A Lenda.

3 Capítulo 3 - Mistérios.


A primeira noite foi bem tranquila. Bem, a não ser pelos sonhos que eu tive, não foram bem sonhos, foram mais flashes de imagens aleatórias. Sonhei com vários simbolo estranhos esculpidos em paredes, com risadas maléficas e muito finas que pareciam zumbido de moscas, e com um circulo pegando fogo, dentro dele, a Sra Matilde.

Acordei num sobressalto, o sol já estava alto, pássaros cantavam, beija flores sugavam o néctar das plantas, na cama ao meu lado, Issie roncava. Levantei, calcei minhas sandálias de couro, fui até o banheiro e coloquei uma camiseta com a bandeira da Inglaterra estampada e um shorts jeans preto, amarrei meus cabelos num coque alto e fui tomar café.

Teo e Ani já estavam sentados a mesa, perguntei de Miguel e eles responderam que ele ainda dormia, me sentei a mesa, tomei uma xícara de café bem demorado, precisava de algo que me acordasse realmente após aqueles sonhos ou visões.

Levantei, queria dar uma volta pela floresta e ver o que realmente era aquele lugar.

– Vou dar uma volta pela floresta, quero conhecer aqui. — disse, calçando meus tenis. — Daqui a pouco volto.

– Ok, quer que eu vá junto ? — Ani disse

– Não precisa, obrigado Ani — Abri a porta e sai para o verde, para o desconhecido.

A floresta era realmente linda, com árvores de todos os tamanhos, flores de todas as cores, a vida irradiava daquele lugar, respirei fundo e subi a estrada de terra, dando para o riacho e para mais árvores.

Andei até a margem do lago, sua água era tão cristalina que eu pude observar os peixes nadando, ajoelhei e experimentei tomar um gole, era limpa, doce e muito boa.

Um barulho de folhas se mexendo surgiu no horizonte, observei e vi algo se movendo entre as árvores, levantei e fui correndo ao encontro daquele vulto, entrei realmente na floresta, não demorou muito para eu perceber que não sabia mais voltar para casa, só me restava seguir aquela coisa.

Parei para recuperar o folego, e percebi que aquele vulto havia me levado para a área mais escura da floresta, onde o sol não conseguia alcançar o chão, e se perdia nos galhos. Quando recuperei a energia e realmente consegui observar onde estava, fiquei paralisada.

Estava na entrada de uma gruta.

Parecia que ela havia um aviso na entrada de “Entre aqui e morra” mas eu teimosa, entrei.

Por dentro os tetos eram forrados de estalactites, ouvi barulhos de gotas que caiam em alguma superfície molhada, apalpei o bolso de meu shorts a procura do celular para iluminar, por sorte havia colocado ali antes de ir tomar café.

Peguei o celular, acendi sua lanterna e percebi vários, vários insetos em torno da gruta, insetos que brilhavam, que pareciam vaga lumes, mas tinha certeza de que não eram vaga lumes.

Um deles veio voando ao meu encontro, estiquei a mão e ele pousou, trouxe até os olhos para observar de mais perto e meu queixo caiu.

O inseto possuía pés, mãos, cabeça, e asas um pouco compridas… fadas.

Ela levantou voo e deixou um rastro de pó rosa pelo caminho que percorreu, era impossível aquilo que estava vendo, uma gruta de fadas, seres que para mim, eram indefesos, mágicos e inocentes.

Até vários deles voarem em minha direção, ouvi aquela mesma risada maléfica que apareceu nos meus sonhos, pó de várias cores caiam sobre minha cabeça, minha visão ficou turva, e desmaiei.