A Lenda.
4 Capítulo 4 - Gruta
Acordei tossindo, olhei em minha volta, tudo escuro, peguei meu celular e apertei o botão, esperando que uma luz acendesse, nada. Tinha acabado a bateria.
Levantei aos tropeços… por quanto tempo havia permanecido desmaiada ? A essa altura, meus amigos provavelmente já estavam atrás de mim, eu estava desesperada, sem saber onde era a saída, o oxigênio começou a fazer falta em meus pulmões, respirava com força, eu tinha que achar um jeito de conseguir iluminar… mas só havia um deles.
Fadas.
Precisava fazer elas iluminarem a gruta para eu conseguir saber onde é a saída, mas e se elas jogassem aquele pó em mim de novo ? e se quisessem me matar ? Nunca se sabe vindo de fadas com risadas demoníacas.
Bati palma, esperando milhares de seres voarem em minha direção, mas nenhuma fada brilhou, o barulho de minha palma ecoou atrás de mim, pensei que ali havia um corredor. Fui andando devagar com minhas mãos raspando nas paredes, para saber que direção estava tomando, por incrível que pareça consegui achar a saída, um sorriso leve se abriu em meu rosto, só andar mais um pouco e pronto, estava livre.
Ou quase.
Uma força invisível agarrou em meu pé, me arrastando de volta para a escuridão da caverna, eu gritava com todas minhas forças, mas minha voz não passava de um ruido, alguma coisa, que parecia unhas, rasgaram minha perna, senti meu sangue escorrer, sangue frio, gelado, de sentimentos vazios, de morte.
Fechei os olhos, esperei a morte vim me cumprimentar, um filme passou em minha cabeça, de toda minha vida, tomei coragem e gritei com todas as forças que tinha.
Para minha sorte, o grito fez a mão invisível soltar minha perna, e provavelmente fez meus amigos ouvirem, mesmo estando longe a gruta fez ecoar dez vezes mais alto.
Apenas esperei, com a perna rasgada, tremendo, e com medo.
Chorei, não havia outra coisa para eu fazer, apenas chorei, esvaziei tudo o que estava sentindo, vi um flash de lanterna na entrada da gruta, Issie veio correndo ao meu encontro, e me pegou no colo.
– Você ta bem ? Ah meu Deus, o que aconteceu com sua perna ? — Issie me carregou no colo, ele era até que forte.
– Meu Deus Lizi, você está bem !? — Ani chegava com os demais, sua expressão de puro horror.
– Gente, só preciso de um pouco d’agua, depois eu conto tudo, por favor, não estou aguentando de dor.
—//—
Miguel aplicou remédio em minha perna e em seguida a enfaixou, tomei um copo d’água e deitei no sofá, só queria saber a verdade, e depois… ir embora.
Contei a eles sobre meus sonhos, contei sobre o vulto, sobre as fadas, sobre a força invisível, cada frase que contava era um suspiro, uma expressão diferente.
– Precisamos ir no porão — disse, por fim.
– Por que ? Você está louca, aquela velha maluca nos proibiu de entrar la — Ani disse, levantando-se do sofá.
– Por isso mesmo, o que quer que esteja la dentro, é alguma explicação do que acontece nessa floresta.
– Lizi está certa — Teo comentou.
– Então vão vocês, vou continuar aqui em cima. — Ani subiu as escadas, provavelmente para seu quarto.
– Querem ir la agora ? — Miguel perguntou.
– Espera amanhecer — disse — preciso pelo menos conseguir andar.
Quando fui dormir, em minha cabeça refiz todos os problemas que havia enfrentado no dia, seja o que for que estiver naquele porão, espero que responda minhas perguntas, o que é essa floresta ? o que realmente vive nela ? e porque todos os turistas simplesmente desaparecem ou…. morrem?
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