A Lei da Amizade

4 Capítulo 4 - "Entre a Esperança e a Dor"


Notas iniciais
Os amigos de Kousei decidem ir a Paris prestar apoio.

Paris — Amanhecer cinzento

O avião pousa lentamente em Paris sob um céu pesado, carregado de nuvens escuras. Kousei parece um fantasma caminhando pelo aeroporto. Os olhos vermelhos, os passos lentos, as mãos tremendo.

— Senhor, o senhor está bem? — pergunta uma atendente da companhia aérea ao notar o estado dele.

— Só… só preciso chegar ao porto… minha… minha noiva… — ele engasga com a palavra, apertando o bilhete de Kaori no bolso.

Do lado de fora, o vento frio corta seu rosto. Ele respira fundo, tentando manter-se de pé. Um taxi estaciona.

— Porto de Paris, por favor… é urgente — diz com a voz falha.

No Porto

Aoi estava sentada em uma maca, com um cobertor sobre os ombros. O rosto estava inchado de tanto chorar. Quando vê Kousei se aproximando ao longe, ela cobre a boca com as mãos.

— K-Kousei…

Ele corre até ela, ajoelhando-se ao seu lado.

— Aoi… me diz… por favor… me diz que ela está viva… me diz que encontraram ela… — ele segura os braços da amiga, desesperado.

Aoi não consegue responder. Apenas chora.

— Aoi! Fala comigo! Por favor! — Kousei grita, abalado.

Um bombeiro se aproxima.

— Senhor Arima… infelizmente… ainda não localizamos a senhorita Miyazono. As buscas continuam, mas… a explosão foi muito forte. Estamos fazendo o possível.

Kousei olha para o mar. Um mar enorme, escuro, impiedoso.

Ele sente como se estivesse olhando para um abismo.

— Ela… ela sabia nadar. Ela é forte. Ela vai voltar… — ele murmura, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa.

Aoi abraça Kousei, que finalmente desaba no ombro dela.

Hiroshima — Noite do mesmo dia

O clube de amizade, que havia se reunido para celebrar uma nova fase, agora estava silencioso como um velório. Cada um, em um canto da sala, tentava assimilar a notícia.

— A Kaori… não… não consigo aceitar isso… — diz Shuri, apertando as mãos.

— Ela não pode ter… a Kaori é forte… ela sempre foi… — Nanaka diz, mas suas palavras tremem.

Watari olha para o chão sem dizer nada.

Tsubaki limpa as lágrimas sem sucesso.

Shuu mantém as mãos unidas, rezando baixo.

Hidaka sobe no pequeno degrau da sala, onde costumava anunciar as atividades do clube quando eram crianças.

— Escutem… — sua voz falha. — Nós… nós não podemos desistir da Kaori. Nem de apoiar o Kousei. Ele está sozinho lá.

Nanaka sente o coração apertar ao imaginar Kousei tentando enfrentar aquilo sem ninguém por perto.

— Hidaka… eu acho que… nós precisamos ir até ele — diz Nanaka, com coragem repentina.

— Ir? Para Paris? — pergunta Tsubaki surpresa.

— Sim. Ele perdeu a mãe muito cedo… e agora está correndo o risco de… perder a Kaori. Ele vai desmoronar. Nós somos os amigos dele. Nós somos o clube dos laços inquebráveis, lembram? — Nanaka continua, com lágrimas descendo.

Shuu aperta os punhos.

— Nanaka tem razão. A gente sempre disse que nunca abandonaria um ao outro. Está na hora de provar isso.

Hidaka a observa. No fundo, sente orgulho dela.

— Vamos juntar dinheiro, ver passagens, falar com nossos pais… mas vamos — diz Hidaka.

Tsubaki limpa o rosto, determinada.

— Eu vou. Kousei sempre cuidou de mim… agora é minha vez de cuidar dele.

Todos concordam, um por um.

Nanaka respira fundo.

Seu coração estava dividido: dor pela amiga… e medo do que encontraria em Paris.

Paris — Área de Busca

Ao entardecer, os barcos de salvamento retornam. Kousei corre até eles, com esperança em cada passo.

— Encontraram? ELA ESTÁ AÍ? POR FAVOR! — ele grita.

Um bombeiro desce da embarcação devagar.

— Senhor Arima… encontramos mais alguns pedaços da lancha… e o violino da senhorita Miyazono.

Ele mostra o instrumento chamuscado, quebrado, ainda com restos de fita rosa presa ao estojo.

O mundo de Kousei desaba novamente.

Ele pega o violino nas mãos.

As mãos tremem.

Os olhos ardem.

O ar falta.

— Esse… esse violino… era o sonho dela… — ele murmura, encostando a testa no instrumento destruído.

Aoi chora novamente.

O bombeiro continua, em tom baixo:

— As chances de encontrá-la com vida diminuem a cada hora… mas não vamos parar.

Kousei cai de joelhos no chão molhado, abraçando o violino.

— Kaori… por favor… volta pra mim… eu não sei viver sem você…

Aoi tenta segurá-lo, mas ele parece distante, quebrado.

Um céu pesado começa a chover.

Kousei não percebe.

Tudo o que sente é o som do mar engolindo o que restava da sua vida.

Hiroshima — Noite

Nanaka olha para o celular, lendo e relendo o nome de Kousei nas mensagens antigas.

Sua mão treme.

— Kousei… aguenta firme… estamos indo… — ela sussurra.

Mas ao fechar os olhos, uma sensação inquieta a açoita.

O clube de amizade seria testado como nunca antes.

E a vida de cada um deles estava prestes a mudar para sempre.