minha pele, e isso não era um bom sinal. — Espero que gostam de Rio Azul, é um lugar lindo e interessante — um sorriso demoniaco abriu na Sra Matilde — Só peço que tenham cuidado com uma coisa.
– O que ? — disse Teo.
– Prometem que não vão no porão — sua expressão ficou séria, como se no porão estivesse seus maiores segredos. — Prometem !?
– An.. prometemos — Teo apertou a porta, provavelmente queria que aquela velha estranha saísse dali.
– Hm, ótimo — sua expressão voltou para o sorriso maléfico — Vai adorar Rio Azul, Lizi, na verdade, vocês todos vão adorar.
A velha se virou e Teo fechou a porta. Todos nem prestaram atenção que a velha rabugenta disse meu nome, a questão é, como ela sabia meu nome ?
Fale com o autor