A Lei da Amizade
3 Capítulo 3 - "O Mar Levou o Meu Coração"
Notas iniciais
— Aoi!!! O que foi isso? Meu Deus, a lancha… a lancha do Henry… a Kaori… não, não pode ser… NÃO PODE SER! (Aoi cai de joelhos, tremendo e chorando descontroladamente).
As pessoas que estavam no porto começam a gritar desesperadas. Em poucos segundos, uma multidão se forma perto da beira do mar, tentando entender o que havia acontecido. A explosão ainda ecoava entre os rochedos e um cheiro forte de gasolina queimando tomava o ar.
— ALGUÉM CHAME OS BOMBEIROS! AGORA! — grita um homem em francês, correndo em direção ao píer.
— Kaori… Kaori… por favor… — Aoi mal conseguia respirar, as mãos tremiam, o rosto estava pálido. Ela tenta levantar-se, mas suas pernas parecem ceder.
Do outro lado do porto, alguns pescadores já corriam em direção ao local do acidente com boias e cordas.
— A senhorita conhece a jovem que estava na lancha? — pergunta um policial recém-chegado.
— S-sim… ela é minha melhor amiga! Por favor, encontre ela, por favor… — Aoi soluça.
A fumaça subia do mar. A água fervilhava com destroços sendo levados pela correnteza.
Enquanto isso, em Dragon City…
Kousei estava se preparando para viajar até Hiroshima no dia seguinte. Tinha passado a manhã tocando piano, tentando espantar a sensação ruim que o acompanhava desde cedo.
— Isso deve ser só ansiedade pela volta da Kaori… — ele diz para si mesmo, tentando rir.
(toc, toc)
— Encomenda para Arima Kousei — diz o carteiro.
Era uma pequena caixinha vinda de Paris. No remetente: Kaori Miyazono.
— Mas… ela não me disse que tinha mandado alguma coisa — estranha Kousei.
Antes de abrir, o celular dele toca. Ele atende sorrindo, acreditando ser Kaori.
— Amor? Já terminou o passeio? — pergunta ele animado.
Mas não era Kaori.
— Alô… é o senhor Arima Kousei? — diz uma voz séria, com forte sotaque francês.
— S-sim… sou eu. Quem está falando?
— Aqui é o Corpo de Bombeiros de Paris. Precisamos que o senhor mantenha a calma…
O coração de Kousei desaba de imediato.
— O que aconteceu? Onde está a Kaori? O QUE ACONTECEU COM ELA? — grita, já sem ar.
— Houve um acidente de lancha. A embarcação colidiu com uma rocha e houve uma explosão. Estamos realizando buscas no momento…
Kousei deixa o celular cair. O mundo some. Sua visão escurece e ele cai de joelhos no chão, sem conseguir emitir som algum.
— Não… Kaori… meu amor… — murmura, trêmulo.
Hiroshima – Casa da Nanaka — Horas antes da reunião do clube.
— Nanaka, já organizei os lanches e limpei a sala. Achas que o Shuu vai gostar da ideia do Hidaka? — pergunta Watari.
— Acho que sim, mas… preciso confessar que estou com um mau pressentimento — responde Nanaka, olhando pela janela, inquieta.
— Mau pressentimento? Por quê? — Tsubaki pergunta, chegando com Shuri.
— Não sei… desde cedo estou estranha. Como se algo terrível fosse acontecer.
— Relaxa Nana, deve ser só nervoso porque o Hidaka vai estar aqui — brinca Shuri.
— Shuri! — Nanaka fica vermelha.
Todos riem. A campainha toca.
— Deve ser ele — diz Watari.
Nanaka abre a porta. Hidaka estava ali, sorrindo, mas assim que entra, percebe que ela estava séria.
— Oi… está tudo bem, Nanaka?
— Está… acho que só estou cansada — ela tenta disfarçar.
Mas antes que qualquer um pudesse dizer algo, o telefone fixo da casa começa a tocar, sem parar.
— Nossa, quem será às 20h? — diz Tsubaki, atendendo.
— ALO? … Sim sou eu… QUI— QUÊ?!
Todos olham para Tsubaki, que empalidece.
— Tsubaki? O que houve? — pergunta Nanaka, preocupada.
— K-Kousei… aconteceu uma coisa… com a Kaori…
O silêncio que se segue é pesado. Duro. Frio.
Tsubaki continua:
— Ele está indo agora para Paris… ele disse que o Corpo de Bombeiros ligou para ele… a Kaori… a lancha… ela… ela—
Antes de terminar, Tsubaki desaba em choro, algo raro para ela.
Nanaka leva a mão à boca, chocada.
Watari se deixa cair no sofá, sem expressão.
Shuri abraça a irmã.
Hidaka fecha os olhos, sentindo o peito apertar. Mesmo não sendo tão próximo de Kaori quanto antes, aquilo mexeu profundamente com ele.
— A Kaori… não… não pode ser… — Nanaka diz, chorando.
Paris — Final da tarde
Aoi observa o mar em silêncio, enquanto paramédicos tentam confortá-la. Alguns destroços foram recolhidos, mas nada, absolutamente nada de Kaori havia sido encontrado.
— Mademoiselle, precisamos que venha conosco ao hospital. Você está em choque — diz a paramédica.
— Não… eu preciso esperar… ela vai aparecer… ela tem que aparecer… a Kaori prometeu que ia voltar para o Kousei… ela prometeu… — Aoi chora, sem forças.
De repente, uma equipe de salvamento grita:
— ACHAMOS UM COLETE! É DELA! TEM NOME: "KAORI MIYAZONO"!
Aoi leva as mãos ao rosto e desaba.
Dragon City — Aeroporto
Kousei, atordoado, entra no avião às pressas. O mundo à sua volta era apenas um borrão. Nada fazia sentido. Nada tinha cor.
— Kaori… espera por mim… eu estou indo… — sussurra com a voz trêmula.
Ele aperta o pequeno pacote que ela enviara. Dentro havia apenas uma caixinha de veludo e um bilhete:
"Amanhã, quando eu voltar, quero começar o resto da minha vida contigo."
Kousei fecha os olhos, o bilhete tremendo entre seus dedos.
— Por favor… não me deixe… não você também…
O avião decola.
E, pela primeira vez desde que perdeu a mãe…
Kousei sente que talvez nunca mais consiga tocar uma única nota.
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